O vento que vinha da Muralha estava mais gelado do que da última vez que Jaime estivera ali. Não sabia que podia ficar mais frio do que aquilo, pensou Jaime, desejando ter levado um manto a mais. Da última vez que estive aqui, Brienne estava comigo, o leão se lembrou, desanimado.

Detestava brigar com a garota, mas a mesma não tinha dado outra opção. Se ela não fosse tão teimosa..., se lamentou Jaime, mas logo se reprimiu. Se não fosse tão teimosa, não seria a minha Brienne, concluiu. Estava com poucas esperanças, mas enquanto existisse amor, sabia que havia como voltar a ser como era antes. Ela só precisa de tempo, dizia a si mesmo. Embora, a cada dia que passava, tinha menos certeza disso.

– Chegamos em Castelo Negro, senhor. — Disse o homem que transportou ele e seu cavalo até a Muralha.

– Obrigado. — Disse Jaime, fazendo um certo esforço para descer da carroça com apenas uma mão para ajudá-lo. Desamarrou seu cavalo e jogou duas moedas de prata para o moço. O mesmo as mordeu, antes de dar um sorriso amarelado.

– Boa sorte, senhor.

Senhor, Jaime repetiu em seus pensamentos. Era divertido ver como os homens puxavam seu saco. Regicida, você quer dizer, quis falar, mas segurou sua língua.

Subiu no cavalo e foi em direção ao pátio de treinamento do Castelo Negro. Ouvia sussurros como "Olha, é o Regicida" da maioria dos homens, mas Jaime havia aprendido a ignorá-los. Voltou-se para um homem que forjava uma espada, e disse:

– Onde posso encontrar o Lorde Snow?

O homem o analisou por alguns instantes antes de responder.

– Ele está na Torre do Rei.

Ótimo, isso e nada é a mesma coisa para mim, imbecil.

– E onde é essa torre? — Perguntou Jaime, tentando ser o mais paciente possível.

– Me siga, Regicida. — Respondeu o homem, deixando sua espada de lado.

Jaime revirou seus olhos de esmeraldas antes de seguir o homem carrancudo.

Subiram vários degraus para chegar na Torre do Rei. Ela tinha 30 metros de altura, com merlões no topo, onde pode observar o portão e o começo da escada de madeira que sobe a Muralha. Ao entrarem, Jaime pôde perceber que a porta era feita de carvalho cravejado com ferro.

– Essa torre era reservada para convidados de honra, ou Reis, mas porra de Rei nenhum veio visitar a Muralha por mais de 100 anos. Acho que tinham medo de congelarem seus paus. — O homem explicou, dando uma gargalhada. Mas logo parou, como se tivesse se lembrado de algo. — A não ser, é claro, por Stannis Baratheon. Ouvi dizer que foi morto por uma enorme mulher de armadura. — É, essa enorme mulher de armadura é minha esposa, Jaime pensou, se divertindo. — Os homens de Melisandre ficaram loucos querendo vingança. Mas então, ouvi dizer que essa Mulher Vermelha também foi assassinada. Não sei por quem. — Você está bem desinformado, senhor, o Lannister quis dizer, e segurou seu riso. — De qualquer forma, fico feliz que nossa Muralha tenha sido livrada desse Rei fajuto, dessa sacerdotisa e de seu Senhor da Luz. — O homem parou de tagalerar quando chegou a uma porta de madeira. Bateu duas vezes.

– Entre. — Uma voz rouca respondeu lá de dentro.

– Chegamos. — Disse o homem, abriu a porta para Jaime e desceu as escadas.

Os aposentos estavam estranhamente quentes, o leão pôde perceber ao entrar. Jon Snow, ao ver o Lannister, arregalou os olhos por alguns segundos, mostrando surpresa. Mas logo se recompôs, e perguntou:

– Posso saber o que está fazendo aqui?

– Vim tomar o negro. — Disse Jaime, sério. Por alguns segundos, ninguém na sala disse alguma palavra. Então o Lannister sorriu. — Fiquei me perguntando se você acreditaria. Garoto esperto.

– Não sou um garoto. — Retrucou o Comandante.

– Oh, me desculpe. — Respondeu Jaime, irônico. — Homem esperto. — Deu um sorriso malicioso, e continuou. — Vim ajudar na luta contra os Outros. Mas, assim que tudo terminar, voltarei para Rochedo Casterly.

– Como pode ter certeza que um dia voltará a ver Rochedo Casterly? — Perguntou Jon, apertando seus olhos negros e frios para avaliar o Lannister. Eu não tenho certeza, o leão pensou em dizer, mas em vez disso, o bastardo só recebeu o seu silêncio. E então, o mesmo continuou. — Só aceitamos os homens que tomam o negro. — Respondeu Jon de imediato.

– Ouvi dizer que os selvagens estão desse lado da Muralha, lutando. — Comentou o Lannister. — Algo me diz que não foram todos que aceitaram tomar o negro.

A boca do bastardo estremeceu rapidamente, e Jaime pôde perceber que estava certo. Passaram alguns segundos em silêncio, até que o homem respondeu:

– E por quê você quer lutar conosco?

– Porque, de acordo com Melisandre, eu sou Azor Ahai. — Respondeu Jaime, no tom mais sério que era capaz, mas foi Jon que deu um sorriso malicioso dessa vez.

– E você quer que eu acredite nisso?

– Falaria para você perguntar para a sacerdotisa, mas temo que ela está morta. — Respondeu Jaime de imediato. — Mas pode acreditar na minha palavra, senhor. – Disse a última palavra com uma pitada de ironia. O Lannister não sabia se controlar. E então, continuou. — Não creio que ela erraria.

– Ela já errou milhares de vezes. — Retrucou Jon. — Antes, era Stannis. Agora, você.

Jaime cansou de discutir. Estava exausto da viagem. Seu corpo doía, mas acima de tudo, seu psicológico estava abatido. Abatido pelo filho natimorto e principalmente pela frieza de Brienne. Eu fui embora sem me despedir, lembrou Jaime, e sentiu um aperto no coração. Eu posso morrer aqui, se lembrou, percebendo que não estava tão preparado para morrer como gostaria de estar. E então se reprimiu. Agora não é hora de voltar atrás. Então, sem dizer nenhuma palavra, desembainhou sua Luminífera.

O ar do quarto, que já estava quente, ficou mais ainda. A luz fraca ficou mais forte. Os olhos de Jon Snow se arregalaram.

– Esta é Luminífera. — Disse Jaime, sério. — Eu sou Azor Ahai. Quero lutar com você. Se não quiser me aceitar, irei embora de bom grado. Mas você seria um tolo por isso.

O bastardo ficou longos minutos ora fitando o rosto de Jaime ora fitando a espada flamejante. Por fim, disse:

– Acharei um aposento quente e conchegante para você. Amanhã, na parte da manhã, da tarde e da noite, pode se dirigir para a Sala Comum, que vai ser onde vai ser servida as refeições. Se quiser, pode treinar os novos Patrulheiros no pátio.

Jaime guardou sua espada, satisfeito. Naquele momento, o quarto pareceu mais frio e escuro. Pois a noite é escura e cheia de terrores, quase conseguia ouvir a voz de Melisandre sussurrando em sua orelha, e sentiu um arrepio.

Notas finais
Espero que tenham gostado :3