Oblivion - Novo mundo

5 Capítulo 5 - Um belo plano


Aconteceram tantas coisas em tão pouco tempo. Brand seguiu o plano, já sem as correntes, foi para a parte de traz jaula, onde a garota revoltada vulgo Alyna mãos leves conseguiu destrancar a tranca. Enquanto a carroça ainda estava em movimento, e esperando os bárbaros olharem para o outro lado, ele deveria sair da jaula discretamente, roubar uma arma e depois sair correndo para distrai-los... Deveria, mas as coisas nunca saem como o planejado.

–Vai agora Brand... –Disse Alyna, estava aparentemente angustiada, ninguém poderia culpa-la, quem não ficaria assim estando preso por bárbaros e correndo risco de morte?

Neste momento ele não poderia fazer nada além de rezar a esses novos Deuses. –Estou indo... –Ele engoliu a seco, é agora ou nunca, matar ou morrer, provavelmente morrer, mas isto não é uma opção, pelo menos é isso que ele em sua cabeça.

Brand então empurrou cuidadosamente a grade, para que a mesma não fizesse tanto barulho e assim ele conseguiria descer da Jaula/carroça sem que ninguém notasse, e todos seriam felizes para sempre. Mas é claro que não seria tão fácil assim. Segundos após ele começou a empurrar a grade, o cavalo que puxava a carroça se assustou inexplicavelmente com uma simples pedra, poderia-ser que um dia uma pedra atacou o pobre cavalo? Talvez. A pedra parecia ser perigosa? Até pode ser, mas uma coisa eu posso dizer a vocês, a cadeia de eventos que a pequena pedra causou, foi o bastante para quase matar todos eles.

Assim que o cavalo se assustou, acabou dando um tranco na carroça para frente, e pela as leis da física e falta de sorte de Brand, isso fez com que ele não conseguisse abrir discretamente a grade... Na verdade ele foi praticamente lançado para fora, se ele não tivesse se segurado na grade, agora estaria no chão todo ferrado, como se tivesse caído de uma bicicleta tentando descer uma ladeira sem freios... Não seria nada bonito... Agora Brand estava em pleno ar, se segurando na grade, com a carroça em alta velocidade, mais discreto que isso impossível. Quem poderia entender como os bárbaros o viram?

O bárbaro a cavalo que provavelmente deveria estar vigiando a carroça, avistou o garoto pendurado rapidamente, logo guinou seu cavalo em direção à carroça, urrando como só um bárbaro sabe fazer, brandindo a espada já desembainhada. Suas vestes se mexendo com o movimento de seu cavalo, pele de lobo cinzento que daria inveja a Cruela Cruel e horrores aos direitos dos animais. Seu corcel negro investindo impiedoso, uma visão que intimidaria até os melhores guerreiros. Por isso a o ditado, nunca julgue um livro pela capa. Ele seguia em fúria, Brand já podia visualizar sua morte, engolindo a seco o medo e ouvindo nada além das batidas de seu coração acelerado e o som do galope. Por um curto momento tudo ficou em câmera lenta, ele viu a espada reluzir enquanto se movia em direção ao seu corpo, paralisado e aguardando a lamina atingir sua carne e tingir o metal de carmesim até que...

–Mexa-se. –Tais palavras que agora ecoavam na cabeça de Brand, a mesma voz que da chama que viu em seus sonhos antes de tudo isso acontecer, a voz da chama que agora esquentava seu corpo e fumegava seus sentidos. Agora ele conseguia pensar.

Brand rapidamente usou toda sua força para se jogar dentro da carroça, fazendo com que a lamina que o perfuraria ficasse presa entre as grades, e que por sua vez deixando o bárbaro perplexo com tal agilidade, que aparentemente ele não possuía, pois acabou se chocando brutamente com a carroça após o golpe falho, fazendo com que a mesma virasse e batesse com força no chão, coitado daqueles que estavam lá dentro, o bárbaro que puxava a carroça estava agora no chão embaixo de seu cavalo, ele não se mexia, mas pelo menos seu cavalo parecia estar vivo. Já Brand e seus amigos...

Koud grunhiu. –Mas que porra que aconteceu? –Disse ele levantando-se. –Era difícil seguir a droga do plano Brand?

–Você poderia sair de cima de mim? -Disse Amanda para Diana.

–Minha cabeça... –Alyna estava com um galo na cabeça que mais parecia um chifre.

Brand sentia dor no corpo todo, mas sabia que não tinha tempo para reclamar, ele viu a espada que o quase matou na sua frente, de alguma maneira toda essa bagunça deu certo. Ele se levantou, pegou no cabaço de espada e usou toda sua força para tira-la do metal amaçada onde jazia a grade da jaula. Erguendo a espada até ela se irradiar com a luz do crepúsculo. –Cala boca Koud, não temos tempo para ficar reclamando, vamos continuar a merda do seu plano.

Todos eles se levantaram, a carroça onde Jack e Kari estavam parou. –Você acha que eles viram oque aconteceu? –Perguntou a inocente Amanda.

–Não, não. Eles pararam para fazer a saudação ao sol, Amanda. –Disse Koud, como sempre, perde a amizade, mas não perde a patada.

–Isso pode ser melhor para a gente, assim vai ser mais fácil soltar os seus amigos. Mas... –Diana se virou para Brand. –Alguém vai ter que distraí-los...

–Vamos continuar com o plano...

Diana pegou em seu braço, aquele que empunhava a espada. -E se chegar o momento que você terá que usa-la? Acha que vai conseguir?

Ele sorriu tentando parecer confiante, ele não poderia vacilar, ele não poderia deixar seus amigos na mão. –Eu vou ficar bem.

–Pelo menos sabe como usa-la?

Brand deu de ombros. –Eu posso tentar alguma coisa.

–Vocês querem me fazer vomitar não é? – Alyna realmente parecia que iria vomitar, e seu mini chifre ainda estava lá. Parece que ela não gosta de situações estressantes como uma batida de carroça e cavalo.

–Então vamos logo, quero que você me empreste esta espada depois Brand, entendeu? –Disse Koud chegando mais perto, colocando a mão em seu ombro. –agora pode sair vivos daqui... Então não morra.

–Queria entender porque vocês estão falando desse jeito, como se eu fosse morrer sem essas palavras de incentivo. Vocês são dramáticos demais viu, eu não estou marcado pra morrer não sabiam? –Brand pegou a bainha com sua mão livre, e colocou em suas costas, mesmo não sabendo como colocar a espada lá de primeira. Não era uma espada grande, ele conseguia segura-la com uma só mão, o cabo de couro e metal se encaixava perfeitamente em seu punho, o guarda-mão era curvado para lamina, essa que era reta, com dois gumes e algumas inscrições que Brand não conseguia ler. Era leve o bastante para ele ergue-la com uma mão só, mas pesada o bastante para conseguir fazer algum estrago.

–Então vamos logo. –Disse Diana.

–Espera... Acho que poderíamos fazer outra coisa... –Todos olharam para Amanda, a garota parecia querer se esconder debaixo de uma pedra por causa de todos alhares em sua direção.

–Oque? Fala logo. –Alyna apontou para os dois bárbaros que estavam vindo, em sua direção, um parecia não estar armado, ele deveria ser aquele que montava no cavalo que puxava a carroça, ela não deveria esquecer o rosto dele tão cedo. O outro já estava armado com uma espada, com a mesma pele de lobo que aquele bárbaro com deficiência mental que bateu seu cavalo na carroça.

–Ah... B-Bem... –Não bastava a vergonha da atenção, mas ela tinha que gaguejar. Ela estava olhando para o chão, seus cabelos castanhos caiam sobre o rosto. –T-tavvv-vez, em vez de soltar os dois e sairmos correndo... A gente poderia pegar a carroça que seria melhor... –Quando levantou a cabeça para ver se eles tinham entendido oque ela falou torcendo para não ter que repetir, seu rosto já estava parecendo um pimentão de tão vermelho.

Todos se entreolharam, concordaram com a cabeça e voltaram seus olhos para Amanda. –Porque não deu essa ideia antes? –Koud sorria.

–Bem é que...

–É um bom plano Amanda, vamos logo, os irmãos estão esperando. E aqueles dois caras não parecem felizes. –Koud se virou e começou a andar, finalmente alguém começou a andar.

Amanda não conteve o sorriso. –Vamos. –Disse seguindo ele.

Brand suspirou. –Já que vai ser assim... Vão pelo lado, tentem não chegar perto dos dois, eu irei distrai-los o máximo possível, Koud você vai no cavalo, e se reclamar eu conto para todos aquilo...

–CALA A BOCA!!! –Ele parecia estranhamente afeado com aquelas palavras. –Eu monto no cavalo ta!

–Alyna vai abrir a jaula da carroça para vocês entrarem, e se algum deles chegarem perto...

–Eu dou um jeito. –Neste momento Koud realmente queria que Zane estivesse ali.

–Você? Se for pra depender de você, melhor eu já ficar aqui esperando o inferno congelar, seu amigo até poderia fazer algo, mas você? –Essa Alyna também não ajuda, falar bem dela é difícil.

–Nem vou responder essa. –Koud parecia realmente irritado, já que estava ao ponto de nem retrucar. De repente ele não queria mais Zane ali.

E eles foram, Koud, Alyna, Amanda e Diana seguiram correndo pela lateral, tentando dar a voltar nos bárbaros que estavam a metros de distancia, enquanto o trouxa... Quero dizer corajoso Brand ia ao encontro deles, tirando a sua espada da bainha, mesmo estando escurecendo os bárbaros conseguiriam ver a espada ao longe, isso foi o bastante para chamar a atenção deles.

–Você acha isso mesmo uma boa ideia? –Diana parecia preocupada. –Deixar o seu irmão sozinho contra aqueles caras. Ele pode morrer.

Koud olhou para o seu irmão, empunhando a espada. Sem parar de correr uma expressão séria invadiu seu rosto, uma coisa que não era muito comum de se ver. –Eu não me preocuparia com ele. Vou lhe contar uma coisa sobre o meu irmão, ele não tem muitos amigos, nunca foi popular, é mandão, chato e sério. Deis que nosso pai morreu, ele age como se precisasse cuidar de mim... Na verdade até antes disso.

–Como assim?

–Quando tínhamos oito anos, nosso pai queria que nós fizéssemos algum esporte, dizia ele que precisávamos nos manter saudáveis. Eu não queria fazer droga nenhuma. Meu pai, claro, brigou comigo, mas Brand tentou me ajudar, ele disse que iria fazer algo bla bla bla, ia se esforçar e tals, que eu não iria precisar fazer também. Meu pai concordou e me deixou em paz.

–E oque isso tem haver com você deixar seu irmão lá? Sozinho.

–Ele escolheu esgrima, e digamos que... Ele era bom.

–Bom quanto?

–Bom o bastante para ganhar. Aquele convencido sempre reclamou que a espada era leve demais.

–Mas isso não quer dizer que...

–E ontem... –A interrompeu. –Ontem eu vi algo que... Ele esta diferente. Eu não me preocuparia com ele.

Brand estava a menos de 10 metros dos dois bárbaros. O mesmo bárbaro que segurava Alyna desmaiada, aquele que acetou o acertou com a espada, aquele prendeu ele e seus amigos. Brand nunca havia tido a vontade de machucar alguém, seja por vingança, mas sempre há a primeira vez.

–Eu me lembro de você. –O bárbaro cuspiu, segurava a sua espada.

Brand começou a andar, sua mão esquentava.

–Me lembro quando bati na sua amiga, não foi muito para ela desmaiar. –Ele sorria.

O coração de Brand estava batendo mais rápido.

–Você mesmo não aguentou um golpe. –Ele gargalhava.

Brand apertava o cabo de sua espada. –Deixe-o queimar. –A voz ecoava em mente.

–Irei estuprar aquelas garotas, bem na sua frente, você vai assistir sem poder fazer nada.

–Ele irá para o inferno escarlate, tinja sua espada com o sangue carmesim. –A voz o não parava, até que Brand estava cara a cara com os dois bárbaros.

O bárbaro ergueu sua espada. –Agora bastardo largue essa sua espada antes que eu...

Antes que ele pudesse terminar de falar, o sangue já começou a escorrer, Brand havia dado uma estocada no bárbaro. Bem abaixo do peito. –Antes que você faça oque? –Brand estava puto.