Obi Wane-Shots
4 A primeira noite
Notas iniciais

Foi um dia cheio e cansativo. Após retornar a Mandalore, Satine descobriu uma conspiração contra ela e seu povo, e com a ajuda dos Jedi que a escoltavam, Qui-Gon e Obi Wan Kenobi, conseguiram escapar. Tudo ainda era muito incerto e por isso eles não tinham um plano definido. Decidiram apenas que por enquanto, ficariam escondidos, pois havia caçadores de recompensa atrás dela.
— Hey, Jedi... Não se faça de surdo, sei que está me ouvindo. Estou com frio. – A loira enrolou os braços em si na tentativa de se aquecer na noite fria.
Obi Wan revirou os olhos. Estava deitado de costas para ela e desejou, em seu intimo, que fosse surdo. Estava sentindo frio também, mas não havia outro lugar para ir. Teriam que passar a noite ali e com sorte, achariam um lugar melhor no dia seguinte.
— Meu nome é Obi Wan – Ele resmungou. – Não sei o que quer que eu faça. Estamos no meio de uma floresta, cercados por animais selvagens e se me lembro bem – Ele se virou e apoiou cabeça em uma das mãos. – Tudo isso por que caçadores estão atrás de sua cabeça.
— Você é um grosseiro! – Ela agarrou uma pedra e jogou em sua direção.
O jovem Jedi habilmente segurou a pedra usando a força e a arremessou longe. Tinha uma expressão entediada no rosto e deu um longo suspiro. Por quanto tempo mais teria que aguentar ela sozinho? Onde estava Qui- Gon, afinal?
Seu mestre os orientou para que ficassem ali e aguardassem seu retorno. Mas aguentar Aquela loira geniosa estava minando sua paciência aos poucos.
— E você é extremamente irritante! – Ele virou-se de costas para ela novamente.
De repente, um barulho chamou a atenção dos dois. Algo se remexia num arbusto bem próximo a eles e não parecia ser pequeno. Obi Wan com um salto se pôs de pé e, armado com seu sabre de luz, aproximou-se devagar. Deu uma rápida olhada para Satine e fez um sinal para que ela ficasse em silencio. A loira, porém engatinhou até onde estava o Jedi, se levantou e agarrou sua roupa, completamente em Pânico.
— O que será? Algum animal selvagem? Um caçador de recompensa? – Ela tremia tanto que Obi Wan quase deixou o sabre de luz cair. – Acabe com ele Obi Wan, acabe com ele!
— Ah, agora se lembra do meu nome. – Ele olhou para ela por cima do ombro com um sorriso travesso nos lábios.
— Faça isso logo e pare de gracinhas! – Ela lhe deu um tapa nas costas.
Eles se aproximaram mais um pouco, devagar. O Jedi estava em posição de ataque, quando ela o soltou e se afastou, cobrindo o rosto com as mãos. Antes que pudesse dar o golpe certeiro, o intruso deu um pulo e voou em direção a Obi Wan, derrubando-o no chão. Era pequeno afinal, mas tinha longas garras e um corpo peludo e comprido, além de um pequeno par de asas. Não tinha olhos e de seu longo focinho saia uma pequena língua ainda mais comprida que o corpo.
O jedi deixou seu sabre cair durante o ataque e não conseguia apanha-lo, por isso tentava se defender apenas com as mãos, o que era difícil levando em conta que o animal tinha seis patas.
Satine deu um grito e correu para ajuda-lo. Sem saber o que fazer, procurou no chão algo que pudesse servir de arma e encontrou um grosso galho de arvore. Aquilo teria que bastar.
Com um movimento rápido e preciso, Satine acertou a pequena criatura e a jogou no meio das arvores, para a escuridão da noite. Obi Wan ainda estava com os braços em posição de defesa e Satine observou que havia pequenos cortes nas mãos e no rosto do ruivo.
— Você está bem? – Ela se ajoelhou ao seu lado, preocupada. Quando ele afastou os braços, percebeu que estava rindo e deu um soco de leve em seu estomago. – Não tem graça.
Obi Wan sentou e limpou o rosto com a manga de sua roupa Jedi. Ainda estava sorrindo quando olhou para Satine.
— Como eu disse, estamos cercados por criaturas selvagens. Aliás — ele a fitou. — Belo golpe.
Dessa vez foi Satine que sorriu meio envergonhada. O ajudou a se levantar e passou a mão pelo rosto do Jedi, timidamente.
— Se você chama isso de selvagem, então não viu nada, meu querido.
Quando a agitação passou, desistiram de procurar a estranha criatura e acomodaram-se novamente ao redor da fogueira, um de frente para o outro e assim ficaram por um tempo. Satine finalmente parara de reclamar – pensou Obi Wan – e quando ele olhou para ela, com mais atenção do que antes, sentiu algo em seu coração se ascender. Iluminada pela luz das chamas, a jovem tinha uma expressão pensativa enquanto tentava se aquecer perto do fogo. Vez ou outra ela olhava para ele e desviava rapidamente o olhar. Que estranha sensação seria aquela? Obi Wan tinha medo da resposta, pois há muito tempo, teve uma sensação parecia com relação a sua companheira Jedi, Siri Tachi. Ele balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos inapropriados para um Jedi. O que quer que tenha surgido entre eles, eram apenas amigos agora e não seriam nada mais que isso, pois tinha um dever com a Ordem Jedi. Mas ao olhar novamente para Satine, soube que o que estava começando a surgir era mais intenso.
Desviou o olhar e desejou que seu mestre estivesse ali, para amenizar o clima desconfortável entre os dois. Pelo canto do olho, viu que Satine ainda tremia um pouco, o que era completamente compreensível. Cresceu num palácio e provavelmente nunca tivera que dormir ao relento.
Instintivamente, ele foi até ela e sentou-se ao seu lado, puxando-a para perto de si. Não sabia muito bem o que estava fazendo e sentiu sua face ruborizar.
— Não é muito, mas acho que isso vai fazer com que se sinta melhor. – Ele a apertou gentilmente e ela relaxou. – Vamos nos aquecer juntos.
— Obrigada. – Ela disse, se aconchegando cada vez mais perto de Obi Wan. – Pelo visto, aquele bichinho serviu para alguma coisa... Não estamos mais brigando. – Ela sorriu. – Quando descobri que seria escoltada de volta para casa por dois Jedi, confesso que não me agradou muito. – Ela murmurou, enquanto fechava os olhos e encostava a cabeça em seu peito. – Não tenho boas recordações dos Jedi.
— Com o tempo vai perceber que só queremos trazer a Paz para a galáxia, assim como você quer trazer para o seu povo, estou certo?
Obi Wan pode sentir ela acenando com a cabeça em sinal de aprovação.
— Acho que podemos nos dar bem então, no final das contas, Obi Wan. – Ela deu um bocejo e adormeceu logo em seguida.
De repente um pensamento tomou conta. O que pensaria seu mestre quando chegasse e os flagrasse tão perto um do outro? Seus batimentos aceleraram. Tentou se afastar de Satine devagar. Pretendia acomoda-la gentilmente no chão, depois se afastaria e ficaria de vigília até Qui-Gon voltar.
Mas o simples movimento fez com que a jovem se aninhasse ainda mais e o envolvesse com seus braços. Aquele contato tão inesperado o pegara desprevenido. Podia sentir a própria temperatura se elevando. Ao olhar e ver uma expressão serena em seu rosto, Obi Wan desistiu da ideia e acariciou seu cabelo macio e perfumado. Seu coração desacelerou e ele sentiu novamente aquela sensação. Seria o começo de alguma coisa mais intensa do que uma simples amizade?
O Jedi sorriu com aquele pensamento. Haviam se conhecido apenas algumas horas antes e tinham se estranhado logo de cara. Não imaginou que em tão pouco tempo deixariam as diferenças de lado e estariam assim, tão perto um do outro. Achou que seria insuportável ter que lidar com ela, pois já lidara com pessoas da realeza antes e tinha certa experiência, mas Satine não era igual àquelas pessoas. Tinha algo de especial.
— Durma bem, Satine. Vou cuidar de você, eu prometo.
Qui-Gon Retornou apenas quando o dia amanheceu. Tinha saído para tentar fazer um reconhecimento da situação e descobriu que uma guerra civil estava em andamento no planeta e teriam que continuar se escondendo pelo bem de Satine. Ao chegar no acampamento improvisado, viu os dois dormindo profundamente. Com as mãos na cintura, inspirou fundo e sentiu a brisa da manha. Em seu intimo, sabia que aquilo lhe traria problemas.
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