Oblivion
6 Distração.
Notas iniciais
You know our love would be tragic (oh, yeah)
So you don't pay it, don't pay it no mind, mind, mind
We live with no lies
Hey, hey, and you're my favorite kind of night
Earned it — The Weeknd
+
—Me desculpe. Eu preciso conversar com você… Shunsui.
Rapidamente, o shōji se abriu, revelando Kyōraku Shunsui com uma expressão surpresa e uma momentânea perda de palavras, rara para ele. Seu haori de capitão, juntamente com seu kimono rosa-floral, estavam pendurados no cabideiro ao fundo do quarto, e o homem estava vestido com um yukata branco simples, com o peito e parte do abdômen à mostra, e pés descalços. Seus longos cabelos ondulados estavam presos como de costume, com fios caindo pelo seu rosto. O local, assim como a maioria das instalações privadas dos capitães, era amplo, com dois andares, sendo o de baixo uma área social integrada com uma espécie de escritório e, o superior, a verdadeira área privativa, com sua cama, armários, banheiro e varanda, além de seus pertences pessoais.
Na mesa de centro do andar inferior, uma lanterna de chama amarelada iluminava o espaço e revelava uma garrafa de saquê, acompanhada de um copo, ao lado de uma pilha de papeis importantes de sua divisão. Kyōraku, com sua fachada relaxada e despreocupada, possuía um interior sério e melancólico. Muitos achavam que sua personalidade tranquila e jocosa significava que sua Tenente carregava a divisão sozinha mas, o que o homem não revelava, era que suas noites também eram repletas de trabalho e dedicação.
Após revisar relatórios durante horas, tentando tirar aquela mulher de sua cabeça, e já convencido de que depredara sua relação com Haiako, pôde ouvir alguém batendo a porta, apesar de não conseguir identificar a quem pertencia a Energia Espiritual mascarada. Não era do costume de Nanao Ise aparecer em seus aposentos pessoais de surpresa e, apesar da grande vontade em ignorar quem quer que fosse em sua porta, sua curiosidade falou mais alto.
Ao abrir o shōji, revelou uma solitária Haiako iluminada apenas pela luz do luar. Kyōraku, ao menos 40 centímetros mais alto que a mulher, espremeu os olhos para certificar-se de que o saquê não estava fazendo efeito cedo demais. Shunsui… Ele ouviu seu nome sair dos lábios da mais nova, e os pelos de seu corpo se eriçaram. Naquele momento, imaginou coisas indizíveis e extremamente indecentes, mas também pôde observar a expressão melancólica de Haiako. Portanto, sua única reação foi suspirar e estender os braços para um abraço acolhedor.
—Venha, pequena. Conte-me.
Agora, nos braços de Kyōraku, que poderiam dar duas voltas em torno de sua cintura, ela se deixou ser acolhida pelo calor do homem, mas não demorou para se afastar utilizando ambas as mãos.
—Vamos precisar de uma bebida. — Haiako sorriu para o homem, ainda mordendo levemente o lábio inferior.
Agora, no interior do quarto, Haiako e Kyōraku sentavam à mesa com as pernas cruzadas sobre as almofadas, cada um em uma diagonal, próximos o suficiente para que seus joelhos se tocassem. Ambos desfrutavam de um silêncio um tanto quanto desconfortável, sem saber necessariamente quem deveria iniciar a conversa ou quais palavras usar. Em vez disso, bebericavam o saquê doce, enquanto a mulher analisava a pilha de papeis em sua frente, o que causou um riso suspirado escapar de sua boca.
—Há mais em você que os olhos veem.
—Heh, o que seria de mim se eu revelasse todos os meus segredos?
Segredos. Aquela palavra atingiu como uma faca o coração de Haiako. O que Kyōraku pensaria se soubesse o que a mulher tem a guardar dentro de si? O silêncio novamente tomou conta do local. Shunsui, por sua vez, percebeu que algo estava a incomodando e, segurou firmemente a mão da mulher, que estava repousando sobre a mesa.
—Se você quiser se sentar aqui e ficar em silêncio, tudo bem. Se quiser conversar, tudo bem. Só estou feliz por você estar aqui.
Ela olhou para a mão do homem, que cobria a sua. À meia luz, e falando naquele tom de voz envolvente, ela se sentia ainda mais atraída por ele. O yukata branco que revelava também parte de um abdômen definido era uma novidade, uma vez que ambos viam-se apenas uniformizados. Mesmo o fato de estarem ali, se tocando, em um local tão íntimo e sem o olhar de outros Shinigamis os observando, era extremamente inebriante. Até mais que o saquê.
—Eu queria me desculpar.
—Pelo quê? Você não fez nada de errado, fui eu quem…
—Por ter sumido. Me assustado. Eu sou péssima em expressar o que sinto, e as últimas semanas foram tão… difíceis. — Ela contemplou a face do homem, que ouvia tão atentamente cada palavra que ela dizia, que seus lábios a acompanhavam. Não faça assim…, ela pensou.
—O que lhe fez vir hoje? Não me entenda mal, passei as últimas semanas desejando que exatamente isso tivesse ocorrido, mas estou preocupado.
—Shunsui… você não sabe o que está desejando. Você não sabe quem sou. Se soubesse, não estaria sendo tão gentil comigo. — Em resposta a frase da mulher, Kyōraku sorriu, se levantou, e caminhou até o armário atrás de ambos, retirando dele uma garrafa selada de bebida, exibindo-a para Haiako.
—Você tem a noite toda para me convencer disso.
Então, com algumas horas, Haiako compartilhou o suficiente sobre si, como quem estava engasgada com o próprio passado e precisava de alguém para ser sua válvula de escape. Ela contou sobre o dia em que recuperou sua consciência, e foi encontrada por Aizen, sobre como não sabia quem era antes disso e, finalmente, sobre parte de sua relação com aquele homem. Esta última, sem muitos detalhes, dizendo apenas que ele havia sido um amigo, mentor e, por muito tempo, sua única família, apesar de terem se afastado com o tempo e as responsabilidades de Aizen. Ainda assim, não conseguiu falar sobre aquilo que verdadeiramente a assombrava. O que havia presenciado nos corredores da 5ª Divisão ainda a deixava confusa, e mais: seus estranhos sintomas perduravam, e ela tinha certeza da relação entre o que estava sentindo e a sua Zanpakutō. Contudo, isso, ela havia jurado nunca revelar. A ninguém.
Rapidamente, o saquê da garrafa recém aberta foi secando. Agora, com menos da metade da bebida, Kyōraku não conseguia tirar os olhos daquela pequena mulher que, em sua opinião, nunca havia falado tanto em todos os anos que a conhecia. Ouví-la falar de Aizen, ainda que de forma superficial, no entanto, não o trouxe satisfação.
—Então… agora você está conflitada por estar próxima ao Capitão Aizen, devido ao passado de vocês? — Kyōraku fechou os olhos e colocou, ironicamente, a mão no peito esquerdo, como quem quisesse demonstrar que estava de coração partido. — E eu pensei que você estivesse aqui por mim. Estou desapontado, Haiako-san!
—Não! — Haiako, com ambas as mãos, segurou a mão do homem que estava sobre seu peitoral. — O Capitão Aizen e eu não temos qualquer relação que ultrapasse a profissional. Nós éramos jovens, e o tempo nos separou. Estou apenas buscando uma razão para tantas mudanças repentinas em minha vida. — Conforme dizia essas palavras, seu coração palpitou em resposta a própria mentira. Ainda assim, ela disfarçou, e continuou. — A verdade é que estou aqui porque… precisava que você soubesse. Sobre mim. Ao menos o suficiente para saber que eu não sou…
Colocando o polegar sobre os lábios de Haiako, Kyōraku a interrompeu, escaneando todo o seu corpo com um olhar indecente.
—Você… realmente… me intriga.
—Shunsui… — A mão do homem se abriu, acariciando o rosto de Haiako, que fechou os olhos para sentir aquele calor em sua bochecha. — Eu não posso fazer parte das suas brincadeiras.
—Então não faça. Estou absolutamente sério e certo de minhas intenções.
A mão dominante do homem desceu da bochecha de Haiako para seu pescoço, envolvendo-o por completo, e pressionando levemente, o que retirou um gemido baixo e suspirado da boca da mulher. Olhando-a fixamente nos olhos, ele transferiu sua mão para a nuca e, com força mediana, a trouxe para si.
—Foi torturante ter sido deixado à mercê da minha imaginação. Você precisa aprender uma lição.
—Eu estou aqui agora. — Ela abriu os olhos e o fitou profundamente. Ambos estavam próximos o suficiente para que Kyōraku aproximasse seu rosto e deslizasse a ponta do nariz pelo pescoço da mulher, inalando seu perfume e causando um arrepio em sua espinha. Com sua mão esquerda, acariciou levemente as costas expostas de Haiako, de cima para baixo, descendo vagarosamente. — Kyōraku. — Ela proferiu, seriamente, para que ele a olhasse. Com as próximas palavras, esperava, finalmente, esquecer daquele que a assombrava. — Faça o que quiser comigo.
Provocado pela frase da mulher, o homem segurou seus cabelos com força, beijando-a com grande desejo. Os lábios e línguas entrelaçados e quentes davam lugar, de vez em quando, a sons abafados de luxúria. Com o beijo, Haiako sentou-se no colo de Shunsui, abraçando sua cintura com as pernas grossas. Ele, por sua vez, inclinou-se para trás, permitindo que ela estivesse por cima, com todo seu peso apoiado nele e, com as mãos habilidosas, desfez todos os nós e laços da roupa da mulher, que caíra de seu corpo, revelando seus seios fartos de auréolas morenas e mamilos eriçados, os quais possuíam três pintas características: uma entre os seios, uma no peito direito, e uma na auréola esquerda. Também entre os seios, uma surpresa: uma pequena serpente tatuada, mantida em segredo.
Em frente àquela visão quase proibida, Kyōraku passou a mão nos lábios, descrente de que era a realidade. Em Haiako, um sorriso safado tomou conta de sua expressão, e queria ver até onde poderia provocá-lo. Deslizou sua virilha para baixo, pressionando contra a pelve do homem, com movimentos vagarosos de vaivém, e sentindo seu membro endurecido contra si, o que arrancou gemidos de ambos.
—O que foi, Shunsui? Não vai aguentar? — Ela riu maliciosamente.
Ele sorriu, contrariado.
—Você realmente precisa aprender. Pois bem… — Ele levantou seu tronco, e puxou com certa violência a cabeça da mulher para trás pelos cabelos, esticando seu corpo e deixando-a ainda mais exposta. — Eu irei te disciplinar.
O homem a deitou no chão, e arrancou o restante de suas roupas com unhas e dentes. Por fim, retirou a parte de cima de seu yukata, revelando um corpo grande e definido, cujos pelos faziam um caminho entre o peitoral e a virilha, mas manteve sua calça em seu corpo. Com força, agarrou as coxas da mulher e a trouxe para si, colocando seu corpo sobre ela, e voltando a beijá-la e morder sua boca, enquanto seus cabelos castanhos-escuros, agora soltos, caíam por cima de seus ombros fortes. Movimentando sua cintura, pressionava o próprio membro contra a mulher, que agora estava nua abaixo de si, com as pernas abertas. Sua mão esquerda sentia e segurava a coxa da mulher, que o envolvia, enquanto a mão direita a apertava os seios com vontade. Mais uma vez, afastou-se do beijo para contemplá-la, e encontrou Haiako com uma expressão enlouquecedora, com um fio de saliva escorrendo pelos lábios entreabertos e arroxeados, com pequenos pontos de sangue que estava ansioso para sair pela pele, devido à intensidade do beijo. As mãos da mulher seguravam os próprios seios, como se estivessem os escondendo. Ao perceber a seriedade incomum na face do Kyōraku, ela olhou para o lado, desviando seu olhar, mas ele segurou seu rosto com firmeza, forçando-a a olhar para ele, e retirando as mãos da mulher de seus peitos inchados.
—Não, não. Hoje não existe um centímetro seu que não pertença completamente a mim.
Acompanhando todo seu corpo com os olhos, Kyōraku viu os seios excitados, a tatuagem delicada, desceu para a barriga lisa, mas não excessivamente magra e, por fim, encarou as partes íntimas da mulher. Completamente sem pelos, e com o interior moreno como as aureolas de seus seios, a vulva de Haiako estava tomada por um brilho característico da excitação, escorrendo por entre os pequenos lábios, pelas nádegas, e molhando o chão de madeira.
—Perfeita. — Ele deixou escapar, enquanto sentia a própria boca salivar.
—Shunsui…
—Haiako, continue dizendo meu nome assim e eu não irei responder pelas minhas ações.
Ela sorriu.
—Shunsui… eu quero você.
O homem segurou ambas as mãos da mulher com apenas alguns dedos, elevando os braços para cima de sua cabeça e os prendendo ao chão. Com a outra mão, retirou seu pênis duro e grosso de sua calça, realizando movimentos para estimulá-lo ainda mais. Latejando de prazer, ele olhou no fundo dos olhos de Haiako e, após ela acenar que sim, Kyōraku inseriu seu membro na vagina quente da mulher que, mesmo molhada, ofereceu resistência pelo tamanho dos dois.
Se não fosse a mão do homem impedindo-a, Haiako gritaria de prazer, enquanto ele deslizava o pênis dentro dela em movimentos alternados.
—Calma, pequena… — Ele mesmo falava entre gemidos e urros. — Você não quer que descubram-na aqui.
—Mais…
—Mais?
Ele acelerou e aumentou a força de suas estocadas, colocando cada vez mais de seu membro dentro da mulher, que mal conseguia falar. Todo o seu corpo pegava fogo em prazer até que…
Não se compara, não é mesmo?
A voz grossa e estonteante de Aizen veio à sua mente, deixando-a ainda mais molhada e quente. Em resposta, Haiako rebolou a cintura em volta do pênis de Kyōraku, arrancando gemidos do homem.
Veja como eu deixo você no passado, ela pensou, enquanto empurrava Shunsui para o lado, sinalizando que ele deitasse. Haiako, então, subiu em cima dele, encaixando-o dentro de si. Agora, em controle dos movimentos e da posição, pode sentir todo o membro a preenchendo por completo, o que a fez gemer ainda mais alto, como se quisesse calar os sons de sua mente. Não ligava mais para quem a ouvisse ali.
Subindo e descendo, ao passo que enforcava o homem com uma das mãos e, com a outra, segurava a mão do Kyōraku sobre os próprios seios, os movimentos ficavam mais velozes, mais quentes e fortes. Os gemidos de ambos aumentavam a intensidade e, juntamente com a respiração, se sincronizavam com as estocadas profundas.
O líquido transparente e lubrificante que escorria pelo meio de suas pernas também molhavam a cintura do homem, quando ele passou os dedos e levou a própria língua, provando o gosto doce da mulher.
Com os seios explodindo de calor e prazer, Haiako deixou escapar um grito quase sussurrado e, com seus olhos revirados, ela quis mostrar:
—Shunsui, eu…
Mas para ele, ainda não era o suficiente. Ele elevou o tronco, abraçando-a com os braços, e fez com que o corpo dela rebolasse sobre si, com o clítoris já aquecido sendo estimulado por sua virilha. Agora, sim, com essa proximidade, e com mais um beijo, o qual finalmente retirou sangue dos lábios da mulher, ambos chegaram ao clímax.
O gozo quente do homem preencheu o interior de Haiako, que gemia propositalmente ao pé de seu ouvido, e sentia sua vagina latejar em volta do pênis de Kyōraku.
Uma mistura de saliva e sangue escorreu pelos seus lábios, quanto ambos se deitavam, lado a lado, exaustos e satisfeitos.
Haiako, agora dormindo profundamente, foi levada para o andar superior no colo do homem. Os dois passaram a noite nus, mas Kyōraku não dormiu. Ele não conseguia tirar os olhos daquela pequena e impressionante mulher deitada ao seu lado, cuja postura tão séria havia se desmanchado em seus braços.
“Eu não posso fazer parte das suas brincadeiras”. As palavras de Haiako ecoavam na mente de Kyōraku. Ele não conseguia parar de pensar, também, em tudo que ela havia dito. Algo mais a incomodava. Algo sombrio.
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No dia seguinte, com o sol ardendo pela janela do andar superior dos aposentos de Capitão, mostrando que o dia há muito tempo começara, Haiako acordava.
Ainda nua, com os longos cabelos encaracolados pela umidade, e apenas com um kimono rosa sobre seu corpo, ela começava a processar o que havia ocorrido na noite anterior. A dor em seus lábios e suas partes íntimas arrancaram-na um sorriso. Ao seu lado, encontrou um pequeno bilhete.
“Aproveite a água da banheira. Fique o quanto quiser.”
Mas, em vez de acalmá-la, Haiako se deu conta de que estava absurdamente atrasada. Normalmente, acordava antes mesmo do sol surgir, e agora podia vê-lo brilhando com força total na mais alta posição do céu.
—Puta que pariu. — Raramente Haiako falava palavras de baixo calão, mas não pôde evitar. Levantou-se apressada e desceu as escadas correndo, buscando suas roupas pelo lugar, sem sucesso. Ao descer, encontrou, em cima da mesa, um pequeno banquete com frutas diversas, chá e biscoitos, bem como uma muda de roupas limpas. — Shunsui… você realmente é um galanteador.
Haiako não teria tempo de passar em casa antes de se apresentar ao 5° Esquadrão. Decidiu-se por vencida e banhou-se rapidamente, tentando ignorar o fato de que Kyōraku havia preparado também, um banho quente para ela. Vestiu o Shihakushō que o homem deixara, o qual ela constatou ser do tamanho exato, e colocou o cabelo em um coque alto para disfarçar o claro efeito do suor e umidade.
A mulher saiu, então, pela porta, mas não antes de virar rapidamente um copo de chá e levar consigo uma pêra. Você é muito cara de pau, ela pensou, com um sorriso.
Quando abriu a porta de correr, surpreendeu três oficiais em guarda, que a olhavam assustados.
—3º Posto Kikuchi Haiako! — Os três reverenciaram, após cumprimentá-la ao meio de gaguejados. De forma seca, ela os respondeu, com uma voz ríspida e amedrontadora, que causou arrepios nos guardas.
—Se qualquer um de vocês mencionar a ao menos uma mosca que eu estive aqui, irei arrancar a língua dos três. Tenham um ótimo dia.
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Na Seireitei, todas as notícias interessantes se espalham como fogo de palha. Existem poucas alternativas de entretenimento para os Shinigamis, afinal.
—O dia já começou com fofocas! — A 7º Posto Hasegawa Mei, animada com as novidades de um dia previamente entediante, sentou-se ao lado de Aoyama Mitsuko, embaixo de uma árvore na área comum da 5ª Divisão, para almoçarem juntos.
—Jura?! Me conta tudo! — Os olhos do rapaz brilharam em anseio para ouvir o que sua superior tinha a dizer.
—Uma amiga viu o Capitão Kyōraku saindo de seus aposentos sem seu kimono rosa, vestido apenas com o haori.
Desanimado com a falta de detalhes ou importância da notícia, Aoyama respondeu, com um muxoxo:
—Só isso? Poxa, achei que seria algo mais divertido.
—Me escuta, seu burro! — Hasegawa golpeou o rapaz com um tapa atrás da cabeça, que reclamou de dor, mas a ouviu atento. — Ouviram, também, barulhos suspeitos vindos de dentro durante a noite… se é que você me entende.
—Ohhh… — Ele respondeu.
—Ohhh… — Ela seguiu.
—Oohhh… — Ambos, agora em uníssono.
—Quem será a mulher misteriosa da vez, ein?
—Sei lá! Provavelmente alguém que não se dá o respeito! Onde já se viu, ser indiscreta assim nos aposentos do Capitão? Aposto que é alguém tentando subir de posição.
—E será que a gente não vai ficar encrencado por estar falando disso, Hasegawa-san?
—Não! Minha amiga já deve ter espalhado até para os moradores de Rukongai. Ela não se aguenta! Já já, todo mundo vai estar curioso para saber quem é a interesseira.
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Após uma curta caminhada, a qual havia sido completada com a utilização de um desesperado Shunpō, Haiako se encontrava nos corredores dos oficiais superiores do 5º Esquadrão, e consegui observar alguns estranhos cochichos dos membros, que se interrompiam bruscamente para cumprimentá-la. Decidiu, contudo, não prestar muita atenção.
—Será que aqueles três já espalharam… não. Um deles quase molhou as calças de medo e, além disso, não deu tempo. Estou ficando paranoica. — Ela falou para si.
Ao aproximar-se de sua sala, encontrou um burburinho e acúmulo de Shinigamis, em sua maioria, mulheres, na porta. Todas estavam sussurrando entre si, fazendo sons de felicidade e admiração.
—Do que se trata isso?
—Kikuchi-san! — Todos a reverenciaram. — Veja só, que coisa mais linda!
Confusa e com uma expressão descontente, passou pela porta e encontrou sobre sua mesa um enorme buquê repleto de Flores do Paraíso, as flores-símbolo do 8º Esquadrão. Com elas, um bilhete intocado.
“Não é uma brincadeira quando se trata de você.
Seu,
~~”
No lugar da assinatura, foram desenhadas pequenas ondas de água borbulhantes, e a mulher fez a conexão instantânea. “Shunsui, água nascente”.
Em uníssono, as Shinigamis em sua porta diziam “Ownnn!”, e algumas até falavam de inveja, ou parabenizavam Haiako por ter um pretendente tão dedicado.
Em meio ao rebuliço, uma voz masculina inconfundível, tirou a mulher de seu transe:
—Kikuchi-san, compareça à minha sala, por favor.
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