OTH - Dias de Luta
6 Totalmente Sem Rumo
Notas iniciais
#Ellie
Ela ainda estava dormindo quando seu celular começou a tocar. Ellie acordou assustada, tateou a mesinha de cabiceira e encontrou seu LG ao lado da luminária. O nome de Davis estava gravado na tela e ela abriu a caixa de mensagens. Emergência: New Tric, agora!
Ela levantou-se rapidamente. O cenário a sua volta girava, sua cabeça doia horrores e a sensação de ser beijada por Logan ainda ecoava em sua mente. Ela queria ter continuado, tê-lo deixado levá-la as nuvens, como ela queria desde que chegara na cidade, mas tinha medo de se entregar a ele e, em seguida, ele correr para os braços de Jen. Ela esperaria por ele, sim, mas não seria para sempre.
Pegou no armário a primeira roupa que viu, jogou uma água no corpo, se vestiu e observou por um instante que Ben ainda dormia na cama ao lado, apesar das regras dizerem que não era permitido até essa hora.
Na cozinha, Jamie preparava a bancada com o que parecia ser ingredientes para algum tipo de bolo. Ele a pegou observando de longe e sorriu.
– Eu e Ben sempre fazemos essa torta de limão. Estou tentando animá-lo. Ele anda tão deprimido com a ida de Nat, que... espere! Está de saida? — perguntou, finalmente vendo-a arrumada e com uma bolsa pendurada no ombro.
– Sim. Davis me chamou. Disse que era urgente — explicou — Se quer animá-lo, não deixe-o faltar a escola para dormir o dia inteiro. Isso é horrivel. É o primeiro passo para uma depressão.
Jamie abriu a gaveta de remédios na cozinha e tirou uma caixa com aspirinas, jogando para ela.
– Está com uma cara horrivel — zombou. Ellie tomou um comprimido antes de sair.
Umas quadras depois e um forte cheiro de fumaça a atingiu. Sentindo seu coração doer, Ellie começou a correr em direção a New Tric, encontrando um grupo de fofoqueiros observando de onde a fumaça saia, de dentro da boate. Havia carro de bombeiros em volta e, bem perto do lugar, estava Davis, com os braços cruzados, ao lado de Logan, Jen e alguns bombeiros.
– Davis! O que aconteceu aqui? — ela sentiu seu coração disparando e o cheiro forte de fumaça dava-lhe vontade de chorar de tão forte — Como aconteceu isso?
– A senhorita é a proprietária, Elizabeth Scott? — quando ela confirmou com a cabeça, sem conseguir abrir a boca, o bombeiro continuou — Bem, ninguém se machucou, srta. Scott, mas parece que alguém quis atingir a senhorita. Se esse jovem... — ele apontou para Davis — Não tivesse nos chamado a tempo, o lugar não existiria mais.
– Espere! Como assim, alguém quis me atingir? Não foi um acidente? — perguntou. Seu coração ainda disparava, mas uma mão forte e carinhosa segurou sua mão, fazendo-a se sentir mais segura.
– Há indicios de que foi bem intencional. Não sabemos se queria machucar alguém de dentro ou só destruir seu meio de trabalho, mas queriam afetar a senhorita, é fato! Tem recebido algum tipo de ameaça, seja pelo que for? Precisamos contactar a policia — ele explicou.
– Não, não recebi ameaça nenhuma... ainda. Por favor! Tem como reconstruir o local? Era da minha irmã e eu não queria que... — ela não conseguiu continuar.
– Sim, vai precisar de uma boa pintura e reforma, mas, como eu disse, esse rapaz nos chamou a tempo — o bombeiro se afastou, foi quando ela se deu conta de que ainda seguravam na mão dela, mas quando Davis se afastou, ela percebeu que aquela mão carinhosa era de Logan, o que a fez soltá-lo rapidamente.
– Eu só queria... — ele dizia, quando percebeu que Jen olhava para eles como se quisesse estrangulá-los.
– Diga a ela, que se continuar me olhando assim, posso deixar escapar que ela teria bons motivos para tentar me assustar. Controla o seu bichinho, Logan, ou eu controlarei — Ellie se afastou dele, relembrando da forma como ele a tocara ontem a noite, como ele a olhara com paixão e a beijara com ternura, mas ela não podia seder a seus instintos, não agora. Ela tinha que pensar no legado da Sawyer, que estavam tentando destruir.
Ellie entrou no prédio, vendo as paredes chamuscadas, o bar já não existia mais, assim como o palco e os letreiros brilhantes nas paredes. Davis apareceu logo atrás dela, colocando a mão sobre seu ombro.
– Eu estava indo para casa, quase chegando, quando lembrei que não fechei a porta dos fundo. Deve ter sido por lá que entraram. Quando cheguei, estava tudo em chamas — Davis a contou. Ellie agarrou sua mão como num tipo de agradecimento silêncioso. Foi quando ela lembrou da ameaça que fez a Logan do lado de fora e a lembrança dela e Logan se beijando nos fundos.
– Você disse, a porta dos fundos? — ela não havia sofrido nenhuma ameaça ultimamente, mas ela sabia do que Jen era capaz para não perder Logan para ela.
E se Jen viu os dois se beijando? E se a raiva tomou conta dela naquele momento, fazendo-a enlouquecer? Davis havia esquecido a porta aberta, foi quando ela viu a chance de entrar, espalhar o alcool por toda a parte e tacar fogo. Ellie podia não ter provas, mas ela não deixaria Jen esquecer daquilo, nem por um segundo. Ela iria pegar Jen e seus planos diabólicos para tirar Ellie do caminho, e, quem sabe, ter Logan como prêmio. Se a ruiva diabólica queria guerra, ela teria guerra.
Ellie se virou para sair, mas uma senhora, não muito velha, mas não muito jovem, entrou na boate completamente destruida. Ela não parecia ser do tipo que frequentava aquele tipo de lugar, o que a deixou extremamente curiosa.
– Posso ajudar? — perguntou.
– Procuro Elizabeth Scott. Como posso encontrá-la? — disse, com uma voz doce e um pacote amarelado escondido debaixo do braço.
– Já encontrou. Sou eu — Ellie sorriu para ela.
– Me chamo Sophie e sou mãe da Valeska. Estou aqui em nome dela, que me pediu para lhe entregar isso — Sophie tirou o pacote de debaixo do braço e esticou-o em direção a Ellie, que o pegou, um pouco surpresa, e rasgou o papel amarelado, tirando um pequeno caderno dentro — Isso era da Sawyer. Valeska achou que você devia ficar com o diário dela.
– Sawyer nunca teve diário — disse, mesmo reconhecendo a letra com o nome dela na capa, escrito de rosa, em cima de papel cartulina preto.
– Ela comprou depois que conheceu Valeska. Queria anotar tudo sobre sua vida, para dar-lhe um dia. Ela sabia que você voltaria por ela e queria que você soubesse em detalhes tudo o que ela passou longe de você — Sophie pegou em sua mão e sorriu, como sua mãe fazia sempre que ela se sentia triste ou rejeitada, de certa forma — Eu a conheci. Sua irmã era tão doce quanto os bolinhos que a ensinei a fazer em minha casa. E ela te amava de uma forma que eu nunca vi uma irmã amar a outra, até mesmo irmãs de sangue.
– E porque Valeska ia querer que eu ficasse com isso? Ela me odeia — disse, sentindo seu rosto corar e lagrimas surgirem em seus olhos.
– Porque ela não odiava a você, mas odiava a si mesma. Valeska e Sawyer tiveram uma briga antes da morte de sua irmã, sobre Channel. Você irá descobrir quem é Channel nesse diário. Valeska desistiu de Channel, quando Sawyer faria de tudo por ela. Isso as afastou e Valeska se arrependeu bastante por isso, depois do acontecido — agora era Sophie que estava a ponto de chorar — Ela teve uma overdose ontem a noite e...
Sophie começou a chorar. Ellie entendia bem o que ela com palavras não conseguira dizer. Aquela história era uma piada perversa de Romeu e Julieta, onde dois amores não poderiam ficar juntas e, depois que uma morreu, a outra realizou que não viveria sem ela e acabou se matando. Ellie sentiu suas lágrimas finalmente descendo e Sophie a abraçou.
– Eu sei, meu anjo... eu sei — Sophie repetia, tentando aplacar a dor.
Ellie queria voltar no tempo e perceber as mudanças em sua irmã, para que pudesse dar uma prensa em sua mãe e resolver as coisas, sem que Sawyer fosse humilhada e expulsa de casa, assim, todas aquelas vidas pedidas, poderiam se encontrar em ocasiões mais felizes.
#Sawyer
Querido diário... ou devo dizer, Querida Ellie,
Eu sei que você deve me odiar por tê-la abandonado e não ter dado mais noticias, mas você se lembra quando eu disse que um dia lhe contaria tudo? Bem, talvez essa seja a única chance de te contar. Cheguei em Tree Hill a dois dias. Lembra que nossa mãe sempre dizia o quanto essa cidade era pacifica? Ela estava totalmente certa. Eu não podia ter escolhido lugar melhor para me encontrar. O apartamento em que estou agora, escrevendo isso para você, não é tão grande e cheia de vida como nossa casa, sem você, mas é bem aconchegante. E, da janela do meu quarto, eu posso ver a praia. Como um lugar lindo como esse não tem tanta gente a apreciar, eu não faço ideia. Eu vou ao Tric amanhã. Preciso dar um toque próprio no lugar. Já estou até imaginando. Quero tudo brilhando. Você sabe como eu amo coisas que brilham, não sabe, irmãzinha?
Fale com o autor