O Último Shirian [hiatsu]

7 Capítulo 7 - O baile - Parte I


Notas iniciais
oiii, houve umas mudanças, primeira o nome do agressor do Dilan, sim eu troquei agora é Edward, desculpe por isso, mas achei justo avisar. Segunda as frases iniciais substitui elas por outras de minha autoria. Boa leitura! "Não tente apagar seu passado já escrito nas folhas da vida, tente apenas se concentrar em preencher da melhor forma as pagina ainda em branco que lhe restam" Hisachi Mynari

Capítulo 7 – O Baile – Parte 01

— Está tudo preparado? —Questionou Daínely sorrindo de orelha a orelha, os cachos negros balançavam de um lado para o outro à medida que andava eufórica.

—Sim madame —Confirmou um empregado vendo ela alargar ainda mais o sorriso, subindo as escadas com pressa, incrivelmente não tropeçando nos degraus, fato que acontecia sempre por ser tão desastrada.

—Aaaaah —Gritou fazendo a voz fina chamar a atenção dos empregados, que apenas a encaram acostumados com tal ação —Me esqueci das flores —Falou descendo com pressa os degraus da escada — Aaaaah —Gritou de novo parando estática ao descer o ultimo degrau —Eu já cuidei delas —Disse levando as mãos a testa em descrença, voltando a subir a escada.

—Como aguentam ? —Questionou a costureira que raramente visitava a garota, e só agora foi para levar o vestido que ela havia encomendado.

A camareira apenas deu de ombros com um sorriso, uma semana ali já era o bastante para enlouquecer alguém, Daínely sempre fora nada discreta, raramente era chamada para chás da tarde por outras madames por conta dessa personalidade.

Ela poderia estar fazendo tudo, cantando pintando mas enjoava fácil, e novamente acontecerá isso, mal tocou no pincel e já o guardou de novo correndo para janela e a abrindo se jogou na poltrona vermelha de veludo e apanhou o livro ao seu lado.

O abriu e começou a lê-lo, e assim ficou por... 10 segundos, ou menos e já o fechou dando um suspiro e se espreguiçando, como fazemos quando ficamos muito tempo sentados ou ocupados com algo, não era o caso dela.

—Aaaaah, quando os convidados vão chegar —Refletiu com suspiro.

—Madame ainda são 6 horas da manhã —Falou a empregada vendo a expressão triste assumir a garota.

—Por que escolhem fazer sempre festa à noite? —Questionou em revolta —Vai demorar horas até dar o horário e.... Aaaaah tenho que conferir o vinho —Falou correndo e parando novamente —Não, não já o conferi. —A empregada revirou os olhos paciente vendo a garota voltar a correr subindo as escadas.

E quando o sol ainda raiava preguiçoso subindo calmamente no horizonte Dilan estava sentado na poltrona, vendo novamente a caneta tinteiro borrar a folha, fazendo ele se revoltar e rabiscar totalmente o papel amassando-o e jogando longe no chão.

Viu a folha quicar sobre o chão e parar do lado das outras folhas amassadas na vã tentativa de se distrair, isso não estava funcionando.

—Tem certeza de que vai lá? —Questionou Alexander o tom de voz mostrando uma leve irritação.

—Tenho opção? —Questionou Dilan com um suspiro.

O silencio se instalou pelo quarto, Dilan encarava o chão evitando encarar Alexander, olhando para a o tapete vermelho que o forrava, como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

—Dilan —Chamou Alexander fazendo o loiro o encarar —Você sabe que se Edward se aproximar de mais ele pode descobrir que-

E a fala fora cortada por suas batidas singelas na porta, Dilan se ergueu se espreguiçando andando em direção á ela “eu sei Alex” Sussurrou baixo passando por ele e por fim abrindo a porta.

Hiroshi estava parado em silencio, o encarando com os olhos atentos apesar de ainda estar sonolento por conta do horário.

—Me chamou? —Perguntou com pesar o encarando, os pelos se enrijeceram ao notar ao diferente no olhar de Dilan, ele não esta frio.

É agora que os porcos ganham asas, só pode! O loiro o olhou co certo remorso após um suspiro pesado enquanto as memórias lhe viam a memória.

—Majestade? —Chamou Hiroshi novamente tirando Dilan do transe.

—Iremos sair a noite, esteja pronto.

—Para onde? —Perguntou Hiroshi curioso

—Não me lembro de ter dado permissão para perguntas —Falou Dilan vendo Hiroshi fechar a cara.

—Desculpe —Falou quase cuspindo a palavra.

—Assim é melhor —falou Dilan sorrindo e entrando no quarto fechando a porta em um estrondo.

—É um ótimo ator —Ironizou Alexander —Nem precisa de mascara para ir para o baile hoje.

—Cala boca —Ladrou Dilan irritado desfazendo o sorriso, em nenhum momento queria magoar Hiroshi, era sádico de fato, e simplesmente adorava vendo ele sofrer. Mas sofrer em suas mãos e nas de mais ninguém, a imagem lhe voltou a cabeça, fazendo a raiva invadir todo seu ser.

Ânsia, era exatamente isso que sentia ao recorda daqueles intermináveis meses em que ficou trancado, o punho se cerrou enquanto sentia nojo de si mesmo por ser usado, socou a parede em fúria vendo breves filetes de sangue aparecerem pela força que utilizara.

Alexander se levantou e pousou a mão sobre o ombro de Dilan, o loiro ficou parado alguns instantes tendo uma reação atrasada, estapeando a mão de Alexander para longe enquanto os olhos o encaravam arregalado com medo, e por trás da postura fria o loiro tremia.

—Se fica assim só de se recordar como vai encará-lo? —Questionou Alexander vendo o corpo tenso de Dilan relaxar aos poucos.

—...—Ele não sabia o que falar, mas o outro tinha razão —Ele não poderá fazer nada contra mim —Falou baixo confiante —Não depois do que eu descobri, ele não se aproximaria agora.

—Uma hora ele virá, e quando essa hora chegar Hiroshi já terá que saber de tudo.

—Não diga nada a ele.

—Você tem que contar

—Não será preciso

—O nosso tempo está acabando, Edward ira agir logo, e você querendo ou não vai ter que falar para Hiroshi.

—Agora não Alexander —Ladrou sentando novamente e colocando as mãos nas têmporas.

—E então quando?

—Quando eu partir —Falou com suspiro pesado, enquanto Alexander se enrijecia ao ouvir aquelas palavras —Se eu partir você que contará tudo.

—...

—Vamos comer algo, estou com fome —Cortou Dilan se erguendo já se incomodando com o assunto, não tinha o que temer, Edward não faria nada, não ainda, e sabia disso.

E Hiroshi já começara seu trabalho de todo dia, o tempo abafado deixa tudo mais energético já que alguns dias atrás era apenas vento e chuva, apanhou os tecido do pequeno balde e cantarolando uma musica pouse a lavar nas águas calmos do riacho que passava por ali.

As memórias do dia anterior lhe vieram à mente o deixando pensativo, encarava a água do riacho sem realmente enxergar nada, sua mente não estava ali e sim em suas lembranças.

O que Youru queria dizer com aquilo? Ficou em silencio nem percebendo que a cantoria que fazia já cessara, como assim morreria por Kyo? Ele estava em perigo? E as perguntas brotavam em sua mente prontas para saírem, mas entalavam em sua garganta.

Se perguntasse algo teria que explicar o motivo da pergunta, e não queria dizer que Youru lhe interrogara, e isso apenas daria direito ao Shirian de lhe perguntas algo sobre ele também e isso era melhor ser evitado.

E só então percebeu o quão desconhecido Kyo era para si, não sabia praticamente nada, na realidade se pensasse bem ele era um completo desconhecido para si, e provavelmente Hiroshi também era um desconhecido para Kyo, já que nunca lhe falara nada.

Nem mesmo o fato de ser um empregado, bastardo da princesa Rose, o que Kyo pensaria? Ele lhe julgaria, com certeza, e era isso que temia, que perguntas viessem e ele não pudesse responder, por não querer e por não saber a resposta.

Hiroshi não era o único que refletia, atirado sobre a grama seca estava Kyo, os olhos fechados em um prévio descanso na sombra de sua caverna, ao seu lado Youru, os jovens pareciam cochilar mas cada um estava perdido em seus devaneios.

—Já descobriram quem foi o mandante? —Questionou Kyo tentando distanciar seus pensamentos.

Youru negou com a cabeça percebendo que não tiveram nenhum avanço na investigação, tudo que sabiam era que quem quer que fosse que tivesse mandado o massacre morava naquele reino, e isso não ajudava em nada.

—Kyo —Chamou Youru serio vendo o Shirian bocejar entediado passando a mão por seus fios deixando os dedos roçarem nas orelhas felinas —Está falando serio em seguir adiante com isso?

—Isso o que?

—Hiroshi.

—O que tem ele? —Perguntou Kyo se sentindo incomodado

—Já pensou no fato de talvez estar... se apaixonando pelo garoto?

Os pelos de Kyo se enrijeceram enquanto um arrepio percorreu-lhe a espinha com a possibilidade.

—Não fale besteiras Youru, e- eu jama- jamais —começou gaguejando temeroso —Me apaixonaria por um humano.

—Não vejo problemas nisso —Falou Youru vendo pela primeira vez o Shirian sem jeito

—Calado

—Então eu posso?

—O que?

—Posso mordê-lo? —Provocou Youru vendo os olhos de Kyo se arregalarem brevemente e se semicerrarem em descrença.

—CLARO QUE NÃO —ladrou irritado

—Ué, pensei que não ligasse para ele

—Não disse que não ligava para ele

—Então se importa com o garoto

—... —E aquela parecia a verdade apesar de tudo, estava gostando de Hiroshi mesmo que negasse para se mesmo, esse relacionamento não daria certo um humano e um Shirian? Jamais, impossível, ainda mais um humano homem...

—Eu vou caçar —Falou Youru se erguendo os cabelos brancos esvoaçando com a brisa —Pode mentir para os outros Kyo, mas não para si mesmo —Disse se afastando deixando o amigo quieto e pensativo, ele estaria mesmo ... Amando Hiroshi?

O findar da tarde começara a aparecer aos poucos e só então o corpo de Kyo protestou pela posição desconfortável em que estava, estava convencido de seus sentimentos, sabia que toda vez que encontrava o ruivo um desejo de tomar-lhe o corpo e alma dele se apossava de si.

E acima de tudo a vontade de protegê-lo, caminhou apressado até o jardim em que o encontrou no dia em que se beijaram, até então o ponto de encontro deles, precisa vê-lo, confirmar seus sentimentos.

Mas infelizmente Hiroshi não o veria aquela noite, e pensar nisso deixava o ruivo também depressivo, isso já estava virando um vicio, como poderia ficar mal apenas por passar uma noite longe do outro, e se nunca mais se vissem como seria? Estava se apegando demais sabia disso, mas não se importava, o que ele tinha em jogo para perder? Nada e por isso iria atrás até o fim.

—Suas vestes estão em seu quarto —Avisou um empregado olhando com certo rancor para o ruivo que ignorou, caminhou em passos leves até a casa dos empregados abrindo a porta.

Na cama estavam vestes negras, um paletó aonde por dentro uma camisa de tecido macio branca dava contraste, no paletó próximo ao bolso o emblema da família real.

Nunca vira tantos detalhes antes, já que seus trajes se resumiam em um pano esquio fácil de colocar e de tirar, pegou as vestes dobradas e as levou com sigo as depositando perto de um banco de madeira.

A casa dos empregados estava um puro silencio por conta de todos estarem em horário de trabalho, encarou o balde com água até a boca em que eles banhavam-se para se lavar, jogando no corpo ensaboando-se.

Despiu aos poucos as roupas revelando o corpo alvo e com leves curvas, só restando por fim a camisa longa que trajava indo até o início de suas cochas, a puxou tirando-a mostrando por fim as cicatrizes, 1...2...7...9. Você perdia a conta no meio de tantas marcas, algumas longas que iam do ombro ao final da cintura, se misturando em outras minúsculas que passavam despercebias não tendo mais que 6 cm, como raspões ou arranhões, mas por algum motivo sabia que não era isso.

Jogou a água por seu corpo tirando aos poucos o leve suor que possuía, ficara por volta de 10 minutos banhando-se calmamente para por fim pegar a água que restava e jogar por seu corpo tirando qualquer espuma que restasse.

Os fios ruivos deixando que gotas se acumulassem nas pontas, pingando de vez em quando, os maiores colados rente a pele do rosto e da nuca, balançou-os como os cachorros após se molharem espirrando água para os lados, apanhou a toalha e se enxugou com pressa para vestir o traje e assim o fez.

Já era 18:15 quando Dilan e Hiroshi partiram na carruagem de cavalos brancos, em absoluto silencio, se encaravam alguns segundos para depois olharem para a paisagem afora que passava rápido e mudava cada vez mais por conta do crepúsculo que cessava e dava lugar a lua intensa no céu límpido sem nuvens iluminados pelas estrelas.

E logo à frente o baile já se iniciara, os nobres sempre eram barrados na entrada enquanto mascaras eram entregues, todas com diamante e outros detalhes decorativos, algumas em tom branco, outras negras.

O salão estava cheio para euforia de Daínely, que corria de um convidado ao outro puxando conversa com um sorriso simpático, mas não se fixava em um único ponto, mal acabara a conversa com um e já começava a falar com outro.

Apesar de tudo a garota de cachos negros, dona da festa, dotada de estrema beleza e carisma não era a única no centro das atenções. A roupa de um branco com detalhes às vezes em tom salmão estava justa e rente ao corpo do pequeno príncipe que parecia atrair os olhares de todos, a calça moldada ao seu corpo com varias curvas, os cabelos castanhos como sempre divididos no meio caindo por sua face na altura da nuca, os olhos coberto pele mascara branca que ganhara, mas não era o bastante para esconder a beleza de Toriam.

O modo de andar, o de falar, tudo parecia bem infantil e ingênuo, dando-lhe o ar inocente provocando tanto jovens, madames compromissadas e até mesmo homens, e claro tal característica física parecia não combinar nada com a personalidade dele, mas os convidados não sabiam disso certo?

E ter ciência disso apenas animava mais Toriam que aproveitava sempre para provocar de modo insinuante aqueles que lhe interessava, parando alguns segundos para iniciar uma breve troca de palavra, fazendo questão de abusar das frases de dupla interpretação e das indiretas, deixando todos confusos sem saber se ele realmente provocará, ou falara de modo inocente fazendo-os sentir-se mal por se atiçarem com as palavras.

E logo atrás completamente ignorado estava Gors, os passos pesados e a coluna reta, os cabelos como sempre presos na fita, caindo em suas costas.

Por mais belo que Gors fosse ninguém ficava mais de 2 segundos a encará-lo, o semblante serio transmitia irritação e a postura exalava o aviso de “não se aproxime”.

O soldado estava assim desde toda a viagem, mas o que raios estava acontecendo com Toriam? As únicas palavras que trocaram depois da viagem foram o breve “se arrume vamos sair” de Toriam, que soara diferente, não tinha mais aquele ar infantil, não tinha mais aquele tom irônico, era simplesmente frio e serio.

Dois dias já haviam se passado e ele continuava a agir assim, como se Gors não estivesse ali, e aquilo já estava levando ao máximo a paciência de Gors. Na mente dele pensamentos como “o que eu fiz?” Não lhe viam a mente, pois agira como sempre, tudo o que pensava era “o que raios deu nele”.

E foi quando a musica começou a tocas mais agitada que sentiu seu braço ser agarrado por uma mulher, os peitos fartos quase pendendo para fora do vestido, os lábios vermelhos exalando o cheiro de vinho.

—Vamos dançar —Falou ela com a voz embriagada puxando Gors, que novamente encarou Toriam e pela primeira vez em horas ele o olhava de volta, pelas frestas da mascara, pode ver os orbes castanhas cintilando em sua direção, não fazia idéia do que aquele olhar significava, repleto de receio e frustrações, mas não gostara dele, nem um pouco.

Segurou na cintura da moça firme guiando-a na dança, enquanto a mesma sorria, e a cada giro sentia os olhos dele pregados em si, aos poucos a musica se cessou e curvado agradeceu pela dança seguindo em direção a Toriam.

—Toriam, preciso falar com você —Falou firme se pondo de frente ao corpo do jovem, que não lhe encarava.

—Príncipe Toriam —Chamou uma terceira voz, e em passos pesados o Conde Rutwer se aproximou, nas mãos o copo com vinho, em que balançava casualmente, o corpo alto pó volta de 1,82 andava com a postura ereta, nos lábios um sorriso de canto que todos sabiam o que significava. Perigo.

Dos lábios exalava o cheiro de bebidas e charutos, os olhos chamuscando com cobiça secaram o corpo de Toriam, sem pudor ou vergonha, encarando pausadamente cada parte, as cochas a cintura e ia subindo até chegar naquela face de pele tão lisa e sem manchas, que se destacava na noite de luar de tão pálida.

Não era preciso saber da má fama de conde para ver quais as suas intenções, e poucos eram aqueles que trocavam algumas palavras com ele, mulheres principalmente. Acusado de estrupo por jovens sempre fazendo negócios no mercado negro o Conde Rutwer saia por debaixo dos panos, seus empregados sempre com semblantes aflitos e triste e o pequeno jovem que o acompanhava era a prova disso.

Quatorze ou quinze anos, talvez menos talvez mais, os cabelos lhe caindo em cachos negros sobre a face e os olhos ônix sem vida no rosto abatido, o corpo pequeno e a roupa justa, no pescoço mesmo que um pouco escondido mostrava o início das ataduras e qualquer um poderia imaginar como o Conde tratava seus empregados.

—Conde Rutwer, deseja algo? —Perguntou Toriam com um sorriso tentando novamente ignorar Gors, mas o soldado não ajudava, tudo que ele queria era se afastar de Gors, sentia o peito doer e o coração apertar, mas não importava, aquilo serio o melhor para ele, seria o melhor para ambos.

E um sorriso lotado de cobiça foi lançado para Toriam em resposta, secando novamente o corpo do jovem, é ele desejava algo, e um arrepio percorreu a espinha do jovem príncipe, mas iria em frente.

Se fugisse ou se afastasse do Conde, Gors o interrogaria, perguntaria -lhe diversas coisas, e pela primeira vez não sabia o que fazer, era uma faca de dois gumes, em ambos corria risco, o risco de se declarar, e o risco de... Não queria pensar nisso.

—Poderíamos nos falar a sós Príncipe? —Questionou o Conde encarando Gors que o olhava mal humorado, esperando a conversa que Toriam sempre dava, provocando e ao mesmo dispensando a pessoa, indagando o motivo ou algo assim.

Mas fazendo toda a confiança que Gors tinha em tal resposta decair o olhar de Toriam lançado a ti, um olhar de medo jamais visto seguido de um suspiro fez Gors se enrijecer.

—Como quiser —Falou Toriam abaixando a face, não vendo o enorme sorriso que o Conde abrirá, mas não foi por isso que não encarou nada além do chão, não foi pelo olhar cheio de cobiça do conde, mas pelo olhar descrente de Gors.

Ele ouvira direito? Toriam concordara? Aquilo estava realmente acontecendo? Viu o corpo de Toriam se virar e ele dar as costas aos poucos seguindo para outro ponto, ele estava se afastando cada vez mais, e agora Gors o olhava como se não o conhecesse, aquele não era Toriam, ele não era assim, ele...

E perdido em seus pensamentos, parado estático, ainda boquiaberto Gors viu Toriam se distanciar, os pés não se moviam enquanto digeria a informação, esticou o braço em uma ação atrasada, tentando pará-lo, mas tudo o que conseguiu foi agarrar o nada, a mão se fechou no vento sem o alcançar.

Forçou o corpo a dar um passo à frente, e finalmente o mesmo respondeu, as pernas se moveram em passos longos e com certa força o punho se fechou no braço de Toriam.

—Eii, o que pensa que está fazendo, me largue —Reclamou Toriam, mas engoliu suas palavras ao ver a face mal-humorada de Gors mudar, ela não estava emburrada, não estava alegre, ela estava fria, e aqueles olhos pareciam lampejar de ódio.

O conde encarou os dois, até pensou em ir atrás, mas a essa altura ambos já estavam longe, Gors puxava firme, a mão apertava cada vez mais firme o braço de Toriam que aos tropeços pela pressa do outro saiu com ele da mansão.

—Me largue , está me machucando —Falou olhando em volta, a noite estava abafada e o céu límpido, e ambos estavam sozinhos.

—Ah e agora você fala comigo —Ironizou Gors, o tom sarcástico carregado de cinismo parecia ferir Toriam mais que o aperto em seu braço.

Gors parou de caminhar quando se encontraram completamente sozinhos, nenhum voz, nenhum vulto, nada além deles, parados em frente ao chafariz cercados por arvores e algumas esculturas, estavam no jardim que era iluminado apenas pelo luar deixando alguns pontos as sombras se acumularem, em puro negrume.

—Por que fez isso? —Falou Toriam tentando se soltar das mãos de Gors —Me largue esta me machucando.

Tudo que Gors fez foi afrouxar minimamente o aperto, ainda serio o encarando.

—Me largue, é uma ordem —Falou Toriam franzindo o rosto com certa dor, moveu de modo brusco o ombro se soltando daquelas mãos grandes e firmes, e mesmo que brevemente se sentiu mal por se distanciar daquele calor que o corpo dele emitia em contato com a sua pele fria.

E a contra gosto Gors não voltou a segurar-lhe, se distanciou um passo respirando fundo tentando se acalmar.

—Por que me puxou? Eu estava conversando com o Conde —Reclamou Toriam com a mão sobre o local que Gors lhe segurara, massageando temendo que a vermelhidão ficasse roxa.

—POR QUÊ? — Ladrou Gors impaciente, pedindo aos céus paciência para não dar uma resposta mal educada ao garoto —Eu que devia perguntar, tem noção do risco que corria indo para um lugar vazio com ele?

E Toriam engoliu em seco, sabia mas não era por isso que arregalara os olhos em descrenças, o estomago se remexeu e sentiu a resposta lhe vir a mente como um veneno o machucando.

—E desde quando se importa? —Perguntou, os olhos e a voz firmes, mas por dentro tremia, e as primeiras lagrimas invisíveis transbordavam em seu coração, já agüentara de mais, já sustentara esse sentimento por muito tempo, e apesar de temer não sabia se conseguiria reprimi-lo por mais tempo.

—É meu dever protegê-lo —Respondeu Gors óbvio, e Toriam sentiu a visão ficar turva e embaçada, então era isso certo, sempre foi isso, jamais foi preocupação, jamais foi algum sentimento, tudo que Gors fazia por ele não passava de seu trabalho.

E como um vidro o coração de Toriam pareceu cair se despedaçando em diversos cacos ao chão, mas não se importou, não sentiu dor, não sentia mais nada.

Um sorriso morto nasceu nos lábios de Toriam, enquanto sentia algo úmido descer por seu rosto, o vento noturno chacoalhou seus cabelos e com leveza a mascar branca foi levada pela brisa.

E Gors a medida que o encarava arregalava os olhos em surpresa, estava enxergando direito, e quando o vento parou de bagunçar-lhe os fios viu com clareza engolindo em seco.

A lágrima desceu pelo rosto de Toriam pendendo em seu queixo antes de atingir o chão, o braço parara de latejar, não, na realidade continuava a doer, mas não sentia nada, parecia que o corpo não doía, parecia que nem estava ali, e mais lagrimas desceram por seu rosto passando com aspereza pelo sorriso morto.

—Então é isso —Falou Toriam dando uma gargalhada, sem humor e sem vida— Porque eu estou com raiva de você, estava apenas fazendo seu trabalho —Ironizou levando as mãos ao céu em sinal de descrença.

—Do que está falando? —Perguntou Gors ainda encarando as lágrimas de Toriam, que pela primeira vez em sua frente chorara.

—Era sempre isso certo, sempre reclamara do trabalho que eu dava, de como eu era insuportável, de como eu era infantil —E a cada palavra parecia que a ironia e o sarcasmo em sua voz aumentava —Me desculpe por te aprisionar a esse peso a mais que sempre carregou —Continuou friamente —Não precisa mais se preocupar comigo.

E Toriam virou disposto a dar as costas e afasta-se.

—Ei o que quer dizer com isso? —Falou Gors esticando o braço para novamente segurar-lhe, mas a mão de Toriam fora mais rápida e em um breve movimento estapeou para longe a mão do outro.

—Está dispensado —Falou Toriam com firmeza —Irei pagar-lhe devidamente se é o dinheiro que lhe faz falta —E a face de Gors ficou indecifrável, a cada palavra de Toriam menos reconhecia o garoto parado ali —Leve isso como uma boa ação soldado— e os olhos de Gors se estreitaram, Toriam estava o debochando e cada vez mais isso ficava óbvio —Pelo menos não terá mais que me aturar e-

A fala não foi continuada e o eco da ação se propagou na praça, o rosto virado enquanto os cabelos lhe cobriam os olhos frios, na bochecha as marcas vermelhas dos cinco dedos de Gors.

Sentiu a face latejar brevemente pelo tapa, e antes os olhos arregalados de surpresa se voltaram a forma sem vida para olhar para Gors.

—Satisfeito?

Nenhuma resposta veio, para ambos agora, aquela noite abafada parecia fria, aquela lua brilhante parecia misteriosamente opaca e escura, e aquela amizade que os rondava pareciam nada além de raiva.

—Por quê? —Questionou Toriam baixinho sem o olhar — Nunca se importou comigo e agora vem me agredir, pelo que?

—Nunca me importei? —E agora era vez da risada sombria sair pelos lábios de Gors —É exatamente assim que pensa? É isso que sempre pensou sobre mim?

—É, AGORA CALA ESSA MALDITA BOCA, VOCÊ NUNCA SE IMPORTOU COMIGO, NUNCA LIGOU PARA MIM, SORRIA PORQUE PAPAI LHE PAGAVA PARA ISSO, ME PROTEGIA PORQUE ERA SEU TRABALHO!

—E EU IGNORANDO FINGINDO QUE NÃO ERA VERDADE — Gritou Toriam prosseguindo a fala, sentindo a confiança se esvaziar da sua mente —Você nunca se importou comigo, nunca se importará, mas eu fui tolo, eu sempre sou, eu... —E um soluço pesado entre o choro suou alto —eu sempre te amei, mas agora já chega.

E a revolta que Gors sentia pareceu se esvaziar de sua mente, todas as palavras frias prontas para saírem pararam em sua garganta sem sair, viu ali a mascara de Toriam, aquela que ele usara durante toda a vida cair revelando finalmente os sentimentos do outro.

—Então por favor —Pediu Toriam se abaixando e enterrando a cabeça entre os joelhos escondendo as lágrimas que lhe desciam a face —Vá embora.

—Toriam...

—SAIA DAQUI, EU TE ODEIO—Gritou o menino se arrependendo de dizer aquelas palavras, não foi preciso levantar o rosto para saber que Gors o olhava, e o peito se apertou quando ouviu os passos de Gors e aos poucos o soldado lhe dava as costas e ia embora, o deixando sozinho chorando, não era isso que queria dizer, não era “eu te odeio”, nunca foi isso, era exatamente o oposto, o amava.

Mas não se importava mais com nada, não queria ver mais ninguém queria apenas ficar ali em seu canto se remoendo em seu próprio arrependimento.

E no salão a musica tocava ritmada enquanto Dilan entrava seguido por Hiroshi, ambos calados observando o local, e a longe o loiro pode avistar Edward que conversava animado com algumas jovens, e engoliu em seco.

Ainda muita coisa aconteceria naquele baile.

Notas finais
Desculpa por não desenvolver muito a parte do Dilan, proximo capitulo eu foco mais nele, aaaah achei fotos que me lembram Toriam e Gors, gostaria que vissem para sabem como é minha visão deles, e se imaginaram diferente comentem no review, quero saber ;] Toriam: http://www.zerochan.net/544276 Gors: http://www.zerochan.net/441258 Como o Toriam na aparencia é bem inocente totalmente diferente da personalidade, então achei mega parecido e o Gors, bom acho que descreveu bastante os cabelos longos sempre amarrados em uma fita, um pouco jovem para um soldado mas com um corpo bem bonito haha. O que acharam do cap? Ah eu quero matar alguem da fic, quem eu mato *sorriso diabolico* aa não me batam por isso realmente quero algo mais triste nela no meio de tanto romance # apanha Bjs