O Último Filho De Atena

1 Luto contra uma bola de poeira mutante


Meu nome é Pedro Henrique. Moro e estudo na escola integral "Pássaro Azul", pois não conheci minha mãe, e meu pai morreu quando eu tinha cinco anos. Eu tinha um amigo: Kaio. Ele era um garoto magro e alto, que andava com um gingado esquisito... ele parecia ter um machucado sério na perna, ou ter uma perna bem menor que a outra. Sempre andávamos juntos... era como se ele fosse uma espécie de guardião, o que era meio difícil (e quando eu digo difícil, quero dizer muito difícil).

Eu tinha um professor de História chamado Percy. Ele era dislexo, e tinha Déficit de Atenção com Hiperatividade. Eu não sabia como uma escola poderia contratar um professor assim, apesar de eu ter Hiperatividade também. Ele era muito bom, um pouco desligado (lerdo), mas era bom. Conversávamos sobre mitologia ás vezes. Eu adorava Mitologia Grega, mas como na escola não tinha essa matéria, eu me contentava lendo livros que eu pegava na Biblioteca Municipal.

As coisas eram meio estranhas para mim. De vez em quando, eu via coisas horríveis: monstros. E essas criaturas sempre viam em minha direção quando eu olhava para elas. Sempre que elas se aproximavam, Percy e Kaio apareciam de repente e lutavam contra eles.

Mas daquela vez foi diferente. Estávamos eu e Kaio no refeitório, sentados numa mesa. Então alguém me chamou. Uma voz distante. Distante e perta (não me julguem, porque não sou louco). Chamou novamente:

__Pedro Henrique! Pedro Henrique.– a voz era áspera, como uma lixa. E então, disse algo que não consegui decifrar: parecia em Irlandês. – Tá curse Fiachra ar ar tú!

Então, eu vi quem estava dizendo aquilo: um garoto baixinho que eu nunca tinha visto em meus 8 anos de estudo naquela escola. Ele era baixo, magro e muito, muito feio. Então, ele gritou algo para mim, em grego (sim, eu era bom em grego, além de português e inglês), que consegui decifrar como "Sua mãe, aquela mentirosa!". Eu nunca tinha visto minha mãe, mas eu me ofendi, mesmo nem sabendo do que o garoto estava falando. E parti para cima dele.

O garoto veio até mim, e ficamos parados, um na frente do outro, no meio da cantina. Mas nenhum aluno parecia ver o que estava acontecendo. O moleque feio na minha frente me olhava sério. Eu estava com medo, mas não podia demonstrar. Então, minha mochila pesou um pouco mais. Nas minhas costas, a mochila estava aberta. Recuei três passos. O garoto ficou me olhando, parado. Então, dentro da mochila achei um boné. Um boné que eu nunca tinha visto. Era azul-escuro, com um bordado grande na frente, escrito "TALÉNTO", que significa "Talento", e um bordado pequeno atrás, escrito "Atena". Coloquei-o na cabeça, mas não sei porque fiz isso. Não ajudaria em nada.

Mas, quando pus o boné na cabeça, uma linda espada apareceu na minha mão. No punho, estava forjada a palavra "TALÉNTO", que era o nome da espada. Então, quando o garoto viu a arma, tirou da mochila um prato bonito, e jogou-o no chão. Da rachadura, saiu uma bola de poeira preta. Mas não era normal. A bola flutuou até um metro do chão, e então criou pernas e braços. Tentei atacá-la com minha espada, mas, como era poeira, a lâmina passou direto. Então, criei um plano estranho. Mas decidi obedecer a mim mesmo. Peguei a espada, e enfiei a lâmina no prato, que estava no chão, até quebrá-lo totalmente. E a bola de poeira desapareceu, junto com o garoto e o prato.

Só então percebi a gritaria que Kaio estava fazendo. Estava desesperado, mas ninguém parecia perceber os gritos dele, nem minha luta contra... aquilo. Kaio correu até mim, junto com Percy, e os dois me levaram até a saída. Corremos até o lado de fora da escola, eu não sabia porque, mas fomos o mais rápido possível para longe dali.