Obliviate
1 O
Notas iniciais
POV HARRY POTTER
Instruções e mais instruções somente para finalizar a poção Wiggenweld, restavam apenas uns quinze minutos até o final da aula e eu não conseguia parar de encarar meu relógio. Ninguém terminara até agora e isso chegava a ser surpreendente, essa poção já foi feita por nós no segundo ano, talvez fosse um teste para garantir se nossa memória ainda funcionava.
Olhei para a mesa ao lado e Rony parecia estar prestes a amassar o Ditamno, e isso era somente o segundo passo do procedimento, aparentemente alguém não iria ter sucesso na tarefa do dia. Até Hermione, parara um pouco de cortar suas raízes e encarava o quadro negro sem expressões, refletindo sobre o seu provável fracasso na mesma, isso era inadmissível em sua concepção. As informações estavam escritas na página 17 do livro antigo e nenhum de nós conseguia se conformar sobre esse desafio que aparentava ser tão tolo mas na verdade iria acabar por abaixar todas as nossas notas.
— Eu não estou acreditando! Se eu continuar neste caminho, irei ganhar um E no meu boletim! Excede Expectativas? Eu ando estudando tanto para conseguir tirar um E? — Hermione sussurrou para si mesma todavia a sua angústia chegava também aos ouvidos de Rony e obviamente nos meus, talvez até ao restante da sala tivera a oportunidade de ouvir seu desespero que era mais do que desnecessário.
— Hermione, você pode parar de reclamar? Se eu ganhasse um E, eu ficaria muito feliz! — murmurou Rony irritado com tamanha inteligência de sua amiga que reclamara de uma nota consideravelmente perfeita para qualquer boletim acadêmico, principalmente o seu.
Esboçei um fraco sorriso no intuito de não a deixar mais magoada do que aparentava. Horácio Slughorn passava por alguns alunos observando o progresso da classe, eu temia que chegasse a minha vez. Dumbledore havia me pedido para me aproximar do professor de poções e eu nem ao menos conseguia terminar um objetivo tão simples quanto este. Já o professor parecia nem ao menos hesitar todas as vezes que me encontrava no castelo. Vinha direto falar comigo e como sempre eu o recebia de uma forma simpática, eu lembrava-o de minha mãe, na verdade, todos lembravam dela quando me olhavam. Apesar de na maioria dos momentos gostar de ser comparado à minha mãe, muitas vezes me sinto e chateado por não ter realmente a conhecido. Agora isso me lembrava de Voldemort, da minha missão que Dumbledore insistia que eu teria que terminar.
— Harry? — o professor me cumprimentara e eu virei para trás, fazendo uma expressão receptiva. — Como está indo o dever?
— Ham… er… — comecei, sem ideias do que dizer.
— Professor! — exclamou Parvati, do outro lado da sala e isso foi um total alívio. Internamente agradeci inúmeras vezes à ela por isso, dando um último sorrisinho à Slughorn antes de voltar a olhar novamente para os ponteiros do relógio, que agora marcavam menos de oito minutos até o final da aula.
— O garoto tem de ser pego o quanto antes! — eu estava numa sala mal iluminada e encarava um vulto à minha frente que circulava pelo pequeno espaço, que era iluminado somente por uma lareira, com as chamas quase extintas. Sentia o nervosismo pulsando em minhas veias e minha varinha não estava no bolso, eu não poderia conjurar nenhum feitiço dessa maneira.
— Milorde, eu poderia ir agora mesmo atrás do garoto… se o senhor permitir posso matá-lo! Assim como fiz com o imundo Sirius Black! — disse uma voz esperançosa no canto oposto ao meu. Senti meu coração indo até a boca em segundos que se passaram mais rápido do que o previsto. A raiva instalou-se subitamente em meu corpo. Bellatrix Lestrange .
— Não, Bella… já disse que será eu que o matarei — a sua voz um tanto rouca por ódio, ecoou na sala e comecei a encarar outros cantos, tentando encontrar o foco do som.
O vulto que voava pelo espaço finalmente passou por mim, uma grande ventania naquele cubículo começara e eu não podia fazer nenhuma ação, as paredes estavam encobertas de sangue, incrivelmente apesar de tudo estar na escuridão, o líquido vermelho era tão visível quanto o Sol em uma tarde sem nuvens, e quando tomei novamente a consciência, aquilo se transformara em um par de olhos. Os dele. Senti como se dementadores escapassem do chão, tudo estava frio e só o que eu conseguia enxergar na profunda escuridão, eram olhos vermelhos, carregados de ódio como sempre ficavam. Minha cicatriz ardia demais e tudo ficou definitivamente escuro.
— Harry! Harry! — exclamava a voz de Rony, num lugar distante. Abri meus olhos vagarosamente e encarei o grupo de alunos na minha volta, logo na frente, estavam Rony e Hermione me olhando preocupadamente, como se algo indiferente tivesse ocorrido ali. — Cara, você está bem?
Não o respondi, ainda tentava voltar para a aula de poções que eu estava cerca de cinco minutos atrás. Me recompus na cadeira, enquanto ainda ofegava e os outros tiravam os olhos de mim aos poucos. Hermione e Rony ainda me observavam e desviei o olhar, procurando prestar atenção ao professor.
—Tudo bem pessoal! Muitos não conseguiram ao menos terminar e eu realmente não quero que todos fiquem com notas ruins neste ano. — Horácio começou a falar observando o rosto de cada aluno mais desesperado do que o outro, temendo que seus pais os deixasse de castigo pelo resto da vida por ter tirado um T na primeira média do ano. — Podemos tentar mais uma vez na próxima aula, mas somente se vocês prometerem se dedicar mais na matéria. Certo, Harry? — disse Slughorn, sorrindo bondosamente para mim. Acenei com a cabeça, que ainda ardia, mais precisamente na minha cicatriz, a marca de que há um longo tempo, alguém tentara me matar e escapei ileso. Voldemort, com quem acabara de ter mais uma visão de sua imagem, fora o responsável por esta pequena cicatriz que me diferenciava de qualquer pessoa considerada normal. — Bom, se estou correto, nosso próximo encontro será na quinta-feira, não se atrasem.
— Harry, você está bem mesmo? — Hermione perguntou e sinti o meu rosto ficar vermelho, algo martelava a minha cabeça e eu não conseguia disfarçar tal coisa.
— Ótimo. — apressei o passo para os corredores e larguei o livro em cima da mesa, logo aberto numa página onde o tal príncipe mestiço escrevia seus conselhos para a poção Wiggenweld. Foi por impulso se eu estivesse em sã consciência não sairia deixando-o para trás, mas eu o fiz.
— Harry! — escutei uma voz mas não pude identificar qual era, eu tive a necessidade de escapar dali o mais rápido possível. Eu estava nervoso, não queria ter aqueles visões, porém por algum motivo, pareciam às vezes necessárias para acompanhar Voldemort.
Continuei em meu caminho para o nada, sem rumo ou ideia para onde estava indo, segui meu instinto e torci para que me levasse à algum lugar viável. Não olhei para frente e a única coisa que encontrei foi uma garota em meu caminho, seus cabelos eram ruivos vivos e eu os reconheceria de qualquer jeito, era impossível não perceber quem era.
— O que houve? — o seu tom de voz foi suficiente para me curar de todo aquele misto de sentimentos negativos que tomava conta de meu ser.
— Nada… dia ruim… — murmurei, levantando a cabeça e dando um sorrisinho para Ginny Weasley.
A garota esboçara um sorriso também.
— Finalmente alcançamos você! — escutei a voz dos dois juntos e senti uma decepção repentina. Por mais que odiasse admitir, eu não queria a companhia de Hermione e Rony naquele momento. Eu queria a companhia de Ginny. Só dela.
E aparentemente não era somente eu que desejava isso, vi em seus olhos que a decepção também tomara conta de si, mas ela logo se recompôs e ficou um pouco vermelha.
— Tenho que encontrar o Dino, vejo vocês mais tarde! — disse a garota acenando — Ah, e Harry: cuidado para não esbarrar em mais pessoas. — sua risada leve me encantou e devolvo o mesmo sentimento um pouco petrificado por tamanho contato com ela, isso era complicado de se ter quando os horários de nossas aulas sempre eram diferentes.
— Até… — e enquanto eu me preparava para falar com Rony outra vez, algo me acertou.
Não tive muita noção do que foi ou como foi, mas meu corpo ficou mais fraco e caí no chão, tendo como última visão uma massa de cabelos flamejantes virando-se e se aproximando novamente. E todas as cores do mundo desapareceram, viraram cinzas. Meu mundo virou-se em ruínas em segundos.
Quem eu era?
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