Obi Wane-Shots
2 Missão quase impossível
Notas iniciais

O sol brilhava intensamente quando a nave pousou no imenso jardim. O tripulante cujo rosto estava coberto por um capuz desembarcou e caminhou lentamente até a entrada da residência.
A porta se abriu e a figura enigmática entrou, retirando o capuz, revelando assim seus cabelos ruivos e sua barba já um pouco grisalha. Obi Wan já não era mais tão jovial, mas ainda sentia-se como um jovem cavaleiro Jedi, pronto para mais uma -- e talvez a mais importante -- missão de sua vida.
— Tem alguém em casa?
Nenhuma resposta. Deviam estar no jardim dos fundos. Era onde mais gostavam de brincar, por conta das engenhocas que seu pai criava para eles. Kenobi havia alertado seu velho amigo que aquilo poderia ser perigoso para as crianças.
Andou até a porta que dava para os fundos da enorme casa. Na metade do caminho, ouviu um grito, que gelou seu coração. Como um raio, voou até a porta e a abriu com a ajuda da força. Empunhado seu sabre de luz, desceu até o gramado e constatou não havia ninguém ali.
— Mas o que...
Antes que pudesse compreender o que estava acontecendo, algo pulou em cima dele e o derrubou no chão. Era pequeno, mas muito forte.
Obi Wan rolou para o lado, passando a mão na cabeça dolorida. Luke havia acertado bem em cheio, mas o garoto estava rindo tanto que o velho Jedi deixou a dor de lado. Já havia aguentado pancadas piores.
— Belo Golpe, meu jovem. — Obi Wan passou a mão pelo cabelo do pequeno Skywalker, bagunçando um pouco. — O que estava fazendo lá no alto?
— Papai me disse para lhe fazer uma surpresa quando chegasse — Luke o ajudou se levantar. — Gostou?
Kenobi sorriu. Era isso que Anakin ensinava para essas crianças? Ouviu novamente o grito e compreendeu assim que se virou que não se tratava de um som de pânico, e sim de entusiasmo. Ao ver uma mini Padme correndo em sua direção, se agachou para recebê-la. Ela pulou em seus braços e apertou seu pescoço tão forte que achou que fosse sufocar.
— Desse jeito, não vou durar muito. — O Jedi a soltou.— Como vai, pequena leia?
Ela cruzou os braços e fez uma cara emburrada. Obi Wan nunca havia visto Padmé emburrada, mas acreditava que ela devia ter essa mesma expressão da filha quando se zangava com Anakin.
— Não sou pequena, já sou grande.
— Está bem então. — Obi Wan passou a mão pela barba. — Que tal princesa Leia?
— Pode ser. — Ela o abraçou novamente, dessa vez com um enorme sorriso.
Os Jedi desde cedo eram ensinados que o apego, tanto emocional quanto material, era proibido, pois o medo de perder aquilo que tanto amava poderia levar para o lado sombrio da força. Obi Wan sabia disso muito bem, mas como poderia não se apegar aqueles dois? No momento em que os viu, sabia que estava perdido. Sabia que a partir daquele momento, os protegeria com sua vida se fosse necessário. Amava aquelas crianças, assim como amava o pai delas. Era a família que nunca teve.
Logo, estava no chão de novo, com Luke e leia fingindo que ele era um refém e que precisava ser salvo.
— Crianças. — Ele disse enquanto o projeto de Anakin tentava em vão amarrar suas mãos. — Onde estão seus pais?
Luke, com a mão no queixo, admirava seu trabalho. Não chegava nem perto de um nó.
— Mamãe teve que viajar e papai saiu para fazer compras. Papai mandou C-3PO ficar de olho na gente, mas eu o desativei para eu e leia podermos brincar melhor. Ele nunca deixa a gente fazer coisas divertidas.
— Você quer dizer, perigosas... — Obi Wan fingiu tentar se soltar, mas na verdade nunca esteve amarrado. — Padmé viajou? Mas o aniversário de vocês não é amanha?
Leia, que vinha correndo com duas armas de brinquedo na mão, disse ofegante.
— Por isso papai precisa da sua ajuda, Tio Ben. Precisamos preparar a festa.
Agora tudo fazia sentido. Obi Wan estava voltando ao templo de Jedi depois uma missão diplomática quando recebeu um recado de Anakin, pedindo que fosse encontra-lo o mais rápido possível. Ficou preocupado que algo grave tivesse acontecido e mudou de rota para Naboo, planeta onde agora residia o ex-Jedi e amigo.
— Seu pai como sempre me arrumando problemas. — Ele sorriu. A cabeça latejava um pouco, mas deixou-se levar pela brincadeira das crianças, afinal não era sempre que tinha tempo para visitar seus sobrinhos.
A guerra havia acabado. Darth Sidious fora descoberto e sentenciado a morte, para alivio de toda a Republica. A paz enfim tinha chegado, só não sabiam por quanto tempo.
Entretanto, nem tudo foi um mar de rosas. Quando descobriram que Anakin havia se casado com a Senadora, o conselho Jedi se reuniu e apesar dos argumentos de Obi Wan a favor da permanência de seu amigo na ordem, decidiram expulsar o jovem Skywalker.
— Está tudo bem, mestre. Poderei finalmente viver em paz com Padmé e cuidar dos meus filhos. E... — ele colocou a mão no ombro de seu antigo mentor. — Agradeço por tudo que fez. Você é como um pai para mim, Obi Wan, mas acho que vovô não combina com você, não é?
— Ainda sou muito jovem, meu caro. — Obi Wan o abraçou.- Acho que Tio é melhor.
Enquanto se recordava, as crianças se cansaram daquela brincadeira e já conversavam sobre o que poderiam fazer em seguida.
— Tenho uma ideia melhor. — Obi Wan deitou na grama. — Vamos ficar deitados aqui e observar esse lindo céu azul.
As crianças o fitaram de tal forma que ele logo se arrependeu de seu infeliz comentário.
— Isso é chato. — Exclamou Luke.
— Concordo. — Disse Leia.
O cansado Jedi deu um suspiro. Sua ultima missão havia sido muito desgastante e tivera pouco tempo para poder descansar enquanto estava em ação. O que mais queria naquele momento era poder tirar um cochilo, sem correr o risco de acordar pendurado no teto.
Por sorte, os gêmeos ouviram uma movimentação na entrada da casa e saíram correndo, gritando: Papai! Papai. Obi Wan fechou os olhos por alguns minutos e estava prestes a adormecer quando sentiu alguém se aproximando
— Está com uma cara péssima, meu amigo. — Anakin disse sorrindo, de pé ao seu lado.
— Estou apenas meditando.
O ex-cavaleiro Jedi soltou uma gargalhada e deitou ao lado de Kenobi.
— Nunca me ensinou esse método de meditação, mestre.
— Devia experimentar. — Obi Wan abriu os olhos. — Mas acho que você não tem tanto tempo livre, meu amigo. Enfim, soube que está em apuros. O que posso fazer para ajudar?
Anakin então contou que ele e Padmé estavam planejando tudo há mais de uma semana. Os comes e bebes, a decoração, os convidados... Porém ela recebeu uma convocação de ultima hora do senado Galáctico e teve que ir imediatamente, deixando a parte do buffet para seu marido providenciar.
— Parece que a paz ainda está longe de ser alcançada. — Ele completou. — Por isso a convocaram. Precisam achar uma solução urgente.
— Muitos planetas separatistas se recusam a aceitar a derrota. — Obi Wan sentou-se. — O que não é nada bom, pois podem querer iniciar outra guerra. O Senado junto com o Conselho... Ah, desculpe-me Anakin.
Seu ex padawan fechous os olhos. Era evidente seu desconforto. Desde que fora expulso, A simples menção da Ordem Jedi o chateava e Obi Wan evitava tocar nesses assuntos. Mas aquele em especial, envolvia Padmé.
— Tudo bem, Obi Wan. — Ele se levantou. Preciso me acostumar com isso. Mas agora, temos assuntos mais urgentes.
— Ah sim, o Buffet. — Obi Wan também se levantou.- Mas Anakin, sou um mestre Jedi, não um mestre Cuca. Como espera que eu ajude você? Os droids não podem se encarregar disso?
— Desde que passamos a morar juntos, Padmé não deixa os droids prepararem as refeições. — Anakin deu de ombros. — Questão de princípios, segundo ela.
— Mãos a obra, então. — Obi Wan deu umas batidinhas nas costas de seu amigo. — Temos uma longa batalha pela frente.
Marcharam até a cozinha, como se estivessem indo para a guerra, onde os inimigos não passavam de panelas e talheres. Obi Wan olhou para a pilha de compras num canto da cozinha e espantou-se.
— Quantos convidados estão esperando?
— A galáxia inteira.
Começaram então os preparativos. Obi Wan literalmente arregaçou as mangas e pegou um dos inúmeros pergaminhos que estavam à disposição sobre o balcão. Padme havia separado varias receitas antigas de família.
— Sei o que esta pensando Obi Wan. — Anakin estava pegando as panelas.- Também sinto um mau pressentimento sobre isso. — Ele olhou para cima, de onde estava vindo um barulho estranho.
— O que estão fazendo? — Kenobi perguntou, enquanto virava o pergaminho na tentativa de tentar entender o que estava escrito.
— Deixei-os ocupados com alguns protótipos que estou construindo. — Quando viu o olhar de reprovação de seu Antigo mestre, acrescentou. — Não se preocupe, não é perigoso.
Eles eram o perigo, deduziu Obi Wan. Mas era fato que se sentiu aliviado. Seria mais fácil preparar as coisas sem as crianças por perto. O que não durou muito tempo. Primeiro foi Luke, que veio correndo.
— Tio Ben. — Ele puxou sua roupa. —Me deixa ver o que está fazendo.
— Nem eu sei ao certo. Se eu entendi bem as instruções, isso será a cobertura do bolo.
Percebendo que ele não iria sair dali, Obi Wan o pegou no colo e mostrou. Estava mexendo com a mão livre um grande caldeirão, que continha uma substancia de cor indefinida.
— Tem um cheiro bom. — Disse o pequeno.
— Ainda bem. — Suspirou Obi Wan.
Depois foi Leia, que veio saltitando em direção ao pai, com uma panela nas mãos. Estava toda descabelada.
— Pai!...Papai!
— O que foi Leia? Estou ocupado. — Disse Anakin, passando a mão pelo rosto suado. Tinha acabado de colocar uma forma no forno.
A pequena estava com os braços esticados, mas não olhava para o pai e sim para o tio, com um olhar capaz de cortar um diamante. Estava com ciúmes do irmão.
— Vocês já não são um pouco grandes para pedirem colo? — Anakin a pegou.
— Não tão grandes assim, papai. Agora coloque isso na cabeça. Precisa ficar protegido.
Leia deu um jeito de encaixar a panela na cabeça de Anakin. Se iria conseguir tirar depois, era outra historia.
— Belo chapéu. — Obi Wan exclamou, fazendo Luke rir.
E assim foi durante todo o dia. De vez em quando as crianças saiam da cozinha e iam brincar pela casa, mas logo retornavam querendo ajudar. Obi Wan e Anakin perceberam que a ajuda oferecida de bom grado pelas crianças não ajudaria em nada, então decidiram se revezar.
Enquanto um ficava na cozinha, o outro ia distrair os gêmeos, o que com certeza era a tarefa mais difícil. Tendo quase seis anos, os dois eram capazes de colocar fogo na casa inteira e ainda sim ter energia para incendiar mais duas ou três naves logo depois. Kenobi uma vez chegou a cogitar a hipótese de levar os pequenos para conhecer o templo Jedi, mas desistiu assim que imaginou o que seriam capazes de fazer com mestre Yoda.
Quando Anakin tirou do forno o ultimo prato para a festa do dia seguinte, o colocou junto dos outros. Com as mãos na cintura, Contemplou com alegria o trabalho bem feito que ele e Obi Wan haviam executado, embora suspeitasse que um ou outro prato tivesse um ingrediente a mais -- graças à ajuda dos gêmeos -- o que resultaria num gosto diferente do esperado.
Dirigiu-se para a sala de estar e juntou-se a fracassada tentativa de Obi Wan em fazer os gêmeos dormirem. Os dois projetos de Jedi pulavam de um sofá para o outro, apontando as mãos em formato de arma e fazendo barulhos de tiro.
— E eu pensando que cozinhar era a parte mais difícil. — Murmurou Obi Wan, visivelmente exausto, com os olhos praticamente fechados.
— Você não viu nada, espere só até amanhã. — Anakin sentou-se ao seu lado.
Já era tarde quando Padmé retornou para casa. Ao entrar na sala, viu uma cena única: Os dois Jedi, um ao lado do outro, dormindo profundamente. E no chão, em cima das almofadas espalhadas, estavam os gêmeos, desmaiados.
Com um sorriso, A senadora deu um beijo em cada irmão mini Skywalker e parou para observar os dois mais velhos no sofá. Obi Wan estava com os cabelos sujos de massa e Anakin parecia um fantasma, por conta da farinha em seu rosto. Será que haviam concluído a missão com êxito?
— Meus cavalheiros. — Ela sussurrou e saiu de fininho, evitando pisar nos brinquedos esparramados pelo chão.
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