Objeto Perdido

13 Capítulo doze


Notas iniciais
Perdoe-me pela demora [essa vida "pré-vestibular" está me matando], tentei postar antes, mas não deu muito certo. Mas, não abandonarei jamais, sempre que possível estarei aqui postando mais capítulos dessa história maluca. Como de costume, deixo aqui meus mais sinceros agradecimentos à Katherine e Party Poison pela motivação, não sei o que seria de tal história sem vocês! Considerando que há alguns capítulos que escrevi a algum tempo [como é o caso desse], não tive muito tempo para a revisão. Espero que compreenda caso haja algum erro de concordância/gramatical, assim que notados por mim, haverá a correção. Por fim, desejo a você uma ótima leitura, que eu jamais decepcione você, pois faço o possível para que isso jamais ocorra.

Uma força se apodera de todo meu corpo sem eu nem ao menos conseguir lutar. Dói, arde, cada parte de mim grita com a brutalidade que estou sendo tomada. Meus olhos se viram e eu sinto que estou começando a me debater na cama, foi só Jessie se ausentar que essa coisa se apoderou de mim mais uma vez. Não consigo fugir, é completamente impossível, como uma sensação de estar presa dentro de meu próprio ser. Tento gritar, mas é como se algo tampasse meus lábios e ao mesmo tempo me asfixiasse, já perdi as contas de quantas vezes me senti morrer somente hoje. Me debato sem parar em minha própria cama, risadas extremamente altas gritam dentro de minha mente, ecoam, me possuem e não consigo achar outra alternativa, logo, me entrego completamente àquele sentimento, meus olhos se fecham e eu sou levada mais uma vez para a inconsciência.

Tudo está completamente escuro, não há nem ao menos um ponto luminoso, um mínimo raio para me guiar. O ambiente é úmido e gélido, meus músculos se contraem com tal sensação, respirar é uma tarefa complicada e praticamente humanamente impossível. Não consigo identificar onde estou, nem porque fui levada até lá, não consigo proferir nem ao menos um ruído, estou asfixiando lentamente. Sinto-me em um poço abandonado, um lugar abandonado aos vermes mais obscuros do planeta.

Escuto um ruído metálico roçando as paredes ao meu redor, mas não enxergo completamente nada, apenas uso meu sentido auditivo para conseguir me localizar. Tento dar um passo, mas meus pés doem demais, acabo caindo com tudo ao chão, cada osso estrala com a queda. Dificilmente, morrendo de dor em cada parte do meu corpo sem nem ao menos saber o porquê, consigo me levantar e tento manter o equilíbrio, mas sem ruído algum, sinto um objeto extremamente afiado e pontudo perfurar minha coxa direita, me fazendo cair de dor, sentindo o sangue quente escorrer por minha perna lentamente. Coloco a mão sobre o ferimento, sinto a pulsação, cada gota de sangue saindo e juntamente as lágrimas escorrem dos meus olhos. Tento me levantar, mas a dor é muito forte para tal ato, arfo desesperadamente, mas até mesmo o ar está acabando. Repentinamente, apenas com um pequeno intervalo, sinto outro objeto afiado e pontudo entrar por meu corpo, sendo desta vez meu ombro esquerdo. Uma explosão de dor toma conta de mim, finalmente consigo gritar com toda a força que ainda resta em meu pulmão, meu corpo amolece e me deixo cair. O chão também é úmido e cheira a sangue misturado com o forte odor da morte, não sei explicar como sinto isso, mas é o que minha intuição grita dentro de mim.

Respirando com muita dificuldade, choro desesperadamente e grito mais algumas vezes, seja lá quem está fazendo isso comigo, com certeza está se divertindo muito. Tento me levantar para ao menos lutar sem me entregar completamente à morte logo de cara, mas com meu mínimo movimento, o mesmo objeto perfura profundamente meu peito e eu dou meu último grito, o grito definitivo da morte. Sinto o sangue subir por minha garganta enquanto sufoco nele, tossindo descontroladamente. Antes de entregar-me completamente à morte, ouço uma voz proferindo as seguintes palavras: “O futuro de todos ao seu redor será o mesmo que o seu... A morte.”.

Meus olhos se abrem e eu solto um grito que antes estava preso profundamente em minha alma. Sento-me à cama, lágrimas rolam soltas por meu rosto, eu tremo e não consigo me mexer, apenas grito e choro, nessa ordem cronológica.

– Melanie! – escuto Dan gritar e entrar em meu quarto. – O que está acontecendo? Você está bem? – ele se senta á minha frente na cama.

– Dan! – exclamo o agarrando em um abraço, enquanto ainda choro descontroladamente. Aquilo tudo havia mesmo acontecido ou era apenas mais um devaneio maluco e psicopata?

– Ei, minha filha... – ele sussurra acariciando meu cabelo. Confesso que sempre gostei de ser chamada de filha por ele. Dan havia me conquistado tão rapidamente, era o campeão por aguentar minha mãe e eu. – Foi apenas um pesadelo, passou.

– Dan, eu estou com medo. – sussurro me soltando de seu abraço e me apoiando na cabeceira da cama. Tremo incontrolavelmente, minha cabeça dói, assim como meu peito, coxa e ombro.

– Medo de que exatamente, Mel? – esqueci de mencionar, ele também me chamava de Mel algumas vezes. De repente lembrei-me de que não posso contar a ele o motivo do meu medo, o colocaria em risco e a última coisa que desejo nesse mundo é colocar em risco a vida do melhor padrasto que alguém pode ter na vida.

– Nada... – menti. – Acho que foi apenas o pesadelo que me assustou mesmo. Desculpa.

– Esse corpo de mulher, mas os mesmos medos de pesadelo de quando era criança, hein. – ele ri e bagunça meu cabelo. Quando eu era menor, realmente morria de medo de ter pesadelos, qualquer sonho que, digamos, fugisse do padrão comum de sonhos, já era motivo do meu medo mais profundo.

– Como o melhor padrasto do mundo sempre diz: “Velhos hábitos nunca mudam.” – brinco com ele, para que a preocupação estampada em seus olhos vá embora.

– Eu amo você, pirralhona. – ele ri e beija minha testa. – Tente se levantar um pouco, tome um banho, vá jantar, fique conosco na sala, estamos preocupados.

– Espere, — me assusto com a informação sobre o jantar. – Que horas são agora?

– 21h20, dorminhoca. – ele se levanta da minha cama. – Vamos, viva um pouco.

– Padrasto idiota. – tento ignorar a dor extrema em meu corpo e me levanto, pego um pijama qualquer em meu armário e procuro parecer o mais normal possível perto de Dan. – Pode deixar que estarei renovada ao sair daquele banheiro.

– Assim seja. – ele diz já a porta. – Porque sinceramente, você está parecendo um cadáver, Melanie. – minha mãe o chama na cozinha e dizendo isso ele sai sem mais uma palavra.

Com toda a dor do mundo em meu corpo eu consigo finalmente chegar ao banheiro, me assusto ao me olhar no espelho, meu coração gela com a aparência vista. Meu rosto está completamente pálido, há olheiras muito profundas em meus olhos, negras e assustadoras, minha boca está igualmente pálida, como se não houvesse mais vida em meu interior, como se lentamente a morte viesse me buscar. Manchas roxas que nem ao menos identifico seus motivos, se espalham por todo meu corpo, principalmente na região abdominal, em minhas coxas, ombro e peito. Ao entrar no chuveiro, todo meu corpo é de um ardor tenebroso, minha respiração se acelera e tudo se torna tão estranho nesse dia, não tenho mais a capacidade de distinguir o que é realidade e o que é fantasia, estou prestes a perder completamente o controle e literalmente enlouquecer.

Saio do banho rapidamente, coloco meu pijama, arrumo o cabelo, escovo os dentes e bagunço todas as maquiagens de minha mãe em busca de uma base ou algo útil para conseguir mascarar minha face morta. Retiro-me do banheiro, tentando não deixar a dor tremenda que sinto em meu corpo transparecer; desço cuidadosamente a escada, me apoiando no corrimão para não cair.

– Mãe? – digo já na escada, indo em direção à cozinha.

– Você está bem, meu amor? – ela perguntou vindo diretamente me abraçar calorosamente. – Estamos preocupados.

– Não há motivos para se preocupar, mãe, foi apenas um mal estar, nada mais. – minto mais uma vez, mas não me sinto culpada por isso, pois estou protegendo-os do que pode acabar com a vida deles. – Onde Erick está?

– Foi se deitar, ele está muito cansado. – respondeu minha mãe colocando a mesa, Dan a ajuda. – Todos os segundos ele ia te ver filha. – isso me intriga, pois nem fiquei desacordada por tanto tempo assim. – Mas, por favor, vá acordá-lo, filha, já está na hora do jantar.

Apenas concordo e subo mais uma vez as escadas, praticamente gemendo de dor a cada degrau, é como se a ferida ainda estivesse aberta e a cada vez que me movo, ela sangra ainda mais. Todo meu interior grita por Jessie, eu necessito dele, de sua paz, do jeito como cuida de mim, de seus olhos me observando... Algo em mim grita desesperadamente dizendo que é cedo demais para nutrir algum sentimento por ele, um anjo. Mas, o modo como preciso dele é na verdade, como um ser humano precisa de outro, um ser humano que pudesse ficar ao meu lado para o resto da vida, um ser humano que me faz ficar cada segundo mais apaixonada, um ser humano no qual eu, lentamente, não consigo mais me imaginar sem.

Desprendo-me desses pensamentos ao notar que já me encontro em frente ao quarto de Erick, então, sem excitar, bato em sua porta, sentindo minha mão latejar com tal ato.

– Oi, bela adormecida. – diz ele abrindo a porta, com seu peito nu. – Desculpe meus modos, é que eu estava imitando você e dando uma cochilada.

– Sem problema... – balbucio olhando diretamente para sua barriga que por sinal se encontra muito melhor, comparando com a última vez que o vi sem sua camisa. – Quer dizer, minha mãe está nos chamando para jantar.

– Eu imaginei, é claro. – ele ri e pega sua blusa que se encontra pendura atrás da porta de seu quarto. – Mel, eu quero te fazer um convite.

– Que convite? – pergunto extremamente curiosa.

– Para você não precisar ter medo, nem pesadelos, ou algo desse tipo, eu queria saber se posso dormir no seu quarto com você? – ele sussurra, se inclinando em minha direção. – Por favor, não pense que é com segundas intenções, posso dormir no chão, sem problemas. Eu apenas estou mesmo preocupado com você, Mel. Algo em você não está bem, não está comum, é como se você estivesse perturbada.

– Não seja bobo, Erick... – sinto meu coração acelerar.

– Mel, eu te conheço a algum tempo, certo? – ele pergunta, interrompendo-me. Apenas afirmo com minha cabeça. – Então, por te conhecer faz tanto tempo, eu percebo em seus olhos que algo está lhe consumindo, não sei explicar o que, mas peço para que, por favor, não me esconda nada, quando viermos dormir, quero que me conte o que está havendo com a minha pequena Melanie. Por favor, deixe-me ajudar você. – meu coração para e meus olhos congelam. Há muitas coisas que não sei, que não encontro resposta, mas a única coisa que tenho certeza absoluta é que Erick não pode saber a verdade de jeito nenhum, já chega de colocar todos ao meu redor em perigo.

Notas finais
Mais uma vez, peço perdão por qualquer erro. Obrigada a cada um que chegou até aqui! Mesmo que a história não seja movida por comentários, cada um é extremamente bem-vindo, não esqueçam de deixar uma mera escritora feliz. Nos encontramos no próximo capítulo, onde posso garantir que haverá fortes emoções... Beijos!