Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
3 A Dança da Lâmina e do Desejo
O pátio de treinamento de Tara, outrora o reino absoluto de Marcos, parecia estranhamente íntimo naquela manhã. Anastácia já estava lá, aquecendo-se com movimentos fluidos e precisos. Ela segurava uma espada de treino, equilibrada e bem gasta, uma arma que ela mesma aprimorara ao longo dos anos.
Marcos aproximou-se em silêncio, vestindo uma túnica de linho escuro e calças de montaria robustas. Ele pegou uma espada semelhante do rack de armas, o metal frio familiar e reconfortante em sua mão. Ele parou a poucos metros dela, medindo-a.
— Dez anos, pequena fera — Marcos disse, o tom de voz seco e a expressão de pedra. — O tempo não perdoa os lentos, nem os preguiçosos. Vamos ver se você aprendeu alguma coisa ou se apenas passou a década cuidando da maquiagem e dos vestidos de seda.
Anastácia sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos.
— Tente não quebrar uma unha, Conde. Eu não pretendo facilitar para você.
Ela atacou primeiro. Foi um movimento rápido e agressivo, um ataque direto que Marcos desviou com um movimento casual do pulso. Ele revidou com uma investida calculada, uma técnica que usara milhares de vezes para derrubá-la quando criança. Mas Anastácia não estava onde ele esperava.
Ela girou o corpo com a graça de uma bailarina e a precisão de um felino. O ataque de Marcos encontrou o vazio. Antes que ele pudesse se reorientar, ela estava em seu ponto cego, a ponta de sua espada de treino pressionando suavemente contra o lado de seu pescoço.
— Um segundo mais lenta — ela sussurrou, a voz baixa e intensa, o hálito quente roçando na orelha dele — e o Conde de Mônaco seria um homem morto.
Marcos paralisou. A velocidade dela, a técnica... não era nada que ele a tivesse ensinado. Ele a segurou pelo pulso, afastando a espada dele, e olhou nos olhos dela. A "pequena fera" não estava mais lá. Diante dele estava uma mulher de uma beleza estonteante, cuja proximidade fazia o ar parecer mais denso.
O Olhar do Velho Leão
A poucos metros dali, na varanda superior, Dominic observava a cena em silêncio, apoiado em seu cajado de carvalho. Ele tinha oitenta anos, a barba branca e os olhos sábios que viram reinos subirem e caírem. Ele captara o breve instante de hesitação de Marcos, a intensidade do olhar de Anastácia e a química perigosa que vibrava entre eles.
Ester aproximou-se, envolvendo a mão dele com a dela, o rosto marcado pela preocupação.
— Você viu, Dominic? A forma como ele parou? A técnica dela?
— Eu vi, Ester — Dominic respondeu, a voz profunda e grave. — Marcos subestimou a mestre dela. E superestimou a própria armadura de cinismo.
— Eu estou preocupada — confidenciou Ester, baixando o tom de voz. — Luan está planejando casar o Marcos com uma nobre estrangeira para fixá-lo aqui. Mas o que eu acabei de ver... não é a lealdade de um mentor. É o começo de algo proibido. Algo que pode incendiar a paz de Tara.
Dominic apertou a mão de Ester com firmeza.
— O destino não reserva lugares, minha druida; nós os conquistamos com escolhas. Mas eu temo que as escolhas que vêm a seguir não serão fáceis para nenhum deles. A batalha não é mais com espadas, Ester. É no terreno perigoso do coração.
No pátio abaixo, Marcos soltou o pulso de Anastácia e deu um passo para trás, recuperando a compostura.
— Técnica impressionante — ele admitiu, a voz novamente de pedra, embora seus olhos ainda queimassem. — Mas a técnica não vale nada se você hesitar no momento final. De novo.
O treino continuou, mas ambos sabiam que a dança da lâmina já se transformara em algo muito mais perigoso. O Velho Leão e sua Druida continuavam a observar, sabendo que a tempestade estava apenas começando.
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