Notas iniciais
Oiiieee o/ Você que está aquii! :3Espero que goste, e deixe sua opinião, adoraria saber :) [ Prefere a narração em primeira ou terceira pessoa? Eis a questão ~ uuh ]

Estava anoitecendo quando uma jovem fugia. Ofegante e com um ferimento na cabeça, ela corria desajeitada de seu caçador. Entrar na floresta poderia não ter sido sua ideia mais inteligente, mas no fim, não lhe caiu mal. A presa e o caçador enfim se desencontraram, e já não aguentando mais, ela cai no chão e apaga.

Não muito longe dali, um homem caminhava com seu cachorro, quando o animal se desprendeu de seu dono e foi em direção a garota caída. O dono o seguiu, encontrando a jovem ao chão trajando apenas um vestido fino com manchas de sangue.

Rapidamente o homem pega a menina em seus braços e a leva para casa onde morava com a esposa e seus cinco filhos. Eles a banharam, e deram novas vestes, mas somente no dia seguinte a garota acordou.

— Ela acordou! — gritou uma menina que a encarava e não demorou muito para que logo a menininha fosse retirada do quarto e o homem que a havia encontrado entrasse em seguida.

— Qual seu nome, minha cara? — perguntou o homem que a havia encontrado.

Ela ficou alguns minutos em silêncio pensativa antes de dizer:

— Eu... Eu não sei... Não me lembro... — ela começa a sentir a cabeça latejar e no mesmo instante coloca suas mãos na cabeça, onde tinha um machucado. Ela franze o cenho e em seguida o encara com medo.

Olhando para os lados ela percebe estar em um quarto consideravelmente grande, com paredes e piso de madeira e algumas lamparinas iluminando o cômodo.

— Onde estou? — ela pergunta.

— Está na minha casa. Não se preocupe, não lhe farei mal algum. O que fazia sozinha na floresta.

Ela abre a boca para responder mas neste momento escuta-se uma leve batida na porta, a mesma é aberta por uma mulher com longos cabelos escuros com alguns fios grisalhos contrastando. Trazia consigo uma bandeja com sopa para dar a jovem desconhecida.

— Olá, querida, fiquei sabendo por Helena que acordou. — ela se aproxima da cama falando com jovem com carinho. — Trouxe sopa, está uma delícia, devia comer. — diz ela entregando a bandeja com a sopa para a garota. — Sou Marilyn, esposa de Natanael. — diz, referindo-se ao homem que a encontrara. — Qual seu nome, querida?

Ela abre a boca para falar mas é interrompida por Natanael.

— Ela não se recorda.

— Não seja indelicado, Natanael. Ela pode responder por si mesma. — ela passa a olhar a desconhecida esperando a resposta.

A garota abaixa o olhar e se desculpa.

— Eu realmente não lembro de nada... Desculpe.

Marilyn parece pensativa.

— Podemos levá-la a delegacia... Ver se há alguém procurando por ela.

Natanael olha para a esposa como se ela falasse uma grande besteira.

— Sabe que não podemos....

— As crianças, Natan... Elas podem levá-la. — eles parecem pensativos e então Marilyn diz por fim para a garota: — Não se preocupe com isso agora. Descanse, e amanhã, se não lembrar de nada, te levaremos a delegacia, e passará a ficar com sua família, e assim, irá se lembrar.

Naquele dia ela descansou e então sonhou. Sonhou que corria e então dava de cara consigo mesma morrendo. Acordou no meio da noite assustada e ofegante, chamando atenção da jovem Jocelyn, que estava acordada ainda.

— Sonhos ruins?

A desconhecida apenas assentiu com a cabeça.

— É, acontece comigo sempre, mas minha mãe me ensinou que canções alegres e pensamentos positivos afastam coisas ruins da cabeça. Cante músicas bonitas, e se não lhe vier nenhuma boa música na cabeça, pense em coisas bonitas. — ela olha para cima pensativa — Como ler um bom livro perto de uma lareira em um dia frio.... Isso parece ótimo.

— Obrigada, parece realmente muito bom.

— De nada, boa noite.

A desconhecida voltou a dormir, pensou em uma doce e agradável voz lhe contando uma história antes dormir e não voltou a sonhar.

No dia seguinte a desconhecida parecia melhor mas sua memória ainda apenas um vazio. Natanael e Marilyn conversavam calorosamente e a jovem os olhava confusa, pois eles já haviam decidido. Queriam saber quem era a garota tanto quanto ela própria. Esperaram algumas horas, até a garota descansar um pouco e depois apresentaram formalmente seus filhos antes de levarem-na a delegacia.

Os filhos de Natanael eram cinco: Três garotas e dois garotos. A mais velha, Jocelyn, tinha cabelos castanhos e olhos esverdeados como o do pai, e apesar de ter dezenove anos, ainda tinha um jeitinho um tanto infantil.

Já Vince tinha os cabelos ruivos como os do pai e olhos âmbar, nada parecido com a mãe ou com o pai. Tinha dezessete anos e parecia não acreditar que a desconhecida realmente não tinha lembrança alguma sobre sua própria vida.

Helena era doce e meiga e quase todas suas características eram da mãe, exceto seus olhos, estes eram como os do pai, e com apenas dez anos de idade era praticamente um dicionário ambulante.

Em compensação Andrea, a mais nova das meninas, com apenas sete anos era bobinha, mas ótima em se meter em encrencas e brigar com Helena. Era parecida com a mãe mas seus cabelos eram uma mistura entre o ruivo e o loiro, e apesar de não admitir, Helena invejava isso.

E o mais novo, Jack, de apenas três anos, era bem calado, e seu cabelo era escuro como o da mãe e olhos igualmente escuros. E apenas ele não acompanhou a ida desconhecida a delegacia.

Foi na ida que a jovem descobriu que a casa dessa família era escondida por muitas árvores e praticamente isolada, e isso a fazia se perguntar o porquê de tudo isso. Pensou na hipótese de serem antissociais, mas essa ideia foi rapidamente descartada.

"Talvez só quisessem um lugar de tranquilidade, sem vizinhos doidos ou barulhos de buzina quando acordassem" pensou a garota.

— Ei, menina, de onde você é?

— Quieta, Andrea — repreendeu a irmã, Helena. — Papai falou para não perguntarmos nada. — ela ficou quieta um instante e então acabou não resistindo e perguntando a desconhecida: — É verdade que não se lembra de nada, moça?

A garota apenas assentiu com a cabeça, dando um sorriso de lado um tanto triste e Vince bufa em descrença.

— Do que se lembra? — pergunta Jocelyn.

A jovem se esforça para lembrar de algo:

— De correr. Acho que eu estava fugindo de alguma coisa... — ela diz um pouco sem graça.

— Da polícia talvez. Ela pode ser uma criminosa.

— Ou talvez de um animal, Vince. Você é tão... Indelicado. — diz Jocelyn, revirando os olhos.

—Imbecil. — corrige Andrea fazendo o irmão empurrá-la de leve.

Passando por muitas ruas desconhecidas e caminhando em silêncio eles vão se aproximando da única delegacia que conheciam. Até Andrea quebrar o silêncio:

— Se não descobrirmos o seu nome, podemos arrumar um nome novo pra você?

— Claro que pode. — responde a desconhecida.

— Que tal Isis, a deusa egípcia? — sugeriu Helena.

— Tatá? — sugeriu Andrea

— Que tal... Samara saída do poço?

— Haha, que sem graça, Vince, que tal Dori, era o peixe sem memória...

As meninas concordam e a desconhecida dá uma leve risada.

— Gostei mais de Samara... — resmunga Vince.

— Se eu pudesse mudar de nome eu escolheria Barbie. — disse Andrea, fazendo Helena revirar os olhos.

— Interessantes os nomes. — diz a desconhecida rindo.

Chegando na delegacia da pequena cidade de Sunset Harbour descobrem que a mesma estava desaparecida, até aparecer alguma conhecida da mesma.

— Lori! — ela a chama e a abraça com urgência. — Soube que estava desaparecida! Ninguém sabe nada de você ou de seu pai desde semana passada! Por onde andou?

A provável Lori olhou para mulher confusa, sem reação.

— Eu não sei...

— Como assim não sabe?

Andrea se intromete:

— Ela perdeu a memória.

— Desculpe, mas quem é você?

— Desculpe, quem é você? — imita Andrea com uma vozinha irritante, mexendo o pescoço.

— Eu sou Julianne, tia da Loreta.

— Quem é a Loreta? — pergunta Helena confusa.

— Ela! — Julianne aponta para a sobrinha.

— Mas não era Lori? — Helena fica mais confusa.

— Lori é apelido! Mas que droga! — exclama Julianne, visivelmente alterada.

Uma mulher da delegacia parece olhar feio para Julianne fazendo a mesma falar mais baixo.

— É uma droga mesmo.... — murmura Vince e é fuzilado por Julianne e Loreta.

— Quase acertamos o nome, Lori, Dori... — diz Jocelyn rindo.

— Verdade! — diz Andrea e Helena em uníssono, e riram em seguida.

Julianne parece tentar se acalmar, em seguida diz mais calma:

— Podemos ir para algum lugar mais reservado para falarmos disso?

— Público. De preferência. — diz Vince.

— Eu me referia a Lori, vocês podem ir, eu assumo daqui.

— Okay — disse Vince que se vira para ir embora mas é impedido por Jocelyn.

— Nós a trouxemos, nós a alimentamos, nós a demos um lugar para ficar e nós, somente nós estávamos com ela nesse tempo então, a senhora que me desculpe mas não a entregaremos para a primeira pessoa que diz conhecê-la.

Vince bufa com as palavras de Jocelyn.

— Julianne — Lori finalmente se pronuncia, estava realmente desconfortável com a situação. — Eu vou se eles forem.

— Posso ir pra casa? Isso está entediante. — pergunta Vince.

— Não! — respondem suas irmãs em uníssono.

— Vamos para minha casa, querida, será melhor estar em um lugar da qual possa se lembrar.

— Ela tem razão. — diz Helena.

Lori se sentia mal por ser o motivo da discussão e por não saber nada sobre si mesma. Não sabia quem era e nem reconhecia a própria tia. O passado estava prestes a descobrir e seu futuro, indefinido. Mas de uma coisa ela tinha certeza, algo muito ruim havia acontecido e ela iria descobrir o que era.

Notas finais
Alguém lendo isso :/ Espero que sim, e espero que tenha gostado :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.