Observando-me.

1 Ele estava sempre ali...e isso me preocupa.


Notas iniciais
HOLA! Então, postei uma one só para mudar um pouco me maré de yaois.
Espero que gostem, fiz quando estava sem internet, haha!
Até as notas finais ~

Já tinha ouvido a mesma música umas quinhentas vezes quando o telefone tocou. Era minha melhor amiga dizendo que eu deveria parar de ser dramática e ir para a escola. Ela não tinha noção das coisas aqui dentro desse quarto, não poderia saber de nada.

Estava deitada no chão, no meio de lixo. Folhas amassadas, lenços de papel, pedaços de sanduíches recheados de nada, café derramado, copos sujos, roupas amassadas e livros, que não se incluíam em “lixo”.

Só se fosse o lixo da alma.

Fechei os olhos tentando fingir que não estava ali e arremessei o celular contra a parede ao ouvir seu toque de mensagens, vindos de uma operadora avulsa ao que eu sentia, e mesmo que soubesse, não daria a mínima e nem enviaria mensagens dizendo:

“Sabemos que está mal, melhoras...Ah, e seus créditos acabaram.”

Tentei levantar, mas minhas pernas estavam fracas. Rolei no chão sujo e senti as lágrimas descerem. O que acontecia com a minha vida? Abrindo os olhos, vi-o mais uma vez, mas como sempre, ignorei sua presença.

Ele sempre estava ali.

Minha mãe estava louca. Meu pai quem dizia isso. Tinha apenas seis anos quando vi minha mãe sendo atirada para dentro de um hospício por meu pai. Desde aquele dia, ela era sempre “a louca”.

Vivi com meu pai por muitos anos, mas aos 13 ele foi morto por homens da máfia, por lhes dever dinheiro em cassinos. Moro com minha tia hoje, mas ela é muito idosa e não pode cuidar de mim.

Minhas notas são péssimas. Quando anoitece, eu saio pelas ruas fumando um cigarro e procurando um uísque para beber e alguém para beijar. Não tinha nada, até encontrá-lo.

Seu nome era J. Isso, só uma letra, e logo o “Jota”. Não o encontrei, para falar a verdade. Ele havia me encontrado em um banco de praça, olhando uma fonte sem ter nem um centavo para jogar ali.

Chegou sem dizer nada e sentou-se ao meu lado. Olhava-me pelo canto dos olhos e eu fingia não ver. Ofereceu-me uma moeda para jogar na água, e aceitei, entediada e completamente acabada de mais uma noite de festas.

Conversamos um pouco. Ele disse que não parecia o tipo de garota que vai em festas naquele horário, e ri. Minha mãe dizia que tinha um anjo em vez de uma filha...mas ela também dizia que via um assassino na janela à noite, e ela dormia no segundo andar.

Trocaríamos telefones, mas nenhum dos dois tinha um, então trocávamos cartas. Sim, mesmo podendo enviar um e-mail, conversávamos por cartas. Ele dizia que nas cartas, podia sentir o meu cheiro melhor.

Nós tínhamos gostos musicais parecidos. Dividíamos o fone de ouvido na mesa da cafeteria. Eu tomava café puro, ele um capuccino. J. dizia que o mundo todo ao nosso redor era uma história à ser contada, e eu pedia que ele explicasse.

Horas de conversas.

Acabei me apaixonando por ele, sem saber muito mais do que ele me dizia. Às vezes ele ia me visitar, e sempre sugeria que eu fosse ver minha mãe no hospital. Passaram meses e tive de me declarar para ele e namoramos.

Mais meses e ele continuava insistindo para que fossemos, e aceitei.

Minha mãe agiu como se conhecesse ele, mas este não proferiu uma palavra. Sorria e correspondia o abraço forte que ela lhe dava. Senti pena da minha mãe, que me dizia cada vez mais que tinha um anjo em vez de uma filha.

Ficamos muito tempo juntos, vendo filmes e tudo mais. Minha única amiga nem se importava quando eu falava, mas me sentia bem de estar ali. Ela ignorava o que eu tinha à dizer, mas queria sempre ser escutada.

Escutava.

Mas um dia, J. apareceu e disse que tinha que ir. Pedi explicações e mais explicações. Brigamos e ele disse que estava com outra. Bati nele e fui sofrer em silêncio.

Como ele poderia mentir para mim?

J. não tinha outra.

Ele não tinha ninguém, na verdade. Eu sabia que não.

Era louca, como minha mãe.

J. só existia para mim, na minha mente, e mais ninguém o via. Somente eu e minha mãe poderíamos falar com quem não existia.

Os homens de branco pensam que eu não sei. Esse não é meu quarto original, mas tive de fazê-lo assim. As paredes são claras demais e na verdade não consigo levantar do chão, que também é limpo e branco.

Meus braços estão presos e as lágrimas não param.

Por que ele não vai embora? Por que insiste em continuar atrás de mim, depois de me abandonar? Os homens aparecem de novo. Quero ir embora, ele tem que me deixar. Sou levada para uma outra sala, mas ele continua ali.

Até que injetam algo em meu pulso.

Mesmo querendo fugir dele, J. continua me olhando...

E dessa vez, só ele.

Notas finais
Que coisa, não?
Nhom, espero que tenham gostado! Qualquer coisa, COMENTEM U--U
rçrçrç ♥ Amo vocês, bai.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!