Notas iniciais
Heeey guys! Como vocês vão?? Tudo certo por aqui. Consegui terminar antes do que eu esperava esse capítulo e ja to escrevendo o próximo, espero que aproveitem.

— Onde nós estamos?

— Nós morremos! Surpresa! – Brinco, mas estou tão confusa quanto ele. Antes que eu tenha tempo de analisar o que há em volta, Jake olha para cima assustado e depois se joga em cima de mim, nos empurrando para longe dali.

Nós dois saímos rolando por algo que imagino ser uma imensa escadaria. Paramos de rolar apenas um tempo depois e felizmente o corpo de Jake amortece a minha queda. Algo faz um barulho tão estrondoso que o chão até treme de forma violenta. Tento me sentar, mas estou tão tonta que caio para trás novamente.

— Au. – Jake reclamou quando minha cabeça bateu em seu abdômen.

— O que acabou de acontecer? – Dessa vez ele me empurra levemente para que eu saia de cima de sua barriga e eu consigo finalmente manter o equilíbrio. O garoto parece recobrar o equilíbrio mais rapidamente que eu, porque se senta sem cair.

— Aquilo ia, literalmente, nos esmagar. – Ele aponta para cima. Sigo o a direção para qual aponta o dedo dele. No alto de uma grande escadaria encoberta com um tapete vermelho como o do Oscar, um livro enorme esta caído. Fico de queixo caído com o tamanho do objeto.

E é ai que observo melhor onde estamos. O lugar a nossa volta é uma torre circular com o teto aberto, é tão alta que não consigo ter uma noção de onde termina. As paredes são totalmente recobertas de estantes com livros de no mínimo 4 ou 5 metros de altura. A iluminação é toda feita por bolhas de luz flutuantes que vagueiam pelo local calmamente.

Viro-me de costas para a escadaria e me deparo com uma passagem de madeira não muito maior que a gente e toda decorada com palavras em várias línguas. Não me lembro muito de Jake nesse momento, apenas sigo pela passagem que nos leva a um lugar tão inusitado quanto o outro.

Uma cachoeira inebria o local com seu som relaxante. Existem poltronas suspensas e flutuantes, existem poltronas normais e em nuvens. Mesas iam na mesma linha, estavam por todos os lados, e havia uma pequena cafeteria sem atendente no meio do lago formado pela cachoeira. Novamente o lugar era cercado por livros, mas dessa vez, por livros de tamanhos normais.

É o meu paraíso? Oh meu Deus, estou mesmo morta?

— Uma biblioteca? – Jake surge atrás de mim.

Ah, não pode ser um paraíso se ele está aqui comigo.

— Que bom que você sabe o que é uma. Pensei que teria de lhe explicar. – Digo irônica, mas sem realmente me incomodar com a existência dele. Estou extasiada demais para me importar.

.........

Uma biblioteca gigante? Isso só pode ser sacanagem. Deve ser o meu inferno pessoal. Até ela está aqui pra complementar o lugar.

Megan tem um sorriso de canto a canto, seus olhos brilham e ela te a boca meio entreaberta, como se mantê-la fechada nesse momento fosse impossível. Ela me lembra um pouco a minha irmã quando está feliz.

— Vou dar uma olhada naquele livrão lá em cima. – Murmuro entediado em ficar parado. Ela nem ao menos me escuta. Volto pela passagem de madeira e vou em direção a escadaria, começo a subir degrau por degrau desejando nunca ter sonhado com aquela espada maldita e seu mundo dos livros bobo.

Enquanto subo percebo que as prateleiras gigantes nas paredes da torre têm fitas igualmente grandes que mostram ilustrações diversas. Em uma fita vermelha, um dragão chinês estava desenhado, encaro ele por alguns segundos e o monstro sai da fita, ele ainda parece uma ilustração feita a tinta, mas começa a voar em volta da escadaria. Ele sopra uma chama de fogo e passa no meio, acabando dentro da fita novamente.

Do outro lado um anjinho sai de sua fita rosa, ele aponta seu arco e flecha para mim e atira, desvio preferindo não saber se aquilo poderia me atingir, a flecha bate em uma estátua de algum esculpidor famoso e se transforma em um coração de flores. Olho feio para o cupido que solta uma risadinha brincalhona e entra em sua fita.

Um navio pirata desprende de uma fita azul e quase sou acertado pela ancora quando uma baleia surge da água imaginária e balança o navio. Um foguete desprende da roxa e passa pertinho de mim, me obrigando a pular algumas estrelas ágeis.

— Ok, isso até que é bem impressionante. – Admito.

— Bem vindo ao mundo dos livros. – Locke diz orgulhosa passando por mim e alcançando o topo. Paro de observar as ilustrações, o que é extremamente difícil, e termino de subir.

O livro monstruosamente grande que quase nos matou está caído de forma bem estranha, em um alinhamento tão perfeito que duvido que uma máquina consiga o mesmo efeito. Em frente ao livro tem um pedestal de mármore que lembra um pilar grego, ele é um pouco mais baixo que Megan e contém um livro também. O livro é idêntico ao gigante e tem escrito “Manual” na capa.

— Acha que devemos abrir? – Pergunto à ruiva.

— Não sei. Imagino que sim, pois não encontrei nenhuma saída para esse lugar. De qualquer forma, não custa tentar.

Ela abre o livro menor e ao mesmo tempo o livro grande se abre, nos dando um tremendo susto. Megan comenta algo sobre achar que o livro menor é o controle do maior e para provar sua tese, ela vira algumas páginas, fecha e depois abre o livro novamente. O maior repete os mesmos movimentos.

— Diminua essa baderna garota! Está me deixando tonto. – Uma voz sai de dentro do livro e Megan imediatamente larga o “controle”. De dentro do livro sai um homem de cartola e um daqueles óculos de um lado só. É o velho comerciante, só que agora muito bem vestido. – Bom dia, Guardiões.

Nós dois permanecemos em silêncio.

— O gato comeu a língua de vocês?

Novamente, nenhuma palavra se quer. Não podíamos dizer nada, não sabíamos o que dizer significava naquele momento. Em um mundo desconhecido, uma palavra pode significar tanto a sua glória quanto o seu fim.

— Tudo bem, já entendi, vocês não vão falar nada. Mas...bem, vamos descer para que vocês me ouçam de forma confortável. – Ele desce do livro com facilidade e começa a caminhar pelos degraus em direção ao lugar onde estávamos antes. Megan me encara e depois suspira, indo atrás do homem.

Na outra sala Megan se acomoda de pernas cruzadas em uma poltrona de nuvem flutuante – sou obrigado a segurar a risada ao ver ela quase cair dali – e eu me sento em pufe grande em formato de bola de beisebol que fica balançando com leveza. O homem vai até a cafeteria e nos pergunta o que queremos beber. Dando de ombros escolho um refrigerante qualquer e Megan aceita um cappuccino que vem em um daqueles copos como o do Starbucks.

Após nos entregar nossas bebidas, o homem pega uma xícara de chá e se senta em uma poltrona de forma muito elegante.

— Finalmente posso conversar com vocês, eu estava bastante ansioso, ela tem bastantes planos para vocês.

— Ela? – Megan finalmente pronuncia algo.

— Sim, a biblioteca. Às vezes, no silêncio absoluto, podemos ouvi-la falar. – Ele sussurra para nós como se fosse um segredo que outras pessoas não pudessem saber, apesar de ter consciência que só nós três estamos no lugar.

Ou é o que espero. De repente sinto uma vontade imensa de olhar em volta em busca de outras pessoas escondidas. Não encontro mais ninguém.

— Bem, vamos parar de enrolação. Chamo-me Hórus e sou o responsáveis pelos guardiões, aquele livro pelo qual sai é o manual de instruções, vocês podem procurar algumas de suas dúvidas nele, as vezes obterão respostas, as vezes não. Para usar o livro, vocês precisam encontra-lo em uma das estantes da sala inferior que é a que estamos, e colocar sobre o pedestal de mármore. Cuidado, não ultrapassem o pedestal de mármore sem prestar atenção, é lá que o livro-mãe cai quando o livro-chave é acionado e ele pode esmagar vocês.

— Nós meio que já percebemos essa parte. – Reviro os olhos lembrando dos primeiros segundos naquele lugar maluco.

— Em volta da cachoeira ficam as estantes de areia. – O homem ignora minha fala e continua explicando. – Lá todos os livros são em branco. E do outro lado da sala inferior ficam as estantes de cristais, é lá que ficam os livros concluídos.

— Os livros também são transparentes? Porque a estante me parece bem vazia. – Megan comenta encarando as estantes de cristais.

— Vocês precisam escrever nos livros da estante de areia para que eles possam ser transferidos para a de cristal.

— Você disse escrever? – Reclamo com antecipação.

— Exato, mas quem fará isso é ela. – Suspiro aliviado com essa resposta e afundo mais confortável no pufe. – Você irá protege-la.

— Ele o que? – Megan dá gargalhadas a ponto de precisar enxugar as lágrimas que se formam em seus olhos. – Ele não é capaz de me defender nem de uma formiga.

— Vá a merda, Locke. É mais fácil eu pular na jaula do leão que querer te salvar de alguma coisa.

— Ótimo, porque ai eu me livro de você de uma vez por todas.

— Ei, ei, ei, crianças! – Hórus bate palmas para chamar nossa atenção. – Nada de brigas aqui. – Vocês precisarão trabalhar em conjunto, precisamos de vocês no universo do livro. A biblioteca nunca escolhe guardiões por nada.

— Explique melhor... – Megan estreita os olhos e apoia a cabeça nas pernas.

...........

A iluminação do lugar parece diminuir um pouco e a temperatura está bastante agradável, me lembrando muito de quando eu me sentava com os meus pais em frente a uma lareira quentinha nas tardes frias e meus pais se revezavam para contar histórias divertidas.

— Dois universos existem em paralelo, o seu universo e o universo dos livros. A biblioteca é o intermédio entre os dois universos, basta atravessar aquela porta e vocês voltaram ao seu universo natal, mas se Megan usar a pena para escrever no livro-chave o portal para um dos mundos no universo literário se abrirá.

“Vocês entrarão em diversas histórias e o livro-mãe é responsável por escolher qual e em que posição. Vocês podem se tornar personagens principais ou se tornar apenas observadores. Assim que passarem pelo portal, o livro chave será tele transportado e aparecerá quando a história estiver próxima ao fim, vocês precisam encontra-lo para que consigam sair.

Acho que já descobriram como encontrar a pena mágica e a espada. Jake, sua espada veio direto das forjas do outro universo, é uma espada criada com partes de várias mitologias e ela pode se transformar de acordo com a arma eu você precise, desde que se adeque com a época em que vocês estão.”

Observo Jake tocar de teve a marca em sua pele e fazer a espada aparecer em sua mão direita. O nome dela reluz com clareza na lamina... Camaleão.

— Uma última coisa Guardiã. Você precisará ser muito forte. Mas em momento algum mude a história, isso pode lhe trazer consequências dolorosas. – Não entendo o que ele quer dizer com isso, mas ele se despede e começa a voltar para o livro. – Boa sorte!

E então desaparece, ainda tenho muitas dúvidas. Mas dessa vez me limito a suspirar. Pelo jeito terei de descobrir sozinha.

— O que vamos fazer? – Jake murmura de braços cruzados, não sei se para mim ou se para si próprio.

— Minha mãe sempre diz que quando não temos ideia do que fazer, se nos forçarmos a ir em frente e as ideias irão começar a aparecer.

— Isso quer dizer...

— Que vamos entrar no outro universo!

Notas finais
Comentem, isso ajuda bastante!