OTH - Dias de Luta
10 Reparação
Notas iniciais
#Ellie
Ela havia acompanhado todo o processo. Carregar Sarah para a delegacia... prestar depoimento aqui, prestar depoimento lá... levá-la para o hospital... exame aqui, exame lá... levá-la para a casa de Logan... ajudá-la no banho, levá-la para o quarto e assistir o carinho com que Jude colocava a cabeça dela sobre seu peito e a ninava, como um bebêzinho, até que ela pegasse no sono.
Por um lado era bom ver o quanto ela era amada, mas, por outro lado, era triste ver aquela garota divertida, que sempre via o lado bom das coisas, tão fragil.
Ellie estava, esses dias, pensando e filosofando sobre a vida... A vida realmente não é do jeito que a gente espera. Deus nos criou, nos colocou no mundo, cuidou de nós, cuidou do mundo e nós, infectados pelo virus humano chamado de egoismo, o destruimos aos poucos.
Ela só não havia chorado porque sabia que Sarah precisava que todos fossem fortes naquele momento, para que ela conseguisse ser forte também.
– Eu irei comprar algumas coisas para comer. Acho que a geladeira está vazia — Logan disse, mas ela sabia que era uma desculpa. No fundo de seu coração ela sabia.
Depois que ele saiu, Ellie o seguiu.
Ele tinha que virar a esquerda da casa dele para virar uma esquina e andar um quilometro e meio para chegar no mercado, mas, como ela já imaginava, ele havia virado para o sentido oposto, virando a outra esquina e andando em direção a confusão.
– Hey! O mercado é para o outro lado, Logan... mas não é para lá que você quer ir, certo? Está indo atrás do Connor e do Jed, não está?
– E se eu estiver? Sarah é minha irmã caçula e meu dever é protegê-la, mas eu estava tão ocupado em meus dramas, que a deixei exposta e agora... Você olhou para ela? Assustada, traumatizada, com medo de ficar sozinha — ele parou para respirar, olhando em volta e constatando que não havia ninguém mais assistindo sua explosão — Eu quero que ela saiba que ela está segura e, depois que eu acabar com eles, Jen será a próxima.
– E o que você acha que será de Sarah, ou de mim, quando a policia aparecer dizendo que aconteceu algo com você, Logan? Porque você sempre tem que ser o herói ou o cabeça dura? Eu não podia, finalmente, me apaixonar por um cara comum, meu Deus? — ela olhou para o céu, mas não houve resposta. Ela voltou a olhar para ele e um sorriso havia brotado em seus lábios. Ela sorriu também.
– Se eu não estivesse no meio da rua, ou no meio de uma crise, eu iria até você, tirava a sua roupa e beijava seu corpo inteiro... eu também estou apaixonado por você, baixinha... mas, agora, tenho outras coisas para resolver. Prometo voltar para você — por um instante, ela deixou-o ir.
Logan já havia desaparecido na esquina no fim da rua, quando ela começou a correr atrás dele. Com o celular na mão, ela corria para aonde ela tinha certeza de que ele estava indo e ligava para a única pessoa que ela sabia que conseguiria o parar naquela loucura de vingança.
Aqui é o Clay!
– Hey, tio Clay. Não sei se lembra de mim, mas sou a Ellie, filha do Lucas e da Peyton — só de lembrar dos seus pais e do modo como eles lidaram com a situação de Sawyer, ela sentia seu rosto ficar vermelho de raiva e decepção.
Ellie, querida! É claro que eu me lembro da moreninha quieta que o irmão do meu 'irmão' adotou. Mas, diga! Está tudo bem com você?
– Eu adoraria conversar sobre minhas frustrações agora, tio, mas eu estou ligando por causa do Logan. Eu acho que o senhor é o único que pode ajudá-lo agora — ela contou sobre a volta de Sarah, mas ele já sabia, pois a pouco ela havia ligado. Contou também de suas desconfianças sobre Jen e seus parceiros. Contou até mesmo sobre Alex, o cara que Logan supostamente matou, apesar de ela ter certeza de que foi Jen.
Meu Deus! Agora eu entendo muita coisa. Ele se afastou da gente, de repente, e eu sempre soube que essa ruiva do mal estava envolvida, mas nunca pensei em assassinato.
– E eu tenho certeza que ela o obrigou a continuar com ela sobre ameaça. Ela deve ter ameaçado o senhor ou a Sarah, até mesmo a mim. O incendio da minha boate foi um aviso a ele. E agora, ele está indo atrás dos caras que pegaram a Sarah. Sorte que eu sei aonde é... anote o endereço — ela passou-lhe o endereço, depois desligou o telefone e se concentrou em seus próprios pés.
Ela precisava alcançá-lo, antes que as coisas ficassem piores do que já estavam.
#Sarah
Ela finalmente abriu os olhos. Se sentia tonta e com uma vontade sobrenatural de vomitar. Devia ser por causa dos vários remédios que aqueles brutamontes haviam-na injetado.
Tudo o que ela conseguia pensar era em como Jude estava. Ele estava bem? Ele havia sido muito ferido? Ele havia sido resgatado a tempo? Ele havia morrido? Não. Ela se recusava a chorar por um luto que ela não havia sequer confirmado.
– Hey! Por favor... Eu só quero saber se meu namorado sobreviveu. Ele está bem? — ela gritava, mas não havia resposta de nenhum lado.
Sarah tentou obrigar sua mente a pensar em outra coisa. Era provável que ela não saisse mais dali com vida, mas, se, por milagre, acontecesse dela sair, tinha que ter o que dizer aos policiais, para ajudar na investigação.
Ela olhou para o teto, que era montado com telhas, uma em cima da outra, que não sobreviveria a um temporal, com certeza.
Depois olhou as paredes, com teias de aranha nos cantos, era tudo branco com algumas manchas de goteira amareladas por estarem ali faz um tempo. Mais próximo do chão, a parede havia sido dividida e, agora, ela era azul marinho sem mancha alguma.
Haviam algumas caixas encostadas no fundo. Tinha alguma coisa escrito, com certeza, mas ela não conseguia enxergar. Toda a vez que tentava forçar seus olhos, sua visão embaçava e ela não se lembrava de absolutamente nada. Ela deixou algumas lágrimas escorrerem de seus olhos, mas um dedão aspero e bruto enxugou seu rosto.
– Não chore, querida! Você sairá logo daqui! — disse o cara que foi o primeiro a bater em Jude naquele dia.
Quantos dias faziam? Ela não tinha ideia. Só queria sair dali o quanto antes.
Um saco preto foi colocado na cabeça dela, que não via mais nada.
– Ela não está me vendo? — disse uma voz feminina, mas ela não se lembrava de quem era.
– Não, senhora — o jeito meigo que ele havia respondido, a fez pensar que os dois, provavelmente, eram amantes. Ela ouviu o estalo de um beijo, outro beijo, mais um beijo — E a garota?
– Ela não se importa, não é Sarah? — disse a voz feminina mais uma vez.
Aquele jeito de chamar seu nome era bastante familiar, mas ela não conseguia se lembrar. Sua cabeça estava uma bagunça.
Ela sentiu algo pesado a atingindo, algo que tinha um perfume feminino bastante forte, algo como uma blusa feminina, ou um vestido.
O estalo dos beijos voltou, mas, com ele, haviam varios gemidos e gritos de prazer. Sarah chorou. Ela queria não ver e não ouvir que, enquanto ela sofria, alguém se divertia com uma transa quente e selvagem bem na sua frente.
De repente, o escuro desapareceu e seus olhos se abriram assustados. Jude estava debaixo dela, soltando roncos baixos e fracos. Ela olhou em volta e suspirou aliviada ao perceber que ainda estava nos braços de seu amado.
Jude tinha um braço com alguns ferimentos ainda, mas estavam cicatrizando.
Ela estava feliz, por algum motivo. Esse motivo, com certeza era Jude, que a amava mais do que ela jamais imaginou ser amada. Ela começou a beijá-lo pela nuca, fazendo-o acordar de forma lenta e timida.
– Olá, amor! Acordou?
– Sim. Impossivel não acordar com esses beijos. Eu senti falta deles. Você não imagina o quanto — ele disse, correspondendo a seus beijos com um sorriso gracioso.
– Sabe, eu só pensava em você naquele cativeiro. O encontro que a gente teve, nadar pelados, fazer amor ao luar... — ela parou de falar por um instante. De repente, um pensamento maluco lhe veio a cabeça — Nadar... Mar... Pier! Eu já sei o que estava escrito nas caixas... — agora ela podia ver nitidamente.
– Que caixas? Sarah?
– Querido, no cativeiro aonde eu estava haviam caixas, mas eu não estava conseguindo lembrar bem o que estava escrito. Agora eu lembro! Estava escrito Pier Tree Hill. Era aonde eu estava. No Pier Tree Hill — ela sorriu por finalmente ter lembrado.
Jude pegou o telefone correndo e discou para Lilly.
Pier Tree Hill? Eles alugam balcões vazios por lá. Seria um lugar maravilhoso para se esconder uma vitima de sequestro. Falarei com o delegado Thomas agora mesmo. Se Connor e Jed estão por lá, eles seram presos.
#Logan
Ele saiu do bar frustrado, mas um sorriso se formou em seus lábios ao ver Ellie encostada na parede do lado de fora do Flash Point, com os braços cruzados e um bico sensual de mais de meio metro.
– Você não pode dizer que também está apaixonado por mim e sair dessa forma. Eu sei que essa coisa com a Sarah está lhe deixando louco de culpa, mas...
– Culpa? Eu não tenho culpa. Jen tem e ela pagará por isso, Ellie — ele abriu seus braços e a puxou para perto dele. Ela não lutou e nem tentou sair do grande abraço de urso que ele lhe deu — Você está doidinha por mim.
– Doida eu tenho certeza, já que eu continuo caindo na sua lábia, mesmo depois de se mostrar um verdadeiro cretino — ela olhou para o lado, mas ele a olhava tão hipnotizadoramente, que ela teve que voltar a olhá-lo.
A boca dele estava tão perto que ela não via modos de resistir. Ellie se deixou ser beijada por ele mais uma vez.
– Essa sua boca...
– Liguei para o seu pai. Ele está vindo para cá — a confissão veio do nada. Logan se sentiu esfriar e tirou seus braços do corpo dela. Agora era ele que estava com bico — Desculpa, mas você estava com essa ideia ai de se vingar e eu achei que ele devia saber disso.
– O que disse a ele? — ele fechou os olhos, mas o baque não diminuiu por causa disso.
– Disse tudo. Disse de suas suspeitas sobre Jen ter algo a ver com o que aconteceu com Sarah, sobre o Alex e...
– Sobre o Alex? Mas você não sabe nada sobre isso. Meu Deus! Será que você não cansa de ser uma intrometida, garota? — ele gritava agora, irritado.
– Eu sei que você não o matou. Sei que foi a Jen e ela tem te ameaçado desde então... sei disso porque me recuso a pensar em outra versão... uma versão que diz que você matou uma pessoa e a enterrou no quintal. Isso não passa pela minha garganta — ela estava chorando.
As mãos dele agarraram seus ombros e a fizeram olhar fundo em seus olhos.
– Mas eu fiz... eu o enterrei no quintal. Jen puxou o gatilho e acertou três balas no peito dele, mas fui eu que o joguei nos ombros, o carreguei até o quintal, abri um buraco no chão e joguei terra em cima. O que você sente por mim agora? — ele tentou controlar suas lágrimas, mas dizer tudo aquilo em voz alta pela primeira vez, desde que acontecera, era doloroso demais. Doia admitir a verdade — Eu sou um monstro, Ellie, e você devia ficar longe de mim, entendeu?
– Eu devia, sim — ela acariciava seu rosto com carinho, ternura, e não com o olhar de quem acabara de ver a verdadeira face de um monstro — Mas não consigo... Porque te amo!
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