Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
14 O Fruto do Proibido
O boticário de Ester, que costumava ser um lugar de cura e aromas suaves, estava carregado com um silêncio sufocante. Anastácia havia desmaiado no corredor após mais uma manhã de recusa alimentar e respostas ácidas. Agora, ela repousava em uma maca de madeira, enquanto os quatro pilares de Tara — Luan, Dominic, Maya e Ester — aguardavam na saleta adjacente.
Luan andava de um lado para o outro, os punhos cerrados. Dominic permanecia sentado, os olhos fixos na porta fechada, enquanto Maya e Ester trocavam olhares de um temor silencioso que as mulheres da família pareciam compartilhar antes mesmo dos homens.
A porta rangeu. O médico real, um homem grisalho que vira Anastácia nascer, saiu com o semblante grave. Ele limpou as mãos em um pano de linho e encarou o Rei.
— Majestade — começou ele, a voz baixa. — A Princesa está acordada, mas muito fraca. O desmaio não foi apenas exaustão ou tristeza.
— Diga logo, homem! — explodiu Luan, a ansiedade atingindo o limite. — O que minha filha tem?
O médico suspirou, olhando brevemente para Ester, como se buscasse apoio na antiga curandeira.
— A Princesa Anastácia está grávida. Pelos meus exames e pelo estado do pulso, faz quase dois meses.
O mundo pareceu parar. Luan estacou, o rosto perdendo toda a cor. Maya levou a mão à boca para sufocar um soluço, enquanto Ester fechava os olhos, murmurando uma prece antiga. Dominic, por outro lado, apenas apertou com mais força o seu cajado; para ele, a notícia era a confirmação física de um destino que ele já vira escrito nos olhares.
— Dois meses... — sussurrou Luan, a voz falhando enquanto ele fazia os cálculos mentais. — Foi antes da viagem ao Norte... ou durante.
— Foi na caverna — Maya disse baixinho, as lágrimas finalmente caindo. — A noite da tempestade.
Luan sentiu uma fúria cega misturada a uma dor lancinante. O homem que ele chamava de irmão não apenas desejara sua filha; ele deixara nela uma marca que nenhum exílio em Mônaco poderia apagar. O "segredo vergonhoso" que Marcos tentara evitar ao fugir agora crescia no ventre da herdeira de Tara.
— Ele sabia — rugiu Luan, chutando uma cadeira de madeira que se estilhaçou contra a parede. — Ele sabia e fugiu! Deixou-a aqui para carregar esse peso sozinha enquanto ele se definha de culpa em Mônaco!
— Ele não sabia, Luan — interveio Dominic, sua voz de trovão silenciando a raiva do filho. — Marcos partiu para salvá-la da desonra. Se ele soubesse que o sangue dele já estava nela, ele nunca teria cruzado aqueles portões. Ele teria ficado para enfrentar a sua espada.
Ester levantou-se e caminhou até o genro, pousando a mão em seu peito, onde o coração dele batia descompassado.
— A criança que ela carrega é um Mackenzie, Luan. É o seu neto. É o sangue de Dominic, o seu sangue e, sim... o sangue de Silas. Você pode odiar o pai, mas não pode odiar o fruto. O que você fará agora? Vai deixá-la enfrentar a maledicência do reino ou vai trazer o homem que a colocou nessa posição para assumir o seu lugar?
Luan olhou para a porta do quarto onde Anastácia estava. O ódio por Marcos lutava contra o amor pela filha e pelo neto que ainda nem nascera.
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