Oathkeeper II
17 Brienne
O frio na Muralha era algo que a Beleza de Tarth nunca havia experimentado antes. Já esteve lá, no dia que matara Stannis. Mesmo depois de tanto tempo, nunca esqueceria o olhar assustado que o irmão mais velho de Renly fez ao ver que estava morrendo, e o brilho em seu olhar azul escuro desaparecendo aos poucos. E Brienne adorou. Por você, Renly, faria isso mil vezes, se pegou pensando. A dama de Tarth não amava mais seu legítimo Rei da maneira que um dia amou, mas havia respeito, carinho e saudade pelo mesmo.
– Quem vem lá? — Um homem todo de negro, com sua mão direita apoiada no cabo da espada, perguntou.
A Beleza de Tarth parou o cavalo na frente do homem da Patrulha da Noite.
– Brienne de Tarth. — Respondeu. Só então ela reconheceu que, o homem que estava parado na sua frente, era o bastardo de Ned Stark. Sorriu para ele. — Creio que não se lembra de mim, Senhor Comandante.
– Sim, eu me lembro. Eu te ajudei a fugir para poder resgatar minha irmã Sansa. — Jon Snow respondeu imediatamente. — E então? Ouvi sussurros que diziam que existe uma nova Rainha do Norte. Mas não ousei acreditar. — Respirou profundamente, olhando nos olhos de safiras de Brienne, analisando-a. — Você é a única que pode me dizer a verdade.
Brienne lambeu suavemente os lábios antes de responder. Olhou para os lados, afim de se certificar que não havia ninguém a escuta. E olhou nos olhos negros de Jon Snow e o analisou. Ele nunca prejudicaria a irmã, decidiu.
– Senhor, o que eu irei te dizer agora é para ser mantido em segredo. — Disse, cautelosa.
– Eu nunca revelaria qualquer plano ou posição de minha meia-irmã, Senhora. Eu estou ciente disso.
Brienne o analisou por mais alguns segundos, até que assentiu suavemente com a cabeça.
– Sansa foi nomeada a nova Rainha do Norte. Imagino que queira vingar a família. Os Lannisters... Talvez estejam em perigo. — Disse Brienne, sentindo um aperto no coração. Os demais leões não tem culpa pelo que Tywin, Joffrey e Cersei fizeram à sua família.– Menos Jaime. Eu sei que Sansa nunca faria mal a Jaime.
– E porque não? — Perguntou Jon, erguendo sua sobrancelha direita.
– Porque ele me ajudou a resgatá-la. — Disso, Brienne tinha certeza. Sansa era uma moça honrada. Igual a mãe e o pai. Não fará nenhum mal ao Jaime, eu sei disso.
– Bom, — começou Jon — creio que está aqui para falar com Jaime Lannister. Estou certo?
Imediatamente, Brienne de Tarth começou a corar.
– É... Sim, Senhor. É isso mesmo. — Respondeu sem jeito. — Onde posso encontrá-lo?
– Você deve estar cansada. Arranjarei um aposento para a Senhora, e mais tarde pedirei ao Lannister para ir até você.
Brienne sorriu, aliviada.
– Obrigada, Senhor Comandante.
– Siga-me.
Brienne desceu do dorso do cavalo e o entregou a um homem que veio prontamente quando Jon Snow chamou. E então, a dama de Tarth o seguiu até o Castelo Negro, onde vários olhares masculinos a seguiam também, junto com piadas de mal gosto e risadinhas.
– Ei, Senhor Comandante! — Gritou um dos homens. — Não sabia que estávamos aceitando mulheres agora. Se é que podemos chamar isso de uma! — E os outros dois que estavam ali presentes caíram na gargalhada.
Brienne fechou os olhos e respirou fundo. Jon Snow deu um olhar de relance para a mesma, e se virou para os seus homens.
Ao vislumbrarem o semblante sério do bastardo, os risos foram cessando rapidamente. E então, Jon Snow chutou o saco do homem que a havia insultado. O mesmo caiu no chão, gritando de dor. Os demais ora olhavam para seu amigo, ora para seu comandante, ambos assustados e de olhos arregalados.
A Beleza de Tarth conteu um sorriso.
– Vocês devem respeitar todas as mulheres, homens e crianças que estão aqui. Vocês são homens da Patrulha da Noite, ou palhaços? — Perguntou sério.
– Me perdoe, senhor. — Pediu o homem que ainda estava caído no chão. Estava lacrimejando de dor.
Jon Snow não respondeu, apenas se virou novamente para Brienne e prosseguiram caminho.
– Obrigada, Senhor. — A garota disse, quebrando o silêncio. — Mas não preciso que me defenda.
O bastardo de Ned Stark deu um pequeno sorriso.
– Eu sei. Mas esse é o meu dever, Senhora. — Jon abriu uma porta de madeira. — Aqui está. Não é muito grande, mas há uma lareira já acesa. Sinta-se a vontade para ficar o quanto tempo quiser.
Brienne sorriu e assentiu.
– Obrigada, Senhor Comandante.
– Gostaria de perguntar, antes de ir. — Começou Jon. — Poderei contar com a sua espada, caso esteja aqui no momento da guerra contra os Outros?
Brienne analisou aqueles olhos negros e frios. Estremeceu. O garoto parece ter perdido pessoas demais em pouco tempo. Não há calor em seu olhar, muito menos compaixão. A garota se ajoelhou, tirando sua espada, a Cumpridora de Promessas, da bainha e colocando na frente do homem.
– Meu Senhor, enquanto estiver em sua Muralha, minha espada e minha vida são suas.
– Obrigado, Brienne. Levante-se, por favor.
A dama de Tarth obedeceu, fez uma reverência e entrou em seu quarto. O aposento estava quente, e a garota agradeceu aos deuses por isso.
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Após o que pareceu séculos para a Beleza de Tarth, a porta de seu aposento abriu. Uma brisa gelada entrou, e Brienne estremeceu, sentando-se na cama e se abraçando. Usava um vestido pesado e sem decote azul, com o símbolo de sua casa no peito.
Reconheceu a silhueta que aparecia na porta e prendeu a respiração. Oh, Jaime. Me perdoe, queria dizer, mas as palavras pareciam dar um nó em sua garganta.
O leão fechou a porta atrás de si e a corrente de ar cessou, mas o quarto continuou frio para a dama de Tarth.
– Brienne... — Disse Jaime, sua voz rouca e seca, enquanto chegava perto da cama. Brienne se levantou imediatamente, fitando os olhos verdes do homem.
– Jaime... — Me perdoe, queria dizer. Tentou dizer. E mais uma vez, não conseguiu. Tudo que pôde fazer foi se atirar nos braços de seu marido e selando seus lábios aos dele, começando um beijo apaixonado que foi logo correspondido.
Jaime levou suas mãos até a cintura da Beleza de Tarth, envolvendo seus braços gelados no corpo quente da garota. A mesma entrelaçou seus braços no pescoço do leão, colando seu corpo o máximo que podia com o dele.
– Brienne... — Repetiu Jaime, ofegante, no meio do beijo. — Obrigado. — Selou seus lábios aos dela demoradamente, antes de fitar seus olhos. — Obrigado por ter vindo.
– Oh, Jaime. — A dama de Tarth sentiu seus olhos umidecerem. — Nunca deveria ter te abandonado. Me perdoe. — Disse, finalmente. Engoliu em seco antes de continuar. — Meu lugar é ao seu lado. Sempre será ao seu lado. Me perdoe. — Repetiu. — Me perdoe.
– Não há nada o que se perdoar. — Respondeu Jaime, dando um sorriso sincero. — Apenas fique ao meu lado até o meu último dia.
– Eu ficarei, meu amor. — Respondeu Brienne, voltando a selar seus lábios aos dele.
– Eu a amo. — Sussurrou Jaime no meio dos beijos, sua voz ofegante e sua pele começando a suar.
– Eu o amo. — Ela respondeu.
Logo deitaram na cama e, quando viram, estavam tirando a roupa um do outro. Jaime deslizava sua mão esquerda pelo corpo esguio da mulher, sentindo seus mamilos endurecidos, suas curvas e suas partes íntimas molhadas. Brienne não havia percebido o quanto sentia saudade daquilo.
Rapidamente, a dama de Tarth o jogou na cama, beijando-o ferozmente. Subiu no leão, fazendo-o se introduzir nela e sentindo-o. Gemeu alto, sem se importar com quem poderia ouvir. Estava se sentindo viva. A muito tempo não experimentava mais aquela sensação.
Os movimentos do quadril de Brienne eram rápidos e Jaime a acompanhava. A respiração de ambos estava ofegante e, apesar do frio na Muralha, estavam suando.
O leão deslizava sua mão esquerda pelos seios de Brienne, descendo pela sua barriga, sentindo suas curvas delineadas, enquanto a garota se apoiava no peito do mesmo. Trocavam sorrisos e palavras maliciosas, até que chegaram ao ápice juntos.
Brienne se deitou ao lado de Jaime, ambos ainda ofegantes. E então adormeceram, prontos para a guerra que estava chegando.
Morrerei por ele, se preciso, a garota se pegou pensando, embora não pela primeira vez, enquanto fitava seu marido dormir, observando sua respiração constante e tranquila, seu peito subindo e descendo. Meu coração é seu, pensou, enquanto acariciava a pele suave do rosto de Jaime. Minha espada é sua, minha vida é sua. Deitou no peito do leão, fechou seus olhos de safiras e também adormeceu. Sonhou com Jaime e com os filhos que gostaria de ter tido com o mesmo.
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