Snow cavalgava lentamente, ainda tentando pensar onde seria o melhor lugar pra ir depois do que havia acabado de acontecer. A brisa das montanhas é leve e fria, trazia uma calmaria ao ambiente, que por si só visualmente já era relaxante. Ele pensava exaustivamente em alguém que pudesse ajuda-lo, pelos menos até ele se reorganizar, para dai então sair novamente para uma nova vida. Depois de alguns minutos lembrou de uma tia, irmã de sua mãe, Rosalina, não era a melhor opção, mas parecia ser a única. Sua tia nunca aprovara a vida que os pais de Snow seguiam, sempre foi controversa, por isso nunca os tratou como parte da família, nunca os prestou suporte ou algo do tipo. Mas agora Snow realmente precisava pedir ajuda, um teto e comida, só por uns dias, a sua tia tinha que ceder pelo menos isso.

Com a rota traçada, galopou até a cidade, que ficava um pouco distante, mas que seu cavalo daria conta sem problemas, alguns dias seriam o suficiente. A noite então caiu, Snow parou na beirada da rua, amarrou o cavalo em uma árvore e acendeu uma fogueira. Sentou perto do fogo, e enquanto ouvia o crepitar das chamas, observava sua adaga. Aquilo representava muito para ele, uma vida inteira, que agora não existia mais, serviria pra lembrar de todos, todos aqueles que o ensinaram, treinaram e amaram. Armou sua barraca e deitou, dormiu durante a noite toda, uma noite tranquila e silenciosa.

Depois de dormir, acordou com o barulhos dos pássaros cantando por perto. Se levantou subiu no cavalo e prosseguiu seu caminho. Passou em um vilarejo para que pudesse comprar mais suprimentos, já que os seus estavam acabando. Comprou mais um pouco de comida, e encheu seu cantil em uma fonte. Avançou trilha adentro para que chegasse na cidade da tia o mais rápido possível.

Três dias se passaram, o tempo necessário para a viagem, chegou então em Águas Profundas, uma cidade grande, ali era o ponto de encontro de muitos, uma cidade onde se podia encontrar de tudo. Devido ao fato de ser uma cidade portuária, Águas Profundas, sempre teve como foco a venda e troca de produtos, por isso era fácil de se encontrar praticamente tudo. Snow cavalgava lentamente nas ruas da cidade, sempre atento a tudo e a todos, para que nada de ruim pudesse ser feito a ele. Cidades grandes sempre foram criadouros de ladrões, assim sendo era bom manter os olhos bem abertos. Andou aproximadamente dois quarteirões, amarrou o cavalo em uma estaca por , amarrou o cavalo em uma estaca por perto e bateu em uma porta.

–Quem é e o que qu...-Disse uma mulher enquanto abria a porta, e já se interrompendo depois de ver quem estava em sua frente.

–Oi tia, preciso conversar com a senhora.- Disse Snow num tom calmo.

–Acho que não é uma boa hora, talvez você devesse voltar mais tarde...

–Não, preciso que seja agora.

–Bom se não há conversa, entre.

A mulher então saiu da frente dando lugar para Snow passar pela porta.w passar pela porta. A casa não era grande, e nem rica, era uma casa simples de madeira. Sua tia morava ali sozinha, nunca havia engravidado, e seu marido morreu fazia alguns anos, por isso vivia ali sozinha.

–Tia, preciso de um lugar pra ficar!

–Achei que vivesse bem com seus pais, naquele clã.

–Estão mortos.- Disse de forma fria, quase cortando a fala da tia.

–Mortos?!- Disse preocupada, mas percebendo como falou, se acalmou e prosseguiu.- Bom acredito que isso seja comum no ramo de vocês. E se escolheram isso, devem arcar com as consequências.

–Não é comum, pelo menos não da forma que foi feito.- Fez uma leve pausa, e prosseguiu.- Preciso de um lugar, até me reorganizar, você era a única da família que consegui lembrar.

–Você não pode ficar aqui, não posso permitir que o seu modo de vida fiquei em minha casa. Até por que acredito que estarei em perigo. Aposto que quem matou seus pais vai vir atrás de você, e se eu estiver junta, irei morrer também.

Rosalina, disse isso, mas ao mesmo tempo que as palavras eram sendo jogadas para fora, ela lembrava de sua vida amargurada, nunca havia se aproximado de sua familia, nunca teve laços, seu único parceiro era o marido, que agora estava morto. Sua vida após a morte do amado, foi sofrida, passava dias sem dormir chorando, lembrando dos bons momentos. Sem contar que a situação financeira piorou, teve que vender muitos bens para pagar as contas. E desde o incidente vivia sozinho, completamente solitária.

–Tia, não vai passar de três dias, eu prometo, só preciso me reorganizar e pensar um pouco melhor.

–Bom, se a insistência é tanta, há um quarto aos fundos, mas tenha a certeza que isso não é do meu agrado, e se eu tiver que pagar pelos seus erros, não apareça mais na minha frente.- Disse isso e virou as costas, indo em direção a cozinha.

Snow não pretendia tomar o tempo da tia, e nem força-la a conversas desnecessárias, sendo assim ao cair da noite, deixou seu cavalo amarro perto da casa e saiu, para que pudesse se informar mais sobre a cidade e então se "reestabelecer". Botou os pés pra fora da casa e pôs-se a andar lentamente na rua, e olhava a todos que também andavam nela.

A noite daquela cidade também era movimentada, tanto quando a vida diurna dela, haviam pessoas andando para lá e pra cá, algumas ainda trabalhando, carregando mercadorias para os barcos, ou os descarregando. Outras pessoas porém estavam aproveitando a noite, as tavernas estavam entupidas, a música se ouvia a muitos metros, não só a música, o falatório também, haviam vozes de todos os jeitos e em todos os tons. Aquele seria o lugar ideal para atacar.

Snow entrou em uma das tavernas, provavelmente seria só a primeira da noite, pediu uma cerveja e sentou em uma das mesas. Observou atentamente cada detalhe presente naquele momento, um bardo tocava várias músicas sobre lendas, heróis, damas belíssimas, e até algumas melodias nas quais ele dizia ter vivido. Devido ao horário, muitos dos que estavam no ambiente, já haviam passado do seu limite alcoólico, portanto eram facilmente ludibriados em alguns jogos bobos. Snow observava bem estes, seriam o seu foco, pelo resto da noite, ele precisava de dinheiro, e todos estes que estavam devidamente alcoolizados, tinham dinheiro e eram alvos fáceis. Snow adquiriu uma pose mais suave, a sua baixa estatura iria ajuda-lo muito, já que nunca iria se manter na altura do olhar alheio. Em cada cambaleava, Snow agarrava um saquinho de moedas, sutilmente de uma forma na qual ele não faria nenhum barulho, e saia como se fosse natural.

Havia retirado o máximo de dinheiro que pode daquela taverna, havia demorado no máximo uma hora e meia para fazer isso, portanto ele conseguiria fazer muito mais vezes, ainda levando em consideração que quanto mais tarde mais fácil de saquear, porém a recompensa também é um pouco menor, já que os bêbados gastam a maior parte na bebida. E assim se foi, ele passou a noite inteira, repedindo o ato, quando dava um encontrão em alguém, ou alguém cambaleava para algum lado, ele arrancava-lhe as moedas. Um por um, taverna por taverna, até que o sol começasse a raiar, pois então essa era a hora de voltar para a casa da tia.

–Achei que queria passar a noite aqui.- Disse Rosalina, ao ver o garoto entrando na casa de manhã.

–Disse que precisava ficar até me reestabelecer, no momento, estou me reestabelecendo.

–Hmm.- Num tom de duvida.- Tudo bem, faça o que bem entender nesses três dias, depois disso, vá viver a sua vida.

Rosalina se sentia meio mal por tratar Snow dessa forma, mas no fundo o que ela sentia era um medo intenso, tinha medo que algo pudesse acontecer com ela, ou que ela fosse metida nisso tudo, ela preferia que o garoto cuidasse dos problemas dele, por ele mesmo, ele só queria continuar vivendo a vidinha dela, sem ter com o que se preocupar.

Snow seguiu para o quarto, ele estava exausto, precisava descansar e dormir um pouco, e foi isso que foi feito. Ele deitou, e imagens foram formadas na sua mente, imagens de seus pais, imagens dos irmãos do clã, e imagens do padrinho, que havia não só traído a ele, mas a todos. Ele via imagens do passado, enquanto a sua vida era boa, imagens que remetiam o seu treinamento e crescimento, algumas memórias eram melhores que outras, mas todas no final das contas faziam parte dele, tornavam ele o que ele era. E ele continuaria sendo aquilo que ele sempre soube ser, ele seguiria suas próprias regras a partir de hoje, ele seguiria solitário por fim, colocaria tudo em pratica o que tinha aprendido, e definitivamente isso tudo não seria fácil.

–Acorde! O jantar esta pronto, é melhor vir logo, ou então vai ficar sem.- Disse a tia advertindo.

Ele caminhou até a cozinha e se sentou na mesa, na ponta oposta a qual a tia havia se sentado.

–Eu vou lhe pagar por tudo que eu gerar de gastos para senhora.- Snow queria deixar claro que a tia não precisava se preocupar com ele, e ao mesmo tempo queria quebrar o gelo que havia entre eles.

–Tudo bem, agradeço por isso.

A tentativa de Snow de quebrar o gelo não foi bem sucedida, pois essas foram as únicas palavras trocadas durante a refeição.

Após ter se alimentos, ele iria sair, para mais uma noite, na qual ele pretendia repetir todo o processo da anterior. Vestiu sua roupa, calçou seus sapatos e apanhou as armas, e saiu. Todo o ciclo até a noite seguinte se repetiu, exatamente como a outra. Por fim a terceira e ultima noite na cidade, além de fazer o que estava fazendo costumeiramente, decidiu procurar uma ferreiro.

Durante as suas andanças noturnas na cidade, Snow já havia avistado uma forja, portanto foi diretamente até lá. Não achou necessariamente o que procurava, então resolveu procurar em outros lugares da cidade. Ele procurava uma mecanismo, que um dos irmãos do clã havia conseguido quando passava em uma cidade grande, como Águas Profundas. Era um bracelete, que continha um mecanismo de mola, no qual uma adaga era presa, então em momentos em que se precisasse surpreender o adversário, a arma era catapultada até a mão do usuário, podendo então das um ataque surpresa mesmo estando de frente para o inimigo.

Ele caminhou quase que pela cidade inteira, e por fim achou uma pequena loja que vendia equipamentos para aventureiros e viajantes.

–Olá, me interesso por um mecanismo de mola, que fica preso no pulso, serve pra prender uma adaga lá.- Disse rapidamente, para poupar tempo, já que estava cansado de tanto procurar.

–Acho que tenho algo parecido com isso, espere um momento.- O velho atrás do balcão respondeu rápido também, havia notado a pressa do rapaz. Agachou em baixo do balcão e começou a revirar algumas coisas.- Acho que encontrei... É isso que procura?- Levantando e mostrando um bracelete de couro.

–Exatamente!- Disse enquanto pegava o bracelete.

–Mas eu nem ao menos disse o preço.

–Não importa irei comprar de qualquer forma.

No final das contas o bracelete com o mecanismo não eram tão caros assim, foi um custo baixo, visando o quanto Snow conseguir arrecadar nas duas noites anteriores. O bracelete era feito de couro com algumas marcas gravadas nele, haviam também detalhes metálicos até chegar no mecanismo, que era portátil e muito leve. Prendeu uma adaga ali e saiu para aproveitar o resto da noite, quem sabia ele já não recuperava o dinheiro do bracelete?

Chegou em casa de manhã, a tia o esperava.

–Três dias já se passaram, é hora de você ir.

–Eu sei fique tranquila. Tome!- Disse entregando um pequeno saco de moedas.

–Obrigada, espero que a partir daqui você consiga se virar sozinho, boa sorte. Adeus.

–Adeus.

A despedida foi breve, ele mal entrou pela porte, e já saiu, montou no cavalo e seguiu viagem para fora da cidade. Rosalina quando abriu o saco de moedas, notou que todas eram moedas de ouro, e o valor era muito maior do que ela esperava. Ela se sentiu um pouco mal por ter tratado o garoto daquela forma, sem ao menos trata-lo com alguém da família, mas agora o máximo que ela poderia fazer era desejar sorte para a viagem dele, muita sorte.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.