Notas iniciais
Boa leitura :3

A dama de Tarth se sentou na frente do pequeno espelho de seu aposento para examinar seu braço, aquele que foi mordido pelo Outro. Ao lembrar do momento, estremeceu.

Já estava quase curada. Havia um galo em sua cabeça, além do ferimento do braço, mas estava praticamente boa.

Tocou sua nova cicatriz de leve, e sentiu a pele um tanto fria no lugar, mas não havia mais dor. Será que minha pele machucada nunca mais ficará quente?, se perguntou.

A porta de seu quarto de abriu, revelando o velho Meistre que havia cuidado dela.

– Bom dia. — Disse a mulher, dando um sorriso cansado.

– Olá, Senhora Brienne. Tenho algo para te dizer... — Começou o homem, e a Beleza de Tarth sentiu seu coração gelar. Será que Jaime morreu?, foi a primeira coisa que conseguiu pensar. Queria interromper o homem e perguntar, mas tinha muito medo da resposta. Sua visão já estava turva e sentiu que ia chorar. Respirou fundo e se obrigou a ter calma. — Jaime vai viver. — Concluiu, por fim.

E então, Brienne começou a chorar, mas de felicidade. O Meistre ficou parado, com a expressão indecifrável, esperando que seu ataque histérico passasse. A garota limpou suas lágrimas, rindo, e perguntou:

– Posso vê-lo?

– Ele ainda está desacordado. Mas ele está completamente curado, Senhora.

– Como? — Quis saber a dama.

– Não sei. — Respondeu o Meistre, claramente desconfortável e confuso. — Da noite para o dia, sua febre e calafrios passaram. E eu examinei sua barriga, não há nem ao menos um vestígio de que algum dia foi perfurada por uma lança. É realmente... sinistro. Inexplicável.

Brienne se sentiu tão confusa quanto o homem. Como isso é possível?, se perguntou. Mas não se permitiria ser cética. Sabia que, quando seu marido acordasse, ele teria a resposta para todas as suas perguntas.

– Obrigada por me avisar, Meistre. — Disse a dama, por fim. — Quando ele acordar, me chame. — Pediu, e o homem assentiu com a cabeça, saindo do aposento em seguida.

Brienne não conseguia tirar seu sorriso do rosto. Riu sozinha na frente do espelho e se levantou. Se sentia revigorante.

Foi até o aposento de Jaime, e o encontrou desacordado, como o velho Meistre disse. Chegando perto, viu que sua respiração estava regular, e seu semblante tranquilo. Selou seus lábios aos dele suavemente, e saiu do quarto em seguida, indo em direção ao pátio de Castelo Negro.

– Ei, Brienne! Venha treinar com Tormund, o terror das rameiras. Há!

A moça se virou para encarar o selvagem ruivo e sorriu. Estava começando a gostar da presença do homem.

– Pronto para perder? — Brincou Brienne, enquanto buscava sua espada de madeira.

O que a dama de Tarth mais gostava nos selvagens e, principalmente em Tormund, é que eles não a subestimavam. No seu povo, é muito comum existir mulheres que lutam junto com os homens. Brienne tinha que admitir que admirava mais o povo selvagem do que o povo que habitava Westeros.

– Eu que te pergunto. — Replicou Tormund.

– Só não me acerte na barriga. — Pediu Brienne, olhando nos olhos do selvagem. Viu um brilho confuso em seus olhos, mas pareceu logo se lembrar de como a Beleza de Tarth andava enjoada.

– Está grávida? — Brienne assentiu com a cabeça, confirmando. Sentiu sua bochecha corar. Tormund deu um sorriso de orelha a orelha. — Parabéns, garota.

Ao começarem o duelo, muitos homens da Patrulha da Noite e selvagens vieram ver. Brienne percebeu que eles começaram a fazer apostas, e ficou feliz em ver que muitas selvagens apostaram nela.

– Acaba com ele! — Gritou uma das mulheres, dando uma gargalhada.

Se concentrou em seu adversário. Diferente dos outros homens com quem lutara, Tormund não a subestimava, portanto a atacava com cautela, como se realmente fosse uma inimiga perigosa.

Mas, mesmo assim, Brienne usou suas táticas. Deixou Tormund atacar a primeira vez, bloqueando rapidamente seu golpe. Vou deixá-lo cansado, e depois atacarei, decidiu.

Na terceira investida do selvagem, o mesmo a acertou. O selvagem não usava armadura, e Brienne usava apenas um corsolete feito de couro que protegia somente seu tronco, portanto o impacto da espada pesada de madeira em seu braço machucou um pouco, mas a dama de Tarth não ligou.

Bloqueou mais quatro ataques do homem, e no quinto, Tormund pareceu que ia acertar em sua barriga, mas então seus olhos se arregalaram como se lembrando do pedido de Brienne, e desviou. Mesmo assim, conseguiu acertá-la na canela, fazendo a garota se desequilibrar momentaneamente.

Vendo que o homem estava ligeiramente cansado, Brienne fez seu primeiro ataque, que foi logo bloqueado. Tormund a acertou mais algumas vezes, e a dama de Tarth conseguiu também acertar o selvagem, só que menos vezes do que gostaria.

Então a garota viu que estava enganada. Tormund não estava nada cansado. Olhou em seus olhos, tentando decifrar seu próximo movimento. Ele sabe minhas táticas. Fingiu estar cansado para eu atacá-lo, percebeu, impressionada. Visto seu erro, Brienne não poderia voltar para a defensiva. Continuou atacando o selvagem, e o mesmo continuou bloqueando suas investidas.

Em seu próximo golpe, Brienne cometeu um erro. Levantou a espada para acertar perto da clavícula do selvagem, deixando assim uma brecha para atacá-la. Tormund desivou rapidamente de seu golpe e, ao mesmo tempo, se jogou contra a Beleza de Tarth, sem tocá-la na barriga. A mesma caiu no chão, com o selvagem em cima dela.

Tormund levou sua adaga, de aço de verdade, até a garganta de Brienne e parou naquele instante, fitando-a nos olhos, sério e sombrio. A dama de Tarth segurou sua respiração, intimidada e com medo. Eu não conheço esse homem, pensou pela primeira vez. Ele é um selvagem. Ele pode realmente me matar.

Aqueles segundos em que se olhavam, Brienne quase sentindo o aço tocar sua garganta, ouvindo seu coração palpitar em seus ouvidos, pareceram eternos. Em seus olhos de safiras, podia-se claramente ver que ela estava com medo. Por que?, quis perguntar ao selvagem, mas não saia nenhuma voz de sua garganta.

E então, Tormund cortou seus pensamentos com uma gargalhada.

– Parece que você está morta, há! Tormund, terror dos gigantes não é derrotado por ninguém. — Se levantou, estendendo a mão para a moça.

– Não era terror das rameiras? — Perguntou, sua voz ainda um pouco trêmula, enquanto tirava a terra de suas roupas.

– Eu tenho muitos nomes. — Explicou Tormund, divertido. — Terror das rameiras, dos gigantes, fodedor de ursos. Há!

A garota não conseguiu evitar uma gargalhada. Agora seu medo havia passado por completo. Se sentiu mal por duvidar de Tormund.

– Brienne. — Uma voz grossa e conhecida a chamou. A mesma se virou para encarar Jon Snow, sério como sempre. — Jaime Lannister acordou.

O coração da Beleza de Tarth pareceu parar por alguns segundos. Seus olhos azuis se dilataram, e sua boca ficou levemente aberta. Deu um sorriso e correu para os aposentos de seu marido.

Notas finais
E então, gostaram? Comentem, por favor ^-^