Obscuro

6 Capítulo 5 - Presa


Notas iniciais
Olá pessoas

Ainda posso sentir a dor arrastando-me em direção à fraqueza, de encontro a inexistência. A marca escura no lugar em que o maldito objeto fora pressionado, encontra-se em meu pescoço. Quero gritar, mas a voz não se liberta de meus lábios. Sinto o chão gélido e sujo sob mim e me pergunto onde estou.

Minha cabeça lateja, porém assim que lembro da voz que me perseguira antes de eu ceder a dor, arregalo os olhos na escuridão e sinto pânico. Eu sou idiota. Muito idiota mesmo. Sinto raiva quente e recente se embrulhando em meu estômago. Eu deveria ter notado. Se tivesse, não estaria aqui.

Aliás onde estou?

Diferente do quarto sofisticado, estou em algum lugar escuro e solitário. Não vejo nada. Ergo-me do chão e sento por um breve momento. A profundidade da escuridão engolindo-me. Assim que tento me erguer por completo, a dor lancinante retorna, subindo dessa vez pelos meus braços. Meu pulso parece em chamas.

Retorno ao chão, trêmula, para evitar a dor.

Estou morta?

Não.

Ouço um barulho diferente e fico alerta. Passos se seguem e se aproximam cada vez mais no completo breu. Meu coração acelera e cerro os dentes. Não acredito no tamanho de minha incapacidade. Capturada por um humano tolo, estou agora, esparramada no chão, temendo. Oh, isso é o que mais detesto. Eu sinto como a sensação me causa arrepios que menosprezo. Estou com medo. Fecho os olhos quando os passos cessam.

– Olá Dafir — a voz vinda de seus lábios não é amigável, comparado ao seu convite no dia anterior — Vim lhe fazer algumas outras perguntas.

Atordoada, eu tento de maneira frustrante me erguer outra vez para arruína-lo, mas as correntes que me prendem liberam outra dose de dor e estremeço aos gritos. Volto ao chão.

– Não precisa ficar com raiva por isso — diz Jaden de maneira cautelosa — Ainda vai passar por coisa pior.

Meu coração martela de raiva diante daquela ameaça. O garoto de cabelos ruivos me enganou. Ele sabia quem eu era. Eu só não fazia ideia de que ele sabia. O ódio não passa despercebido. Nem ao menos o vejo, apenas ouço sua voz.

– Entenda que criaturas como você merecem passar por um pouco de dor. Tudo que fazem resulta em consequências terríveis. Precisam pagar por elas de alguma forma.

– O que você quer de mim? — a voz trêmula de raiva que se solta por entre meus lábios, me soa desconhecida e frágil.

– Quero respostas — Jaden se aproxima de tal forma que consigo reconhecer seu rosto em meio à escuridão — E que você sofra.

Raiva se apossa de mim e tento agarra-lo, me retraindo de dor novamente.

Pelo cheiro de podridão e ferrugem que invade minhas narinas, e pela fraqueza que recai sobre mim, sei o que ele utilizou para me fazer apagar, para me prender.

Ferro.

Estou atada à ferro.

– Seres iguais a você levaram minha mãe — sinto a fúria dele — Onde ela está?

Me recuso a responder-lhe. Como eu saberia?

Uma mão agarra meu cabelo e algo composto por ferro é pressionado contra a minha bochecha me fazendo berrar intensamente. A dor é incansável.

– Onde ela está? — repete Jaden em um tom mais firme.

– Eu não sei — balbucio reprimindo lágrimas de dor.

A dor continua e me devora. Debato-me.

– Eu juro que não sei. — grito e ele para.

Jaden se afasta e pega algo no chão. Ouço ele se aproximando e me indago como ele sabia o que sou. A única coisa que ecoa pelo cômoda é a minha respiração ofegante.

Jaden se aproxima e posiciona a barra de ferro que ele adquiriu na altura da minha barriga. O pânico ativa minhas células.

– Como sabe o que sou? — indago.

– Venho caçando seres cruéis feito vocês há algum tempo. — revida ele com um olhar venenoso.

– Por que está fazendo isso? — pergunto, querendo me libertar de toda essa situação que me aflinge.

– Não interessa — corta Jaden bruscamente — Onde ela está?

– Eu não sei — sussurro aflita — Jaden, eu não sei.

– Resposta errada. — E assim que ele começa a pressionar o ferro contra mim, a dor retorna potente. Grito, na esperança de esvaziar toda a dor que ganha vida. E na tentativa de me soltar, apenas sofro mais com as correntes pressionadas contra o meu pulso.

Depois de um tempo tento não me concentrar na dor, pois se eu continuar assim, certamente vou morrer.

Agarro-me à vida.

Não posso deixar ela se esvair agora. Não será um estúpido humano que irá me separar dela

Me sinto viva.

A raiva agora brilha intensamente e o ambiente parece se iluminar com a força e resistência que demonstro.

A energia se acumula em meu interior, a escuridão se sente à vontade e me adentra transformando-se em brilho. Sinto-me cheia de uma carga de energia que não sei de onde surgiu. Apenas sinto essa sensação de fúria e poder tomar cada parte de meu corpo. Fecho meus olhos absorvendo a dor e a energia que circula ao meu redor, infiltrando-se para dentro de mim. Novamente esse poder desnorteante me devora, grito e abro olhos. Por um segundo o tempo parece parar.

E então, explode.

Notas finais
Vocês descobrirão que essas "explosões" dela não significam boa coisa! Até o próximo capítulo, pessoas. Sei que faltou um pouco de ação mas preciso ir devagar em relação ao desenrolar da história. Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.