Oblivion
2 Bad Blood
Notas iniciais
“That these are the days that bind you together, forever
And these little things define you for ever, forever”
Que estes são os dias que te prendem juntos, para sempre
E essas pequenas coisas que o definem para sempre, para sempre
Hermione entrou na sala de Snape controlando-se para que nenhuma das pessoas daquela sala percebesse o quão enfurecida ela estava com a situação. Definitivamente ela não deveria estar ali, mas justiça não estava no vocabulário do professor de Poções.
–Boa noite, professor – ela cumprimentou lentamente, mantendo os olhos fixos na parede atrás do professor, justamente para que sua calma exterior não fosse desmascarada – e Malfoy – completou sentindo mais raiva borbulhar dentro de si.
–Que bom que tenha dado o prazer de sua companhia esta noite, senhorita Granger – Snape disse friamente sem olhar para ela, apenas pegava alguns caldeirões e caixas de trás de sua mesa e os colocava nas mesas da frente da sala – mas receio que eu tenha dito para vir aqui às oito em ponto.
–Peço desculpas, mas a professor McGonagall precisava de minha ajuda, aqui – ela pegou o pequeno pergaminho do bolso interno de suas vestes e o levou até o professor – ela disse para lhe entregar isto, disse que o senhor entenderia.
Snape pegou o pergaminho e o leu rapidamente – sente-se ao lado do senhor Malfoy – o homem deu um aceno para o garoto que parecia particularmente sério àquela noite.
–Sim senhor – ela deu de ombros e se sentou ao lado do loiro, sem nem mesmo se dar ao trabalho de olhar para ele, apenas ficou ali olhando para a infinidade de caixas e caldeirões à sua frente.
–Suas varinhas – o professor pediu estendendo a mão e os dois jovens obederam entregando as varinhas a ele – elas estarão os esperando em seus aposentos. Limpem estes caldeirões e tratem estes ingredientes para serem usados nas aulas de amanhã – e com isso o professor simplesmente passou por eles e foi embora.
–Olha o que você fez Granger, bom trabalho – Malfoy reclamou enquanto tirava sua capa e dobrava as mangas de sua camisa branca até os cotovelos – agora serei forçado a passar a noite toda em sua companhia fazendo esse trabalho ridículo como um trouxa idiota. A culpa é toda sua.
–Minha? – ela olhou incrédula para o loiro – até onde eu sei você que começou tudo sozinho. A culpa é toda sua, Malfoy – ela pegou um cadeirão e tirou algumas ferramentas de limpeza de uma caixa próxima, esfregando o interior do objeto com mais força que deveria – toda e completamente sua.
–Se você não fosse uma sangue-ruim idiota, nada disso teria acontecido – ele pegou um caldeirão e também começou a tentar limpá-lo.
–Você me provocou!
–E você me bateu!
–E você me empurrou! – ela parou o que fazia e apontou o dedo para ele – e eu CAÍ DA ESCADA! Eu poderia ter morrido!
–Teria feito um favor para todos nós – ele murmurou enfezado.
Ela parou por um segundo, sentindo-se particularmente chocada com a resposta do garoto. Certo, ela já sabia que ele odiava ela e ela odiava ele, mas... Não achava que os dois haviam chegado no ponto de desejar a morte um do outro.
–Que coisa mais terrível de se falar – ela nem mesmo percebeu que acabou pronunciando o que passava em sua mente – desejar a morte já é demais... Até para você, Malfoy.
–E que bem faria para o mundo, deixar um sangue-ruim viva? – ele lançou a garota um sorriso quase cruel – mas eu não tenho com o que me preocupar, logo todos vocês estarão mortos, de qualquer jeito mesmo. Você vai preferir ter morrido ao cair daquela escada, Granger.
–O que quer dizer? – ela parou subitamente o que fazia e o encarou assustada – está me ameaçando, Malfoy?
–Eu? Não. Não sujaria minha mãos com você — ele deu de ombros — mas o que você e sua cabeça grande acham que vai acontecer? O Lorde das Trevas voltou, o que acha que ele vai fazer com vocês sangue-ruins?
E por pelo menos uma hora ficaram em silencio, cada um perdido em seu próprio mundo de pensamentos, tentado se livrar daquela tarefa brutal que Snape passou o mais rápido possível. Hermione não queria admitir, mas algo dentro dela sabia que o que Draco falou era verdade. Com a volta de Voldemort, nenhum nascido trouxa estava a salvo. Nem mesmo ela.
–Me dê os caldeirões – ela pronunciou por fim – você só está sujando mais eles desse jeito.
–O que está insinuando, Sangue-ruim? — ele lançou um olhar irritado a ela.
–Que você não faz ideia do que está fazendo, se continuarmos assim, nunca vamos sair daqui. Você prepara os ingredientes, eu limpo os caldeirões – ela decidiu – se dividirmos as tarefas, terminaremos mais rápido.
–Eu não irei cooperar com você – ele segurou o caldeirão que estava em suas mãos e continuou a passar o pano que usava com mais força.
–Malfoy, assim você só vai... – e antes que ela terminasse o caldeirão caiu das mãos do garoto fazendo um estrondo metálico quando encontrou-se com o chão – se machucar – ela suspirou o olhou para a pele das mãos do garoto que pareciam ter sido furadas por vários objetos cortantes de forma irregular – idiota, não sabe que alguns resíduos são extremamente corrosivos?
–Cale-se Granger – ele tentou limpar as mãos na blusa, mas isso só fez qualquer que fosse o resíduo se espalhar mais ainda pelas suas mãos, formando mais ferimentos.
–Venha – ela segurou um pulso dele e o puxou com força para fora da cadeira, forçando a se levantar e acompanha-la até a pequena pia que tinha no fundo da sala- seu idiota, assim só vai ficar mais ferido – ela abriu a torneira e colocou as mãos dele embaixo da água.
–O que está fazendo?
–Impedindo que você acabe amputando as próprias mãos com a sua idiotice – Hermione retrucou irritada – fique com as mãos debaixo dessa água até eu voltar – completou autoritária enquanto caminhava para o armário de ingredientes na frente da grande sala.
Ele a observou por vinte minutos enquanto ela pegava um caldeirão limpo e o preparava para poder usá-lo. Queria simplesmente sair dali, seu orgulho gritava em suas orelhas para que ele não obedecesse a uma sangue-ruim, mas enquanto a água corria pelas suas mãos seus ferimentos não doíam mais, na verdade era uma sensação até que boa comparada com a dor que estava sentindo.
A observou misturar alguns ingredientes que pegou e logo encheu uma concha com a poção feita as pressas. Caminhou rapidamente na direção do garoto – me dê suas mãos – ela fechou a torneira com a mão livre e deixou-a parada ali, com a palma para cima, esperando que ele colocasse as mãos nela.
–Não! – ele puxou as mãos para longe da pia, mas logo se arrependeu ao ver que o sangue ainda corria pelas dezenas de ferimentos e a dor voltava – o que tem nessa concha?
–Ah... É uma poção padrão de cicatrização – ela deu de ombros – se puder deixar seu orgulho de lado por um segundo e aceitar minha ajuda...
Ele olhou para o lado emburrado e muito relutante encostou a ponta dos dedos das duas mãos na mão dela.
–Vai doer um pouco – ela avisou e começou a despejar o líquido de dentro da concha nas mãos dele, girando-as delicadamente para garantira que todos os ferimentos fossem tratados.
–Um pouco? – ele deu uma risada forçada – você está querendo me matar? – ele fez menção para puxar suas mãos de volta, mas ela o impediu.
–Não seja idiota, Malfoy, eu só quero te ajudar – ela suspirou cansada e assistiu a ultima gota de sua poção cair no último ferimento dele – olhe, eles já estão fechando.
Ele virou a cabeça lentamente e observou os ferimentos de sua mão desaparecerem lentamente, deixando apenas marcas vermelhas no local, como se ele estivesse com uma leve irritação no local, exceto os mais profundos, que formaram pequenas cicatrizes quase imperceptíveis.
–Me desculpe – ela falou depois de garantir que todos os ferimentos estavam tratados – a poção não está perfeita, eu fiz correndo e nunca havia feito ela antes... Eu não tinha nenhum livro, então fiz com o que eu lembrava de memória... – ela parecia particularmente frustrada que o resultado de sua poção não tivesse sido perfeito. E Draco pode perceber que ela não estava falando aquilo para ele, e sim para ela mesma – devo ter esquecido de algo. Grande idiota.
Ele puxou as mãos de perto dela rapidamente – obrigado, Granger – Draco murmurou e se afastou, caminhando de volta para o seu lugar.
–O que disse? – ela arregalou os olhos, acordando do seu pequeno transe de perfeccionismo e encarando as costas dele com atenção.
–Eu não vou repetir, sangue-ruim – ele retrucou enquanto colocava todos os caldeirões do lado dela e pegava as caixas de ingredientes e instrumentos de preparo para si – vai ficar parada aí? Eu não quero ficar nesta sala com você a noite toda.
–Não mesmo – ela sorriu e correu para a mesa, começando a limpar os caldeirões da maneira correta.
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