Notas iniciais
I'M BACK O/

Havia se passado quatro luas, e Jaime Lannister permanecia desacordado.

Apesar de todos os esforços do Meistre, ele estava tendo cada vez mais delírios e calafrios. Jon se sentiu surpreso ao ver que não queria a morte do leão. Se Azor Ahai morrer, o que será de nós?, não conseguiu deixar de se perguntar. Mas também não poderia perder as esperanças, e havia ordenado para o Meistre não desistir do paciente, e o velho homem o obedeceu. Estava dando o melhor de si para cuidar do ferimento do fígado de Jaime.

Agora, Jon Snow ficou observando o homem responsável por forjar as armas da Patrulha da Noite. O homem era calvo e tinha olhos negros e cansados.

Essas espadas de aço não servem para nada, não deixou de pensar enquanto ouvia o som do aço batendo. Imediatamente, levou a mão direita até o cabo de sua Garralonga.

O homem olhou para seu Comandante de relance.

– Bom dia, senhor.

– Bom dia. — Retribuiu Jon Snow.

– Parece que vencemos os Outros, senhor. — Disse o velho armeiro depois de um constrangido silêncio, afim de puxar assunto.

– Se você pensa isso, então é um tolo. — Respondeu Jon, sério. — Podemos ter vencido por ora, mas eles não desistirão assim tão fácil. Essas criaturas são espertas.

– Sim, senhor. Concordo com você. — Respondeu imediatamente.

Jon apenas assentiu, sem sentir necessidade de continuar a tagarelar com o homem, e caminhou pelo pátio onde tanto homens da Patrulha da Noite quanto selvagens estavam treinando suas habilidades com a espada.

– Ei, Snow!

Ouviu uma voz grossa que sabia que pertencia à Tormund. Jon virou em sua direção. O homem ruivo o fazia se lembrar de Ygritte. Beijados pelo fogo, o bastardo pensou, e uma onda de tristeza e saudade invadiu seu peito.

Tormund estava lutando com um dos selvagens, ambos com espadas sem gume e de madeira.

– Tormund. — Responde Jon, sem expressão facial, e vê o selvagem indo até seu encontro.

– Que cara é esta? — Perguntou o homem quando chegou perto do Comandante da Patrulha da Noite.

– Estou preocupado. — Respondeu Jon, como se não fosse óbvio. O selvagem levantou uma de suas sobrancelhas, esperando que o bastardo continuasse. Ele respirou fundo, permitindo que o ar gelado da Muralha entrasse em seus pulmões, congelando ainda mais seu coração. — Os Outros foram embora quando Jaime caiu. Fico me perguntando se...

– Quem é Jaime? — Perguntou Tormund, agora com uma expressão séria e confusa.

– O Azor Ahai. — Respondeu Jon, impaciente. — Fico pensando quando os Outros retornarão, se eles retornarão...

– Com Azor Ahai ou sem, eles voltarão, rapaz. — Respondeu o selvagem sombriamente. — Em uma noite qualquer, eles trarão o frio e o caos novamente. Precisamos estar preparados até lá.

– Sim, precisamos. — Concordou o bastardo de Ned Stark. — Será que poderemos vencer?

– Isso dependerá de você, Comandante. — Respondeu Tormund, e Jon não saberia dizer se ele estava zombando dele ou não. — Quantos vidros de dragão você conseguiu para as armas?

Jon ficou alguns segundos para responder. Sabia que não era o bastante.

– Recebi um navio ontem com vidro de dragão. — Confidenciou Jon Snow. Ele não havia comentado com ninguém sobre o navio que ele foi receber em Ataialeste. — O problema é saber forjá-las. — Após uma breve pausa, continuou. — Em breve, saberei. — Você não sabe nada, Jon Snow, quase conseguia ouvir a voz de Ygritte sussurrando essas palavras em seus ouvidos. Sabia que ela diria isso. Estremeceu, se convencendo que era apenas o frio causando esses calafrios repentinos.

– Espero que sim, garoto. Agora que não temos mais o Azor Ahai e sua espada de fogo, temos que encontrar outras maneiras de queimar aqueles Outros malditos. — Respondeu Tormund, seus olhos continham um brilho sombrio que sumiu rapidamente quando ele se virou e para continuar seu treinamento com a espada.

Jon pensou no que o selvagem disse e, não pela primeira vez, pensou na Rainha Daenerys. Será que ela se importa com o Reino o suficiente para vir para a Muralha com seus preciosos dragões?, se perguntou.

xxx

O frio ficava cada vez mais intenso quando a noite chegava. A lareira de Jon Snow estava ardendo fortemente e tinha cobertas suficientes, mas mesmo assim o bastardo continuava a tremer.

E então, o bastardo fecha os olhos e se permite ser entregue aos seus sonhos.

– Jon Snow.

Uma voz feminina o chama, fazendo ele abrir os olhos imediatamente, alarmado. Conforme seus olhos vão se acostumando com a escuridão, ele consegue visualizar melhor a silhueta parada em sua frente. A mulher estava com um vestido vermelho e um véu da mesma cor. Em seu pescoço, havia um colar de rubis. E em seu rosto havia uma máscara de madeira laqueada, impossível de descrever os traços do mesmo, o tom de seus olhos ou as linhas de sua boca. Jon ficou imóvel, enquanto tentava raciocinar como que aquela mulher, extremamente excêntrica, tinha entrado em seus aposentos.

– Quem é você? — Ele se vê perguntando.

Essa guerra não acabará.– Continua a mulher, ignorando a pergunta. — Não até que os três estejam unidos. Lembre-se, Jon Snow, o dragão tem três cabeças.

Jon Snow sentou-se rapidamente na cama. Estava ofegante. Olhou em volta do aposento e ele permanecia vazio. Foi só um sonho, percebeu. Mas o bastardo nunca poderia ter certeza disso. Decidiu que não dormiria mais essa noite.

Notas finais
Espero que tenham gostado!