O ódio de amar
3 Provocações à flor da pele
Notas iniciais
Chegaram no apartamento de Ginny poucos minutos depois. A visão dos prédios era modesta, mas nada muito pobre.
Ginny cursava faculdade de psicologia, já trabalhava em um consultório com uma amiga, que para sua sorte, era a dona do lugar, e por isso tinha um salário muito bom.
– Luna! — A ruivinha saudou a amiga em um abraço apertado quando foi atender o tocar da campainha.
– Ginny. Graças a Deus posso ver você antes de morrer. — Fez drama quando se soltou da amiga. Ginny riu e revirou os olhos. Vislumbrou a outra figura loira que ela também já conhecia á tempos parado na porta e arqueou as sobrancelhas.
– Malfoy. — Cumprimentou o loiro apenas com o soar do sobrenome escapando por seus lábios.
– Weasley. — Draco também foi monossilábico, os dois não eram muito chegados.
– Tive que trazer essa peste ou não poderia vir. — Luna reclamava enquanto se jogava no sofá da amiga. Ginny riu mais uma vez e convidou Draco para entrar, com o olhar. O loiro o fez e a ruiva fechou a porta.
– Como se eu estivesse adorando esse passeio. — Desdenhou Draco sentando em um pufe de frente para as duas, pois Ginny se sentara ao lado de Luna.
– Apenas esqueça que eu exista. — Ordenou Luna bufando.
– Impossivel olhando você assim. — Retrucou o loiro, também bufando, mas não tirando o olhar de Luna .Ginny arqueou as sobrancelhas. Aquela frase tinha soado muito estranha, como uma cantada, ou a ruiva imaginava coisas?
– Então Ginny.. — Luna fingiu ignorar Draco e encarou a amiga. — Preciso por em prática com você meu plano de fugir daquela casa.
– Se era pra isso que veio até aqui poderia ter falado comigo. — Draco se intrometeu. — Eu ajudaria com prazer.
– Vai se catar. — Retrucou irritada, sem olhá-lo. Ginny ria da situação.
– Vocês dois ainda parecem aquelas crianças implicantes de anos atrás.. — Comentou a ruiva relembrando os velhos tempos. Draco e Luna fizeram uma careta.
– Seria incrível se eu não tivesse na mesma maternidade que esse ser quando eu nasci. — A loira fingiu uma voz sonhadora. Draco rolou os olhos.
– Odeio ter que concordar. — Ele retrucou.
– Comigo. — Luna o olhou.
– Comigo? — Draco a imitou sem entender.
– Odeia concordar comigo. — Ela explicou com uma feição tediosa.
– Ah, isso é verdade. — O loiro replicou.
– De novo. — Ginny falou.
– De novo? — Draco e Luna indagaram em uníssono.
– Concordando um com o outro de novo. — A ruiva riu da nova careta que fizeram. — Confessem o quanto vocês se amam.
– Sim, eu amo ela.. — Draco começou. — Amo ela tanto que tenho vontade de a segurar pelo pescoço e fazer ela ficar sem ar até morrer.
– Nossa, como eu digo que gostaria de fazer o mesmo. — Luna debochou, mostrando o dedo do meio para o loiro em seguida.
– Beleza,alguém veio aqui falar comigo ou querem que eu saia para namorarem em paz? — Ginny brincou.
– Eu vim te ver. É que não tem nada pra fazer na casa desse ser. — Olhou Draco por cima do ombro. — E falar com tia Narcisa é muito legal, mas essa criatura albina sempre chega pra me irritar.
– Continue agindo como se eu não estivesse aqui. — Draco rolou os olhos ao falar.
– Já parou para pensar que suas férias poderiam ser super legais se vocês se dessem bem? — Perguntou diretamente á Luna, que riu com deboche.
– Eu e ele?
– Eu e ela?
O sarcasmo foi em uníssono.
Ginny rolou os olhos.
– Ás vezes acho que é esse o destino de vocês. Viverem brigando até morrer. — Ginny suspirou cansada, á anos aturava aquelas briguinhas infantis dos dois.
– Eu mato ele antes. — Luna contrapôs prontamente.
– Hahahaha. — O loiro riu ironicamente. — Bem capaz de nos encontrarmos no inferno então.
– Porque é pra lá que vou te mandar né? — Luna o olhou irritada.
– Já chega. — Ginny bufou se estressando. — Luna, veio aqui para falar comigo ou dar um show com ele na minha frente?
Sim, as palavras foram secas.Mas essa era a intenção, Luna era burra ás vezes.
– Como assim? — Burra e sonsa, pensou Ginny.
– Não aguento mais vocês dois com essas briguinhas. — Reclamou a ruivinha bufando.
– É sempre ela que começa. — Draco tratou de se defender.
– Eu? — A loira o olhou incrédula. — Eu, Malfoy?
– Não, minha vó. — Retrucou ele.
– Ah, vão se foder vocês dois. — Ginny olhou para os dois,séria. — E é do jeito que estão imaginando mesmo.
Saiu da sala pisando forte.
Braços cruzados de uma. Cara amarrada do outro.
– E não vem atrás de mim, me deixa respirar! — Gritou Ginny da cozinha quando Luna já ia tratando de sair dali por causa do silêncio irritante entre ela e Draco. Brigas, sempre. Silêncio, por favor, nunca.
– Doce como um limão. — Ele comentou com ironia, quebrando o novo silêncio que se formara ali.
– Olha quem fala. — A loira retrucou.
– Ah Luna, cala a boca. Não dá pra conversar civilizadamente com você? — Malfoy se irritou.
– Civilizadamente? — Luna debochou e riu pelo nariz. — Você querendo uma conversa civilizada comigo?
– Você podia ser um pouco mais agradável como pessoa. — O loiro replicou olhando os cantos da casa com tédio.
– Pena que eu não sou. — Luna argumentou, na ponta da língua.
– Realmente não dá pra tentar ficar de boa um segundo com você. — Reclamou Draco batendo os pés no chão tediosamente.
– Olha Draco. — Luna parou para olhá-lo. Estranho. Que arrepio foi aquele que invadiu seu corpo quando seus olhares se cruzaram? — Se você falasse com um pouco menos de ironia comigo, talvez eu pudesse ser mais agradável.
– Ironia? -Draco debochou. Foi estranho pra ele também. Seus olhos cinzas pareceram não quererem se separar mais daqueles olhos cor oceânica.
– De novo. — Luna bufou, desconectando os olhares e revirando os olhos.
– Você ás vezes não parece que tem 18 anos. — Draco retrucou a fim de provocá-la.
– Olha que legal, pensamos igual um sobre o outro. — Luna foi sarcástica com as palavras. Foi a vez de Draco rolar os olhos.
O loiro puxou o pufe que sentava, subitamente para mais perto da loira, e agora estavam mais próximos do que nunca ficaram. Pelo menos não que ele recordasse, e Draco recordava bem dos momentos com Luna.
– Olha, não é como se fosse a coisa mais adorável do mundo ficar brigando com você. — Ele falou sério a olhando nos olhos. Não estremeça Luna, não faça isso. Não seja fraca.
– Até parece que eu já disse que é. — Luna retrucou com o olhar fixo no dele.
Ginny observava a cena da porta da cozinha, cômodo que dava para ver a sala claramente.
– Dá pra calar a boca? — O loiro mandou, na verdade ele quis pedir, mas sabia como era o temperamento daquela insuportável.
– Dá pra parar de me mandar calar a boca? — Ela revidou, os rostos próximos, a fúria nos olhares de ambos.
– Se continuar falando assim comigo vou fazer você calar. — Ralhou Draco se amaldiçoando por aquela proximidade. Ótimo, estava olhando para os lábios dela. Mas que maravilha hein Malfoy.
– É? — Luna mostrou displicência. — Não acredito que você tenha peito pra fazer nada comigo.
– Você não sabe nada sobre mim. — O loiro retrucou, tão próximo que sentia a respiração já com um certo descompasso de Luna.
– Será que não sei? — Luna desdenhou.
– Olha aqui garota. — Draco segurou-a pelos braços, não de uma forma rude, mas um ato impulsivo e com uma pitada de tentação. — Não sabe da metade das coisas que já quis fazer com você.
– Como me matar por exemplo? — Luna indagou com sarcasmo, o jeito firme que Draco segurava seus braços fazia com que a loira estremecesse internamente e sua respiração ficasse mais incontrolável.
– Como se te matar fosse o meu maior problema.. — Desdenhou ele, negando com a cabeça e por um momento, um pequeno momento, um momento que ele nunca poderia pensar em surgir, os dois ficaram em silêncio, apenas se fitando, olho no olho, vidrados, sem insultos ou raiva.
Um barulho irritante e desastrado os despertaram para a vida e se afastaram ao mesmo tempo, olhando uma Ginny sem jeito por ter deixado um copo cair e se quebrar.
Tudo bem que sempre soube que atrás de todas aquelas brigas de fachada, era desejo que reinava ali. Mas ver os dois quase se comendo com o olhar, era uma cena difícil para qualquer um. Desconcentrante. Até dava uma certa inveja.
– Desculpe atrapalhar. — A ruiva falou sem jeito, olhando os cacos de vidro pelo chão. — Vou apanhar isso daqui. — E logo correu para a varanda onde ficava a vassoura e a pá.
Draco tinha voltado para o lugar onde sentara quando chegara, o olhar do loiro agora estava vago.
Não, fala sério. Draco Malfoy sem controlar os pensamentos? Sem saber o que dizer?
Preparem-se, realmente um apocalipse está próximo. Quem sabe já começara, pelo simples fato de uma Luna atordoada estar sentada encarando o chão e com os pensamentos nele.
Ah, fala sério de novo. Pensando nele? Sem cogitar em matá-lo dessa vez? Pensando nos lábios dele? Em suas mãos a segurando pelos braços?
Aquilo era demais para uma Lovegood.
Aquilo era demais para um Malfoy.
Um assovio cortou o clima de silêncio. Agora sim tudo estava definitivamente estranho.
Desde quando Draco Malfoy assovia depois de um climão daqueles com uma garota?
Ginny logo voltou para a sala com a pá e tratou de panhar todos aqueles cacos de vidro perigosos. Viu aquela situação constrangedora, até para ela.
– Então.. querem um sanduíche? — Ginny perguntou fazendo-os darem atenção á ela no mesmo instante.
– Sim. — Responderam um unissono. Certo, agora aquilo estava mesmo constrangedor. Ginny assentiu e tornou a sair da sala, com a pá na mão coberta pelos cacos, e a vassoura na outra.
Voltaram a olhar o nada, para não se encararem. Draco negou com a cabeça, aquilo definitivamente não fazia sua praia.
– Olha, não é só porque nos odiamos que eu te odeie de verdade. — O loiro quebrou o silêncio, e viu Luna o olhar, com uma expressão desentendida.
– An? — Como assim "nos odiamos" e "eu não te odeio" na mesma frase?
– Esquece. — Ele revirou os olhos. Além de linda, irritante, sedutora, insuportável, chata, gata pra caralho, detestável, ainda era sonsa?
Se Ginny ouvisse aquele pensamento interno, responderia um sim.
– Não fale comigo como se eu fosse idiota ou burra. — Luna revidou. Draco a olhou, e ela o intimidava.
– Mas você é. — Ele revidou, olhando-a desafiadoramente. Luna bufou. O loiro não conteve uma risada pelo nariz. — Vai acabar ficando zaroia, sabia?
– Vai se ferrar. — Retrucou com raiva.
– Olha, o que eu quis dizer é.. — O loiro percebera que começariam novamente a se implicar. — Sei que você poderia ser uma pessoa legal, então isso me faz te odiar menos.
– Mas você disse que não me odiava. — Ela voltou a olhá-lo.
– Odeio um pouquinho. — Draco fez uma careta encucada e Luna se amaldiçoou por estar rindo de Draco novamente, ainda por cima na mesma noite, no mesmo turno de horas.
– Você é retardado também. — Ela retrucou, mas não foi de uma forma irritada.
– Essa é uma qualidade, amorzinho. — Retrucou Draco, gabando-se e Luna bufou por ouvir aquele apelido.
– Vá chamar suas putas de amorzinho, não sou elas pra você ter essas intimidades. — A loira se zangara com o que ouvira e voltara a ficar entrunfada.
– Como você é chata. — Draco também bufou, ouvindo Luna soltar um "é mesmo?", irônico claro.
Ginny voltou a adentrar a sala observando os dois loiros entrunfados e em silêncio encararem qualquer coisa. A ruiva respirou fundo. Sentou de volta ao lado de Luna e lhe estendeu a bandeja com três sanduíches dentro. Luna pegou, Draco fez o mesmo em seguida quando a bandeja veio em sua direção, e Ginny comeu o seu olhando os dois com a expressão entediada.
Em silêncio, apenas.
Mas que momento irritante.
~~ ~~ ~~ ~~ ~~ ~~
Os dias que seguiram na mansão Malfoy não fora lá de muito agrado para Luna. Na verdade, ela evitava dar as caras quando Draco estava por lá, por já ter sigo obrigada a ter que engolir Astoria Greengrass se atracando com ele como namorados apaixonados. É claro, brigaram aquele dia.
– Só porque sua mãe e seu pai saem, acha que pode fazer dessa casa um motel? — Luna ralhava irritada, Greengrass tinha acabado de ir embora e o loiro já fora atormentar a loira com os detalhes sórdidos e indesejáveis.
– Até parece que você manda aqui. — Retrucou o loiro, já estava sem paciência por ter que ouvir tanto bla bla bla de Luna. Foda-se a rixinha que ela tinha com Astoria, Draco tinha suas necessidades.
– Ah cala a boca seu idiota. — Cuspiu as palavras na cara do garoto, por estarem próximos.
– Você é insuportável, sabia? — Ele indagou bufando.
Luna rolou os olhos, e contou até 10 internamente para não avançar naquela doninha com anemia naquele momento.
– Olha só, não é só porque você fica gozando lá com sua namoradinha idiota que tem que vir me contar depois tá legal? Me poupe. — Ela rangiu os dentes entre a fala. Draco gargalhou com deboche.
– Tá com ciúmes priminha? — Ironizou o loiro quando cessou a risada.
– Quer me fazer rir Draco? — Revidou ela com sarcasmo. — E eu já disse que não sou sua prima seu idiota.
– Olha só garota, você tá me tirando do sério. — Draco encarou aqueles olhos azuis, irritado, mas sincero.
– Eu digo o mesmo de você. — Revidou Luna, sentindo os pulsos serem pressionados pelas mãos ágeis dele. — Dá pra tirar as mãos de mim?
– Escuta, sua idiota. — Mandou enquanto a loira se debatia para se soltar. — Dá pra escutar? — Gritou.
Luna respirou fundo e o encarou com raiva, parando de tentar se soltar.
– Se você parasse de ser assim, eu poderia conversar civilizadamente com você. Desde que você chegou aqui, só brigamos, todos os segundos. Mas se você fosse um pouquinho menos insuportável, poderíamos nos dar bem. Eu talvez, pudesse parar de me atracar com Astoria para dar atenção á você. Quer saber? Só dou pegas nela para passar o tempo. Com você seria diferente. Poderíamos rir sabia. Aliás,sabe o que significa rir? Sorrir? Ser legal?
– Até parece que você também sabe. — Desdenhou, olhado-o atenta nos olhos.
– Como eu disse á alguns dias, você não sabe nada sobre mim. — O loiro a deixou livre, quando terminou de soltar aquelas palavras como uma bomba para Luna.
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