Obscure Side

4 Capítulo 3 - Brisa


Notas iniciais
aquii postando a pedido da linda da Adrielli ^^

Na manhã seguinte de sábado levantei me sentindo revigorada, mas não mentalmente, eu queria sair dali, me ver livre de tudo e de todos, queria especialmente não ser eu.

Hoje eu poderia encontrar minha mãe, poder abraçá-la e ouvir todas suas fofocas e poder pelo menos sorrir, Blair não estava no quarto assim que acordei então fui até meu mais novopreferido lugar, o lugarzinho reservado atrás dos dormitórios. Ao chegar lá me assustei ao ver Nicholas, ele estava sentado no quadrado de concreto segurando um cigarro desgastado em sua mão, ele vestia um suéter marrom e ao chegar perto dele pude sentir seu perfume amadeirado, aquilo fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.

– Achei este lugar primeiro, achei que eu pudesse vir aqui para poder pensar, “sozinha”.

– Preciso que veja uma coisa. – Ele falou apagando o cigarro no chão.

Arqueei as sobrancelhas fazendo uma pose de durona.

– Ver o que?

Havia um envelope cor mostarda do seu lado, ele pegou e depois se levantou entregando a mim.

Eu abri o envelope um tanto confusa, minha pele gelou, minhas pernas ficaram tremulas, ali havia fotos, Jules e Eu, o meu ex-namorado pelo qual eu estaria sendo acusada de matá-lo, aquela não parecia eu, não podia ser eu, o look rock era meu, mais aquela garrafa de vodka e o cigarro na minha mão não, Jules apontava o dedo em meu rosto em uma das fotos e eu parecia zombar, na verdade eu parecia uma rebelde que assaltava a própria mãe para comprar drogas e ir a motéis baratos com qualquer um, pela minha roupa era o que se podia deduzir.

– Essa não sou eu. – Falei assustada e devolvendo as fotos com uma espécie de nojo.

– É sim, a parte do cigarro e da bebida é você, esse jeito debochado ai também é seu. — Ele disse apontando a foto em minha mão e dando um sorriso preocupado

Revirei os olhos não entendendo nada.

– Você por acaso me conhece? E como e quando foi isso ai? Não me lembro, merda não estou entendendo nada. – Parei percebendo o "palavrão" sair de minha boca.

– Você também é fria e perigosa com as palavras, só que digamos que nessas fotos você esteja sobre um efeito que não seja drogas nem álcool. – Dessa vez ele não sorriu. – Digamos que você esteja sobre o efeito do “Mal”.

– Ah sim, entendi tudo, só que não. – Cruzei os braços.

– Jules está mais vivo do que nunca, rindo por ai em ver que você está sendo culpada por algo que não fez e fora do seu caminho, você impedia os planos dele, ah é bom lembrar que você também não o amava. – Ele também cruzou os braços.

Mordi os lábios tentando encontrar qualquer vestígio de sentimento por Jules em minha mente tentando entender essa historia.

– Você é tão sexy mordendo os lábios, faz de novo? – Ele disse aliviando o clima pesado.

Não me contive e sorri dando um empurrãozinho nele, a sensação era de que já nos conhecíamos a anos.

– Deixa-me ver se eu entendi, está dizendo que eu estava sobre efeito de magia negranestas fotos, e que eu sou perigosa e que você sabe tudo sobre mim e Jules?

– Exatamente. – Ele ergueu o envelope em sua mão e retirou outra foto e me entregou com cautela.

A foto era horrível, Nicholas parecia escondido ao tirá-la obviamente, nela eu estava amarrada em uma cadeira com a cabeça pendida e desmaiada, Jules segurava um colar com um pingente sobre minha cabeça, aquilo me assustou, eu estava em uma espécie de hipnose passando por um ritual.

Então ele disse:

Foi a partir daí que você se esqueceu totalmente de quem é você, se tornando frágil e vulnerável e... – Ele fez uma pausa – e doce.

Ele me olhou e continuou falando – Vem quero te mostrar uma coisa, vamos dar um passeio por fora dos muros do palácio – Achei engraçado seu jeito de definir o reformatório e sem esperar eu dar uma resposta ele puxou minha mão e me levou por dentro das árvores secas e tortas que ficava ali perto.

Andamos por alguns minutos até chegarmos a um muro baixo, Nicholas juntou as mãos e se abaixou fazendo um apoio para eu pular sobre o muro quase baixo visto de perto. Sem pensar no que eu estava fazendo ali naquela mata com um cara que dizia me conhecer, subi em sua mão e pulei o muro, do outro lado do muro cai com as pernas dobradas e logo depois escutei Nicholas pulando com habilidade parando em pé ao meu lado, só pra me humilhar claro.

Olhei para a rua que ficava atrás do reformatório estranhando não ter nenhum guarda cuidando para que nenhum adolescente infrator fugisse pelos muros e não havia nem uma câmera, a rua estava coberta de folhas secas de outono e estava deserta, ali perto um carro Mercedes McLaren preto espera por nós estacionado no meio fio.

– Esse carro é pra chamar atenção e sermos pegos? – Falei apreciando o carro.

– Não se preocupe, confie em mim. – Ele disse enganchando o braço na minha cintura e abrindo a porta do carona que se abriu para cima, muito discreto pensei.

Confiar nele, até parece.

Pelo caminho não falamos uma palavra se quer, no rádio Damien Rice – Volcano quebrava o silêncio me fazendo sentir melhor com a melodia, encostei a cabeça no vidro observando a rua por onde entramos, o céu estava cinzento e a temperatura devia ser de uns 3 graus, a rua estava coberta de folhas secas laranjas e vermelhas formando um tapete colorido, pinheiros e árvores altas formavam um túnel cobrindo a rua que me fez lembrar as ruas das cidades pequenas da França que eu via em alguns documentários na televisão, um clima totalmente perfeito e confortável para mim que amava frio. Coloquei o cotovelo no apoio da porta e pus a mão apoiando minha cabeça depois olhei para Nicholas, sua postura era instável e segura, seu cabelo encaracolado estava em um penteado perfeitamente alinhado e então o vi sorrir sem tirar os olhos da estrada, oh meu Deus ele era perfeitamente lindo e sexy.

– Porque está naquele lugar? Qual foi seu crime nobre cavalheiro? – Perguntei olhando de volta para a janela.

– Meu crime? Estou lá por você, pra poder te mostrar quem você é de verdade, sou seu servo nobre dama, enfim foi fácil, bebi muito uísque mas não cheguei ao ponto de ficar bêbado mas já me serviu, depois fui dirigir e atirei o carro na primeira árvore que vi. – Ele riu como se aquela situação fosse algo certo.

– Então quer dizer que você tentou se matar por causa de mim, boa explicação. – estralei os dedos em ironia – eu ainda estou tentando entender nossa ligação, quem se auto coloca em um reformatório por causa de alguém? – Perguntei ainda olhando pela janela do carro.

– Acredite sou muito resistente a acidentes, bom eu não queria me anunciar para você, eu ia deixar o envelope por debaixo de sua porta com uma carta explicando tudo, mas você me viu achei que tivesse me reconhecido, mas Jules apagou até eu de suas lembranças, percebi isso quando cheguei perto de você, vi que não me conhecia mais. – Ele disse olhando para mim desta vez. A maneira que Nicholas disse fez parecer que nós éramos muitos próximos para eu chegar ao ponto de ignorá-lo.

– Jules então está vivo, sou inocente e ele é um feiticeiro certo? Isso está me deixando louca, mas tudo que disse me parece tão real, mas porque isso não me parece surreal? – Perguntei organizando as coisas em minha mente.

– Porque você sabe que é verdade, mas não se lembra.

Nicholas parou o carro em frente a uma casa em estilo europeu que percebi que não havia gente morando a um bom tempo.

– Certo servo, o que estamos fazendo aqui? – Desci do carro ajeitando meu casaco de lã preto.

– Bem vinda a minha casa, venha quero te mostrar alguns documentos.

– Casa? Mais você deve ter uns 17 anos. – Deduzi.

– Tenho 18, mas uso documentos falsos de menor de idade, que ironia não é? Um ano apenas mais velho que você ruivinha, é que eu moro sozinho, minha família já se foi há muito tempo. – Ele disse destrancando a porta.

Ele fez um gesto de primeiro às damas e entrei observando o local, estava tudo sem um cisco se quer de poeira, porém latas de cerveja e caixas de pizza tiravam a graça da sala, sofás de couro preto e tapete felpudo decoravam o lugar dando um toque masculino, ele abriu as janelas deixando cortinas de tecido leve fechadas pela metade e parou do meu lado.

– Eu sei, esse lugar precisa de um toque feminino, como por exemplo, louça lavada e essas coisas organizadas. – Ele passou o dedo indicador em uma mesinha de centro verificando se havia poeira e riu.

– Á-há, engraçado. – Caminhei pela sala observando uma escada de granito em espiral que dava ao andar de cima, depois ainda observando a sala três quadros me chamou atenção, Nicholas e uma garota de cabelo liso ruivo em tom de vinho faziam caretas compondo os três quadros, aproximei-me ficando surpresa, era eu, com batom vermelho, piercing no nariz e com um lenço estampado amarrado no pescoço demonstrando muita felicidade nos rostos.

– Então é verdade, você me conhece, qual é a nossa ligação? – Perguntei desta vez tentando entender a intimidade da foto.

– É, somos... Amigos. – Nicholas desviou o olhar e começou a fuçar nas estantes de madeira bruta do lado de uma TV de tela plana.

Não entendi o porquê mais alguma coisa me dizia que ele não estava dizendo a verdade naquela resposta. Sentei-me no sofá rechonchudo de couro ainda observando a sala, Nicholas trouxe uma caixa aparentemente velha em suas mãos e se sentou do meu lado, senti minhas bochechas ficarem vermelhas com o vento gelado da janela e minha cabeça deu uma pontada de dor. Assim que olhei a caixa por dentro alguns papéis amarelados estavam selados, Nicholas abriu um deles pigarreou e começou a ler:

“Querida Ananda, creio que esteja em uma situação difícil neste momento, pois se não você não estaria lendo está carta, e obviamente devo estar no céu (Deus queira), como você sabe, você possui dons muitos especiais vindo de nossa geração, você meu anjo é umas das mais belas e especiais feiticeiras que este mundo já pode ter, seu coração é bom e puro, neste mundo surreal existe muita magia obscura e ruim, bruxos vamos definir desta maneira que tem fome de almas e de sangue, fique atenta com certas pessoas, principalmente com seu namorado Jules, espero que não seja tarde demais para mim te contar sobre ele, aos poucos seu anjo da guarda lhe mostrara outras cartas, e lembre-se mantenha o “ Olhar felino “ seguro. – Com amor de seu avô Hershel.”

Eu estava boquiaberta:

– Eu sou uma bruxa? – Falei um tanto zonza.

– Digamos que sim – Nicholas riu – Você tem poderes, há bruxos que mexem com a magia branca e a bruxos que mexem com magia negra e como seu avô disse tem fome de almas e sangue, sinto em dizer, mas na época que você esteve com Jules você praticou magia negra.

Outra pontada na minha cabeça, minha visão ficou embaçada e meu coração acelerou a ultima coisa que me lembro foi de ter visto Nicholas assustado antes de desmaiar.

Pisquei uma, duas, três vezes tentando abrir totalmente os olhos, eu estava deitada em algo totalmente confortável senti um cheiro de chá de erva doce, assim que pude acordar vi Nicholas sentado ao meu lado folheando um livro sem interesse, estávamos em uma cama, tentei levantar e sair correndo dali mais minha cabeça parecia pesar duzentos quilos e não quis se levantar daquele travesseiro que cheirava ao perfume de Nicholas, ele me viu tentando levantar e guardou o livro.

– Que bom que acordou, fiz um chá para você – Ele pois uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha e me fez sentar na cama logo em seguida me entregando o chá com cuidado.

– Que horas são, tenho que ver minha mãe, espera o que aconteceu? – falei lembrando-me de tudo.

– A magia negra do seu querido namorado ainda corre pelas suas veias, elas fazem mal, muito mal, mesmo depois de muito tempo.

Depois de um tempo tentando ingerir tudo sobre a história de eu ser uma feiticeira ou sei lá o que e me lembrando das outras vezes que eu desmaiava misteriosamente, me sentei curiosa para ver o quarto de Nicholas.

Era tão familiar e confortável, uma sacada com uma poltrona de bambu, uma cama no qual você ficaria o dia todo sentindo-se deitado em uma nuvem fofa e macia e um edredom no qual você desejaria habitar eternamente, tudo ali era perfeito e bem decorado.

Fui até a sacada observar o horizonte e respirei aliviada ao ver em um — relógio estilo Big Ben perto do bairro — que eram meio dia, minha mãe viria me ver as 15:00 da tarde, espero que ninguém além de Blair tenha sentido nossa falta. O frio cortava minha pele mais eu não me importava, dei um gole no chá e depois coloquei a xícara no parapeito da sacada, a visão dali era linda.

Senti Nicholas me observar e depois seus passos ficaram mais pertos.

– Quando venho nesta casa, só fico aqui observando o horizonte de Salém a famosa cidade das bruxas que foram queimadas. – Um barulho de sirene de policia nos fez ficar atentos, mas depois ela sumiu. Nicholas chegou por trás de mim e quando senti ele já estava bem mais perto de mim, pude sentir sua respiração gelada em meu pescoço assim que ele pois meu cabelo para o lado, virei-me para ele entrelaçando meus braços em seu pescoço, cheguei mais perto e mais perto ficando com as pontas dos nossos narizes em perfeito ângulo, abri meus olhos para poder encarar aqueles olhos verdes esmeralda e eles se iluminarão trazendo-me uma nostalgia surreal, seus lábios tocaram meu pescoço fazendo-me arrepiar então ele subiu cada milímetro com toques suaves de seu lábio e me beijou, nossas línguas pareciam velhas amigas, com perfeita sincronia – com ferocidade ele me empurrou para dentro do quarto e fechou as portas da sacada com os pés e voltou a me beijar, tirou o meu casaco e me deitou na cama, beijou cada centímetro do decote da minha blusa de baixo, eu estava anestesiada, sobe impulso querendo mais e mais, então puxei sua jaqueta e a joguei no chão, depois de alguns segundos retirando todas nossas roupas pesadas de inverno, entramos de baixo do edredom, ficando pele a pele, lá estava ele beijando meu corpo me fazendo gemer a cada segundo, depois esticou o braço para pegar um preservativo na gaveta do criado mudo fazendo me pensar se eu era única garota a visitar a casa dele – ele me olhou e disse ofegante – Ainda não passaram do prazo de validade – respirei aliviada e assim se fez, nós dois e a cama feito nuvem nossos corpos querendo se devorar, sede de prazer nos consumia, eu não pensava mais em nada só em Nicholas invadindo meu corpo de um jeito selvagem.

Notas finais
agora só vou estar postando com mais reviews o/o plis gente *-*