Oblivion

6 Entre mentiras, desejos e a verdade.


Notas iniciais
Pessoas vivem em constante processo de mudança diante das necessidades da vida. O quanto essas mudanças seriam compreensíveis se você não se recordar de tudo que viveu? Kurt terá que aprender a lidar com isso. E seus amigos que foram zipados também. Boa leitura.

Weller empalideceu. Um romance a três? Ele já tinha percebido que os sentimentos que nutria por Jane eram fortes o bastante para sobreviver após ter todas as suas lembranças obliteradas. Também sabia que ela adentrava suas barreiras e que viver novas experiências que antes evitaria por considerá-las arriscadas demais foi muito bom. Ele se sentia um homem novo ao lado dela. Mas devia ter algo errado aqui. Nunca se sentiu atraído por outros homens e o que sentia por Jane não o faria viver isso só para agradá-la. Ela lhe contou que o incentivou a ser pai, a construir uma família mesmo fora dos padrões convencionais... Ele entendeu que esse “fora dos padrões convencionais” era uma referência à Bethany, fruto de seu relacionamento com Allie... Confuso é a palavra exata para como ele se sentiu. Ele precisava de uma bebida.

Rich explodiu numa gargalhada.

— Cara, você precisava ver a sua cara agora. Eu devia ter filmado isso! É claro que se eu fizesse parte desse relacionamento que você tem com Jane, tudo seria muito mais quente e divertido. Mas vocês dois, bem você sabe, vocês são travados demais pra isso.

Kurt permaneceu em silêncio, processando essa nova chuva de informações enquanto subia as escadas do porão. O que esse louco disse agora? Rich não fechava a matraca um minuto sequer. Isso aumentava sua dificuldade em entender tudo.

Atravessou a cozinha indo direto ao bar que ficava no canto da sala. Quando já estava se servindo do uísque, para seu desespero, percebeu que o hacker veio em seu encalço ocupando um banco ao seu lado.

— Você sabe, você e Jane são meu casal favorito. Pena que ela só tenha olhos para você e você para ela. Qual é, você não vai me deixar no vácuo só por isso, vai? Foi só uma brincadeira...

Nesse momento Jane chegou, terminando de descer as escadas. Captou as últimas palavras de Rich e se aproximou já sondando como Kurt estava reagindo à corrente de insinuações sexuais associadas à asneiras que saiam da boca de ex-hacker. Bastou um olhar para perceber que, seja lá como aquela conversa começou, os efeitos sobre seu marido não foram positivos.

— O que aconteceu aqui?

— Oi, Jane. Estou tentando fazer Weller se soltar um pouco. Ele já estava bem mais legal, mas parece que o tal do ZIP trouxe todo o mau humor dele de volta.

— O que você disse, Rich? – ela questionou firme e seca.

— Foi só uma brincadeirazinha inocente. Eu disse pra ele que nós tínhamos um romance a três.

— Rich! – O nome do amigo saiu da boca de Jane carregado de repreensão e decepção.

— Eu só queria descontrair, Jane. Sabe, aliviar a tensão após um dia difícil. Você precisava ter visto a cara do Stubbles quando eu falei...

— Os efeitos do ZIP não são brincadeira, Rich! Você não sabe o quanto é difícil não saber a verdade sobre seu próprio passado. Eu fui manipulada e acabei machucando as pessoas mais amava graças a isso! Nós buscamos você para nos ajudar a reverter essa situação e não para tornar tudo mais complicado com mentiras!

Jane sempre era muito intimidadora quando se tratava de criticar Rich, mas agora o que sobressaiu no tom com o qual conduziu sua fala foi a dor. Isso pegou o hacker de surpresa, seus olhos se encheram de lágrimas.

— Desculpem-me... – disse talvez da forma mais sóbria que já tinha falado em toda a sua vida – Definitivamente passei dos limites aqui. Essa minha mania de tentar levar a vida brincando para tentar fazer tudo parecer mais fácil... Vocês fizeram de mim um novo homem e sempre serei grato por isso. Mais uma vez, por favor, me perdoem.

Jane gesticulou um aceno com a cabeça, vazia de palavras. Estavam mergulhados em problemas e nada parecia progredir. Tudo que queria era ajudar o marido, mas quanto mais se aproximava, mais parecia deixa-lo confuso.

Kurt secou a segunda dose de uísque. Também foi surpreendido. Era inegável o quanto ela conhecia suas incertezas, como ela parecia ser capaz de desvendar cada anseio da sua alma e chegar até os pontos de dor como um bálsamo de paz. Mas isso só confirmava o quanto Jane o tinha nas mãos. Subiu para o quarto sem dizer nada.

Ela desabou no sofá, sugando o ar em busca de sabedoria para lidar com mais esse revés.

Cerca de vinte minutos depois, ele voltava a sala. Tomado banho e vestindo um jeans com uma camisa azul clara. Formal demais para quem estava em casa. Mesmo percebendo isso, Jane foi até ele oferecer o que podia:

— Kurt, Rich ainda não superou a forma inconsequente como brinca com as situações. Se você quiser, podemos conversar...

— Eu... eu preciso de um pouco de ar. Vou sair dar uma volta... se você não se importar em ficar com as crianças...

Jane sufocou toda a vontade que sentiu de se oferecer para ir com ele e assim tentarem acertar as coisas entre os dois já que o ambiente da casa agora estava muito mais movimentado evitando qualquer momento mais íntimo para eles.

— Tudo bem. Eu fico com eles... – e se esforçou em sorrir para passar-lhe segurança.

Ele gesticulou com a cabeça em concordância e saiu.

Só voltou no início da madrugada. Indo até a cozinha, encontrou Boston cochilando debruçado sobre a mesa. Tocou seu braço pensando em lhe dizer pra ir pra cama:

— Estou bem, estou bem. Acordado. Foi só um rápido deslize. Já estou indo para o porão.

— Está muito tarde, Boston. Melhor você dormir.

— Sei que estou cansado. Todos estamos. Mas precisamos resgatar Roman. Rich, Jane e Ana estão no porão e quero fazer todo o possível para ajudar.

Kurt assentiu e desceu para o porão.

O plano para resgatar Roman estava recebendo os acertos finais. Decidiram forjar sua morte porque uma segunda fuga de alguém ligado ao antigo team de Weller levantaria suspeitas dos inimigos. Teriam que se infiltrar na prisão, colocá-lo a par do plano e deixar com ele a dose necessária da mesma substância usada para simular a morte de Jane em Veneza e de Avery em Berlim. Para aumentar a autenticidade, usariam outras substâncias nos dias anteriores que desenvolveriam sintomas de cardiopatia para justificar a parada cardiorrespiratória em seguida.

Finalizaram os detalhes já madrugada adentro. Estavam exaustos. Jane e Kurt subiram as escadas em silêncio. Já na porta do quarto, onde se separariam já que ela estava dormindo no quarto das crianças, ela não foi capaz de conter a pergunta:

— Você está melhor?

Ele concordou com a cabeça, em seguida, decidiu se abrir:

— Na verdade, acho que não. Provavelmente só ficarei bem quando tudo isso terminar e puder recuperar minhas memórias. Liguei para a Nas e fomos a um bar. Eu queria um pouco de vida normal... – e riu como se tivesse sido uma decisão ingênua. – Também achei que convidá-la ajudaria a atestar a normalidade das coisas entre nós. Oficialmente, ainda estou com ela...

Jane tentou sorrir, mas não foi capaz. Cada vez mais o relacionamento entre ele e Nas a incomodava. Abaixou a cabeça e assentiu sem olhar para ele.

— Foi bem pensado... Sei o quanto é difícil, mas espero que você encontre algo que te faça se sentir um pouco melhor nos próximos dias. Boa noite, Kurt.

— Boa noite, Jane.

Assim que entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, Kurt sugou o ar sentindo-se completamente impotente. Saiu com sua “namorada”, uma mulher forte, inteligente, bonita. Beberam, riram. Nas tinha uma linha de pensamento tão parecida com a sua.

Segurança e estabilidade seriam as duas palavras com a qual ele definiria o que tinha imaginado de um casamento com ela. Nada parecido com o que estava vivendo agora com Jane. Aliás, essa sua nova vida era exatamente o avesso da estabilidade e segurança que desejava para sua família.

Nas era uma mulher adequada para estar ao seu lado em todos os quesitos. E ainda assim, tudo que ele sentiu enquanto estava com ela foi o vazio por não ser Jane ali. A cada palavra que Nas dizia, sua cabeça projetava o que Jane diria naquela situação.

Então, ele voltou pra casa e para toda a insegurança e instabilidade que a presença de Jane ali representava. Terminou a noite planejando a fuga de outro terrorista classificada como de “alta periculosidade”, irmão dela, que ele traria para dentro de sua casa. Ainda assim, ele confiava nela. Ainda assim a curta conversa no corredor foi capaz de deixa-lo mais feliz do que as horas que passou com Nas. E quando Jane lhe desejou que encontrasse algo para se sentir melhor, tudo que ele pensou foi em beijá-la ali mesmo no corredor e se permitir passar o resto da madrugada fazendo amor com ela. Era só isso que o fazia se sentir melhor.

Tudo que restava agora ao dois era tentar dormir alimentando a esperança de que o antídoto do ZIP fosse capaz de reverter toda essa bagunça. Seus anseios pessoais e seja lá o que tiveram ou tem agora, precisaria esperar.

Os próximos dias foram dedicados ao resgate de Roman. O plano seguiu com as dificuldades previstas. Boston se infiltrou na prisão como enfermeiro. Seu primeiro passou foi substituir as drogas que topavam Roman por outras que desencadearam os sintomas de cardiopatia. Convencer o irmão de Jane a colaborar foi outro problema. Arredio, Roman resistiu e exigiu ver Jane. Ela entrou disfarçada como alguém da equipe de limpeza. Era incrível o quanto o irmão se acalma com a sua presença. Imediatamente Roman concordou com o plano.

As horas entre a simulação da parada cardíaca e a retirada de Roman do necrotério da prisão seriam cruciais. Coube a Rich se disfarçar de agente funerário, retirar o corpo e aplicar a substância que traria o louro de volta ao mundo dos plenamente vivos.

Tudo parecia ter sido perfeito até o momento em que Rich parou a van da funerário para aplicar o antídoto em Roman. Já na parte de trás do veículo, ele abriu o saco que continha o “corpo”, deixando cabeça e pescoço à mostra. Começou a manipulá-lo em busca da veia jugular que levaria a substância a agir de forma mais rápida e efetiva. A agulha estava a milímetros da pele, quando ele parou e consultou o cronômetro com a contagem regressiva para reverter a desaceleração cardíaca. Restavam dezoito minutos.

— Dezoito minutos é bastante tempo, sabia. – disse olhando para o corpo inerte de Roman. – Pare, Rich, não faça isso! Você é um novo homem...- e voltou a posicionar a agulha, mas continuou incapaz de prosseguir e recuou – Olha, eu juro que não vai fazer a menor diferença para você. Eu só preciso dar uma olhadinha. – e abriu o saco deixando o corpo do irmão de Jane completamente à mostra. – Uau! Cara, para quem está há meses na prisão, dopado e no corredor da morte, você está em ótima forma. Agora estou entendendo o tamanho do sacrifício de Zapata em dormir com você para gerar um bebê que ajudasse na cura de Jane. Aposto que nem o mau humor dela sobreviveu no dia seguinte, não foi? – Voltou a fechar o zíper deixando só o dorso à mostra – Pena que tudo que é bom dura pouco, não é mesmo? Hora de acordar, Deus Grego!

E finalmente injetou a substância. Roman despertou segundos depois meio atordoado.

— Bem vindo de volta, Eros! Tem roupas pra você aqui nessa sacola. Eu vou voltar a dirigir. Jane nos encontrará do outro lado da cidade.

Quando os irmãos se reencontraram cerca de uma hora depois, agarraram-se num abraço que parecia não ter mais fim. Rich e Boston se emocionaram.

Já a noite, em casa depois do jantar, conversavam ao redor da mesa. Ben estava no colo de Roman, Bethany brincava de alimentar as bonecas na sua mesinha. Jane resolveu contar a Roman qual seria o próximo passo do plano: trazer Patterson de volta.

— É um ótimo plano. Vocês vão conseguir. Enquanto isso, vou precisar do endereço da Zapata na Europa. – Roman disse.

— Você não está pensando em ir até lá, não é? Acabamos de te resgatar. Você precisa ficar fora das ruas por um bom tempo. – Jane disse.

— Além disso, precisamos que nos ajude a penetrar o firewall desenvolvido por Patterson. Rich, Boston e Ana disseram que seus conhecimentos seriam muito úteis. – Kurt colocou já bastante descontente com o que Roman disse.

— Agradeço por terem me resgatado, mas preciso ver meu filho. Se os inimigos desconfiarem de qualquer coisa, podem machuca-los para nos atingir. Zapata não sabe do que está acontecendo e estará despreparada para se defender.

— Roman, ela provavelmente não se lembra que você é pai do Miguel. Ao se aproximar, você pode expor todos nós. – Jane insistiu.

— Então, eu não me apresento. Mas preciso ter Miguel ao alcance dos meus olhos Jane. Vocês têm Bethany e Ben aqui, seguros.

— Mas Avery está longe de mim... Roman, por favor, seja sensato. – Jane suplicou relembrando como era difícil controlar seu irmão.

Kurt bufou, andou pela cozinha e passou a mão no pescoço procurando uma saída enquanto Jane apoiou o cotovelo na mesa e esfregou a testa aflita. Então ele voltou e disse:

— Acho que Roman está certo. É hora de pensarmos numa estratégia para trazermos Zapata e o bebê de volta. Podemos fazer isso enquanto trabalhamos no firewall de Patterson. Os dois precisam estar seguros e precisamos de Roman aqui.

Assim fizeram. Nos próximos dias se dedicaram aos dois planos paralelamente.

Zapata trabalhava na Europa liderando uma empresa de segurança em Zurique. Uma abordagem telefônica só iria assustá-la e, provavelmente, afastá-la. As chances de qualquer um deles viajar até lá era praticamente nula. Um risco grande demais. Precisariam de outra estratégia.

— Vou pedir para Clem procurar Tasha e contar que o team está com problemas. – Jane diz, Roman dá uma leve engasgada e Rich olha instintivamente para Kurt. — Depois Kurt faz contato telefônico com ela dando mais detalhes.

— Quem é Clem? – Kurt pergunta e Rich olha para Jane levantando as sobrancelhas

— Nós trabalhamos juntos no Sequestros e Resgates. É um ótimo profissional. Vai saber como abordar Tasha com descrição e passar segurança pra ela. – Jane responde e Rich se volta de novo para Kurt com mais tranquilidade.

— Você confia nele?

A cada pergunta de Kurt, Jane estremecia. As coisas já não estavam bem entre eles. Clem era o assunto que ela mais queria fora de suas conversas com o marido. As expressões de Rich acompanhando o diálogo também não ajudavam.

— Tenho certeza que podemos confiar nele. — respondeu já pensando que talvez devesse ter se referido à Clem com menos ênfase.

— Então faça! Vamos colocar esse plano em ação o quanto antes.

O contato telefônico com Clem foi rápido e Jane tentou deixa-lo o mais profissional possível, concentrando-se nas informações necessários. Ele se prontificou a fazer o que ela pedia, após ter duas tentativas de tornar a conversa mais pessoal cortadas pela morena.

Tasha foi cética com Clem, mesmo assim quis utilizar a via de contato com Kurt, esse sim era alguém em quem ela confiava.

A conversa telefônica foi curta. Kurt pediu sigilo absoluto. Falou sobre todos do team estarem com graves problemas. Disse que ela precisava se juntar à eles sem que ninguém soubesse e sugeriu férias forjadas em algum lugar remoto do globo como estratégia.

Dois dias depois, Tasha chegava à casa de Welller trazendo Miguel após uma longa viagem que incluiu uma passagem pelo México e documentos falsos. Para surpresa de todos, especialmente de Jane, Clem estava com ela.

Assim que Roman os viu, foi direto até Miguel, querendo pegar o filho que dormia em seus braços. Tasha o impediu. Estava bem apreensiva. Não reconhecia nenhuma pessoa naquela sala, somente Weller. Jane segurou Roman pelo braço e pediu paciência.

— Eu quero falar com você, em particular! – Zapata exigiu e Kurt a conduziu até a cozinha.

Após ouvir tudo que ele tinha para lhe contar, ficou ainda mais apreensiva:

— Weller, você tem três hackers e dois terroristas naquela sala. É bom ter algo concreto pra me apresentar se não quer que eu acione as agências de segurança agora!

— Eu sei que parece loucura, Tasha. Quando trouxe Jane pra casa, agi por puro instinto. Mas as crianças a reconheceram. Então comecei uma investigação discreta e a cada dia tenho conseguido localizar mais documentos apagados dos nossos bancos de dados que confirmam toda a histórias que eles contam. – e mostrou alguns arquivos no seu laptop — Certeza absoluta só teremos após tomar o antídoto e só Patterson sabe onde está.

A latina se sentou e abraçou o filho com mais força.

— Queria ter algo mais concreto pra te apresentar. Pra falar a verdade, achei que você sequer aceitaria o contato com Clem. Fiquei bastante surpreso.

— Aprendi a lidar com todo tipo de gente. Quando ele me procurou... bem, eu tinha um motivo para ouvi-lo. Há cerca de dois meses, numa consulta de rotina do Miguel, a pediatra disse que tinha um erro no tipo sanguíneo dele, ela achava que o exame devia estar errado porque ele é tipo B enquanto eu e meu ex-namorado, pai dele, somos tipo A. Repeti o exame e ele é realmente tipo B. Como não me lembrava de ter me envolvido com qualquer outra pessoa, também comecei uma investigação. Descobri muito mais coisas que não batiam.

— Roman é o pai do Miguel.

— Mira, uma coisa é eu saber que Rick não é o pai do meu filho, outra coisa é você me convencer que engravidei de um terrorista!

— Roman carrega uma lista enorme de erros e problemas emocionais. Mas quando está fazendo o tratamento certo, é uma pessoa normal. Pelo que me contaram, Miguel nasceu numa tentativa de salvar a vida de Jane. Mas a associação entre você dois é anterior à isso. Parece que articularam juntos para que você se infiltrasse na HCI Global.

Tasha bufou e revirou os olhos. Miguel resmungou um pouco e acordou. Logo se sentou no colo da mãe, sondando todo o ambiente enquanto coçava os olhinhos. Nesse momento, Jane apareceu na porta:

— Com licença, podemos entrar só para pegar algumas bolachas? – disse com Bethany apoiada em sua cintura.

Diante da afirmativa de Kurt e Tasha, ela atravessou a cozinha e pegou as bolachas no armário. Bethany não se conteve:

— Oi, tia Tasha!

— Holá, mi amor! – a latina a cumprimentou em espanhol como costumava fazer, pelo menos era assim que ela se lembrava...

Todos foram para a sala. Roman estava sentado no sofá com a cabeça entre as mãos visivelmente nervoso e tentando se controlar. Imediatamente se levantou quando viu Tasha e Miguel entrando. Jane acelerou para se colocar ao lado do irmão e impedi-lo de ir até o menino sem a autorização de sua mãe.

Para a surpresa de todos, foi Miguel quem reconheceu Roman. Estendendo os bracinhos em direção ao pai, balbuciou:

— Paeeeeee.

As lágrimas rolaram pelo rosto de Roman, enquanto seus lábios se abriam num sorriso pleno.

Tasha olhou para o filho e respirou fundo. Andou até Roman e permitiu que Miguel se atirasse nos braços do pai.

— Oi, garotão. Eu senti tanto a sua falta, tanto... – ele disse. E, se dirigindo a Tasha: — Obrigado. Pode ficar tranquila, eu sempre vou protegê-lo.

Miguel se aninhou nos braços do pai num grande abraço que demonstrava sua saudade.

Zapata saiu da sala. Kurt a seguiu até a cozinha e a pegou secando as lágrimas. Aproximando-se apertou solidariamente seu braço:

— Imagino o quanto seja difícil para você...

— Não, você não imagina, Weller! Meu filho acaba de chamar um terrorista de pai!

— Ex-terrorista, Tasha.

— Ok, ex-terrorista. Mas isso não é a coisa mais louca nessa história. Muito pior foi que me senti feliz ao ver os dois juntos!

— Acredite, sei exatamente como é sentir isso: algo lá dentro diz que o que racionalmente errado é, na verdade, o correto. Apagaram e reorganizaram nossas memórias, mas não conseguiram mudar nossos sentimentos. Bem vinda de volta, Tash. Esse é nosso mundo agora.

Notas finais
Sei que as atualizações estão demorando. Rotina apertada. Por favor, se você ler, compartilhe comigo o que está achando dessa história. Qualquer sugestão ou crítica é um ótimo motivador para prosseguir. Muito obrigada pela leitura.