Objeto Perdido

18 Capítulo dezessete


Notas iniciais
Bom dia/Boa tarde/Boa noite, amados e lindos leitores [inclusive os fantasmas]. Adivinhem... EU ESTOU DE FÉRIAS! Ou seja, isso significa que terei mais tempo para estar aqui com vocês, olhem que coisa mais linda!! [ok, Alfa Power, menos, bem menos.] Para não perder o costume, gostaria de agradecer do fundo de meu coração à Party Poison e Katherine, por tudo e por sempre estarem aqui. Sim, eu amo vocês, suas lindas, obrigada, de coração. Uma noite de sábado chuvosa, tédio, mil ideias na mente... Logo, resolvi postar mais um capítulo e cá estou. Uma ótima leitura a todos!

A casa de Thalia é realmente muito imensa, cada cômodo da residência deve dar praticamente o tamanho de minha casa inteira. Há uma escada gigante para o acesso aos quartos e banheiros, nessa escada mais casais e pessoas descontroladas se alisam e se beijam sem parar. Não sei ao certo o que estou fazendo aqui, mas uma certa confiança aos poucos vai me dominando e me fazendo acreditar que aquilo pode sim acabar muito bem.

Seguro meu vestido e subo apressadamente cada degrau. Algumas pessoas esbarram em mim, mas nada que eu não possa desviar. Ao chegar ao topo da escada, há um longo corredor com muitas portas a vista. Duas pessoas se beijam loucamente na porta de um dos cômodos, que logo deduzi ser um banheiro. Caminho mais rápido, seguro firmemente o outro anel em minhas mãos e me deparo com outra porta a minha esquerda, com grandes pôsteres de Thalia por toda parte, um cômodo lilás, lotado de gente se beijando e até fazendo outro tipo de coisa pelo que consigo ouvir, mas não tenho a menor coragem de olhar para a cama ao meio do cômodo. Deduzo que se trata do quarto de Thalia. Me apresso na procura por qualquer lugar que possa estar guardado seus pertences. Há muitas caixas e baús de jóias sobre sua estante, mas uma em especial me chama a atenção, como se sentisse algo vibrando dentro de mim, me apontando a direção que deveria seguir, como se por um mero seguinte eu conseguisse sentir a vibração do anel me chamando, assim como Jessie. É um baú preto, pequeno, porém uma peça muito magnífica. Resolvo abri-la e ao fazer isso, me deparo com ele, o anel causador de toda aquela confusão.

Ligeiramente, o pego e coloco o que estava em minha mão em seu lugar. Sinto percorrer cada parte de meu corpo ao tocar no anel perdido, uma vibração que nunca havia sentido antes. O olho é e como se ele brilhasse bem dentro de seu interior, um brilho pequeno, mas ainda assim, um brilho.

– E aí gata, ta sozinha? – um garoto estranho de repente se aproxima e começa a dançar ao meu lado, me pressionando contra a cômoda de Thalia, um tipo de dança bem sensual para falar a verdade. – Eu me candidato para te fazer companhia. – seu hálito fede a álcool, seu cabelo é uma mistura de cor negra com algumas pequenas luzes loiras, algo difícil de se decifrar.

– Obrigada, mas eu já estou de saída. – tento de qualquer maneira empurrá-lo para longe de mim, mas isso só o faz se aproximar cada vez mais. Seu hálito alcoólico me deixava sem ar. – Me larga! – exclamo o empurrando para longe com toda a minha força. Ele esbarra sobre uma garota solitária que dança descontroladamente, e sem pensar duas vezes, ele se junta a ela e começa uma espécie de dança sensual um tanto esquisita. É a minha deixa para sair o mais rápido possível do local.

Agarro meu vestido e faço o mesmo caminho de volta, a todo o momento me certificando se o anel ainda se encontra em minhas mãos. O susto é imenso ao chegar a pista central, muita gente se aglomera dançando freneticamente, não há nem ao menos um meio de conseguir entrar naquilo. A música começa a me deixar maluca, me sinto completamente suada e cansada. Para todos os lugares que olho vejo pessoas desconhecidas fazendo o mesmo tipo de dança maluca, e isso começa a me assustar. Até que, em meio a literalmente um mar de gente, eu me deparo com uma garota de cabelos vermelhos dançando com dois rapazes, tantos os olhos, quanto os trajes de um deles não me engana e logo percebo que se trata de Cora, Erick e Jessie dançando juntos.

Com muita dificuldade, consigo chegar até onde eles estão, sorrindo como se nada nesse lugar estivesse me atormentando, algo está errado por aqui, eu posso sentir, é muita loucura fora do controle, e até agora eu não havia visto Thalia em lugar algum.

– Onde você estava? – grita Cora em meu ouvido, dançando de um jeito todo engraçado, bem ao estilo Cora.

– Eu fui ao banheiro, mas quase não consigo voltar. – respondo, mas olhando diretamente para Jessie, que com apenas um sorriso e um balançar com sua cabeça, me fez entender que sabia que minha missão havia sido cumprida.

– Bom, então podemos ir embora. – Jessie diz entre um passinho e outro de uma dança que eles mesmo haviam inventado na minha ausência.

– Não! – Cora exclamou me abraçando pelo pescoço. – Por favor, vamos ficar mais um pouco, eu imploro. – estou literalmente pingando de calor e essa música começa a fazer minha cabeça ficar prestes a explodir. Olho para o lado e vejo Erick dançando com outros garotos de nossa turma, que não faço a menor ideia de quem seja.

– Ok, mas onde está o Caio? – grito na orelha de Cora.

– Disse que ia pegar uma bebida, mas faz um tempinho. – ela grita em resposta. – Acho que devo procurá-lo.

– Nada disso. – Jessie se aproxima, sem parar de dançar. – Vamos esperar aqui, nós marcamos aqui, ele ira voltar. – os olhos de Jessie são um mar de preocupação, assim como eu, ele também sabe que há algo muito errado nessa festa.

– Então vamos dançar! – Cora grita pegando Erick pelo braço e começando outra espécie de dança improvisada.

– Conseguiu? – Jessie me pega pela mão e me puxa para mais perto de seu corpo, uma aproximação que vez meu corpo se estremecer. Eu nada respondo, apenas sorrio e coloco o anel no bolso de seu paletó.

– Anjos dançam? – grito em seu ouvido.

– Você nem faz ideia... – ele ri e começa a literalmente se soltar. Acompanho seus passos e aos poucos tudo vai ficando muito menos frenético, como se somente houvesse nós dois naquele local. – Mas vamos lembrar de não tirar os olhos de Cora. – ele diz, me tirando de nosso mundo particular.

Sorrio e continuo nossa dança, a aproximação de nosso corpo começa a me fazer sentir cada vez mais atração por ele, seus olhos não se desgrudam de Cora, mas os meus não se desgrudam dos olhos dele. Repentinamente ele segura minha mão e se afasta de meu corpo, fazendo nossos braços se esticarem. Em um único movimento, ele me puxa para perto de seu corpo e meu peito bate contra o seu, fazendo-nos ficar literalmente cara a cara. Falta apenas alguns milímetros para nossos lábios se tocarem, sinto seu hálito inexplicavelmente doce, o sorriso não some de meu rosto nem por um segundo, mas no mesmo movimento em que ele me puxou, também se separou de meu corpo. Nossa aproximação não durou nem ao menos alguns segundos.

– Caio?! – escuto Cora gritar e saio de meu desejo por Jessie. Sem dizer mais nada, ela entra no mar de gente, o que nos causa total desespero. Pessoas pulam, gritam, dançam e passam a mão ocultamente em meu corpo, me causando nojo por estar naquele lugar. Na passagem em meio a multidão de gente, acabo perdendo Erick, e isso me deixa extremamente preocupada. Ainda não havia encontrado Alan, mas de alguma forma, conseguia sentir sua presença.

A cena com que me deparo me deixa completamente perplexa, em um canto do local, Caio e Thalia se beijam loucamente, uma cena que nunca imaginei ver em toda minha vida. Vejo Cora parada, apenas observando a tudo, os olhos fixados no além, a raiva nítida em cada movimento de seu olhar.

– Cora... – sussurrou Jessie em seu ouvido.

– Não, eu estou bem. – ela sussurrou limpando uma lágrima que escorreu por seu rosto.

– Cora, então você gosta do Caio? – eu pergunto em seu ouvido, segurando firmemente sua mão.

– Eu o amo, Melanie. – outra lágrima rola por seu rosto. – Mas, nunca falei isso para ele, então tenho que me conformar. – ela soltou repentinamente minha mão e saiu correndo em meio a multidão. – Preciso ir tomar um pouco de ar.

– Cora! – Jessie grita, antes de me lançar um único olhar e sairmos correndo atrás dela.

Meu coração está acelerado, a mil, não sei até quanto tempo consigo suportar esse lugar. Meus pensamentos borbulham, penso em Erick, em o porque de Caio estar beijando Thalia daquela forma, em como meu coração se partiu ao ver a situação de Cora, e no modo como eu Jessie quase chegamos a nos beijar essa noite.

– Melanie, isso não está nem perto de estar controlado. Sinto que tem algo de muito errado acontecendo nessa festa– ele para e grita, por causa do som, olhando em meus olhos e segurando meu ombro. –Temos que encontrar a Cora, urgente. – já estávamos fora da pista principal, mas não foi preciso mais nenhuma palavra, um grito de terror corta o ar, mas parece que ninguém nem ao menos se deu conta. Meu coração parou de bater, minha barriga dói como nunca doeu antes, e sinto um frio em minha espinha.

– Jessie, acho que esse grito é da Cora... – sussurro, já com os olhos cheios de lágrimas.

Jessie nada diz, apenas segura minha mão e me puxa em direção ao grito, que por sinal vem de dentro do pequeno bosque aos arredores da casa.

Meu coração dói, e a cada passo que dou é como se algo estivesse rasgando minha barriga ao meio. É inevitável, sinto as lágrimas correrem enquanto corro ao lado de Jessie em direção ao grito. O coração bate em meus ouvidos e a cada passo sinto que estou prestes a chegar a um tipo de funeral, o clima é pesado, obscuro, amedrontador.

– Cora! – grito para sabermos onde devemos procurar, me sinto completamente perdida e desesperada.

– Melanie! – escuto meu nome ao longe. É a voz de Cora, não me resta dúvidas.

Saio correndo em direção àquela voz e Jessie me segue, ambos sabemos que estamos correndo contra o relógio. Minha maior certeza é a de que, se algo acontecer a uma das minhas melhores amigas essa noite, me sentirei culpada pelo resto da minha vida.

Notas finais
Parece que essa festa está sendo bastante, digamos, movimentada, não é mesmo? Mas lembrem-se, ela ainda não acabou... E pra não perder o costume, peço perdão por qualquer erro ortográfico ou de concordância, esse capítulo faz parte dos vários escritos a um bom tempo atrás. Muito obrigada por ter chegado até aqui, de verdade. Espero jamais decepcionar cada um de vocês, mesmo com as reviravoltas dessa história maluca. Aguardo vocês no próximo capítulo. UM "BIG" BEIJO!!!