Obscure Destination
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5.
Os raios de sol entravam pelas frestas da janela. Joguei as pesadas cobertas para o pé da cama e coloquei as pernas para fora da cama. Um novo dia. Ouço uma batida na porta e falo um entre que mais pareceu um bocejo, mas pelo menos a criada entendeu e adentrou no quarto. Ela ajudou-me a me arrumar para o café da manhã. O vestido era azul escuro com babados brancos. As mangas eram compridas e o corpete marcava bem minha cintura. Meu cabelo foi arrumado em um coque diferente, mas logo se desfaria pois nada para em meu cabelo. Já pronta, desci as escadas escuras e velhas de Winterfell e fui rumo ao salão principal. Meu pai conversava animadamente com Ned Stark, enquanto minha mãe vez ou outra trocava algumas palavras com Catelyn Stark enquanto esta dava comida à seu filho caçula, Ricon. Me sentei ao lado de meu pai e logo algumas criadas serviram o café-da-manhã.
_Quais são os planos para hoje? – perguntei depois de tomar um gole do chá quente em minha xícara.
_A boa e velha caçada aos javalis – respondeu meu pai animado.
_Ah, como sempre – comento e tomo mais um gole.
_E você irá – fala meu pai se direcionando a mim – Levarei Joffrey comigo também, mas cá entre nós, a mira dele é horrível.
Solto um pequeno riso.
_Se é assim, levarei Robb comigo também – falou Ned Stark.
_Veremos quem é melhor. Lorenna ou Robb – comentou meu pai com o amigo. Sempre essas competições bobas.
Nisto, Robb entrou na sala acompanhado de seu irmão mais novo, Bran. Ele reverenciou meus pais e a mim; depois se sentou ao lado das irmãs e começou a tomar seu café.
_Vá aos estábulos depois e escolha seu cavalo, Lorenna – falou Ned Stark.
_Oh sim, agradeço muito lorde Stark – respondo e depois sorrio.
Tomo mais um último gole do chá e pego uma maçã da enorme sesta de frutas disposta à frente.
_Se me dão licença – digo me levantando – já vou aos estábulos escolher minha montaria para a caçada.
_É claro. Nosso cuidador a ajudará na escolha – falou Ned.
_Escolha bem. A montaria é a principal arma de um caçador – falou meu pai rindo. Sorrio em resposta e saio do salão.
Mesmo com o sol, o clima continuava frio. A neve cobria tudo em Winterfell, desde às plantações até os telhados de casas. Tudo era branco e gélido. Caminho até os estábulos e entro naquela estrutura de madeira. Os cavalos estavam separados em baias individuais. Caminho por de frente às baias, observando cada cavalo ali presente. Haviam animais de diversas raças, tamanhos e cores. De repente, ouço um relincho vindo da parte de trás dos estábulos. Sem repensar caminho até lá. Em uma baia distante eu vejo um cavalo negro como as trevas; sua crisa também negra era espeça e grossa, assim como o rabo trançado. Suas patas eram largas e peludas, seu pelo era lustroso e tinha um brilho próprio. Ele em si era lindo. O cavalo parou de relinchar quando notou minha presença. Ele colocou a cabeça no portão da baia, como quisesse que eu me aproximasse. E assim o fiz. Me aproximei vagarosamente de sua baia, eu calculava cada movimento para não assustá-lo. Finalmente cheguei à beira do portão da baia e estiquei minha mão para tocá-lo. O cavalo aceitou meu toque e relinchou.
_Parece que ele se deu bem com alguém – falou alguém atrás de mim, que, automaticamente reconheci pela voz. Jon Snow.
_Como assim? – perguntei curiosa.
_Este Persheton não se dá bem com ninguém. Seja cavalo ou pessoa. Não deixa ninguém tocá-lo e muito menos montá-lo – explicou Jon.
_Então parece que eu dei sorte – falei acariciando a face do cavalo.
_Já escolheu sua montaria, alteza? – perguntou o cocheiro surgindo atrás de Jon.
_Sim. Irei usar este na caçada – respondi indicando o corcel negro.
_Como quiser, alteza – falou ele se aproximando para prepará-lo para a caçada.
_Venha, vamos dar uma volta – falou Jon.
Saímos do estábulo e caminhamos pelas ruas de Winterfell em silêncio, até o momento.
_Não terminamos a conversa de ontem à noite – falei quebrando o silêncio.
_Tem razão – falou ele fitando os pés enquanto andava.
_Quem é a sortuda? – perguntei sorrindo.
_Como?
_Ontem você deu a entender que estava gostando de alguém.
_Pois é.
_Então, quem é a sortuda?
Jon parou de repente e se virou para mim. Antes que ele pudesse responder, uma das criadas vem em nossa direção apressadamente.
_Alteza, é melhor começar a se arrumar para a caçada – informa ela.
_Tem razão. Nos falamos depois, Jon – falo e ele concorda com a cabeça; Então sigo para o castelo juntamente com a criada. Subimos as escadas e adentramos em meus aposentos. Os acessórios para a caçada estavam postas sobre a cama, dentre eles as luvas de couro, calças, uma blusa colada, capa de pele de animais e um par de botas de couro. A criada, cujo nome eu não sei, me ajudou a vestir-me e amarrou meu cabelo em um tipo de rabo. Olhei-me no espelho.
_Pareço estranha com essas roupas – comento me virando de um lado para o outro.
_Você está linda, Alteza – disse a criada sorrindo.
_Obrigada – retribuí o sorriso – Bem, é melhor eu descer. Já devem estar se preparando.
Desci as escadas e me direcionei para fora. Má ideia. Todos os olhares se voltaram para mim. Respirei fundo e segui em frente, sem me importar com os olhares voltados a mim.
_O que? Nunca viram uma garota usando calças? – perguntei me dirigindo a todos enquanto meu pai e lorde Stark riam dos companheiros de caçada.
_Qual montaria escolheu? – perguntou meu pai. Neste instante, o cocheiro apareceu puxando as rédeas do Persheton.
Fui até o cavalo e o cocheiro me ajudou a montar nele.
_Oh, parece que o Persheton se deu bem com alguém – comentou Ned Stark.
_Como assim? – meu pai perguntou ao amigo.
_Este cavalo não deixa ninguém se aproximar, muito menos montá-lo – respondeu.
_Sempre há uma primeira vez – respondi acariciando o pescoço do cavalo.
O cocheiro me entregou o arco e a bolsa de flechas.
_Vamos? – perguntei em um tom desafiador – Ou estão com medo de javalis?
Meu pai e Ned Stark saíram em disparada pelo portão e eu e os demais cavaleiros fomos atrás.
_Então você desistiu da espada e mudou para o arco e flecha? – perguntou Robb cavalgando ao meu lado.
_De jeito nenhum, continuo com a espada. Mas para caçadas, é melhor usar o arco – respondi sorrindo.
_Vamos ver então se sua mira é boa – falou ele.
_Está me desafiando, Stark? – perguntei rindo.
_Só se você for boa o suficiente para aceitar, Baratheon – respondeu também rindo.
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