Oasis

23 Nunca.Mais.Olhe.Na.Minha.Cara


Notas iniciais
E aí, galera? Desculpem a demora e desculpem por ainda não ter respondido os comentários. Ainda vou responder tudinho! Foi mal mesmo. Peço mil perdões. Mas eu também tenho vida fora daqui, então eu tenho algumas coisas pra fazer, haha. Enfim, espero que gostem desse capítulo super importante. E me perdoem pela demora, ok? Obrigado a todos vocês que continuam acompanhado essa história e saibam que eu não vou abandonar essa fic, mesmo que tenha alguns leitores que a achem meio repetitiva!

Suspirei. A vida só podia estar querendo mesmo me foder! Ou eu tinha alguns amigos bem filhos da puta. Não importa qual opção seja o resultado é o mesmo.

Como eu pude aceitar isso?!

Acho que corri demais com os fatos. Depois daquela pegação no sofá, Grey não esperou nem um segundo pra se livrar de mim e dar uma desculpa pra ir embora. Eu deixei. Não podia fazer nada se ele fugia de mim.

Passei a tarde inteira deitado no sofá enquanto jogava videogame. Não tinha mais nada pra fazer e aquele console maravilhoso me distraía do assunto: Expulsão.

Porém foi lá pelas seis da tarde que aconteceu. Meu celular na mesinha de centro começou a tocar e a vibrar. Estiquei-me o necessário e vi na tela que era Caio.

O que era estranho porque o loiro quase nunca me ligava.

– Oi viado – Atendi enquanto jogava minha cabeça no encosto do sofá.

– E aê puta? – Disse ele rindo. Estranhei. Parecia estar um pouco alterado.

– ‘Tá afim de cair na night? Eu e o Eri vamos pra uma boate e achamos que seria uma boa pra te animar.

– Pô cara, ligou na hora certa – Sorri. Aposto que uma noite com os garotos me tiraria da merda que estava sendo aquele dia.

– Eu ‘tô de carro. Te pego aí nove horas, beleza?

– De boa.

Levantei-me e fui pra cozinha encher o estômago antes de voltar para o sofá e jogar mais um pouco até que desse umas oito horas. Quando deu o horário, fui tomar um banho e colocar uma roupa que me deixasse mais gostoso.

Quando ainda estava calçando o tênis, escutei a campainha lá embaixo. Apenas desci correndo, peguei as chaves e passei pela porta depois de gritar um: “tô indo, mãe”.

Ela nem se preocupou em estipular a hora que eu deveria voltar. Sabia que não adiantaria de nada, pois quando me divertia perdia a noção do tempo.

Entrei dentro do carro e cumprimentei aqueles dois gays que estavam no banco da frente. Não fazia nem ideia de onde eles estavam me levando, uma vez que nenhum deles quis me contar.

Paramos em frente uma casa noturna muito movimentada, até demais pra um dia de semana. A fila estava enorme e o barulho da música eletrônica que tocava lá dentro era muito alto. Sorri.

Tinha muitas meninas bonitas na fila. Mesmo que eu não quisesse me envolver muito, já que estava longe de querer arrumar mais problemas, alguns rolos de leve não me faria mal.

Até aí estava tudo legal. Tudo de boa. Quando entramos e fomos para o meio de todo aquele pessoal dançando e se pegando que percebi...

– Porra, seus enrustidos do caralho! – Gritei.

Não acreditava que aqueles idiotas tinham feito isso.

Vi um sorrisinho irritante crescer no rosto do Caio e Eric tentar segurar o dele. Ah, mas eles iam me pagar caro por isso. Nunca imaginaria que iria acabar nesse tipo de situação.

– O que foi? – O loiro se fez de cínico.

– Como vocês me trazem numa boate gay?! – Estava boquiaberto.

– Qual o problema? A gente também não é “gay” – Eric interviu.

– Então como explica vocês dois? – Não ligava se estava pegando pesado.

– Ah, cala a boca. Se for amarelar, a porta é ali – Apontou para a saída.

– E a gente... Temos só curiosidade – Disse o moreno enquanto olhava para os lados.

Não tinha fé naquela resposta. Não acreditava que aquela “relação” era apenas curiosidade pra ele, mas não podia falar o mesmo do loiro.

– Vamos dançar. Aproveita e vê se tu se resolve – Acho que tinha irritado aquele cara de alguma forma. Até porque sabia muito bem do que ele estava falando.

Ah, qual é. Eu tinha minha sexualidade muito bem resolvida...

Provavelmente.

Suspirei. Quem sabe algo de bom não saía dali? E eu também não daria o gostinho de ser um amarelão para aquele loiro aguado. Esgueirei-me entre aquelas pessoas e fui me sentar num cantinho, aonde tinha um bar.

Pedi uma bebida para a atendente gostosa que estava ali e fiquei de olho naquele corpinho até que outra mulher chegou dando uns pegas nela. Que merda. Não dava pra esquecer que eu estava numa boate LGBT.

Ela me entregou a bebida e sorriu. Não pude conter um em resposta. Fiquei ali enchendo a cara por um tempo até que senti uma mão no meu ombro e alguém se sentando ao meu lado.

Achei que fosse um conhecido, mas não. Era um loiro pequeno dos olhos negros que sorria em minha direção. Mesmo na escuridão da boate, podia ver seus olhos meio vermelhos.

– Tu aceitaria se eu te pagasse uma bebida? – Perguntou sem tirar aquele sorriso. A sua voz era doce e fofa.

Acho que fiquei com cara de bobo. Nunca um cara tinha dito isso pra mim e... Porra, eu estava numa boate gay. Ele está tentando me cantar?

Pensei um pouco. Isso não me mataria, não é? Não teria problema em dar uma chance pra ele. Talvez assim eu pudesse entender melhor algumas coisas.

– Eu aceitaria te pagar uma – Sorri.

– Nossa, achei que ia me dar um fora – Deu uma risadinha.

– Tô aberto a novas experiências.

– Isso me inclui? – Disse num tom malicioso.

CARALHO! Ele estava mesmo me cantando!

– Talvez – Não seria um idiota com ele – Logan – Me apresentei.

– Dani.

– Amor – Chamei a atendente – Traz mais duas pra mim – Sorri galanteador.

– Tu é muito reservado, cara – Ironizou.

– Você acha? – Sorri – E o que ‘tá fazendo aqui, sozinho?

Queria saber porque alguém tão bonitinho como ele ainda não tinha arrumado ninguém. A menina chegou com as bebidas.

– ‘Tô contigo agora – Mordeu o lábio inferior.

Ah, mas esse cara ‘tá mesmo me curtindo?

– É – Tomei tudo que estava no copo de uma vez e estendi minha mão para o loiro – ‘Tá afim de dançar?

– ‘Tava só te esperando pedir – Pegou minha mão.

Puxei-o para o meio da galera e ficamos muito próximos. Eu queria saber. Precisava saber se eu também curtia o sexo masculino. Ou era isso ou era uma atração anormal por aquele russo arisco.

Podia sentir o cheiro de perfume dele e enquanto dançávamos aquele cheiro se misturava com o suor do seu corpo. Começava a ficar quente e Dani estava sempre chegando mais perto.

Não aguentei. Tirei a blusa e pendurei na calça. Senti as mãos pequenas do loiro no meu ombro, descendo e indo explorar meu abdómen. Estavam geladas. Cheguei um pouco mais perto.

Estávamos praticamente colados e a multidão apenas fazia com que nós tivéssemos que ficar ainda mais juntos. Coloquei as mãos na sua cintura e ficamos nos mexendo em um ritmo lento que não tinha nada a ver com a música.

– Tu não é muito novo pra estar aqui? – Tentei quebrar o clima dizendo algo. Mas era muita hipocrisia da minha parte, já que eu tinha acabado de fazer dezoito.

– O que?! – Ele não tinha me ouvido por causa do barulho, então me inclinei e sussurrei no seu ouvido – Tu acha? Eu tenho vinte e três.

– Porra – Deixei escapar – Nem imaginava.

– Será que você vai me beijar agora? Ou tenho que tomar a iniciativa? – Parecia alterado pela bebida.

Arregalei os olhos. Que porra. O que eu faço agora?

Vou tentar. Assim eu posso descobrir qual das opções é a verdadeira, não? Desci o rosto. Quando estava quase lá, senti um braço pesado no meu ombro.

– Mas que isso, porra – Ouvi uma voz feliz até demais.

Endireitei-me e olhei para trás. Caio estava tão alterado que até podia ser visto no seu rosto. Eric estava atrás, só observando calado, como de costume.

– Que foi? – Porque tinha que me atrapalhar, seu filho da puta?

– Sabia que não ia aguentar ficar sem pegar alguém – Provocou.

– Cara, tu ‘tá muito chapado – Tive que rir.

– Nem ‘tô. Quer ver? Eu ainda sei beijar direitinho – Virou seu rosto pra perto do meu e tentou me beijar.

Empurrei seu corpo pesado e joguei-o contra o moreno.

– Ele ‘tá drogado?

– Não sei. Tirei meus olhos um segundo e ele ‘tava assim – Respondeu Eric – Vamos dançar, Cai.

– ‘Tá – Deu um beijo na bochecha do menor e olhou pra mim – Mas não esquece a camisinha.

Sorriu malicioso e virou-se para sair dali junto com o outro. Olhei para Dani que estava meio vermelho por causa da menção ao sexo. Então ele não era tão ousado assim.

– Foi mal pelo meu amigo.

– Deixa pra lá – Sorriu.

– Quer continuar? – Voltei para mais perto dele.

– Achei que nunca ia perguntar – Mordeu o lábio.

Ficamos nos encarando por um tempo até alguém ter uma iniciativa e quem fez isso fui eu. Cheguei mais perto, colando nossos corpos definitivamente.

Coloquei a mão no seu pescoço e encostei nossos lábios. Fechei os olhos. Pedi passagem com a língua e ela foi concedida de primeira. Estranhei. Foi sempre tão fácil assim? Cadê a resistência?

Não sinto o cheiro de morangos e bebês.

Abri os olhos. Por um momento esqueci que não era o Grey ali. Era o Dani. Tentei continuar, porém senti suas mãos meio desesperadas em tocar o meu corpo. Não estava certo.

Sou um puto, mas não está dando certo. Não estou sentindo nada demais.

É claro que eu ficaria meio animadinho. Sou filho de Deus também, porra. Porém não conseguia tirar um russo da cabeça. Qual era o meu problema?

Acabamos largando o beijo no mesmo momento. Ele também parecia não estar satisfeito com alguma coisa e eu sabia que não era comigo. Eu também estava. Quem eu queria não estava ali.

– É, isso não vai dar certo – Dani disse.

– Concordo. Não dá pra te beijar pensando em outro – Sorri amarelo e cocei a parte de trás da cabeça.

– Amigos?

– Claro.

Voltamos para o bar e ficamos conversando um pouco. Descobri que o loiro adorava artes marciais, mas não tinha coragem de praticar por se achar muito pequeno. Além disso, era muito parecido comigo em personalidade.

Tínhamos vários gostos em comum, então não foi difícil esquecer as horas passando. Trocamos os números quando ele disse que tinha que ir embora. A faculdade de engenharia exigia muito.

Decidi procurar pelos meninos mesmo naquele lugar infestado de gente. Já estava tarde e eu estava de carona. Passei por todos os lugares e nada de acha-los. Porra, onde se meteram?

Por fim, achei Eric, mas o mesmo estava sozinho. Estranhei.

– Porque tu ‘tá sozinho? – Fiz uma cara de desconfiado.

– O Cai sumiu tem um tempo – Sua cara demonstrava preocupação.

O que era normal já que seu “amigo” estava naquelas condições.

Fomos procurá-lo e nada de achar o loiro alto. Passamos por um corredor escuro e ouvimos alguns gemidos. Algo ali chamou a atenção de Eric e quando percebi o que era... Gelei.

Porra, agora era que estava tudo fodido.

Vi o moreno andar quase marchando de tão duro e ir até um cantinho daquele lugar. Caio estava aos beijos com outro garoto, esse também moreno e baixinho, mas de cabelos espetados.

Eric puxou o maior pelos cabelos. PELOS CABELOS! Fiquei abismado com a força do menor contra alguém mais alto e mais encorpado. Caio demorou um tempo até entender o que estava acontecendo.

– O que é isso? – Foi a única coisa que Eric conseguiu perguntar.

– Beijo? Seria sexo se não tivesse me interrompido – Respondeu o loiro.

Arregalei os olhos. Ele não tinha falado isso!

O cara estava super mal e falando tudo embolado. Estava muito bêbado ou muito drogado. O outro garoto só ficou olhando com cara feia por ter sido interrompido.

– E onde eu fico nessa história? – Perguntou o moreno.

– Eu te disse que tu não é meu namorado, Eric. Não tenho nada com você.

– Vai se foder – E deu um soco bem dado na cara do outro.

Um soco bem merecido. Como Caio pôde ser tão idiota?

Acho isso muito bom. Depois de tudo, ele ainda tinha coragem pra dizer uma coisa dessas? Não acreditava nisso! Eu sou um idiota, mas nem tanto que nem ele está sendo nesse momento.

– O que você acha que ‘tá fazendo? – Gritou.

– Te dando o troco – E veio em minha direção.

Não estava entendendo nada e... PORRA.

Ele me beijou. Puxou minha cabeça pra baixo e encostou nossos lábios, pedindo passagem com a língua numa avidez que nunca tinha visto antes. Esse era o resultado do desespero.

Coloquei a mão na cintura dele e deixei que me beijasse. Não senti muita coisa. Era meu amigo. Porém eu o ajudaria em provocar ciúmes no Caio. Ninguém mandou ser tão filho da puta.

Eric foi me puxando pra parede, me fazendo prensa-lo contra a mesma. Senti suas mãos nos meus cabelos e apenas deixei. E continuaria se não sentisse alguém me puxando bruscamente pra longe dele.

Vi Caio vindo com o punho fechado em minha direção, mas o moreno entrou na minha frente e recebeu o soco, que pegou bem no seu nariz que começou a sangrar. Vi o loiro arregalar os olhos.

– Você... Você ‘tá defendendo ele? – Esbravejou.

– Fui eu que beijei o Logan, você viu – Cuspiu o sangue.

Nesse momento, o cara que estava se atracando com o loiro já tinha sumido dali. Ninguém estava a fim de apanhar ali. Caio suspirou e olhou o menor com raiva.

– Quer saber? Eu nunca te devi nada. Fico com quem quiser e como quem eu quiser.

– Então também não se intrometa nos meus assuntos – Falou grosseiramente, mas do lugar onde eu estava podia ver que mordia os lábios de nervoso.

Olhei com uma cara de reprovação para o loiro que apenas me olhou do mesmo jeito de volta. Não tinha culpa se o outro tinha me beijado e deixaria isso acontecer de novo se fosse pra ele deixar de ser idiota.

– Olha que eu não ligo se você é meu amigo de infância – Gritou.

– Muito menos eu.

– Duvido. Foi você quem quis isso! Você quem começou – Parecia confuso e ia abaixando o tom de voz.

– E eu vou terminar – Deu outro soco no rosto do loiro – Nunca. Mais. Olhe. Na. Minha. Cara – Falou com o timbre mais alto que possuía.

Virou-se para a saída daquele lugar e saiu de lá puxando a minha mão. Estava andando no ritmo mais rápido que podia. O carro era do Caio, então saiu correndo para o ponto de táxi mais próximo.

Quando estávamos quase chegando, pudemos ouvir a voz do loiro nos gritando alguns metros atrás, mas nesse momento um carro chegou e entramos numa velocidade digna de quem não quer ver alguém.

Suspirei e dei o endereço para o motorista. Olhei para o lado e vi lágrimas descendo do rosto branco do menor. Suspirei novamente. O que fazer nessa situação?

– Deita aqui – Ofereci meu colo e Eric fez o melhor que pôde para se ajeitar ali.

Continuou quieto e chorando até que chegássemos em casa. Na minha casa. Não iria deixa-lo sozinho. Vai que o maluco tenta fazer alguma coisa errada?

Nesse meio tempo, não pude deixar de perceber os olhares de asco e nojo que o motorista nos mandava de vez em quando. Era assim mesmo. Porque muitos diziam que os gays eram o lixo da sociedade?

Os doentes?

Os que iriam para o inferno?

De todos os que eu conhecia... Nenhum deles era doente, muito menos nenhuma dessas características. Eram apenas pessoas normais, tentando ser felizes do melhor jeito que conseguiam. Isso era muito errado?

Isso é algum pecado?