Notas iniciais
Boa leitura!

– Senhor, um corvo chegou para você da Capital. — Disse Sor Ali, parecia um tanto perturbado. — Não há identificação.

– Curioso. Me dê.

Pediu Jaime, e sentou-se numa cadeira do grande salão de Rochedo Casterly, em frente à lareira. De quem pode ser?, se perguntou, enquanto abria a carta.

"A Rainha de Prata tem um novo conselheiro que pode ser do seu interesse. Um pequeno leão sem nariz conquistou sua confiança e agora a serve como Mão. Pensei que você gostaria de saber."

Jaime Lannister continuou olhando para a carta, estupefato.

– Tyrion? — Sussurrou para si mesmo.

Então ele está vivo, pensou, abrindo um sorriso. E ainda deve me odiar, completou e, com esse pensamento, seu sorriso foi desvanecendo de seus lábios.

Queimou a carta no fogo à sua frente, e observou enquanto ela virava cinzas, pensando o que faria com essa informação.

Sem saber como, se levantou da cadeira e se viu indo para o pátio, onde crianças e jovens aprendiam a usar a espada. Sabia que encontraria Brienne ali, e estava certo. Ela observava os jovens com um sorriso no rosto. Jaime não pôde de deixar de sorrir.

– Sente saudade de lutar? — Perguntou o Lannister, sentando-se ao seu lado. A dama de Tarth o olhou, seu rosto estava sereno.

– Um pouco. — Disse, dando um sorriso. — Ainda pratico, mas muito menos. Não posso fazer muito esforço.

– Sim. — Concordou o homem, levando sua mão até a barriga saliente da esposa. — Faria mal ao bebê.

– Eu sei. — Brienne deu um beijo rápido nos lábios do leão, e voltou sua atenção para os jovens lutando com espadas sem gume.

– Chegou uma carta para mim hoje, de Porto Real.

– Oh... Continue. — Brienne disse, voltando toda sua atenção para Jaime. Uma ruga de preocupação apareceu no meio de suas sobrancelhas, e o Lannister pegou sua mão.

– Não precisa se preocupar. — Pediu. — Não foi da Rainha. Na verdade, não tinha identificação. Mas foi Varys, tenho certeza.

– O espião? — Perguntou Brienne. — E o que dizia na carta?

– Tyrion é a nova Mão de Daenerys. Era isso que dizia. — Respondeu Jaime, sem saber o que fazer em seguida. Brienne abriu a boca, um tanto surpresa.

– Não sei o que dizer. — A mulher admitiu.

– Nem eu. Nem o que fazer, na verdade.

– Não faça nada. O que importa? — Perguntou Brienne. Sem perceber, apertou um pouco mais a mão de seu marido. Ela se apavora só com a ideia de eu voltar a mencionar o nome da Capital.

– Eu... Eu preciso vê-lo, Brienne. — Disse Jaime, relutante. — Ele é meu irmão. Ele provavelmente me odeia, mas preciso vê-lo.

– Mas a Rainha pedirá sua cabeça! — Respondeu a dama de Tarth, quase gritando. Seus olhos de safira estavam arregalados, quase implorando-o para ficar. — Não pode ir. — Pediu.

Vê-la daquela maneira partia o coração do leão. Não queria estressá-la.

– Eu vou, Brienne. Sinto muito. Eu voltarei, prometo.

– Não me pode fazer essa promessa. Você não tem certeza disso.- Ela tinha razão. Ele não podia prometer nada. — Se você vai, eu também irei.

– O que?! — Exclamou Jaime, embora não estivesse muito surpreso. Pensei mesmo que ela não iria comigo? Não é como as outras mulheres, que querem jóias ou vestidos de seda, refletiu, enquanto olhava para o semblante de Brienne. Minha mulher quer uma espada na mão e uma causa para acreditar e lutar por ela. Levou sua mão ao rosto de Brienne, não conseguindo evitar um sorriso.

– Esse sorriso quer dizer que você não tentará me convencer a ficar? — Perguntou a garota, sorrindo também.

– Não. — Jaime se recompôs, sério. — Você precisa ficar. Pense no bebê.

– Eu estou pensando. Mas estou pensando em você também. — Revidou Brienne. — Eu irei. Não importa o que você falar. Eu irei!

– Eu te amo, sabia disso? — Perguntou Jaime, rindo. — Deuses, como você é teimosa.

Brienne levou sua boca até a do Lannister, selando seus lábios. Começou um beijo apaixonado, e Jaime percebeu que, realmente, não conseguiria fazer essa viagem sem ela.