​Dez anos se passaram desde que as cinzas de Dominic e as preces de Ester se tornaram parte da terra de Tara. O reino florescia sob uma era de prosperidade sem precedentes, onde as fronteiras entre o dever e o afeto se tornaram tão fluidas quanto as águas do grande rio que cortava as terras Mackenzie.

​O Pátio do Meio-Dia

​O pátio interno do castelo estava vivo. O som do aço contra o aço ressoava, mas não era o som de guerra, e sim de instrução. O jovem Dominic, agora com dez anos, exibia a agilidade do pai e a determinação da mãe sob o olhar atento de seus mestres.

​Luan e Michael estavam sentados em um banco de pedra, observando o treino. Luan, com os cabelos agora salpicados de prata, mantinha o porte de um rei que encontrara a paz. Ao seu lado, Michael, vindo de Mônaco para a celebração anual da família, exibia a mesma elegância solar de sempre.

​— Ele tem o pé esquerdo de Silas, infelizmente — comentou Michael, com um sorriso de soslaio, referindo-se à técnica de esgrima que Marcos herdara.

​— Mas tem o coração do nosso velho — rebateu Luan, rindo. — Ele não desiste de um golpe até que o oponente esteja exausto. Veja como ele olha para Marcos.

​A poucos metros, Marcos corrigia a postura do filho. O Conde de Mônaco parecia ter rejuvenescido; a amargura que antes vincava seu rosto fora substituída por uma serenidade firme. Ele não era mais o "segredo vergonhoso", mas o General Consorte respeitado por todo o reino.

​O Conselho das Rainhas

​Nas sacadas que davam para o pátio, as três mulheres que mantinham a estrutura de Tara conversavam.

​Maya, a Rainha, segurava um pergaminho de leis sobre a educação de órfãos — uma causa que abraçara em honra à sua própria origem. Ela era o equilíbrio de Luan, a voz que sussurrava justiça quando o poder tentava ser absoluto.

​Catarina, ao seu lado, observava o movimento de Mônaco através de relatórios trazidos por Michael. Ela era a ponte diplomática, a força que garantia que a aliança entre os dois reinos permanecesse inquebrável.

​— Eles cresceram bem, não é? — perguntou Anastácia, aproximando-se das duas. Ela carregava no pescoço o amuleto de âmbar que pertencera a Ester. — O reino, os homens... e nós mesmas.

​— Nós sobrevivemos à tempestade, Anastácia — respondeu Maya, pousando a mão no ombro da filha. — E transformamos o vento em algo que nos impulsiona. Olhe para eles.

​A Unidade Final

​Quando o treino terminou, a família se reuniu no centro do pátio. Marcos entregou a espada de treino ao filho e caminhou até Anastácia, abraçando-a diante de todos. Não havia mais protocolos que impedissem o afeto público; o amor deles era a lei de Tara.

​Michael e Catarina se aproximaram, trazendo consigo as notícias do Sul, enquanto Luan se juntava a Maya. Naquele momento, no coração do castelo, a imagem era de uma unidade absoluta.

​Maya e Michael, os gêmeos que Dominic legitimara, agora eram os pilares de duas nações. Luan e Marcos, os irmãos que a vida quase separara, eram os guardiões de um mesmo sangue. E Anastácia, a nova Druida da linhagem, era o elo que unia o passado de Ester ao futuro de seu filho.

​O sol de Tara brilhou intensamente sobre o grupo. O Leão e a Druida podiam ter partido para o jardim eterno, mas naquele pátio, através do riso de Dominic, da sabedoria de Maya e do amor de Marcos e Anastácia, eles provaram que o verdadeiro legado não é feito de pedra, mas de escolhas que transformam sombras em luz.

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