Obscure Side
8 Capítulo 7 - Óh doce menina.
Notas iniciais
Naquela noite tive um sonho, eu estava em uma floresta densa e úmida vestia um Trench Coat azul céu e uma Touca Beanie, nos pés minhas Litas Boots afundavam na lama, um perfeito look para uma floresta sinistra. Vozes distantes me fez começar a caminhar em busca do som, um arbusto cobria a visão e de repente ele não estava mais lá, um lago que emanava fumaça e uma cachoeira que caia com fervor de uma montanha gigantesca tomou minha vista, no meio do lago raso estava Nicholas e eu sentados em uma pedra rindo um com outro, já na margem de areia duas barracas estavam montadas e Blair e Enzo grelhavam peixes em uma churrasqueira de pedras improvisada, um rádio a pilha tocava uma musica indie contagiante então voltei a olhar para Nicholas mas não vi mais nada até que uma cena surgiu, Nicholas agora vestia roupas rasgadas e sujas em meio da água e tinha um olhar de desespero, agora já não havia mais lago nem floresta e sim uma imensidão negra lá estava eu ao lado de Jules e agora me vestindo como uma punk e nas mãos meu amuleto irradiava uma força da cor verde e da minha boca a fumaça do cigarro era intensa, então Jules fez um sinal, minhas mãos se levantaram e um trovão quebrou o silêncio, o amuleto soltou um raio e foi parar em Nicholas que caiu no chão se retorcendo então eu olhei para Jules que no pescoço carregava um pingente anti-cristo e um sorriso maligno surgiu em meu rosto, sufoquei um grito e então eu acordei com o olhar confuso de Blair sobre mim.
– Quem é Jules? Você disse Jules?
Sequei o suor gelado de minha testa e me sentei na cama confusa.
– Um pesadelo, onde está Nicholas?
– Bitch eu preciso te contar uma coisa, ah o Nick foi vender o carro e comprar uma moto com o dinheiro ele disse que o carro já foi visto por muitas pessoas, agora como nós três sairemos daqui em uma moto não sei.
– Ele com certeza vai arrumar outro carro, mas me diga o que você precisa me contar.
Ela se sentou na beirada da cama e olhou para a janela.
– Sobre aquela história sobre bruxas e que eu não sou humana, o pior nem é isso, o pior é que eu nem me surpreendi, é como se eu já soubesse.
– E se eu te dissesse que também não sou humana. – Falei.
Ela tirou seu olhar profundo da janela e voltou a olhar pra mim.
– Isso explica essa coisinha brilhante em volta de você. – Ela gesticulou com os dedos em cima de minha cabeça.
– Ta me dizendo que você vê auras mágicas?
– Creio que sim, e quando a pessoa é má eu não vejo brilho nenhum a vejo envolta por uma nuvem negra, nunca disse isso a ninguém, achei que eu tivesse precisando ir a uma igreja, e o que você exatamente é? E seus poderes?
Segurei suas mãos então abaixei minha cabeça.
– Bruxa, não aquelas que voam em vassouras e seqüestram criançinhas rebeldes, mas aquelas que tem poderes e fazem feitiços, vejo quem é humano e quem não é, como você só que com meus sentidos apurados, e tenho um... amuleto que me acompanha a vida inteira e que me dá poderes ultra poderosos, é esse o motivo de ter alguém atrás de nós ele quer meu amuleto e quer a mim, morta.
Blair arregalou os olhos ao ver que tinha acabado de contar meus mais profundos segredos.
– Acho que você vai ter que me matar depois dessa, mas pode confiar em mim, sabe ler pensamentos? Pois se souber pode ler os meus.
Sorri para ela, forcei a mente mais parei, não há motivos para eu desconfiar de Blair, eu sei que ela é uma boa pessoa, mas ainda não entendia o fato de não ter reconhecido ela no primeiro dia em que nos vimos no reformatório, mas isso faz sentido pois também não reconheci Nicholas de primeira, mas e ela me acharia familiar? Saberia que fomos sempre amigas como nas minhas lembranças de ultimamente, e como Enzo, Blair, Nicholas e eu fomos parar exatamente no mesmo reformatório como desconhecidos uns dos outros?
– Blair, você por acaso tem alguma intimidade com Enzo Fabrizio?
– Você definitivamente acabou com meu dia ao falar esse nome, bem ele é meu ex- namorado, chegamos juntos no reformatório, eu acusada de assassinato e ele... Ele de violentar algumas garotas em um baile de primavera do colégio, ele era vocalista de uma banda e elas as fãs. – Blair apoiou seus cotovelos em sua perna e cobriu o rosto com as mãos.
– Puta que pariu, Blair não foi minha intenção. – Sai debaixo das cobertas então fui abraçá-la.
– Eu sei bitch. – Ela retribuiu com um sorriso triste.
Nicholas entrou com tudo como alguém que sai de trás das cortinas e começa um show de teatro.
– Gatinhas, vocês tem que ver a máquina que eu comprei. – Ele piscou pra mim e foi pondo algumas sacolas de supermercado sobre a mesa de jantar minúscula. – cigarro, vinho e chocolate para a TPM de vocês.
– Não tem ninguém de TPM aqui porra – Brinquei e me levantei para ir até as sacolas.
Peguei alguns chocolates e lancei para Blair e então avistei o cigarro no fundo da sacola, sem mais nem menos o peguei e já fui abrindo como quem esta passando fome e vê comida, Nicholas me olhou e então tirou um isqueiro do bolso de sua jaqueta. Fui até a sacada do quarto e abri uma fresta na cortina pra ver se tinha alguém ali mais era apenas um beco com alguns latões de lixo e a parede de uma farmácia que ficava ao lado abri a porta da sacada e senti o frio bater contra mim acendi o cigarro e enchi meus pulmões de fumaça aliviada.
– Essa é a velha Ananda que eu conheço. – Nicholas apareceu do meu lado com um copo de vinho e também com um cigarro.
– O ministério da saúde adverte que vocês morrerão de cirrose e problemas pulmonares. – Blair disse lá de dentro com a boca cheia de chocolate.
– Foda-se vamos viver o hoje amiga. – Olhei para Nicholas e pela primeira vez nos últimos tempos meu sorriso foi malicioso, adeus Nanda doce e delicada.
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