Obscure Side
3 Capítulo 2 - Ameaça de Sangue
Notas iniciais
– Bonito, porém não estou interessada. – Falei cruzando os braços tentando reter um pouco o frio de outubro, depois ajeitei minha jaqueta de couro e sai como um cachorrinho atrás de Blair passando por um corredor com paredes de tinta gasta e chão forrado de cigarros ilegais.
Blair me mostrou o corredor em que ficava nossa sala de aula e depois seguimos até ela, na porta duas garotas no estilo hard core encaram meu look preto nada básico, eu vestia um vestido preto acinzentado com minha jaqueta de couro e meia-calça também preta e um all star detonado – tive a vaga impressão de que eu estava fora dos padrões daquele lugar.
Com os livros que havia pegado no meu armário enferrujado segui até uma mesa de dois lugares nos fundos e sentei-me tentando parecer satisfeita, Blair sentou-se na cadeira do meu lado e bufou, o tal garoto misterioso que Blair me mostrou chegou e se juntou a um grupo de garotos que sentavam nas mesas perto da parede e haviam formado uma roda, ele se sentou sem dizer nada. Depois de o professor Blake entrar e começar seu longo discurso comecei anotar tudo que ele dizia então senti Blair me cutucar.
– Ele está te encarando. – Falou ela bem perto de mim.
Levantei a cabeça do meu papel de anotações e vi Blair apontar para Nicholas e então também o encarei fazendo cara feia então ele voltou sua atenção para o professor.
– Algum problema garotas? – Disse o professor com uma voz de locutor de rádio.
Todos os alunos viraram-se para nós e fizemos que não com a cabeça.
Passei à tarde na biblioteca com Blair estudando Química depois ela me levou para dar mais um passeio pelo reformatório e por fim fomos para nosso quarto, depois de me arrumarpara dormir e de ler um pouco de John Green deitei em minha cama exausta e dormi.
Na manhã seguinte acordei menos cansada e depois de muitas tentativas de tentar acordar Blair para a primeira aula fui sozinha até a aula de Literatura. Cheguei à sala detestando o fato de Blair ter me deixado vir sozinha, entrei com os passos firmes e fui para a mesma mesa de ontem, a sala aos poucos foi lotando sobrando apenas o lugar vago na minha mesa, Nicholas entrou olhando por toda a sala em busca de um lugar para se sentar então ele caminhou até mim e se sentou no lugar vago da minha mesa para dois alunos.
– Hm, olá miss feitiço – Ele disse com uma voz confiante e sensual.
– Hã? – falei
Ele revirou os olhos com uma espécie de decepção.
– Como é o nome da bela garota com quem agora me sentarei todas as aulas – Ele continuou com um ar sarcástico.
–Não, você não sentará comigo em todas as aulas, hoje foi exceção – respondi.
Ele deu risada e eu sorri falsamente.
– Você parece que não gosta de fazer amigos, então vou me calar. – Nicholas parou de sorrir então ficou sério observando cada contorno do meu rosto.
– Eu só quero prestar atenção na aula. – Falei.
– Ok, desculpe. – disse ele por fim.
As aulas foram todas longas e torturantes, depois de guardar meus livros no meu armário habitado por aranhas decidi ir dar uma volta pelo reformatório, caminhei até a área de gramado onde todos se sentavam em bancos de concreto para fumar creio que escondido, fui até a parte de trás de um dos prédios do dormitório para explorar algum lugar solitário e me surpreendi ao ver que era o único lugar isolado do reformatório, era um espaço com alguns latões com óleo de cozinha, havia um quadrado no chão de cimento e perto dali várias arvores sombrias cobriam o muro que dava para a rua, faltava pouco para o por do sol então o local já começava a ficar totalmente um breu, sentei-me encostando as costas na parede do prédio então revirei minha mochila xadrez em busca do meu Mp4 que a secretaria do reformatório não conseguiu pegar no primeiro dia de revista, eu havia costurado um compartimento secreto onde só poderia caber mini objetos, então aproveitei e guardei meu medalhão que eu havia ganho do meu avô, depois de retirar os fones de ouvido e conectar no Mp4 peguei o medalhão para olhá-lo enquanto havia um pouco de raio do sol, ele era um retângulo que tinha cravado um olhar de gato, conforme você movia o medalhão o olhar parecia reluzir e se mexer, o significado eu nunca soube, minha mãe me contou que meu avô lhe disse para ela me mostrar o significado quando eu estivesse sem resposta e sem rumo na vida, pois bem, essa fase que estou vivendo parece ideal para eu descobrir o significado.
Depois de um tempo com os olhos fechados e com a cabeça encostada na parede cantando cada letra das músicas da Lana Del Rey abri os olhos ao sentir uma presença estranha, me assustei ao abrir os olhos e ver que já havia anoitecido e ao olhar pro lado uma figura de um homem estava encostada na parede com os braços cruzados, tirei os fones e me levantei em um pulo.
– Cuidado com as câmeras, ah sua amiga loirinha está por ai perguntando se alguém viu você – Disse a voz de Nicholas.
– Câmeras? E como esses adolescentes vivem fumando por aqui? – Falei respirando fundo e sentindo o frio congelar minha via respiratória.
– As regras aqui não valem para cigarros, não sendo maconha e outros tipos de droga está liberado, afim de um cigarro?
– Não fumo, espera ai como me achou? – Funguei
– Vi você entrar aqui.
– Anda me observando? Quer saber, esquece. – Comecei guardar o Mp4 e depois sai andando e ouvindo os passos de Nicholas atrás de mim.
Chegando perto do prédio do meu dormitório olhei para trás para ver se Nicholas ainda me seguia, ainda olhando para trás continuei andando até sentir que havia trombado em uma pessoa, eu havia derrubado alguns papéis da tal pessoa, então me abaixei para pega-los, uma mão cheia de veias saltadas e cicatrizes mexeu nos papeis os recolhendo também, ao me levantar pude olhar para o garoto de topete na franja, ele me olhou e sorriu, seus olhos negros pareciam sugar toda nossa alma, ele tinha um rosto grosseiro e sexy e logo abriu a boca para falar;
– Ananda Marescotti, prazer meu nome é Enzo Fabrizio – Ele disse estendendo uma das mãos para me cumprimentar.
– Me chame de Nanda, por favor, como sabe meu nome? – falei achando estranho e dando a mão para o cumprimento.
– Sou ajudante na seção de cadastros na secretaria por bom comportamento, lhe conheci pela foto, seu sobrenome é italiano também, mas você é americana, é descendente?
– Meu avô, puro italiano – Falei odiando o fato de ele ter visto toda a minha ficha.
Olhei para sua blusa de lã fina em gola “V” que contornava todos seus músculos e observei seu colar de crucifixo, ele me parecia familiar mais, de onde? Ele tossiu me fazendo desviar o olhar do “colar” e disse:
– Prazer em conhecê-la, tchau. – Sem mais nem menos ele saiu entrando pelo corredor dos dormitórios.
Cheguei ao quarto e Blair estava revirada em cobertas com os pés para fora da cama deixando suas meias de coelhinho á mostra, depois retirei de um armário – em que eu havia divido com Blair – meu edredom acolchoado e o joguei na minha nova cama com um colchão duro e fui entrando por debaixo deles retirando os sapatos, deitei minha cabeça no meu travesseiro agradecendo por ele ainda ter o cheiro de sachê para roupas de morango que minha mãe sempre colocava dentro dele, ignorei o som das vozes pelo corredor e fechei os olhos tão cansada que era capaz de dormir por anos.
Mais tarde naquela noite fui acordada com o barulho no vento na janela, olhei para Blair na cama ao lado com a esperança de ela estar acordada para poder fechar a janela que eu havia esquecido, mais ela já devia estar no quarto sono, me arrastei para fora da cama lutando contra o sono e fechei a janela com dificuldade por ela estar emperrada, depois de um tempo tentando consegui, o corredor estava em silêncio então para garantir fui verificar as trancas da porta do quarto e para meu alivio de não ter esquecido ela aberta respirei fundo e virei para voltar para minha cama, olhei para a parede reparando algumas letras escrita em sangue e fiquei apavorada ao ler “ Ananda, sua hora vai chegar” sai tropeçando pelo carpete do quarto e fui direto acordar Blair.
Blair se remexeu na cama e sussurrou algumas palavras que me pareciam palavrões, depois ela se sentou na cama assustada e descabelada, coçou os olhos e então eu disse:
– Alguém entrou no nosso quarto!
– Hã? Nanda o que aconteceu? – Ela arregalou os olhos.
– Es...crito ali, ali na parede! – Fiz uma pausa para poder respirar.
– Acho que alguém aqui teve um pesadelo, não tem nada escrito na parede.
Esforcei-me para me virar para a parede então eu a olhei, Blair estava certa não havia nada, me levantei do chão então mergulhei de volta para debaixo de meu edredom sentindo-me envergonhada e com medo, muito medo.
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