Obi Wane-Shots
37 Cúmplices
Notas iniciais

Obi Wan estava cansado, mas não tanto quanto Satine. Ele estava acostumado a correr por longas distancias, durante varias horas se fosse necessário. Em uma guerra, era preciso estar sempre em forma e com uma boa saúde física. Mas a Duquesa não estava habituada com esse ritmo frenético. Para complicar um pouco mais a situação, ela estava de salto, o que definitivamente não era o mais indicado usar em uma fuga. Ele teria dito isso a ela se não fosse soar tão inconveniente naquele momento.
— Obi Wan. — Satine fazia força para puxar o ar para dentro de seus pulmões. — Eu não aguento mais correr.
No inicio, Satine conseguiu manter-se bem próxima ao ruivo enquanto corriam pelas ruas do subsolo de Coruscat. De mãos dadas, eles passaram por varias vielas e becos úmidos e escuros, na tentativa de despistar os policiais que os perseguiam.
Durante um bom tempo, conseguiram manter um ritmo constante. Mas agora, Obi Wan tinha que praticamente puxar Satine para que ela continuasse o acompanhando.
— Temos que continuar Satine. — Ele disse sem olhar para trás, puxando a mão da Duquesa o mais delicadamente possível, mas aplicando uma força considerável. — Os policiais não vão parar até nos capturarem e se isso acontecer. — O ruivo deu uma pausa curta. O que iria dizer era obvio demais, mas não custava reforçar. — Não poderemos entregar a prova de sua inocência.
— Só vamos parar um pouco. — Ela choramingou.
Obi Wan apertou seus dedos ao redor do pulso dela, tentando demonstrar que entendia perfeitamente seu cansaço, mas que não tinham escolha senão continuarem correndo. Não demorou para o ruivo perceber que teria que diminuir o próprio passo, caso contrario acabaria lesionando o pulso de Satine.
— Me desculpe Satine, mas não podemos parar.
Realmente não podiam. Um passo em falso e tudo estaria perdido. Aquela altura, as autoridades de Coruscant já estavam tomando providencias para intensificar as buscas pela Duquesa. E não era por menos. Além de Satine, outro suspeito estava sendo procurado, acusado de ser cumplice dela. Um Jedi.
Tão rápido quanto o fluxo de naves em coruscant, era o compartilhamento de noticias e informações entre a população. Um Jedi lutando contra um homem que vestia uma armadura Mandaloriana não passaria despercebido e Obi Wan sabia muito bem disso. Era uma questão de tempo até seu rosto estivesse estampando pela cidade, juntamente com o rosto de Satine. Por isso, além de fugir, eles tinham que pensar num plano para desfazer esse mal entendido.
Um grito doloroso ecoou atrás do mestre Jedi e ele sentiu seu coração gelar. Ao mesmo tempo em que girava nos calcanhares, ele soltou a mão de Satine e apanhou seu sabre de luz, ativando-o. Sua luz iluminou o beco escuro no qual haviam entrado instantes antes e ele piscou. Seus olhos estavam se acostumando com a repentina iluminação e tudo o que viu nos primeiros segundos foi um borrão encolhido perto da parede.
Era Satine se apoiando na parede do beco enquanto lutava contra as lagrimas que rolavam pelo seu rosto. Segurava desajeitadamente seu joelho esquerdo, apesar de não ser o foco da dor que sentia. Quando Obi Wan aproximou-se, absorveu rapidamente o que tinha acontecido e recuou alguns passos quando a loira lançou lhe um olhar furioso.
— Eu não aguento mais, Obi Wan! — Ela gritou em meio às lagrimas, que não eram de dor, mas de frustração. — Não consigo mais correr, não desse jeito.
— Deixe-me ver. — Kenobi desativou seu sabre de luz e o colocou novamente preso na presilha em seu cinto. Aproximou-se devagar. Não queria arriscar ser fuzilado pelo olhar ardente da Duquesa. Agachou-se perto dela e com cuidado, envolveu o tornozelo da loira com os dedos. A torção era evidente devido ao inchaço e a vermelhidão no local. — Você apenas torceu o tornozelo, não está quebrado.
— Mas que ótimo. — Seu tom de voz era mordaz. — Será que agora você pode me ouvir quando eu digo que não consigo mais correr por ai? Ou prefere que eu o quebre na próxima vez?
Com um suspiro, Obi Wan endireitou-se. De fato, Satine não conseguiria ir muito longe com o tornozelo torcido e dolorido.
— O que faremos? — A Duquesa colocou as mãos no rosto e inspirou fundo. — Estamos perdidos. É melhor nos entregarmos. Direi a eles que você não teve nada a ver com isso e o deixarão livre, eu acho. Oh Céus...
— Não será preciso. Pelo menos ainda não — Obi Wan Disse com convicção, enquanto massageava o queixo barbudo. — Eu tive uma ideia. — Se Satine não estivesse com o rosto tampado pelas suas mãos, teria visto um brilho travesso nos olhos do Jedi. — Não podemos nos entregar agora. Se nos capturarem juntos, não nos darão ouvidos, não importa o que tenha a dizer... Destruirão a prova assim que colocarem as mãos nela. Precisamos pensar em algo melhor.
Coruscant, apesar de ser um planeta amplamente tecnológico e desenvolvido, era marcado por disparidades econômicas e sociais. Seus níveis superiores eram os mais desenvolvidos, enquanto que os inferiores sequer eram capazes de apreciar a luz do sol natural. Apesar de estarem cientes disso, os Jedi não interferiam. Não por que não podiam, mas por que sua atenção estava voltada para outros planetas e sistemas, que naquele momento, encontravam-se envolvidos na guerra.
Sendo assim, os níveis inferiores tornaram-se ponto de encontro para caçadores de recompensa e criminosos de todos os tipos. Numa tentativa desesperada de tentar manter a ordem, sondas e droides policiais eram frequentemente vistos patrulhando as áreas de maior periculosidade.
O setor GL 5 era um dos subníveis de Coruscante e naquela noite, estava abarrotado de sondas, droides e guardas de Coruscant, enviados especificamente para localizarem e capturarem a Duquesa. Suas ordens eram para que a levassem viva, mas caso apresentasse resistência ou fosse considerada um perigo para a população... Sua vida não deveria ser poupada.
Logo, o cerco se fecharia ao redor de Obi Wan e Satine e não teriam escapatória. Por isso, a ideia que o mestre Jedi teve era a única opção que tinham no momento. Ele só não sabia ao certo como fariam para chegar até o seu destino em CoCo Town, um distrito comercial situado nos andares superiores da Cidade Galáctica de Coruscant. No ritmo em que estavam – tendo que carregar a Duquesa nos braços por causa de seu tornozelo lesionado – demorariam um pouco mais do que Obi Wan gostaria.
— Tem certeza de que é uma boa ideia? — Satine perguntou, olhando por cima do ombro do ruivo para se certificar de que não estavam sendo seguidos. — Ele irá nos ajudar?
Obi Wan assentiu. Era a decima vez que ela perguntava a mesma coisa em um curto espaço de tempo e ele não viu necessidade em responder novamente. Tentava inutilmente colocar seus pensamentos em ordem. Queria pensar um plano melhor para poderem provar a inocência de Satine, mas a cada hora que passava, ficava evidente que não havia alternativa. Ela teria que se entregar diretamente para os guardas de plantão no prédio do Senado e se tivessem sorte, embora o jedi não gostasse de contar com isso, ele conseguiria passar despercebido pelos guardas. A segunda parte do plano, a qual ele já formulara em sua cabeça, consistia em encontrar Padmé. Só ela poderia ajuda-los. Só ela acreditaria neles.
— Estamos chegando? — Ela perguntou.
Sim,era o que Obi Wan teria respondido se pudesse. Ao tropeçar sem querer num buraco do chão irregular e desfalcado, o Jedi cambaleou para frente e Satine se sobressaltou, apertando com força os braços ao redor do pescoço do ruivo, privando-lhe o ar.
— Satine! — Ele balbuciou quando recuperou o equilíbrio e a loira afrouxou o aperto.
— Desculpe. Eu me assustei. — Ela o fitou com seus olhos vermelhos por causa do choro. —Você tem que olhar por onde anda. Não quero ter outra cicatriz por sua causa.
— Tem razão. — Kenobi sorriu de forma reconfortante e a ajeitou nos braços. – Em minha defesa, naquela ocasião estava tentando nos salvar de um destino pior do que uma cicatriz. E tenho que lhe dizer, eu tinha me esquecido do quanto você era forte. – Obi Wan estalou o pescoço. — E respondendo a sua pergunta, sim. Estamos perto agora.
A Duquesa corou levemente. Não era a primeira vez que o Jedi a carregava nos braços, mas já fazia tanto tempo que isso acontecera que ela tinha se esquecido do quão confortável era estar próxima a ele. Podia sentir o peito dele subindo e descendo; seu aroma suave e agradável; a forma respeitosa como ele a segurava gentilmente contra seu corpo. Se ela pudesse escolher eternizar um momento, seria aquele.
Ela piscou os olhos e quando notou que Obi Wan a encarava com as sobrancelhas arqueadas, desviou rapidamente o olhar. Será que ele se sentia da mesma forma? Se a resposta fosse sim, ele sabia fingir muito bem, diferente dela. Indo contra seus próprios intintos e lutando contra a própria insegurança, Satine apoiou a cabeça contra o pescoço do ruivo. Pelo menos ele não conseguiria ver seu rosto ruborizar ainda mais.
Obi Wan, por sua vez, começou a prestar mais atenção a cada passo que dava. Um sorriso maroto então surgiu em seu rosto. Não evitou esconder, pois a Duquesa não iria ver. Já os seus pensamentos, mesmo que quisesse, não conseguiria evita-los. Lembrou-se de uma época em que as coisas eram mais simples. Uma época em que ele teria deixado tudo para trás se a mulher acanhada em seus braços tivesse lhe pedido.
Ele a carregou por mais alguns quilômetro, no mais completo silencio. No inicio suspeitou que Satine estivesse fazendo manha, mas guardou para si. Não queria começar uma briga logo agora que estavam chegando ao seu destino. Depois afastou isso de sua mente e concluiu que carrega-la não era de todo mal assim. Até começar a sentir um leve formigamento em seus braços que logo se tornaram câimbras. Temia que seus braços fossem cair assim que colocasse Satine no chão.
Quando o ruivo parou para respirar e lutar contra a dor incomoda, percebeu que haviam finalmente chegado. Com uma tosse fingida, captou a atenção da loira, que o fitou intrigada.
Kenobi sorriu e indicou com o queixo o prédio a frente deles. Satine desviou a atenção do rosto do Jedi e encarou o prédio peculiar a sua frente. Graças ao aroma agradável, não foi difícil para a Duquesa identificar de que se tratava de um restaurante. Ao encarar Obi Wan novamente, ela percebeu que o jedi estava aliviado por finalmente terem chegado.
— Um restaurante? — ela perguntou sem acreditar no que estava vendo. Varias hipóteses passaram pela sua mente. Nenhuma delas envolvia um restaurante. Sua descrença era visível em seus olhos cansados.
— Dex vai gostar de você — Disse Kenobi com os olhos brilhando de entusiasmo. Olhou para os lados e se dirigiu para os fundos do estabelecimento.
Ao chegar à porta de serviço, por onde Dexter costumava receber mercadorias – e as vezes amigos em necessidade – Obi Wan deu um chute de leve na porta de metal, já que suas mãos estavam ocupadas. Alguns segundos se passaram e a loira estava começando a ficar impaciente.
— E se ele não estiver ai? — Satine inspirou fundo. — E se ele não quiser nos receber? E se ele nos entregar?
— Então teremos que por nosso plano em pratica mais rápido do que planejávamos. —Disse Kenobi revirando os olhos. — Não se preocupe. Eu o conheço há muitos anos. Tenho certeza de que vai nos ajudar.
Mais alguns minutos se passaram e nada de Dex aparecer. Um pensamento então surgiu na mente do Jedi. Já era tarde da noite, o restaurante não costumava funcionar até tão tarde. Será que ele realmente não estava? Era bem provável.
Mas tinha chegado longe demais para desistirem sem ao menos tentar, ele pensou. Obi Wan estava quase dando a volta, em direção a estrada do estabelecimento, quando passos ecoaram do outro lado da porta. Logo, a porta deslizou para o lado, revelando uma figura grande e assustadora.
Satine arregalou os olhos e abafou um grito quando o Besalisk apareceu e foi iluminado pela luz de um poste posicionado bem em cima deles. Usando um avental amarelado e sujo de gordura, o Besalisk abriu um enorme sorriso quando viu quem era o sujeito que aparecera em sua porta.
— Obi Wan, meu amigo! — Ele avançou para o ruivo na intenção de abraça-lo, mas então recuou surpreso quando viu Satine nos braços de seu amigo. — Ora, por essa eu não esperava.
— Não é o que esta pensando Dex. — Obi Wan disse encabulado, encolhendo-se só de pensar nas besteiras que deviam estar fermentando na mente de seu amigo. — Preciso da sua ajuda. É um assunto serio.
— Claro... Claro... Entrem. — Dex deu passagem para que Kenobi levasse Satine para dentro. — Estou curioso para saber o que o traz aqui, Obi Wan.
— Longa historia. — O Jedi entrou e aproximou-se de uma bancada velha, onde acomodou a Duquesa sobre a superfície — Só precisamos de um lugar para descansar por alguns minutos e iremos embora.
— Fiquem o tempo que precisar. — O Besalisk coçou o queixo. —E quem seria esta dama?
Satine sorriu timidamente para seu anfitrião. Sentia-se horrível por ter julgado premeditadamente o amigo de Obi Wan. Ao analisa-lo com atenção, sentiu que poderia confiar nele.
— Meu nome é Satine Kryze. Sou a Duquesa de Mandalore. — Ela estendeu a mão.
— Ual, uma Duquesa hein. — Com uma de suas mãos, Dex apertou gentilmente a mão da loira. Com a outra, ele deu um empurrão amigável em Obi Wan. — Pensei que os Jedi não pudessem se relacionar, mas você levou isso a outro nível.
Kenobi suspirou e balançou a cabeça, incomodado com o comentário do amigo. Com as mãos na cintura, ele fuzilou Dex.
— Já disse. Não é o que esta pensando. — Ele caminhou e se apoiou sobre outra bancada do outro lado da pequena dispensa. Com as mãos sobre os joelhos, frisou — Somos apenas amigos.
— Amigos. Se é o que está dizendo, eu acredito. — Dex deu de ombros. — Mas me conte a longa historia. Estou curioso e tenho bastante tempo livre, como podem ver... — Ele se sentou sobre uma cadeira velha ao lado do balcão enferujado onde Satine estava sentada. — O que andaram aprontando?
Obi Wan e Satine entreolharam-se. O cansaço era evidente no rosto dos dois. Fugir pelas ruas de Coruscant com certeza não estava nos planos do Jedi naquela noite e embora estivesse contente por rever seu amigo, não era uma ocasião muito oportuna para um reencontro. Também não era adequado contar a ele sobre os perrengues pelos quais estavam passando. Significaria colocar o Besalisk em perigo desnecessário.
— Quanto menos souber, melhor meu amigo. — Dex fitou Obi Wan decepcionado. — Posso dizer apenas que estamos com problemas com a justiça e estamos tentando resolver.
Uma batida na porta da frente então deixou todos em alerta. Num segundo, Obi Wan já estava de pé, pronto para sacar seu sabre de luz. Satine apenas enrijeceu o corpo e olhava preocupada para Obi Wan.
Foi Dex quem deu os primeiros passos em direção à porta que dava para o salão principal do restaurante.
— Estamos fechados há essa hora. — Ele sussurrou para o ruivo como se não fosse uma coisa obvia. —Meus clientes sabem disso.
— Nos acharam — Satine balançou a cabeça perturbada.
Dex olhou ao redor e focou sua atenção num pequeno espaço entre dois freezers horizontais.
— Ali — Ele apontou para o espaço. — Fiquem ali, vou esconder vocês com alguma coisa. Pode não ser nada, mas não custa ser cuidadoso não é?
Ele não precisou dizer duas vezes. Com um salto, Obi Wan pegou a Duquesa novamente nos braços e foi em direção ao local indicado. Primeiro a colocou no chão, cuidadosamente. Depois, agachou-se ao lado dela.
— Dex, o que você...? — O Besalisk gesticulou para que ele fizesse silencio quando as batidas na porta recomeçaram, dessa vez com mais intensidade.
Dex puxou um pano de cima de umas caixas amontoadas a um canto e o jogou por cima dos dois. Limpou as palmas de suas mãos umas nas outras e soltou um assobio baixinho de satisfação.
— Eu já vou! — Ele gritou em resposta ao som irritante de socos na porta. — Tenha um pouco de paciência.
Antes de sair, ele se virou e contemplou seu belo trabalho. Qualquer pessoa de fora jamais suspeitaria que por baixo daquele pano velho houvesse duas pessoas encolhidas.
— Obi Wan. — Satine sussurrou. — Sei que não é o momento mais oportuno, mas se formos capturados, Eu quero que saiba que sou muito grata... Por tudo.
Tão próximos, o mestre Jedi teve que conter o impulso de limpar a bochecha corada e marcada pelas lagrimas secas da Duquesa.
— Não fiz nada para merecer seu agradecimento, Duquesa. — Ele a fitou com ternura. —Estou apenas fazendo o meu trabalho.
Satine desviou o olhar do rosto do Jedi. Podia sentir seu rosto corar novamente.
— Sim, claro... Seu trabalho. — A voz dela saiu com um pouco de tristeza.
O espaço era limitado demais para duas pessoas, por isso eles tiveram que se apoiar um no outro enquanto Dex conversava com alguém na entrada do restaurante. Devido a distancia, a conversa se tornara murmúrios inaudíveis, o que deixou uma atmosfera tensa no ar. Para piorar, o tempo parecia ter estagnado, dando-lhes uma sensação de impotência e fragilidade. Dex podia ter uma boa lábia. Conseguia persuadir qualquer um, Obi Wan sabia muito bem. Mas aquela era uma situação diferente, anormal cujo resultado poderia ser desastroso.
— Obi Wan. — Ela recomeçou, relutante.
— Sim...
— Eu estou com medo... — sua voz falhou. — Alguma coisa me diz que isso tudo que esta acontecendo, é só uma pequena fração do que esta por vir. Com Death Wacth crescendo a cada dia, temo que não serei capaz de garantir a segurança de meu povo por muito tempo. — Seus olhos estavam marejados. — Eu não confio na Republica, nem no senado... Na verdade, não sei mais em quem posso confiar.
Obi Wan manteve-se em silencio, ouvindo com atenção o desabafo da Duquesa. Ela não precisava dizer, pois seu medo e sua insegurança com relação ao futuro foram facilmente captadas pelo Jedi, sempre atento e observador.
Ajudar pessoas... Sim, era o trabalho de um Jedi. Proteger aqueles que não podem se proteger, buscar a justiça para aqueles que foram injustiçados... Tudo isso e um pouco mais de fato, era dever dos Jedi. Mas tratando-se de Satine, ia muito além do dever que Obi Wan tinha como Jedi. Ultrapassava todas as barreiras e apesar do ruivo temer aonde ele poderia chegar ao dar ouvidos aquele sentimento proibido, ele não poderia deixar Satine desamparada. Nunca se perdoaria se fizesse isso de novo.
Sua mão esquerda levantou involuntariamente. Com a palma virada para cima, ele fechou os olhos e deixou que a força fluísse por seu corpo.
Satine o fitou com o cenho franzido.
— Em mim... — disse ele suavemente, ciente de que ela o olhava com atenção. — Confie em mim, Satine.
De repente, Minúsculos pontinhos de luz surgiram flutuando sobre a palma de sua mão e a Duquesa os fitou encantada. Obi Wan abriu os olhos e lançou lhe um sorriso caloroso.
— Obi, isso é lindo. — Disse a Duquesa, aproximando a própria mão dos pontinhos brilhantes. Estava hipnotizada. Podia sentir um calor estranho emanando das luizinhas tão pequenas quanto uma ervilha.
— Me permite? — Kenobi não esperou por uma resposta. Entrelaçou seus dedos com os dela.
A sensação de tranquilidade e alivio que ela teve quando seus dedos se tocaram foi instantânea. De repente, todo o medo havia desaparecido de seu coração, junto com a dor incomoda em seu tornozelo esquerdo. Tudo o que restara era a certeza de que tudo ficaria bem. Satine não sabia de onda tinha vindo esse pensamento. Mas não importava.
— O que é isso? — Satine perguntou, maravilhada.
— Apenas mais um truque Jedi. — Os olhos do Jedi cintilaram. Ainda estavam de mãos dadas e nenhum dos dois parecia disposto a soltar. — Você não esta sozinha, não se esqueça disso. Sempre poderá contar comigo.
Obi Wan não precisava ter dito aquilo, pois ela já sabia. O sentimento que ambos compartilhavam era tão poderoso, que palavras eram insuficientes para explicar.
E naquele momento, Satine sentiu-se mais forte e preparada do que nunca para enfrentar seus inimigos. Naquele momento, decidiu não ter mais medo. Naquele momento, lembrou-se do por que estava ali e de seus objetivos para com seu povo. Tudo isso, graças a um certo Mestre Jedi que jamais poderia ser seu por completo, mas que habitaria para sempre seu coração.
— Obrigada, Obi Wan. Eu... Estou pronta agora. — Disse Satine com firmeza, apertando a mão do Jedi com força.— Estou pronta para provar minha inocência. Estou pronta para continuar lutando por Mandalore, não importa o que aconteça.
— Eu nunca duvidaria disso. — o sorriso do Ruivo foi sutil e acalentador.
Esperaram pacientemente Dex voltar e quando o Besilisk apareceu, contou-lhes que eram dois droides policiais perguntando sobre eles. Não adiantava mais adiar o inevitável e ambos sabiam disso. Se continuassem fugindo, pareceriam mais culpados.
O Jedi e a Mandaloriana trocaram um olhar de compreensão silenciosa. O que aconteceria a seguir era incerto, mas Obi Wan não pouparia esforços para provar que Satine era inocente.
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