O último Verão ONESHOT

1 Capítulo 1- unico


O fim do verão

Já era meia noite, e a praia estava completamente deserta, mas dava para perceber que horas antes deveria estar lotada pelas marcas de passos e mais passos misturados naquela areia fina e branca, que no momento se encontrava azulada pela lua cheia. A noite estava magnífica parecia ser até um quadro de quão perfeita era como todas as noites de verão, que depois de um dia de sol quente e pessoas rindo enquanto se deleitavam sobre as águas do mar, ela vinha e trazia consigo o frescor e aquele ambiente de calmaria reinava. O oceano fazia ondas calmas e sobre ele no centro daquele véu negro cheio de pontos reluzentes, uma grandiosa lua reinava resplandecendo sua luz sobre o azul negro embaixo de si.

Agora a praia deserta tinha um fantasma perambulando por ela, um fantasma entre a areia que olhava para a lua, um fantasma diferente dos outros, pois esse era feito de carne, ossos... E vida? Não, vida não! Ele não se sentia mais vivo, estava oco por dentro, um vazio por qual o fazia implorar pela morte.

Só de pensar que nunca mais viu aquele sorriso, sentiu a maciez daquela pele branca de porcelana, o cheiro encantador de baunilha misturada a flores... O beijo... O beijo que fazia com que ele perdesse todos os sentidos, que o fazia perder o chão embaixo de seus pés, o beijo que o fazia deseja-la como jamais desejou uma mulher em toda vida, o beijo pelo qual pela primeira vez pode sentir o gosto do amor... Mas que agora nunca mais pode provar... Como ele pode sobreviver tanto tempo sem ela? Era o que se perguntava... Como pode respirar todo esse tempo? Fingir estar bem por fora, quando por dentro estava em uma escuridão perpétua. Ele havia fingido todo esse tempo pela sua família e pelos seus amigos, e principalmente por ela, mas todo esse fingimento estava acabando com ele, pois sua única razão de viver o tinha deixado.

Estava animado, havia limpado toda a casa da praia onde morava para recebê-la, fazia meses que não se viam desde que ela se mudou para uma cidade grande para fazer a faculdade de artes plásticas que tanto sonhava. Ele havia preparado um jantar romântico e decorado a mesa com pétalas de rosas branca-que eram as preferidas dela — e um castiçal delicado com três velas que seriam as únicas a iluminar o ambiente quando estivessem jantando. Estava ansioso demais para vela, para tocá-la para sentir o seu perfume inigualável e para te-la em seus braços... Estavam noivos há 4 meses e ele pretendia pedi-la em casamento naquela noite, não suportava ficar mais nem um dia de sua vida sem ter ela ao seu lado, e os meses em que ela ficou na faculdade foram tortuosos para ele, mas agora poderia matar a saudade que sentia dela... Sua doce fada... Seu precioso anjo da guarda.

Ele começou a caminhar em direção ao mar, naquela noite de verão, ele vestia uma bermuda laranjada com uma camiseta preta, seus cabelos loiros estavam arrepiados como sempre, mas seu sorriso havia mudado, há muito tempo, há um ano, quando recebeu a noticia que despedaçou seu coração sem qualquer anestesiante.

O telefone tocou o despertando de seus pensamentos, correu para atendê-lo tendo certeza que seria ela avisando que estava chegando.

-Alô?..-.Perguntou já com um sorriso no rosto pensando que do outro lado ouviria a voz que acalmava seu coração.

-é o Sr. Uzumaki?

Seu sorriso se desfez sabendo que aquela voz estranha e um pouco grossa de mais não era de sua amada.

-sim sou eu... Quem é?-não conseguiu esconder a decepção que aquela voz o trousse.

-aqui é o Dr. Ichigo do hospital de Santa cruz. Estou ligando para seu numero, pois foi encontrado entre os pertences de... Hinata Hyuuga, o senhor a conhece?

Ele havia petrificado e pensou que seu coração por um momento tivesse parado sentou-se no sofá do lado da mesa do telefone, pois suas pernas haviam fraquejado.

- Sr. uzumaki? O Senhor ainda esta ai?

-... Hã... Sim... Estou... E-eu a conheço, é minha noiva o que houve?-perguntou já nervoso e sentindo seu coração se aperta dentro do peito.

-Ela sofreu um grave acidente de carro há um dia e se encontra em estado delicado... E estou ligando para avisá-lo.

- O-obrigado... E-estou indo para ai agora mesmo — falou já colocando o telefone no gancho e pegando as chaves do carro na mesa.

Ele começou a entrar naquela água fria da noite, mas pouco se importava, pois por dentro se sentia frio e nem mesmo o calor daquele verão que amou por tempos junto a ela o aqueceria agora. Seus passos foram levando-o para a parte mais funda do mar e em movimentos lentos começou a nadar até tomar certa distancia do recife...

Corria o máximo que podia, já estava desesperado e o hospital ficava um pouco longe de sua casa, era nessas horas que se arrependia por morar em uma casa na praia longe do centro. Quando chegou ao hospital falou com uma moça na recepção que o guiou até onde o doutor com quem havia falado estava.

Bateu duas vezes na porta e entrou quando escutou um “entre”.

-Com licença Dr. Ichigo, sou Naruto Uzumaki o senhor me ligou a pouco tempo falando de minha noiva Hinata Hyuuga... Como ela esta?-foi direto e um tanto já nervoso, suas mãos tremiam e suavam frias.

-Sente-se, por favor — falou o homem um pouco de idade mostrando a cadeira à frente de sua mesa para o rapaz, que se sentou esperando o medico prosseguir — Vou ser claro Sr. Uzumaki, o estado de sua noiva é muito grave e extremamente delicado, não sabemos se ela pode ter alguma chance... Mas tentaremos o possível para reverter essa situação... Espero que o Senhor Possa compreender...

-Entendo... -murmurou um pouco baixo – Será que eu posso vê-la?...

- Não tenho certeza, pois acabamos de fazer uma delicada cirurgia nela — o homem viu o semblante daquele rapaz e sentiu-se um monstro e certo pesar em seu coração, pois era evidente o quanto o jovem a sua frente estava desesperado — Mas vou ver se consigo, por enquanto o senhor Poderia telefonar para os familiares dela, pois só encontramos o seu numero em um papel...eu já volto-falou o medico se retirando da sala.

- o-obrigado... -falou o loiro pegando seu celular e discando o numero do sogro — c-como vou falar uma coisa dessas pra ele?...Ele me odeia...

Ouviu o som do telefone chamando e sentiu um gosto amargo na garganta quando pode ouvir o aparelho sendo tirado do gancho.

-Alô?-aquela voz grossa e fria fez o loiro se arrepiar, não tinha muito contato com o sogro e as vezes que se viam eram geralmente em reuniões de família que hinata fazia questão de levá-lo, mas sempre acabava tendo que separa-los de uma briga.

-Alô?!-perguntou o homem do outro lado já mostrando sua irritação pela demora.

-Sr.H-Hyuuga...Sou eu Naruto...

-O que você quer moleque impertinente-ótimo o velho estava de mau humor, como se fosse novidade sempre que se viam eles estava de mau humor.

- Sr. Eu e-estou l-ligando p-porque hinata s-sofreu um acidente...

-Como? O que você fez com minha filha?-o homem gritou o interrompendo

- Eu não fiz nada... Ela tava na estrada vindo pra minha casa e sofreu um acidente... Parece grave o medico não me deu muitos detalhes o Sr. poderia vim pra cá eu... Eu não sei o que fazer... Eu não consigo pensar direito... N-não... Não posso perdê-la... -confessou já não escondendo o seu desespero e preocupação.

Do outro lado da linha o Sr. Hyuuga já estava sentado em seu sofá de linho massageando as pálpebras, não podia ser grosso com aquele moleque numa hora dessas apesar de não gostar dele sabia o quanto ele amava sua filha e o quanto lutou para que ele permitisse a união dos dois.

- Escute... Eu já estou indo para ai...Tentarei chegar o mais rápido possível...não pense no pior e tente se acalmar, pois ela precisa de você agora mais do que nunca, entendeu?

-S-sim Sr. Hyuuga... Obrigado... -o homem do outro lado da linha desligou o telefone.

Naruto ficou com o aparelho ainda em mãos o olhando e não pode deixar de perceber que foi a primeira vez que eles terminaram uma conversa sem gritos e insultos — você ficaria... Feliz por isso...

O barulho da porta do consultório se abrindo o despertou.

-Sr. Uzumaki me acompanhe, irei levá-lo até sua noiva.

- Obrigado...

- Ela esta acordada, mas... Eu... Eu serei franco com Sr.Não sei por quanto tempo ela ficará consciente...

Ele entrou na sala atrás do medico que sussurrou para ele.

-Não posso deixá-lo aqui por muito tempo o senhor tem 15 minutos... -falou o medico se retirando e fechando a porta atrás de si.

Naruto andou até a cama onde seu anjo lhe olhava tentando sorrir meigamente, certamente não conseguia por estar sentindo muita dor.

-Hina... Hinata... Eu não sei o que fazer... -Sussurrou para ela enquanto se sentava em uma poltrona que havia do lado da cama e colocou as mãos sobre o rosto tentando para com as lagrimas e apoiando os braços nos joelhos.

-Na...Naruto...e-eu te a-amo...nunca s-se esqueça...-falou a morena com muita dificuldade enquanto tentava erguer a mão fraca e delicada a qual ele segurou com leveza.

- P-por favor, hina n-não me deixe...eu te amo...como vou viver sem você?

- Quero q-que me prometa... Que vai viver... Ser feliz e que vai ser forte...como você sempre foi...m-me prometa...n-naruto me prometa...

- e — eu não posso... n-não me pesa uma c-coisa dessas hina...

- Me p-prometa... -apertou a mão dele com dificuldade

- Eu prometo...

-Me perdoe hina... Eu não consigo... Não sou forte o bastante pra viver sem... você.

Falou deixando o corpo flutuar sobre a água sentindo o cheiro de maresia e as ondas batendo levemente em seu rosto...

A lua estava o observando do céu e dava sinais a sua volta que choraria sobre aquele mortal que sofria, envolta dela nuvens cinzentas começavam a envolve-la tentando conter sua tristeza em um abraço.

- irei até você meu anjo...-falou fechando os olhos lentamente enquanto deixava o corpo afundar naquela água escura.

Todos prestavam suas ultimas homenagens a ela, jogando rosas de diversas cores sobre o caixão branco que lentamente era colocado naquele buraco profundo e sombrio.

Um loiro encontrava-se ajoelhado ao lado daquele buraco, não conseguia chorar, pois já tinham se esgotado suas lagrimas, mas olhava fixamente para o vidro daquela caixa, que cotinha dentro seu precioso anjo, sua fada, o único amor que tivera na vida... E que agora estava sendo trancada para sempre...

Era o ultimo dia de verão e sem cerimônia uma leve garoa veio participar da despedida de talvez o ser mais puro que pisara na terra.

Lentamente pequenas gotas caiam do céu, mas não se sabia se eram essas gotas lagrimas da lua, das estrelas, ou daquele anjo que ele mencionou antes de começar a desaparecer no mar.

-“Hi... Na... Ta” — sorriu quando sua vista já estava ficando escura e borrada por conta da água, mas permitiu a ele uma visão de um anjo...não, de seu anjo, sua pequena anjinha o olhando com aquele sorriso e lhe estendendo os braços o convidando para um abraço, abraço esse que pode sentir quando tudo se tornou escuro.

~ * ~ Fim ~ * ~

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