Obscure Side

5 Capítulo 4 - Olhar felino


Notas iniciais
Pra quem ainda não entendeu nada é só ir lendo que tudo vai se esclarecendo, fazendo suspense para vocês MUAHAHA-HA ♥

Deitei na cama exausta respirando fundo, tentando tomar rumo, então me levantei dali o mais rápido que eu pude recolhendo minha roupa pelo carpete do quarto, Nicholas estava nervoso e suando. Vesti minha calça jeans e meu sutiã preto, ainda segurando minha blusa de malha na mão fui até ele jogando as roupas dele em cima da cama.

– Idiota, filho da puta.... Aaaargh eu te odeio. – Falei apontando o dedo em sua cara assim que ele se levantou. – Era essa sua intenção? Sabia que não devia confiar em você. – Senti uma lágrima correr pelo meu rosto.

– Eu não devia ter perdido o controle, me desculpa eu... eu não devia ter trazido você aqui. – Ele disse vestindo a sua roupa.

Sem mais esperar vesti minha blusa e meu casaco de lã, saí batendo a porta do seu quarto e descendo as escadas de dois em dois degraus, na sala olhei para caixa de meu avô e a peguei colocando-a embaixo do braço por fim sai batendo a porta novamente. Na esquina próxima da casa do cara que pelo meu conhecimento eu mal o conheço e com quem acabei de abrir minhas pernas olhei para um lado e para outro não reconhecendo aquela parte da cidade e tomando cuidado com qualquer carro que aparecesse, coloquei o gorro do meu casaco e apertei bem a caixa sobre meu braço depois segui com a cabeça baixa lembrando a rua pelo qual Nicholas veio, pelo caminho fiquei grata ao ter ficado olhando pela janela do carro o tempo todo enquanto vinha para cá, consegui achar o caminho até certo ponto – onde havia uma rua que dava para alguns restaurantes de comida mexicana e uma viela formada por dois prédios separados ao meio, ela parecia dar para outra rua, era muito extensa não pude definir se era o caminho certo a seguir, mas eu não me lembro de ter passado em frente de restaurantes.

– Idiota! – Falei pra mim mesma com a voz baixa, fui pela viela observando as janelas dos prédios que me cercavam, todas trancadas e embaçadas pelo frio, latões de lixo lotavam o local e um gato preto magro de fome estava tentando se esconder o máximo que podia do frio, ele me olhou tentando ver quem era o intruso que perturbava e então veio até mim ronronando e se esfregando na minha perna.

– Xô gato... – Tentando fugir aos encantos do gato um barulho de vidro se espatifou atrás de mim, virei apreçada quase tendo um ataque cardíaco, Jules estava encostado em uma pilha de madeiras e deu um sorriso maléfico.

– Volta pro inferno. – Dei um passo para trás.

Jules com seus um e noventa de altura e vestindo sobretudo preto se posicionou em uma pose de predador, seu maxilar se contorceu e seu cabelo caia sobre o olho, depois caminhou até mim em uma marcha ameaçadora, o barulho de seu sapato ecoava pelo beco, paralisei.

– Olá minha cereja, bom te ver novamente, estava com saudade. — Ele disse já perto de mim segurando meu queixo e me dando um selinho, tirei sua mão de meu rosto e fiz cara de repugnância

– Belo plano me manter longe achando que você estava morto e me botando a culpa de ser a sua assassina.

– Ah o seu recruta já lhe contou, agora vamos esquecer as discordâncias e vamos falar sobre o que me pertence, o Olhar Felino, eu o quero.

– Não sei do que está falando. – engoli em seco.

– Está certo que eu apaguei boa parte de sua memória, mas a parte do amuleto não.

Uma moto iluminou todo o beco fazendo Jules e eu se sobressaltar, a moto acelerou até nós cantando os pneus, Jules como uma sombra sumiu sem deixar rastros e a pessoa da moto retirou o capacete e sacudiu o cabelo como em câmera lenta, ah era o galã, Nicholas desceu da moto e foi até mim.

– Me desculpa, por favor, não foi minha intenção, você é muito bonita, sei que parece loucura pra você tudo isso tão de repente, mas olha só Jules estava aqui agora, e seu eu não chego a tempo? Você ainda não se lembra de seus feitiços e... – Ergui meu dedo indicador e usei para calar Nicholas encostando em seu lábio.

Retirei o dedo e falei:

– Primeiro eu tenho muitas perguntas a te fazer, uma delas é perguntar se você rouba veículos pra mudar tão rápido de transporte, depois quero que saiba que eu não tenho nenhum interesse em você, e por que você não fez nada pra me proteger quando pode? Quando Jules fez magia negra em mim?

Olhei timidamente em seus olhos e eles transmitiram dor e angústia, ele abaixou a cabeça e disse:

– Você vai saber de tudo na hora certa, agora suba na moto, por favor, moça.

Depois do “alivio” de ter chegado ao reformatório Louvre e de pular o muro rasgando minha calça Jeans favorita, pude enfim ver minha mãe. Ela estava sentada em uma mesinha dividida por um bloco de vidro blindado, fui até ela sentando-me do outro lado do vidro.

– Seu pai mandou lembranças. – Ela disse não parecendo muito abalada.

– Pois eu não vou retribuir, ele que se dane. – Sorri cerrando os olhos.

– Não fale assim de seu pai Ananda, falei com seu advogado ele disse que os policiais estão na mira do suspeito que bateu em sua cabeça.

– Sou inocente, agora posso ter certeza. – Revirei os olhos. – Sinto sua falta mãe.

– Eu também filha, mas você está recebendo o castigo de ter me dado tanto trabalho na vida.

– O que eu fiz de tão errado que não me lembro mãe? – Virei fazendo cara feia para uma garota que falava alto com seu visitante contente por estar saindo dali no dia seguinte, senti uma pontada de inveja então voltei à atenção para minha mãe.

– Me esqueci que você teve amnésia do seu ultimo ano. – Dessa vez ela disse em tom de ironia. – Bom Ananda, ainda temos 10 minutos então vou tentar resumir certo? – Ela apoiou seu queixo com as mãos e respirou fundo.

~

Algumas horas antes do assassinato de Jules Karl:

Escutei um carro estacionar em frente a minha casa com o som em ultimo volume ao som de AC/DC, Jules buzinou três vezes seguidas então eu desci os degraus da sala de estar em um ritmo rápido passando por minha mãe como um raio. Segurei minha jaqueta de couro no antebraço então entrei no conversível de Jules pulando pela porta me atrapalhando com meu vestido de gala branco que havia personalizado com spikes.

– Forget the hearse, 'cause I never die – Cantou ele batucando com os dedos no volante do carro, olhou para mim e mordeu os lábios — I got nine lives, cat's eyes.

Pude sentir minha mãe me observando pela janela do segundo andar, então peguei a garrafa de Vodka e a ergui em uma mão como quem levanta um troféu então Jules saiu arrancando com o carro me fazendo engasgar com a vodka.

~

Olhei para minha mãe de queixo caído então alguns fragmentos se formaram em minha memória fazendo me mergulhar em lembranças.

~

Chegamos ao leilão de diamantes com o olhar das pessoas em nossos trajes, uma musiquinha chata de elevador soava pelo salão brilhoso com lustres de cristais pendidos por todo o teto, nos sentamos bem perto do palco onde seria realizado o leilão do diamante rosa, olhei para Jules e lhe lancei um sorriso perverso.

– Quem dá mais 200.000.00? – Anunciou um velho baixinho que dirigia o leilão.

Bocejei observando o leilão por longos minutos.

– 50.000 e nada mais. – Um cara engomado vestindo a smokey e óculos da Louis Vuitton levantou cinco dedos no ar.

– Agora. – Sussurrou Jules em meu ouvido.

Falei algumas palavras de magia e a luz do salão soltou faíscas e depois elas pifaram tornando o lugar totalmente escuro sem qualquer possibilidade de enxergar qualquer coisa, alguns murmúrios surgiram e depois pessoas gritando correndo por todo lugar esbarrando em mim, peguei meu amuleto e apertei em minha mão então meus olhos deram lugar a dois olhos verdes com duas afiadas laminas em vez de pupilas, pude enxergar todos pela escuridão em preto e branco então me concentrei nas jóias e nos relógios.

Pegando um saco de pano preto em minha bolsa de mão sai recolhendo tudo que pude sem deixar rastro, meu olhos deram um tipo de zoom e pude ver bem no fim do salão uma chama se formando, o alarme de incêndio acionou e a água começou a esguichar por todo lado, desesperada tentei procurar Jules, um braço forte me puxou então meus olhos de felino se foram tomando forma humana novamente, não pude ver mais nada, a tal pessoa me puxou até a porta dos fundos e para a noite melhorar a chuva caia forte e o vento era assustador – me apoiei nos meus joelhos tentando respirar e depois confiri meu amuleto, dessa vez o escondi por dentro do sutiã, olhei para o saco de joias na esperança de que Jules havia conseguido o diamante rosa e enfim poderíamos dar o fora dali antes que a policia chegasse.

Minha visão ficou embaçada enquanto eu tentava identificar quem havia me puxado para fora do salão, tudo começou a girar então cai nos braços da pessoa que havia me puxado para fora e não vi mais nada.

~

– Ananda, você ainda está ai? – Disse minha mãe agora em tom preocupado.

Tossi então pude me recompor.

– Sei que você está diferente, tenho fé de que você vai ficar ainda melhor querida. – Seus olhos agora estavam tristes.

Uma mulher no estilo sargentona apareceu apontando para o relógio em seu pulso, então minha mãe segurou um dos seus cachos loiros no dedo e bufou.

– Até logo querida. – Ela se virou e se foi como alguém sem sentimentos.

Depois de um tempo sentada ali às coordenadoras do Louvre mandaram todos saírem em fila e depois que cheguei ao pátio olhei por toda volta em busca de Nicholas, mas então Blair veio toda triunfante ao meu encontro.

– Que bom que te achei bitch. – Ela deitou sua cabeça em meu ombro e depois me olhou. – O aconteceu? – Ela ficou séria.

– Nicholas, você o viu? – Continuei olhando por todos os lados.

Um dia se passou, depois dois e mais três e nenhum sinal de Nicholas, passei a acreditar na possibilidade de que ele havia fugido mais não ouvi nada sobre fugitivo por lá.

Notas finais
alguém ai gostou?