Obliviate - Dramione
6 Por que você fez isso?
Notas iniciais
Quando Draco entrou em sua sala quase a destruiu. O vaso acima da lareia agora não passava de cacos espalhados pelo chão, uma empregada foi limpar, mas ele pediu que deixasse. Era um sinal de como o próprio estava por dentro.
A agua dourada do Whisky já era o que mais marcava sua visão. Droga, por que ela foi pedir esse exame? Ela não estava feliz como sua vida estava? Não era o que ela queria?
Por que agora queria mexer no passado?
Assim que lançou o Obliviate em Hermione, Draco pensou em lançar em si mesmo, mas preferiu deixar as lembranças. Ele precisava sofrer todos os dias por cada coisa ruim que fez no passado, precisava ver o casamento de Hermione na televisão, precisava ver as noticias de que ela havia tido filhos, precisava vê-la todos os dias e saber que nunca mais iria tê-la. E Deus, só ele sabia como aquilo doía.
Alguém batendo na porta o fez sair dos seus pensamentos. Ele estava pronto para xingar a pessoa de todos os piores nomes possíveis, mas quando encontrou aqueles olhos castanhos que sempre fez parte dos seus sonhos, ele não pôde nem mesmo respirar.
O que ela estava fazendo ali? Ela se lembrara de alguma coisa? Ou só queria reclamar por ele ter insistido tanto para ela não fazer o exame?
— Granger – Ele não acreditou ser capaz de dizer alguma palavra
— Draco...- Ela respondeu. Ela não precisava dizer mais nada para que ele percebesse que ela lembrara. O som de seu nome saindo da boca dela soava como a melhor orquestra de Paris.
Ele travou a respiração, o que ela iria fazer a seguir? Como ela estava lidando com tudo? O que ela diria hoje sobre a atitude dele?
Foi então que ela fez algo que ele nunca ia pensar: o abraçou. Incontrolavelmente suas mãos rodearam a cintura dela. Era tão bom tê-la por perto depois de tanto tempo. Ele sentiu o corpo dela ficar tenso, antes que pudesse dizer alguma coisa, ela se afastou.
— Precisamos conversar sobre aquele ano – Ela disse suspirando. Ele fez o mesmo abrindo mais a porta para que ela entrasse. Hermione hesitou, mas depois entrou lentamente mantendo uma distancia, para ela segura, dele.
Hermione se sentou em uma das cadeiras em frente à mesa de Draco. Ela ainda vestia uma longa camisola que lembrava uma roupa de hospital – aquele visão não fazia muito bem para a mente de Draco, era como uma tortura.
Hermione não o olhava. Olhava para o chão, para a parede atrás do homem, para a porta, para a janela, para os enfeites na mesa dele, mas nunca para seus olhos.
— Hermione, eu ...- Ele tentou começar, mas travou ao vê-la o encarar com os olhos cheios vermelhos. O coração do homem praticamente parou com a visão, ele não conseguia vê-la tão frágil sem ter uma imensa vontade de a abraçar.
— Por quê? – Ela perguntou o encarrando enquanto segurava uma lagrima que insistia em cair.
— Hermione, o que queria que eu fizesse? Que visse você ficar presa por causa de mim? Ver você perder seus amigos? Perder a confiança das pessoas?
Ela somente o encarava, não parecia querer dizer nada. Draco continuou.
— Você sabe quanto tempo eu demorei para conseguir um cargo aqui no ministério? As pessoas ainda me olham como se eu fosse um comensal da morte. Você estava destinada ao sucesso, eu não podia ser uma pedra no seu caminho. Não queria que as pessoas a olhasse com repudio por estar comigo. Eu queria que você continuasse sempre sendo a garota que venceu as trevas.
— E...- Hermione abaixou a cabeça permitindo organizar seus pensamentos – Por que você não quis esquecer?
Ele suspirou abaixando a cabeça. Não se sentia tão pronto para confessar tudo que passou nos anos anteriores.
— Porque foi a melhor coisa que aconteceu comigo, tirando, é claro, o nascimento do meu filho – Ele se permitiu um curto sorriso – Eu merecia ter essas lembranças, merecia a dor que sentia cada vez que a via e não podia te ter perto. Ver seu casamento na televisão, ver o nascimento de sua filha, de seus filhos.
— Mas... Mas...Mas você também se casou – Ela disse o encarando.
— Uma forma de se dizer na verdade- Ele confessou. Queria sorrir com a ironia, mas era impossível ao se lembrar do sofrimento de Astoria. — Eu não queria ver ninguém nos meses após a formatura, eu só queria viver com as minhas lembranças. Mas meu pai queria me ver casado, disse que eu precisava dar um herdeiro para a família. Minha mãe, diferente, disse que era a única maneira de eu esquecer o que me incomodava. Decidi dar uma chance, acreditar que poderia te esquecer, mas... Deus, só fiz mal para ela. Eu não podia ama-la, enquanto ainda era apaixonado por você.
Hermione prendeu o ar. Antes, de todas as memorias, nunca imaginara que Draco Malfoy seria capaz de dizer que estava apaixonado por alguém, muito menos por Hermione.
—Draco, por favor...- Ela tentou. Não podia continuar a ouvir isso. Por quanto tempo iria conseguir continuar a ouvir sem que o tentasse consolar?
— Eu sei que o que fiz foi errado, eu não podia ter interferido dessa maneira na sua vida. Mas eu só queria o melhor pra você, sempre vou querer. Eu só...- Draco esticou a mão e segurou a de Hermione. A morena rapidamente tirou a mão. Não podia se deixar sentir o toque dele, sabia o quanto a afetada.
— Eu preciso ir.- Ela se levantou rapidamente. Esbarrou no batente da porta ao sair em disparada pelos corredores do ministério. Encontrou Rony na sala onde havia retirado o feitiço.
O ruivo a encarrou com a testa franzida. Hermione controlou a respiração após a corrida. Rony se aproximou dele lentamente.
— O que aconteceu? – Ele perguntou com os olhos semicerrados, como se tentasse ler a mente dela. Hermione virou o rosto, mesmo não acreditando que ele poderia descobrir o que se passava em sua cabeça, ela preferiu não arriscar perante aos seus problemáticos pensamentos.
— Houve um problema grave com minha campanha contra o maus tratos aos elfos domestico – Hermione mentiu indo procurar suas roupas para se livrar de uma vez daquela camisola.
— O que houve? – Rony a seguiu. Hermione não sabia como continuar, não havia pensado nessa parte da mentira.
— Bem... – Ela disse enquanto se vestia calmamente. Sua mente trabalhava rápido – Descobrimos um lugar onde tratavam muito mal os elfos, um regime de escravidão muito severo. Não posso contar muito.
— Tudo bem. Mas eu estava preocupado, você não contou muito sobre o que lembrou. E ainda por cima acordou falando...
— Rony! Precisamos buscar Rosa e Hugo na casa do Harry. Gina falou que a empregada vai embora cedo hoje! – Hermione tentou se livrar da conversa assim que terminou de se vestir. Rony assentiu, graças a deus sua desculpa era realmente verdade.
Alguns dias na semana de férias, Rosa e Hugo ficam na casa de Harry, porque a empregada deles era de extrema confiança e Hugo, adorava brincar com Lily e Rosa, bem, Rosa ficaria no celular independente do lugar que estaria.
Assim, ela e Rony foram de carro até a casa de Harry e Gina, seus filhos ainda não podiam aparatar. Rony não perguntou nada no caminho, o que fez ela agradecer aos céus. Quando chegaram a empregada estava deixando a casa, mas os amigos já haviam chegado.
A casa de Harry e Gina era uma das maiores do bairro, porém extremamente acolhedora. A sala de estar era preenchida por poltronas e almofadas ao redor da lareira. Livros cobriam a parede oposta – era a parte favorita de Hermione.
Nas poltronas ao redor da lareira estavam Harry, Gina, Alvo e Rosa, a ultima deitava com os pés no braço da poltrona e tinha a atenção presa no celular.
— Você podia parar de encher o saco, Rosa! – Reclamou Alvo em voz alta assustando Hermione que estava na entrada.
— O que houve? – Hermione perguntou se aproximando deles. Os olhos de Rosa se voltaram para ela, mas a menina não pareceu preocupada com a bronca iminente da mãe.
— A Rosa ainda não superou o ano passado – Alvo reclamou se virando para Hermione. A mulher se lembrava muito bem da confusão do ano anterior, tudo que Alvo e Escórpio tinham aprontado. Faz alguns dias que Hermione tinha agradecido por nada ter acontecido naquele ano, disse cedo demais.
— Claro que não, Alvo. Não sei se você se lembra, mas vocês me fizeram desaparecer! – Rosa gritou deixando o telefone de lado.
— Eu sei que eu fiz merda, Rosa. Acha que eu não sei! Mas você devia superar, você esqueceu que a gente consertou tudo depois!- Alvo gritou de volta.
— O Escórpio resolveu. Se fosse por você Voldemort estaria governando o mundo!
— Você tem razão! Agora você se arrepende de ter sido tão preconceituosa?
— O que ele disse, Rosa? – Hermione encarrou a filha com olhos semicerrados. Ela detestava preconceito, e nunca deixaria a filha ser uma pessoa tão preconceituosa.
— Ela disse no primeiro dia na plataforma– Alvo começou abrindo um aspas com as mãos — Somos de família famosas, todo mundo vai querer ser nosso amigo, podemos escolher quem quisermos. Vamos classificar e depois escolher.
— Rosa! – Hermione recriminou as atitudes da filha. Não era dessa maneira que se tratava os amigos, não deve se vangloriar por ser de uma família importante.
— Isso me lembra nosso primeiro dia. Ela até parece com o Malfoy – disse rony em tom de brincadeira, virando – se pra Harry. Lembrava de quanto Draco disse que algumas famílias de bruxos eram melhores que outras.
Hermione travou.
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