Objeto Perdido

26 Capítulo vinte e cinco


Notas iniciais
Bom dia/Boa tarde/Boa noite amados e lindos leitores da minha vida!!!! Em primeiro lugar, me perdoem pela demora, de verdade, como sempre os estudos estão me sufocando. Em segundo lugar, gostaria de dizer que estou com saudade de vocês... Saudade Party Poison, Anjinha do Mal, apareçam mais vezes, venham me visitar [kkkk]. Obrigada do fundo do meu coração à Katherine e Jessica St, eu não encontro palavras nem maneiras pra demonstrar a gratidão que tenho com vocês... Ok, enfim, sem mais ladainhas, aqui vai mais um mero capítulo, uma ótima leitura a todos!!

A paz é a única coisa que consigo sentir, como se nada mais fosse capaz de me abalar. Estou em uma espécie de jardim, flores de diversas cores e tamanhos dançam com a brisa que paira levemente sobre o local. Não há nenhum sinal de ameaça apenas a calmaria, um silêncio pacífico. Caminho lentamente sobre o gramado verde e gélido, noto que meus pés estão descalços e não há dor alguma em meu corpo, isso é estranho, considerando que nos últimos dias dor é a única coisa certeira em minha rotina. Não sei onde estou, apenas sei que não quero sair de tal local nunca mais, não quero ter que enfrentar a dura realidade, não quero sentir as dores novamente, não quero estar sempre prestes a pular no precipício da loucura...

As flores dançam ao meu redor, como se brincassem comigo, como se quisessem ser notadas, mostrar que estão ao meu lado e não estou sozinha. Elas exalam um perfume extremamente leve e calmo, cada gotícula de tal odor entra por minhas narinas e faz a paz aumentar, causa-me até mesmo um mero sorriso por não estar sentindo dor ou angustia, depois de inacabáveis dias de luta, dor, tristeza, morte... Afinal, onde estou? Uma pergunta ainda melhor é como vim parar aqui? Olho para todos os lados e não consigo identificar tal local, não há nem ao menos um vestígio desse lugar e minha memória. A estrada de flores é, aparentemente, infinita. Olho para o horizonte e não consigo enxergar o término de tal trilha.

A sensação do gramado molhado nos pés e prazerosa, me leva novamente aos tempos de criança, a infância que não mais voltara e que as vezes, estupidamente, eu pedia para que passasse rápido...

– Vejo que está apreciando o local... – uma voz masculina soa atrás de mim, sinto uma mão apoiar-se sobre meu ombro. Um homem de vestes brancas, igualmente descalço, cabelos negros e dono dos olhos mais azuis e maravilhosos que já vi em minha vida. Porque tenho a impressão de que o conheço, mas não me recordo exatamente de onde?

– Onde eu estou? – pergunto, olhando novamente ao redor. Não consigo me lembrar de ter visto algo tão maravilhoso e calmo assim em toda a minha vida. – Quem é você?

– Melanie... – tal homem dá um passo a frente, aproximando-se de mim, toca levemente meu rosto com o indicador. Um lindo se forma em seus lábios. – Respire, apenas respire.

– Mas... – começo a dizer, sem a menor ideia do que pode estar acontecendo.

– Apenas respire. – ele me interrompe e apoio o indicador em meus lábios, olhando fixamente em meus olhos. Sem saber como reagir, apenas inflo meus pulmões e deixo todo o oxigênio entrar, uma sensação completamente única. Não sei explicar ao certo, mas sei que nunca inalei um ar tão fresco e puro como o desse local, um ar que preenche completamente meu pulmão, o doce perfume das flores deixando tudo mais, digamos, único e especial. A calmaria se apodera de meu ser, meus olhos se fecham e nada mais me vem na mente, apenas a paz que o odor das rosas espalham por todos os lugares.

Ainda não consigo me recordar do local em que me encontro, nem ao menos reconhecer o homem que está a minha frente, mas algo em mim se agita com sua presença. Sinto confiança, como se nada pudesse me atingir em sua presença, sinto paz, não há mais dores, nem ao menos lembro como é senti-las.

– Obrigada, eu acho... – sorrio, abrindo os olhos. Seus olhos azuis ainda estão a me fitar, o sorriso ainda estampado no rosto. – Me perdoa por perguntar de novo, mas onde estou?

– Um lugar para descansar. – ele responde, começando a caminhar. – Um local longe de todas as dores, tristezas, angustias...

– Você me trouxe aqui? – pergunto, caminhando lentamente um pouco atrás de seu corpo.

– Talvez sim, talvez não... – responde, parando e virando-se para me fitar novamente. – Fiquei sabendo que você necessitava de um descanso.

– Quem é você? – dou um passo à frente. Vasculho incessávelmente minha mente em busca de uma mera lembrança envolvendo sua face, mas não há resultado.

– Um alguém... – ele sorri, também dando um passo a frente. – Um alguém que prometeu que iria cuidar de você.

– Eu n-não... – gaguejo ao falar. – Não consigo me lembrar de você, desculpa.

– É exatamente essa a ideia. – responde, aproximando-se cada vez mais. – Esse sonho é apenas para que você tenha um pouco paz.

– Sonho? – olho rapidamente ao redor sem saber o que está acontecendo. – Como assim sonho?

– Quando acordar, não deixarei que os pesadelos da vida real te devore. – dando mais um passo, se coloca completamente em minha frente. Segura meu rosto entre suas mãos e delicadamente beija minha testa. – Você não se lembrara das coisas muito nitidamente ao acordar, apenas lembre-se que eu jamais deixo de cumprir minhas promessas. – ainda segurando meu rosto em suas mãos, olha fixamente em meus olhos, tomando-me com a imensidão azul de seus olhos. Por mais que eu queira, não consigo proferir uma única palavra, seus olhos me envolvem, seu poder me hipnotiza e lentamente, minhas pálpebras se fecham, sem meu consentimento.

Ao abri-los novamente, a principio, não consigo reconhecer onde estou. O que aconteceu? A dor não habita meu ser, é uma paz infinita, e isso é estranho para alguém que passou por tantas montanhas russas sentimentais durante a semana. Sento-me e começo a finalmente reconhecer onde estou, meu quarto. Tudo é completamente calmo, limpo, silencioso. Minha mão está com um grande curativo, assim como meu pulso. Porque está tudo tão confuso? Alguém por favor pode me dizer o que aconteceu? A solidão não me incomoda, apenas desejo entender o que houve.

Levanto-me da cama lentamente e caminho em direção a porta. A paz me acompanha e disso eu definitivamente não tenho do que reclamar, afinal, é tudo o que mais necessito no momento. Não sei de onde vem tamanho sentimento, mas sei que gosto dele. Ouço sons vindos da sala. Desço cuidadosamente a escada, seguro o corrimão e respiro fundo a cada degrau.

– Você acordou! – escuto Erick exclamando, levantando-se apressadamente do sofá ao me ver, correndo em minha direção. Eu não havia notado sua presença no cômodo. – Mel, me perdoa, por favor, me perdoa! – me abraça do modo mais apertado que sei que consegue, ainda na escada, sufoca-me em seus braços e continua suplicando perdão por algo que eu nem ao menos sei o motivo. – Eu fui realmente muito infantil hoje, por favor, me perdoa, estou me sentindo tão culpado pelo que fez. Jessie me contou e eu...

– O que eu fiz? – desfaço nosso abraço e o olho com um olhar confuso. Meu Deus, alguém pode me explicar o que está acontecendo?

– Mel, nós brigamos, eu sai e o Jessie me contou que você se trancou no banheiro chorando e deu um soco no espelho. – Erick explica, segurando meu rosto com as mãos, olhando em meus olhos, um tom preocupado no olhar. – Você não se lembra?

– Claro que me lembro... – sussurro em resposta, quando, na verdade, não faço a menor ideia do que ele está falando. – Você disse, Jessie? – não agüento mais essa confusão em minha mente. – Onde o encontrou?

– Quando sai, após nossa briga, eu me sentei um pouco na sarjeta em frente a casa pra tomar um pouco de ar, sabia que você não viria atrás de mim com ele aqui. – solta meu rosto enquanto explica, segurando minha mão. – Não demorou muito para ouvir a porta se abrindo e o ver saindo com a mão ensangüentada, me explicando o que realmente havia acontecido, do acidente que ele sofreu na escada. – Erick diz acariciando meu cabelo. – Mel, por favor, me perdoa por ter desconfiado de você, eu prometo que jamais vou deixar isso acontecer. – dizendo isso, sem me dar o direito de resposta, ele novamente me abraça de modo forte.

– Tudo bem... – sussurro em resposta, retribuindo tal abraço. Não consigo me lembrar de nada disso, não consigo me lembrar da briga com Erick, nem ao menos de ter dado um soco no espelho e isso começa a me angustiar. Porque não consigo lembrar de nada?

– Você sabe que amo você. – Erick segura meu rosto e em um movimento repentino, apoia seus lábios sob os meus, uma espécie de beijo inesperado, mas não daqueles que fazem seu coração acelerar, apenas um beijo comum, aparentemente sem qualquer sentimento envolvido, pelo menos não de minha parte.

– Também amo você. – o empurro delicadamente e digo. Não quero e nem posso ferir os sentimentos de Erick assim, primeiramente preciso entender porque está tudo tão confuso. – Minha mãe e Dan não estão em casa? – pergunto, tentando mudar o rumo da conversa.

– Eles estão no hospital com Cora. – responde, novamente segurando minha mão. O nome Cora ecoa em minha mente e tudo vem a tona, todo o terror de ver seu corpo esfaqueado ao chão, o sangue escorrendo, seus cabelos vermelhos perdendo o tom de vida... – Eles ligaram dizendo para eu levar você quando acordar, ainda não contei a eles o incidente do espelho.

– Tudo bem... – sussurro, soltando sua mão e apoiando-me novamente no corrimão. – Vou trocar de roupa e nós iremos.

– Não que eu queira te apressar, meu amor... – ele sorri e mexe levemente em meu cabelo. – Mas temos que ir antes de Elena e Julie chegarem.

– Elas virão?! – em que mundo eu estou que não me lembro de nada?

– Eu te falei, Mel... – sua mão novamente desliza por meu rosto. – Você está bem?

– Sim, só preciso de um banho, eu acho. – finjo meu melhor sorriso. – Me espere aqui, é rapidinho, eu juro. – sem lhe dar a chance de me beijar mais uma vez, viro-me e subo cada degrau sentindo minha barriga doer, pontadas em meu abdômen aumentando gradativamente.

Pelo caminho até meu quarto, a única coisa em que consigo pensar é o porque de eu não estar lembrando de nada, e a única resposta que consigo chegar é essa: JESSIE. Se Erick citou que ele estava comigo quando eu possivelmente dei um soco no espelho, então obviamente ele usou algum de seus poderes sobre mim, esse pensamento invade minha mente e nada me convence do contrário.

– Como você está? – ouço uma voz masculina soar, assim que entro em meu quarto. Olho ao redor em busca do dono de tal som e lá está ele, Jessie, sentado na poltrona ao canto de meu quarto.

– Desde quando está aqui? – pergunto, trancando a porta para que não haja o imprevisto de Erick resolver entrar.

– Você deixa a janela aberta... – ele sorri, dando de ombros.

– Jessie, o que houve hoje a tarde? – sento-me em minha cama e olho fixamente para seus olhos.

– Acho que Erick já te contou... – apoia seus cotovelos em sua perna e me captura com seus olhos. Noto alguns machucados em seu rosto e isso realmente parte meu coração.

– Sei que não foi exatamente aquilo que aconteceu. – imito sua posição, apoiando meus cotovelos em minhas pernas.

– Eu disse que cuidaria de você... – ele se levanta e senta-se ao meu lado na cama. – Confie em Erick, tudo o que ele disse é verdade.

– Você não caiu da escada... – sussurro, fechando meus olhos, um pequeno lapso de recordação invade minha mente.

– Não, isso realmente não aconteceu. – sinto sua mão apertando a mim. – Alan esteve aqui, nós brigamos, você me ajudou com curativos, Erick chegou, vocês discutiram feio, você descontou sua raiva no espelho, eu a ajudei, chamei Erick e você acabou adormecendo.

– Porque eu não me lembro? – suspiro dizendo. Abro os olhos e sem meu consentimento, uma lágrima escorre por meu rosto. – Jessie, o que você apagou de minha mente?

– Eu disse que cuidaria de você. – sua mão aperta mais a minha. – Confie em mim, é apenas isso que estou fazendo.

– Se aconteceu mais alguma coisa, por favor, me conta. – retiro minha mão da sua e arrumo meu cabelo. – Acho que tenho o direito de saber.

– Porque simplesmente não confia em mim? – Jessie pergunta, respirando fundo.

– Porque você não tem o direito de apagar minha memória sempre que algo der errado. – elevo meu tom de voz sem perceber.

– Você sabe que é exatamente isso que vai acontecer quando tudo acabar. – novamente sua mão está sobre a minha.

– Mas ainda não acabou... – sussurro. – Você poderia me dizer o que aconteceu.

– Erick está te esperando. – ele simplesmente muda de assunto. – Não acha melhor ir, antes que outra discussão aconteça?

– Parece que não vou conseguir tirar nada de você hoje... – levanto da minha cama e bagunço seu cabelo sem pensar, apenas força do hábito. Seu sorriso me destrói, eu não sei quanto tempo consigo ficar brava com ele.

– Acredite, faço tudo para o seu bem. – ele sorri segurando minha mão, beijando-a em seguida.

– Sei... – respondo dando de ombros, tirando minha mão da sua. – Não vou deixar ter nenhuma intimidade, também.

– Tudo bem. – Jessie se levanta, o sorriso ainda em seus lábios. – Então, eu saio por aqui e você por ai. Mas antes, lembre-se de trocar a roupa... – diz parado em frente a minha janela. – Senão alguém irá desconfiar.

– Anjo idiota... – balbucio. Em meu interior há uma mistura de amor e chateação em relação a Jessie, pois ele simplesmente não deveria ter apagado minha mente sem ao menos avisar. O que eu fiz? O que realmente aconteceu que foi motivo para que ele apagasse minha mente? Pensa Melanie, pensa...

– Melanie... – Jessie diz, já apoiado em minha janela, de saída. – Lembre-se, apenas respire. – dizendo tais palavras, desaparece do meu campo de visão pela janela, deixando-me ainda mais perdida com meus pensamentos e sentimentos.

Notas finais
RECADO MUITO IMPORTANTE: O PRÓXIMO CAPÍTULO SERÁ CONTADO POR JESSIE... Pois é, vamos mergulhar na mente do amado e cauteloso anjo de Melanie, quem sabe conseguimos entender o motivo pelo qual ele apagou algumas lembranças da mente de Melanie... Obrigada a cada um que chegou até aqui e até o próximo capítulo, meus meros mortais,