Obi Wane-Shots
50 Busca pela redenção
Notas iniciais

O por dos Sois proporcionava uma visão única do deserto de Judland, uma vasta região rochosa. Longe de tudo e de todos, era o cenário ideal para um solitário cavaleiro Jedi em busca de redenção pelos erros cometidos em seu passado não tão distante assim.
Uma coloração degrade decorava o céu noturno, ofuscando o brilho das estrelas que pontuavam aqui e ali no espaço que se expandia infinitamente em todas as direções.
Mas a amplidão, tanto no céu quanto em terra, dava ao Jedi uma falsa sensação de liberdade. Ele não era livre, pelo contrario, estava preso na própria amargura que insistentemente ameaçava-o engolir por completo, levando-o em direção a um abismo profundo e desesperador que se encontrava dentro de seu próprio coração causado pela dor de não ter conseguido impedir as tragédias que ocorreram.
Não, ele jamais seria livre novamente. Jamais teria o privilegio de se intitular um homem livre. Não enquanto estivesse sendo caçado como se fosse um fora da lei pela nova ordem que se instalara pela Galáxia que outrora ele tanto admirava.
E sendo um Jedi, viver enclausurado fisicamente e mentalmente, era torturante demais.
Um apito ressoou aos seus ouvidos, informando-lhe que em breve os disparos começariam. Obedientemente, como se seguisse a uma ordem proferida por seu falecido Mestre, Obi Wan fechou os olhos e aguardou pelo segundo sinal que veio alguns segundos depois.
Obi Wan endireitou os ombros. Segurava demasiadamente forte o sabre de luz com as duas mãos, fazendo com que as pontas de seus dedos ficassem esbranquiçadas.
O terceiro sinal. Os droides de controle remoto de formato redondo que até então estavam paradas sobre o solo polvoroso ao seu redor estremeceram e uma luzinha vermelha ascendeu-se bem no centro de cada um deles.
O Quarto sinal. Os droides redondos levitaram ao mesmo tempo e com uma sincronia invejável, começaram a rodear Obi Wan. Uns desciam, outros subiam. Todo girando ao redor do próprio eixo, prontos para começarem o exercício.
E então veio o quinto sinal e eles começaram a disparar pequenos flash vermelhos no mesmo instante. Mantendo os olhos firmemente fechados, o ruivo apanhou seu sabre de luz e o ativou bem a tempo de desviar o primeiro disparo que voava em sua direção.
Mas eram muitos ao mesmo tempo, vindo de todas as direções possíveis. O Jedi praticamente dançava, dando pequenos giros desengonçados para conseguir defletir os disparos.
Se fosse uma situação real, Obi Wan provavelmente já estaria morto.
Um assobio exaurido escapou de seus lábios e tudo parou. Os droides mecânicos caíram e quicaram no solo como se nunca tivessem sido usados. Pareciam tão inofensivos que ninguém adivinharia que serviam ao um proposito maior do que parecerem simples enfeites.
Estavam mais para equipamentos de treinamento, comumente usados no templo Jedi para que younglings testassem suas habilidades e usufruíssem de sua conexão com a força para guia-los enquanto se defendiam cegamente dos tiros. Mas isso fora em outra época... Nem os Youngligs, nem o templo Jedi, existiam mais. Não restava mais nada... Apenas as lembranças que habitavam a mente desolada do Jedi solitário.
Depois de alguns minutos inerte, Obi Wan finalmente abriu os olhos e olhou ao seu redor, absorvendo com atenção cada detalhe. Pequenas manchas arredondas estavam salpicadas em sua túnica, indicando que a maioria dos disparos efetuados pelos droides o atingiram em cheio, em pontos fatais caso fossem tiros de blasters na máxima potencia. Desviando seu olhar desmotivado para o chão, percebeu que alguns tiros acertaram o solo também, deixando-o chamuscado.
Pelo menos, havia conseguido desviar alguns. Entretanto, ainda não era o suficiente.
Sua falta de coordenação motora devia-se exclusivamente ao fato de que mesmo estando morando sozinho no deserto, Obi Wan não podia se dar ao luxo de treinar sempre. Suas habilidades Jedi certamente chamariam a atenção de qualquer um que visse uma luz azul tremeluzindo, dançando no ar.
Ele tinha que tomar cuidado, muito cuidado.
Afinal, ele não tinha mais liberdade para ser quem ele era. Ele tinha que ser outra pessoa agora. O Ben maluco, como era conhecido nos povoados da região.
E o Ben maluco não saia por ai brandindo um bastão iluminado.
A desmotivação era evidente em seus ombros caídos. Orelheiras enormes marcavam seu rosto suado e seu cabelo empoeirado caia sobre os olhos cansados.
O que ele precisava era de uma boa noite de sono, mas isso era um luxo do qual ele não dispunha a um bom tempo. Além de precisar manter-se atento a qualquer anormalidade, qualquer sinal de perigo que ameaçasse a segurança de Luke, seu protegido, as noites eram a única oportunidade que ele tinha para poder treinar. Manter-se em forma.
Lembrar-se de quem ele fora um dia, mas já não era mais devido as circunstancias trágicas que o levaram até aquela situação melancólica.
Pendendo ao lado do corpo, com a ponta apontada para o solo, seu sabre de luz parecia chama-lo, implorando para que fosse usado mais uma vez antes que fosse guardado novamente, por tempo indeterminado, até que o Jedi julgasse que era hora de utiliza-lo.
Talvez mais uma rodada, pensou Kenobi.
Decidido, Obi Wan aprumou os ombros novamente. Posicionou as pernas paralelamente; ergueu os braços, adotando uma postura defensiva com o sabre de luz acima de sua cabeça.
E assobiou.
Novamente, os droides de controle remoto ergueram-se do chão. Dessa vez sem aviso, sem sinais. Pareciam mais ameaçadores do que da primeira vez.
Pareciam encarar Obi Wan como se fossem velhos inimigos mortais. A pequena luz vermelha cintilando na orbita de cada um deles, como se desejassem derramar o sangue do Jedi.
Giravam mais rápido agora e já não agiam mais em sincronia. Não respeitavam o espaço pessoal de Obi Wan. Passavam raspando perto de seu rosto, ameaçando, instigando-o.
E os disparos começaram. Uma enxurrada de flahs escarlates voou em direção ao Jedi e este apenas girou. Enquanto movimentava as pernas como se estivesse realizando movimentos de uma coreografia de dança, Obi Wan mantinha toda a atenção focada em seu punho direito. Girando a mão direita, o sabre de luz rodopiava entre os seus dedos e girava ao seu redor como um flash azul, tão rápido que era quase impossível distinguir seu formato.
Os disparos ricochetearam na barreira inabalável.. Alguns tiros voltaram e atingiram os droides instantaneamente, destruindo-os completamente.
Somente quando destruiu o ultimo controle Marksman-H, foi que Obi Wan permitiu-se respirar pela primeira vez desde que começara o segundo round. Seu peito subia e descia de forma irregular. Gotas de suor pingavam de seu rosto vermelho por causa do esforço físico que desempenhara. E sua mão direita sangrava devido à força que aplicara para manter o sabre de luz preso aos dedos.
Essas raras ocasiões em que se sentia motivado a se exercitar, na realidade, não passavam de uma distração fútil que o faziam se lembrar da época em que ele era parcialmente livre. Afinal, um Jedi nunca poderia ser realmente livre de seus pecados.
Aquela altura, enquanto Obi Wan divagava, o céu escurecera completamente. Não havia mais o degrade alaranjado manchando o horizonte. Nem mesmo as luzinhas vermelhas dos droides arredondados que jaziam destruídos no chão arenoso. Havia apenas a escuridão.
E um Jedi em busca de redenção pelas falhas cometidas contra aqueles que ele amou. Em busca de um alivio momentâneo para os pensamentos que tumultuavam sua mente exaurida pelo esforço de se manter sã.
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