Oasis

28 Horrível


Notas iniciais
Olá, gente. Espero que gostem desse capítulo porque, a partir de agora, as coisas começaram a mudar!

Nem lembro o que foi a primeira coisa que eu pensei, mas com certeza deveria ter sido algo sobre eu ser um imã de problemas.

Mas, sei lá, acabei concluindo que o culpado era ninguém além do próprio Logan.

Nem sabia o que falar. Fiquei encarando a cara de Alice por um tempo, praticamente vendo o seu rosto mudar de cor conforme a raiva ia aumentando. Ela olhava de mim para Grey, que estava no mesmo estado de fúria.

E a culpa era minha, novamente.

Suspirei, sem saber o que fazer. Cocei a nuca, meio envergonhado. Aquela não era a primeira vez que alguém tinha me pegado fazendo coisas assim, mas a situação era constrangedora e denunciava minha falta de compromisso.

Afinal, eu tinha chamado Alice ali para recompensar pela ajuda de mais cedo. Porém, como sempre, eu tinha que perder o controle e fazer algo de errado. Por um momento, até considerei a proposta da Iris sobre voltar a fazer o tratamento.

Mas lembrar de tantas sessões, que apenas faziam tudo ficar pior, não era exatamente o que eu queria. Eu não me importava de não ter compromissos, de ser um idiota, não se isso me poupasse de passar por aquilo de novo.

O russo não parecia querer se envolver de jeito nenhum e, no instante seguinte, já tinha fugido dali. Vi que Alice abria a boca muitas vezes, querendo dizer algo, mas não encontrando as palavras certas.

Por um momento, me senti um pouco chateado. Até porque, se fosse de acordo com o que ela dizia, eu era o pai daquela criança e, mesmo alegando querer tomar responsabilidade, tudo que eu fazia apontava para o contrário.

– Você é horrível e não quero nosso filho perto de você – Ela disse simplesmente, se virando para sair e me deixando parado no meio do banheiro. Sozinho.

Pensando nisso, comecei a ficar um pouco desesperado. Algumas coisas foram voltando para minha mente. Entre elas, algumas que eu já não pensava fazia tempo. E, depois de uns minutos, comecei a ficar assustado.

Fui até o espelho, olhando a minha imagem e repetindo o nome da rua da minha casa sem parar. Fechei os olhos, agarrando o meu cabelo e tentando não perder a imagem que eu sempre usava como referência.

Ajoelhei no chão, encostando a cabeça em minhas mãos que estavam apoiadas na pia. Sentia meu estômago embrulhar e minha respiração ficar acelerada. E isso era justificável. No final de tudo, eu me sentia mesmo horrível.

Sentia mesmo, por um momento, que meu filho não deveria ficar perto de mim.

Não era certo o que eu fazia. Usar sexo como válvula de escape, usar as pessoas. Eu nem mesmo me lembrava com quantas pessoas eu tinha transado. Não sabia como lidar com que eu sentia.

E era verdade que eu estava sempre fugindo. Porém era o único jeito que eu sabia para lidar com tudo isso.

Respirei fundo, tentando me acalmar. Eu precisava dar um jeito naquilo. Tinha que crescer e ser responsável por todas as merdas que eu tinha feito. Levantei e joguei uma água no rosto. Saí do banheiro e fui me encontrar com o pessoal, tentando fingir que estava tudo bem.

Quando cheguei a nossa mesa, dona Carolina estava com uma expressão de que iria me matar. Chegou bem perto, puxando minha orelha e me fazendo sentir pior do que eu já estava. Gemi em frustração e revirei os olhos.

– Não faz essa cara pra mim – Advertiu – Sinceramente, você não pode ficar fazendo isso com as pessoas. A Alice, mesmo que eu não goste dela, você bem sabe, saiu daqui tão alterada. Posso falar o mesmo do Grey. Você não tem jeito, Logan? – Disse olhando no fundo dos meus olhos, fazendo aquela pergunta muda que sempre fazia e que era pior do que tudo.

O que ele iria achar da pessoa que virei?

Desviei os olhos, incomodado. Os meus amigos todos já tinham vazado a essa hora. Meu pai me olhava daquele jeito. Aquele jeito que os filhos odeiam. Começou a juntar as coisas e virou para minha mãe, sério.

– Vamos embora.

Eles foram em frente e eu já sabia o quanto ouviria quando chegasse em casa. Andei desanimado até o carro e, quando cheguei, sentei-me escorado na porta enquanto prestava atenção no movimento das ruas pela janela.

Quando adentramos em casa, já fui “convidado” a me sentar no sofá. De frente para os meus pais. Me joguei ali, desleixado e querendo só subir para o meu quarto e dormir. Eles se olharam para logo prestarem atenção em mim. Depois de muito tempo, começaram a falar.

– As coisas não podem ficar assim – Começou minha mãe.

– A gente achou que ia dar certo, mas você não está bem. Não está conseguindo suportar. A gente sabe que os sonhos voltaram.

– A Iris...

Ela não podia ter contado!

– Então, ela já sabia? Eu sabia! – Acusou minha mãe.

– Mãe...

– Logan, você acorda no meio da noite pelo menos uma vez por semana. Seu comportamento está péssimo. Não torne tudo mais difícil – Meu pai suplicou com um olhar que me doía.

Afinal, eles também sofriam. Suspirei, sem saber o que fazer. Estava nervoso. Não queria voltar a fazer aquilo. Eu sabia que talvez era necessário, mas eu não queria. Aceitar isso seria dizer o quanto eu estava péssimo novamente.

Quando eu iria contestar e dizer os meus argumentos, o telefone tocou. Minha mãe foi atender, contrariada. Passou um tempo por lá e voltou com uma expressão bem ruim. Aquilo me deixou ainda mais nervoso.

– Acho que é melhor a gente ir para o hospital – Disse um pouco aflita.

– Mãe...

Fiquei receoso. Se ela estava tão agoniada como parecia e se precisávamos ir para o hospital, queria dizer que algo sério havia acontecido. E eu não queria passar por coisas assim de novo. Não de novo.

– Logan... – Ela disse tão séria que fiquei com medo pelo que viria a seguir – A Alice sofreu um acidente de carro enquanto ia de volta para casa.

O que? Não. Não... Não! Não podia ser. Olhei para Carolina com uma expressão distorcida. Era verdade que eu não queria nada com a Alice, mas não era como se eu não me importasse um pouco. Afinal, ela estava ao meu redor e era mãe do filho que eu ia ter.

Foi aí que percebi que a culpa era minha. Claro que era. De novo. Sempre era minha culpa. Se eu não fosse tão idiota, ela não teria saído tão transtornada do clube. Nem lembrava que ela já dirigia e que não tinha condições de voltar pra casa.

Abaixei a cabeça, pensativo. Me culpando. Nem sei como cheguei até o lugar onde ela estava e nem fazia questão de saber. Porra! Eu era um puta idiota e, além disso, não conseguia prestar atenção em mais nada.

Eu não queria estar passando por tudo aquilo de novo. A sensação que poderia vir com a perda.

Suspirei e fiquei mergulhado nos meus pensamentos até o momento em que um médico chegou e começou a conversar com os pais da menina acidentada. Eu nem mesmo tinha os visto ali e acho que eles nem perceberam minha presença.

Levantei, de súbito. Lembrei de algo importante que eu tinha que saber e que não poderia não perguntar ao profissional que estava ali cuidando do caso dela. Mesmo que os pais de Alice não soubessem do bebê, eu tinha que perguntar.

Coloquei a mão no ombro do homem mais velho e direcionei sua atenção pra mim. Caralho, como é que eu ia perguntar com todo mundo me encarando naquele corredor branco?

– Ela está bem? – Tentei começar a conversar.

– Felizmente, não corre nenhum risco de vida.

– Mas e o bebê? Ele ‘tá bem? – Demorei um pouco a questionar, mas consegui.

O doutor me olhou confuso, como se eu fosse louco.

– Sinto muito, mas o senhor deve ter se enganado – Disse calmo – De acordo com os exames de sangue que fizemos, não há nenhum traço de gravidez no organismo da paciente.

O QUE?

Olhei pra ele engolindo em seco, espantado. Como assim? Isso não podia ser verdade. Ela tinha me mostrado o teste de gravidez. Eu já tinha decidido que iria tomar a responsabilidade! Pensei seriamente sobre esse assunto!

Me culpei! E Alice até chegou a usar o nome do filho que não existia!

Como que tudo isso era mentira?!

Notas finais
Obrigado por todos que chegaram até aqui! Fico muito feliz!