Objeto Perdido

20 Capítulo dezenove


Notas iniciais
Bom dia/Boa tarde/Boa noite meus amados leitores. Enfim, resolvi postar esse capítulo bônus para não deixá-los tão mal após o anterior. Agradeço de todo o coração e peço perdão à Katherine e Party Poison, minhas amadas leitores, por todo o susto, sofrimento e tensão. Gostaria de dizer que o que não entender a principio, será explicado nos próximos capítulos. Enfim, sem mais ladainhas, ai vai mais um capítulo. Ótima leitura a todos!

– Eu não estou duvidando. – sussurro, deixando uma lágrima silenciosa escorrer por meu rosto. Sinto pontadas de dor cada vez mais fortes em meu corpo, principalmente na região abdominal, uma tontura que se fortalece a cada segundo.

– Melanie. – ele sussurra apoiando uma de suas mãos ensangüentadas em meu ombro, sua cabeça ainda está abaixada, seus olhos fechados, a outra mão ainda está pressionando o ferimento de Cora. – Eu apenas preciso que confie em mim, quantas vezes vou ter que te pedir isso?

– Jessie, eu... – uma dor sem controle explode em minha cabeça, fazendo-me até mesmo perder a fala. Tudo começa a rodar novamente ao meu redor, sinto a mão de Jessie apertar meu ombro, suas mãos estão tremulas, qualquer um consegue perceber que está sendo tudo realmente muito doloroso e difícil para ele. Tento fazer algum movimento, retirar sua mão de mim e dizer que ele não precisa fazer isso, mas não consigo fazer mais nada, a não ser me deixar levar pela escuridão que me toma, entregando-me à inconsciência.

É tudo imensamente escuro, não há vestígio de mais nada, apenas a velha e costumeira solidão. Abro os olhos e a principio, não reconheço o local. Meu corpo é um poço infinito de dor, olho ao redor e lentamente acabo reconhecendo os móveis, os detalhes de cada canto do local, meu quarto. Como vim parar aqui? O que houve? Eu estava em uma festa, é a única que consigo me lembrar. Sento-me, com extrema dificuldade, e noto que ainda estou com o vestido azul, há sangue da Cora sobre ele, e isso faz com que toda a realidade venha bruscamente à tona. Os ponteiros do relógio marcam 04h03, encolho-me sobre a cama, abraço meus joelhos novamente a apoio minha cabeça sob eles, entregando-me mais uma vez às lágrimas que não cessam. Tudo está tão sombrio, tão frio, solitário, confuso, estranho... Repentinamente, me recordo do momento em que os meus lábios quase tocaram os de Jessie durante a festa, seu toque, seus olhos a me fitar... Não, Melanie, não se apaixone por um anjo que acabou de conhecer, isso já é demais para uma mera mortal como você.

As imagens de nosso toque dão lugar ao terror de ver minha melhor amiga sendo esfaqueada em minha frente. Sou tomada mais uma vez pelo desespero, pela dor até mesmo desumana. Será que Cora resistiu? O que houve? Porque estou em meu quarto? Como vim parar aqui? Não consigo entender exatamente nada. Minha barriga lateja de dor, sinto cada pulsar de meu coração através dela. Tudo roda ao meu redor, sinto-me suar friamente, e percebo que o local em que minha barriga dói é o mesmo em que Alan atingiu Cora. Procuro não gritar, não fazer som algum, mas as dores aumentam a cada segundo, tornando-se insuportável. Lágrimas, que antes eram de luto, agora se misturam com lágrimas de dor, uma dor que não cessa em momento algum. Fecho meus olhos e entrego-me as lágrimas, encolho-me sobre a cama e desisto de lutar contra ela. Se for para acontecer alguma coisa, que aconteça nesse exato momento, definitivamente estou desistindo de lutar contra algo que sei ser mais forte que eu.

Lentamente, meu corpo se amolece, novamente as forças escorrem pelos meus dedos. O suor frio escorre por meu rosto, misturando-se com as lágrimas, o tremor por conta do frio, é incontrolável, sei que estou prestes a ser levada pela própria morte, sendo psicológico ou não, sinto que nada mais pode tirar-me dessa situação. Risadas ecoam em minha mente, misturando-se a gritos e pedidos de socorro. Eu realmente não sei o que está havendo comigo, mas sei que tudo está completamente fora do meu controle. Não há mais forças em meu ser, não há nada que possa me fazer abrir os olhos, a morte está tão próxima que posso tocá-la, não falta muito para encontrar-me na mesma situação de Cora.

A respiração torna-se cada vez mais dificultada pela minha fraqueza, eu realmente acabo de desistir de tudo, abro mão de todos os meus desejos, amores, abro mão da própria vida por não aguentar mais tal situação. Repentinamente sou tomada pela necessidade de desistir, entregar o jogo e descansar. Meu psicológico não suporta mais ser submetido a esse tipo de “jogo”.

Mesmo com dificuldade, um leve odor doce invade minhas narinas e não me resta dúvida sobre o que exala esse cheiro. Minhas pálpebras tremulam, luto para deixá-las abertas, mas realmente não há mais o menor sinal de força em meu ser.

– Melanie, não permita que ele faça isso com você. – um sussurro literalmente angelical soa pelo meu quarto, a voz é inconfundível, mas definitivamente não agüento mais isso em minha vida. – Por favor. – com extrema dificuldade, consigo abrir meus olhos e noto a face angelical a me fitar, os olhos que jamais me esquecerei, mesmo que minha memória seja apagada, seu brilho estará para sempre em meu ser. – Eu estou aqui.

– Eu não quero mais isso... – sussurro, meu corpo dói completamente com tal ato. – Por favor, saia daqui, me deixe em paz. – cada palavra é dita com uma dificuldade incalculável. Logicamente, tudo o que mais desejo dizer é “Por favor, fique ao meu lado e jamais me deixe. Não apague minha memória, acho que estou me apaixonando por você.”, mas eu sinto que se me afastar dele e desse mundo maluco em que me encontro, tudo vai melhorar, ninguém mais morrerá por minha causa. A culpa me corrói, matando-me lentamente.

– Você sabe que eu não posso deixá-la. – sussurra em resposta. De olhos fechados, posso sentir suas mãos passando lentamente por meu rosto. – E que peço perdão por toda essa situação.

– Eu acabo de perder a única melhor amiga que fiz aqui, eu não tenho mais ninguém, Jessie. – digo tentando sentar-me a cama. Tudo roda ao meu redor, minha respiração falha, meus olhos mal conseguem se manter abertos, a dor é aguda por todo meu corpo. – Eu não sou forte suficiente para isso.

– Melanie. – ele segura meu rosto entre suas mãos, seus olhos brilham, me hipnotizam. – Eu estou aqui para te ajudar, esqueceu?

– Jessie, não. – lágrimas voltam a escorrer por meu rosto, a fraqueza torna a aumentar. – Eu não agüento mais, estou com medo, não posso arriscar mais ninguém, não quero sentir mais isso, me perdoa, mas estou desistindo desse jogo sobrenatural. – essas são minhas últimas palavras antes de ser invadida pelo ponto ápice da fraqueza, fechando meus olhos e deixando meu corpo amolecer-se, deitando-o novamente, sendo segurada apenas por Jessie.

– Melanie! – ele exclama, mesmo em um sussurro, segurando-me pelo rosto e ajeitando delicadamente meu corpo sobre a cama. – Eu sei que é muito para você, mas confie em mim, é a única coisa que lhe peço, por favor. – uma de suas mãos continua em meu rosto. Sinto-me suar sem parar, tremo de frio ao mesmo tempo, mas praticamente já não há mais dor, pelo menos não em meu corpo inteiro como de primeiro. Não precisa de mais nada para saber que ele está usando seu poder.

– Jessie, pare... – tento dizer em um sussurro fraco.

– Shh... – é apenas o que diz, colocando o indicador sobre meus lábios. Não demora muito para uma paz infinita começar a se apoderar de meu ser, a dor lentamente vai sumindo, restando apenas o frio, mas já não tremo mais como antes. Sei que não posso permiti-lo a fazer isso, mas a paz e a tranqüilidade que invade meu ser é tão grande que aos poucos não penso mais em nada, apenas em como sinto-me bem com sua presença, seu toque. – Você é uma humana muito complicada. – apenas sorrio. Sua voz me tranqüiliza e posso sentir que sua mão já não está em meu rosto. Sinto-me leve, como se nada no mundo fosse capaz de me deter, nada mais no mundo importasse.

– Obrigada. – abro os olhos e encaro seus olhos, já não mais tão brilhantes por conta do poder que acaba de usar. – Só não quero vê-lo mal por minha causa. Estou me sentindo tão culpada...

– Melanie, ela não está morta. –ele sussurra, mais uma vez me interrompendo. – Perdeu muito sangue, obviamente, seu caso é extremamente grave, mas ainda não está morta, eu farei tudo que posso para não deixá-la morrer.

– Jessie, mas ela levou uma facada... – a notícia de que Cora estava conseguindo resistir acendeu uma pequena em meu coração, senti-me vibrar, mas eu sei que a qualquer momento posso perdê-la.

– Felizmente ele não conseguiu atingi — lá em um órgão vital. – ele olha profundamente em meus olhos, e consigo notar que todo o brilho de seu olhar sumira, eu sabia que isso significava que já havia usado demais seus poderes, não há dúvida de que está sentindo uma dor inimaginável. – Enfim, ninguém mandou você não confiar no poder de um anjo. – um sorriso surge no canto dos seus lábios, mas eu sei que não é algo sincero.

Nada mais digo apenas me levanto e o abraço com todas as forças que aos poucos retornam ao meu quarto. A felicidade em meu coração aumenta ao perceber que o abraço é retribuído com igual ferocidade, seus braços apertam meu corpo contra o seu, e nada mais é necessário dizer, sei que no momento não há nada que possa me atingir, sei que não há nada mais que possa me proteger de tal maneira.

– Eu tenho medo, preciso de você aqui para me sentir protegida. – sinto lágrimas escorrendo por meu rosto, novamente, ao proferir essas palavras.

– Você sabe que eu estarei cuidando de você e de todos ao seu redor, sempre, mera mortal. – ele me aperta mais um pouco em seus braços, meu coração acelera de modo completamente incontrolável.

– Por favor, não apague minha memória, eu não quero, você não precisa fazer isso, não precisa me deixar. – relutante, o solto para olhar em seus olhos que ainda se encontram sem o mesmo brilho.

– Não torne as coisas mais complicadas do que já são, humana mortal. – ele sorri, olhando fixamente em meus olhos. – Você precisa descansar, daqui a pouco amanhecerá e você terá um longo dia. – delicadamente, seus dedos percorrem parte do meu rosto. – Mas não se preocupe, nem tenha medo, eu estarei ao seu lado.

– Obrigada... – tento sorrir, deixando mais uma lágrima escapar. Não sei mais o que dizer, sempre que falo sobre sua partida, ele muda de assunto, eu não posso deixar que ele se vá, apeguei-me muito e não há mais tempo de voltar atrás.

Jessie tenta se levantar de minha cama, mas é nítido que uma fraqueza muito grande o toma, mesmo que ele ignore ou finja que nada o afeta, eu aprendi a perceber quando sente dor e tenta não deixar isso transparecer. Suas mãos tremem, sua respiração é pesada, lembro-me dele na tentativa desesperada de salvar Cora, sua lágrima perdida, toda a força que estava exercendo sobre o corpo daquela mera mortal.

– Não posso deixar você sair desse jeito. – coloco levemente a mão sobre seu ombro. – Você pode falar que eu sou uma humana teimosa, que torno as coisas mais difíceis para você, ou até mesmo fingir que nada o abala, mas eu sei que não posso deixá-lo sair assim. – ele nada responde, a dor é nítida pelo modo como suas mãos tremem. Apenas olha-me com lágrimas brotando lentamente de seus olhos, e concorda levemente com sua cabeça.

Notas finais
Espero jamais nessa vida decepcionar vocês. Peço perdão por qualquer coisa que possa estar errada e agradeço a cada um que chegou até aqui. Esse capítulo bônus é para tranquilizar vocês em relação ao capítulo anterior. Como ela foi parar em seu quarto e outras respostas, virão nos próximos capítulos... Enfim, um enorme beijo a todos e até a próxima!