Obi Wane-Shots
21 Visões
Notas iniciais
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Uma cantoria suave e harmônica ecoava pelo vale, anunciando o amanhecer. Os raios solares recém chegados tocavam as aguas turbulentas que desciam com violência de uma cachoeira, situada na encosta de um grande morro.
Do outro lado da cachoeira, sentados sobre enormes pedregulhos disformes, havia duas pessoas: Um homem de cabelos longos e um menino com uma trança em seus cabelos. Poderiam ser facilmente confundidos como pai e filho, mas não eram.
Apesar de agir como uma figura paternal para o garoto o orientando, o corrigindo, o ensinando ou até mesmo repreendendo-o, Qui-Gon não era seu parente, era seu mestre. Não tinha nenhum tipo de vinculo sanguíneo com o garoto, mas isso não significava que não houvesse uma espécie de ligação entre eles, uma ligação forte o suficiente para que os unisse de um jeito único e especial.
O mestre Havia acabado de escolher Obi Wan como seu novo padawan. Apesar de inicialmente não querer ter um novo aprendiz, Qui-Gon não pode deixar de se impressionar com as habilidades do jovem kenobi. Sua hesitação se deu ao fato também de que percebeu logo de cara o quanto o garoto era impaciente e até um pouco arrogante, devido rapidez com que aprendia sobre as coisas que lhe eram ensinadas.
Entretanto, após sofrer uma tentativa de assassinato em uma das missões para qual foi enviado, ele acabou sendo salvo por Obi Wan (que estava no mesmo planeta pois fora enviado para lá para trabalhar como lavrador para o Corpo Agrícola.) Após o ocorrido, Qui-Gon tomou o jovem como seu padawan.
— Mestre, por que me trouxe aqui? — Perguntou o garoto. Ele não olhava para o homem ao seu lado, tinha sua atenção voltada totalmente para a belíssima cachoeira a sua frente. Tinha uma sensação estranha, como se já tivesse estado ali antes, mas não reconhecia absolutamente nada do ambiente ao seu redor.
— Achei que quisesse saber sobre o seu passado Obi Wan. — Respondeu Qui-Gon, fitando o seu padawan. — Por isso o trouxe até Stewjon.
— Mas mestre Yoda disse...
— O pensamento do conselho às vezes é limitado padawan. Às vezes, eles veem apenas aquilo que é mais conveniente para eles. — Qui-Gon cruzou os braços e olhou em direção a cachoeira.
— Mas esta no código Jedi Mestre! Eu li que nós não podemos...
— Então por que sinto um enorme distúrbio em você? Certamente não é por que estamos prestes a desrespeitar uma regra ou outra do código. Você certamente já fez isso em outras ocasiões.
Obi Wan olhou de relance para o seu mestre. Sua expressão carrancuda indicava que não havia gostado da insinuação que seu mestre fizera a seu respeito. Ele podia agir com impulsividade e de forma imprudente as vezes, mas ele só fazia isso para mostrar o quão bom ele era, talvez até melhor, do que os outros Padawans.
— Mas isso...
— Chega de ``Mas´´ — Qui-Gon disse autoritariamente. — Antes de espalharmos a paz, precisamos estar em paz com nos mesmos e paz é justamente o que eu não sinto em você jovem Padawan.
Obi Wan suspirou fundo e olhou para suas mãos, apoiadas em seu colo. Seu mestre tinha razão. Nos últimos meses, vinha tendo sonhos, ou seriam visões? Ele não sabia ao certo, mas o que quer que fossem, haviam plantado uma pequena sementinha de duvida em seus pensamentos e isso começou a perturba-lo.
— Eu estou tendo algumas visões mestre. — Obi Wan disse devagar, procurando as palavras certas. — E eu não sei bem o que significam. Gostaria de compreendê-las, mas tive medo de perguntar a mestre Yoda.
— Não tenha medo Obi Wan, o medo nos deixa enfraquecidos e suscetíveis ao lado sombrio. — Qui-Gon apertou com carinho o ombro do garoto quando este assentiu. — Conte-me sobre suas visões.
O jovem Kenobi engoliu em seco e levantou a cabeça, em direção ao céu ensolarado.
— Nas minhas visões, ou sonhos, eu não sei bem o que são... Eu me vejo mais novo, brincando em um lugar parecido com este, mas sem a cachoeira. Há uma grande arvore frutífera e eu não estou sozinho. — Obi Wan direcionou seu olhar para o homem parado ao seu lado, tentando decifrar seus pensamentos. — Tem um garoto mais novo do que eu e estamos brincamos juntos embaixo dessa arvore. Eu acho. — Ele piscou varias vezes. — Eu acho que é meu irmão. Eu até sei o nome dele, pelo menos eu acho que sei.
— E qual é o nome dele? — Perguntou Qui-Gon. Seu rosto estava indecifrável.
— Owen. — Respondeu Obi Wan rapidamente.
— E você vê mais alguém? — O homem cruzou os braços, paciente.
— Não. É apenas isso. Sinto uma forte ligação com esse menino, mas apesar de saber o nome dele, não consigo ver com clareza seu rosto. — Ele fitou Qui-Gon com um misto de expectativa e receio de fazer a pergunta que queria. — Será que eles, minha família, ainda estão aqui? Será que estão bem? Será que sentem minha falta?
Qui-Gon encarou seu aprendiz por alguns instantes, antes de desviar o olhar e focar em um passarinho que havia pousado no chão, bem próximo a eles.
— Obi Wan, eu não possuo a resposta para todas as suas perguntas, embora seja meu dever responder a maioria delas para que você cresça sem duvida alguma. — Ele inspirou fundo antes de continuar. — O trouxe aqui para que pudesse esvaziar seu coração e livrar-se de todas essas duvidas que o afligem, por isso vou lhe contar o que eu sei, mas quero que me prometa que a partir desse momento, deixara seu passado para trás. O foco determina sua realidade, nunca se esqueça disso Padawan.
O jovem Kenobi aprumou-se. Fitava Qui-Gon tão intensamente que seus olhos azuis cintilavam.
— O que eu sei é que seus pais ainda vivem aqui, mas mudaram de nome. — O mestre parou quando percebeu uma sutil tristeza apoderar-se dos olhos do garoto. — Eles fizeram isso por que tinham medo de futuramente, serem perseguidos por serem parentes de um Jedi. Fizeram isso pensando na segurança de seu irmão mais novo.
— Então, eu realmente tenho um irmão? — Obi Wan olhou em direção a cachoeira. — Essas visões são reais?
— Eu devo alerta-lo que esses seus sonhos, podem ser visões do passado ou do futuro, é difícil saber com clareza. Por isso deve ter cautela quando for interpreta-los. Nem mesmo Mestre Yoda saberia lhe dizer exatamente o que significam. Pode ser qualquer coisa
— Acha que meus pais tinham medo de mim? — A voz de Obi Wan saiu num sussurro. — Eles não me queriam por perto?
Nesse instante, Qui-Gon lembrou-se de que seu aprendiz tinha apenas treze anos e por mais esperto e maduro que ele fosse, ainda era jovem demais para entender certas coisas.
— Isso é algo que não posso lhe responder Obi Wan. Mas quando for mais velho, entenderá que eles fizeram o que acharam que era o melhor para você. Tem um futuro brilhante pela frente meu padawan, tenho certeza de que se tornará um grande Jedi e eles sabiam disso. — Qui-Gon afagou a cabeça do menino.
Por um período considerável de tempo, ouvia-se apenas o cantar dos pássaros e o barulho da água escorrendo por entre as paredes da cachoeira. O homem chegou até mesmo a acreditar que não devia ter tocado no assunto. Talvez, pelo menos naquela vez, o conselho estivesse certo. Certas coisas não deveriam ser reveladas.
— Obrigado mestre. — Obi Wan quebrou o silencio, mas evitou encarar o rosto de Qui-Gon. — Acho que agora eu vou conseguir ficar em paz comigo mesmo. Talvez, seja até melhor assim: Para ser um bom Jedi, não podemos nos prender a ninguém. Devemos focar no nosso dever. Relacionamentos só atrapalhariam e nos desviariam do caminho certo. Não é? — Perguntou e dessa vez, olhou nos olhos de seu mestre. — E por isso que não conhecemos nossas famílias, e por isso que somos recrutados tão cedo. Às vezes, não somos bem vindos em nosso próprio lar. — As palavras saíram com um pouco de ressentimento.
— Obi Wan. — Qui-Gon disse calmamente. — Está certo. O código Jedi nos proíbe de criar laços com qualquer pessoa, nos proíbe até mesmo de manter contato com nossas famílias, mas isso não significa que você deva levar uma vida solitário. Pode soar um pouco contraditório, mas a partir do momento em que você entra no templo jedi, você encontra uma nova família. Encontra pessoas que estariam dispostas a se sacrificar por você. Quando for mais velho, vai entender melhor. — Ele disse e relaxou os ombros. — Acho que já está na hora de voltarmos.
— O que quer dizer com ``quando for mais velho, vai entender melhor´´? — Perguntou o jovem curioso. Parecia estar começando a aceitar melhor as coisas que ouvira a pouco sobre seus pais.
— Quando chegar a hora de ter seu próprio Padawan, vai entender. — Respondeu o mestre. — Ele será sua responsabilidade até que esteja pronto para seguir seu próprio caminho. Juntos, sendo do seu agrado ou não, criarão um laço de amizade e companheirismo e durante um bom tempo, será como se fossem uma família.
Obi Wan deu um sorriso forçado em resposta.
— Eu? Ter um padawan? Essa foi a coisa mais ridícula que ouvi hoje mestre.
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