Objeto Perdido
5 Capítulo quatro
Notas iniciais
– Do que é que você está falando?! – grito e me debato, tentando tirar aqueles braços desconhecidos de mim. Aquilo me machuca e me deixa completamente apavorada. – Quem é você?
– Eu sei que você está com ele. – em um movimento rápido, sou atirada ao chão, sentindo cada osso meu estalar com aquele ato. – Vi a cena patética entre você e o anjo ridículo lá fora.
– Anjo?! – grito, ainda ao chão. Aquela palavra ecoa em minha mente. Mas que porcaria era essa que esse homem está falando.
– Não se faça de desentendida. – ele se ajoelha a minha frente e agarra meu cabelo com toda a força do mundo, pendendo minha cabeça para trás e sussurra muito próximo ao meu ouvido, sinto seu hálito completamente quente em meu corpo. – Agora, me responda, onde está o anel?
– Já disse que não sei do que você está falando! – exclamo chutando sua perna, o que o faz se desequilibrar e cair em minha frente. – Primeiramente, quem é você?
– Alguém que vai te torturar muito se não quiser me der a porcaria de anel. – o desconhecido se levanta rapidamente e aperta dolorosamente meu rosto em sua mão. Seus olhos são como um mar de escuridão completa, seu corpo tem um porte forte, bem desenvolvido, seu hálito é quente, como se viesse de alguma profundeza submersa em fogo. – Coitadinha, tão perdida, onde está seu anjo agora para te proteger, não é mesmo?
– Do que você está falando? – uma angustia cresce em meu peito, algo inexplicável. Me sinto completamente confusa e perdida, meu corpo dói completa e inteiramente. Um vazio invade meu peito e sinto que a escuridão dos olhos do sujeito a minha frente, invade minha alma.
– Sabe, acho que estou começando a ficar com dó de você. – ele sorri ironicamente. Seus dentes são assustadoramente brancos, os caninos aparentemente são meio pontiagudos, e aquilo me aterroriza ainda mais. – Mas, eu não estou aqui para perder.
– Por favor, vá embora, eu lhe imploro. – é inevitável, as lágrimas aos poucos começam a escorrer por meu rosto, o medo me invade por completo. – Ou então, acabe logo com o que tem que fazer.
– Parece que temos uma humana corajosa entre nós... – seu riso soa pelo quarto e um tom aterrorizante é colocado nele. – Quer saber? Eu só não a mato agora porque quero estar presente quando o idiota do Jessie tiver que te dar satisfação. Porém, fique atenta, você pode até ser bem bonitinha, mas se esse anel não for meu, nem preciso dizer o que vai acontecer a você e a todos que você ama... – em um movimento lento ele passou o indicador direito sobre meu pescoço, como imitação de uma faca cortando-o. Sem dizer apenas uma palavra, o homem sem nome se levantou e saiu rindo pela janela.
Sinto-me completamente cansada e dolorida para levantar e ir até minha janela em busca daquele sujeito amedrontador. Seus olhos negros ainda estão em minha mente; mesmo sem saber explicar, sinto que minha alma foi levada por um pouco daquela escuridão. Um vazio invade todo meu ser, minha orelha queima insuportavelmente, como se seu hálito ainda estivesse ali. Minhas mãos tremem, juntamente com todo o resto do meu corpo, um arrepio percorre bruscamente cada parte dos meus órgãos, músculos e mínimo detalhe de meu corpo, suor escorre por meu rosto e uma sonolência sem tamanho me faz cair bruscamente ao chão. Ainda que já estivesse sentada, o impacto de meu corpo ao solo causou-me ainda mais dores insuportáveis.
Uma onda ainda mais forte de calafrios faz com que pequenos espasmos de arrepio sejam causados automaticamente por meu corpo, se torna quase impossível abrir os olhos, respirar é uma tarefa muito difícil para meus pulmões. Em pouco tempo, sinto minha consciência se acabando por completo.
Vejo vultos e escuto gritos extremamente agudos. Encontro-me em uma sala vazia, não há nenhum tipo de pintura nas paredes, apenas o cinza do cimento mal espalhado se faz presente no ambiente. Os gritos não cessam, pelo contrário, é notável que eles só aumentam mais e mais a cada instante. Minha cabeça está prestes a explodir, grito para tentar fazer com que os gritos parem com tal ato, mas tudo é em vão. Sento-me ao canto do cubículo cinza em que me encontro e neste momento percebo que a frente existe uma porta, e nessa porta há uma sombra parada, sombra humana, provavelmente sombra masculina. Lentamente, essa silhueta humana caminha em minha direção, carrega algo pontudo em sua mão esquerda, e parece sorrir mais a cada passo.
– Ah, isso será tão divertido. – a silhueta humana diz ao finalmente chegar perto de mim e abaixar para me olhar nos olhos. A voz é masculina, uma voz conhecida, a voz de Jessie. Nesse momento não há grito, tudo está aparentemente terminado. – Eu te juro que vai doer só... muito. – sem dizer mais nada, e nem ao menos me dar a chance de manifestação, sinto o objeto afiado e pontudo que carregava em suas mãos, perfurar profundamente minha barriga. Uma faca.
Grito e tento tirar aquela tortura em forma de objeto de mim, mas ele segura fortemente e a empurra para dentro da minha barriga cada segundo mais. O choro é inevitável, a dor que me invade é algo tão imenso, que meu corpo aos poucos vai perdendo qualquer sentido e nada mais em meu ser responde aos meus comandos.
– Jessie... – tento balbuciar na esperança de ser ouvida, gastando completamente minhas energias. – Por quê?
– É isso que acontece quando alguém resolve se meter em histórias entre anjos e demônios. – seus olhos já não parecem mais tão azuis, seu sorriso se transforma em algo monstruoso e a risada que sai de sua boca é algo totalmente desumano. Em um movimento rápido ele tira a faca de dentro do meu corpo e a enterra novamente, mas desta vez bem no meio do meu peito, e nesse instante não tenho nem ao menos tempo para proferir qualquer som, a morte é imediata.
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