O Último Dragão Rei
7 Reportando ao dever
Notas iniciais
Olhar para o lado de fora não estava ajudando.
Taiki estava sentado sobre os bancos de uma carruagem de madeira, puxada por dois cavalos e guiada pelo cocheiro. O rosto do garoto era um balão verde e estufado. Só de pensar nas rodas da carruagem, girando e girando...
Ok, péssima ideia. Seu estômago deu uma revirada.
“Sério mesmo...” – Sachi, que estava sentada ao lado do garoto, resmungou. – “Você é patético. Você aguenta centenas de guardas armados, mas perde a luta para uma carruagem! Seu fracote!”
Ela implicava de propósito, porque sabia que o garoto não estava em condições de revidar.
“Estranho...” – No lado oposto da carruagem, Happy murmurou. Ele coçou a cabeça de maneira pensativa. – “Do nosso grupo, geralmente o Natsu é o fracote por não aguentar viajar na carruagem.”
Do lado do gato azul, Natsu ergueu a cara com uma expressão indignada. Parecia pronto para perguntar: “Do que você me chamou?”. Na mesma hora a carruagem deu um solavanco. Ele e Taiki tiveram que segurar o vômito.
“Pelo que eu vi, nenhum inocente saiu ferido.”– Gray soava entediado, apoiando-se contra uma das janelas – “Parece que o plano deu certo.”
“Gray...” – Happy chamou, de olhos fechados com um tom decepcionado. – “Suas roupas.”
Gray resmungou alguma coisa. Depois olhou para baixo e levantou as mãos, praguejando. Só durante aquela viagem, o rapaz já tinha se despido três vezes até ficar só de cuecas.
Como ele conseguia fazer aquilo sem perceber?
“Mas o Gray está certo...” – Lucy desviou o olhar, enquanto o moreno terminava de vestir a calça. – “Se não fossem vocês dois, estaríamos perdidos. É...”
Ela hesitou. Parecia estar pedindo pelos nomes de seus novos convidados, mas estava com vergonha de dizer.
Sachi bufou. Eles tinham combatido centenas de inimigos juntos, costa a costa. Conseguiram escapar do tumulto graças às asas de Happy e Sachi, que ajudaram todos a subir pelos telhados. Tinham ficado horas olhando uns para a cara dos outros dentro daquela carruagem, que esperava por eles nos portões para escapar de Crocus.
E até agora, não tinham dito seu nome.
“Ei, gracinha, meu nome é Sachi.” – A gatinha respondeu, já que Taiki estava enjoado demais para falar. – “O prazer é todo seu. O bobão do meu lado é o Taiki.”
“Você é uma Exceed!” – Happy apontou para a gata, surpreso. O que ele era? O capitão óbvio? – “Bem que eu suspeitava!”
Lucy beliscou a bochecha do gato azul e fez sinal para que ele se calasse. Happy só gemeu um “Aye.” como resposta.
“Mas então, Sachi e Taiki...” – Lucy continuava brincando com as bochechas de Happy, como se elas fossem feitas de borracha. – “Vocês estão sozinhos? Digo, tem algum responsável esperando por vocês? Se eles também estavam presos, nós podemos ajudar vocês a encontrá-los.”
A oferta da garota era gentil, e sincera. Mas o olhar murcho de Sachi fez com que Lucy se arrependesse da pergunta. A gatinha demorou um tempo para responder:
“Foi mal, Lucy. Não tem ninguém nos esperando.”
Lucy sentiu um calafrio. Não lembrava de ter dito seu nome a Sachi. Gray e Happy perceberam isso também. Todos estavam desconfiados agora.
Na hora, o segundo dos conselhos de Lucy veio à tona. Sachi lembrava muito bem.
“Quando deixarem o castelo, procurem pela Erza. Ela vai saber o que fazer. Só ela pode saber, entenderam? Ninguém mais.”
Era um conselho duro. Difícil de seguir à risca. Mas Sachi ignorou os olhos fuzilantes do grupo à sua volta e conseguiu dizer:
“Olha, vocês vão ter que confiar na gente.” – a gatinha olhou para Taiki, que ainda estava se contorcendo de dor ao lado dela. – “Nos levem para onde vocês estão indo. Lá, nós conversamos.”
(...)
A viagem durou mais alguns dias.
Se Taiki não estivesse enjoado demais para olhar lá pra fora, poderia admirar melhor o cenário por onde eles passavam.
Eles estavam naquele tempo entre o verão e a primavera. O sol brilhava forte sobre o céu azul. As flores coloridas, que pareciam ter acabado de desabrochar, enchiam a carruagem com seus perfumes suaves.
Mesmo o som do vento batendo sobre as árvores era demais para Taiki. Ele ficou um bom tempo só escutando os cavalos trotando à sua frente. Um silêncio calmo estava no ar. Tudo o que ele tinha aprendido a ouvir era o barulho de quando seus pés se afundavam na neve.
De dia, o garoto escutava o som dos pássaros e dos animais à sua volta. Eram tantos! À noite, os grilos faziam a sinfonia que ressoavam em seus sonhos.
Quase faziam seu enjoo desaparecer.
Depois de muito tempo cavalgando, finalmente a carruagem parou. Natsu não quis nem saber. Ele pulou pra fora gritando: “ESTOU DE VOLTA!”, cuspindo fogo para cima e fazendo o passinho da vitória. Happy acompanhou-lhe.
Lucy acertou a palma da mão contra o rosto. Aqueles dois era imbecis completos. Ela e os outros desceram da carruagem. O cocheiro sorriu quando Lucy lhe dirigiu um olhar agradecido.
“Obrigada. Não teríamos conseguido sem você.”
“Fico feliz de te ajudar, Lucy–san.” – o homem cumprimentou-a puxando a aba de seu chapéu. – “Mas acho que ficou perigoso. Não me procure por alguns dias. É melhor não levantar suspeita.”
“É claro.”—A loira assentiu. O homem chicoteou os cavalos e continuou seguindo a estrada de terra.
Olhando em volta, Taiki estava desconfiado. Podia jurar que estavam em algum lugar na floresta que ficava nos arredores da cidade de Magnólia. Tinha visto aquela estrada, enquanto voava sobre os céus em Christina.
O porquê de estarem ali é que era um mistério.
“Vamos logo, garoto.” – Gray bateu no ombro de Taiki e convidou-o a segui-lo. – “O caminho é por aqui.”
(...)
Taiki e Sachi andaram pelo que pareciam ser horas. Tinha algumas árvores que eles juravam ter visto mais de uma vez. Quanto mais fundo eles andavam na floresta, mais parecia que suas cabeças se confundiam com as rotas tortuosas que eles pegavam.
“Não se preocupe.” – a voz de Lucy soou, tentando confortá-los. – “É assim mesmo. Toda essa floresta está cercada por uma névoa mágica. Ela nos protege dos homens do conselho.”
“Ok...” – Taiki estava tentando entender o que ela disse, mas decidiu não questionar. – “Mas vocês sabem para onde estão indo, não é?”
Lucy sorriu para ele.
Sim, eles estavam perdidos. O garoto pôs as mãos sobre a cabeleira loira bufou de tédio. Porque aquelas coisas aconteciam com ele?
Depois de certo tempo, Taiki notou que algo estava diferente. Ele não mais escutava o som dos animais à sua volta, ou do vento que soprava as folhas para o chão. Estava quieto e silencioso. O grupo parou de andar.
“Finalmente.” – Lucy expirou, aliviada. – “Encontramos.”
E dizendo isso, a garota deu um passo para frente e desapareceu.
Taiki ficou boquiaberto. Isso até que Natsu, Gray e Happy seguiram a loira, andando na direção dela e em seguida desaparecendo. Foi pior quando só a cabeça de Natsu apareceu flutuando do nada, resmungando:
“Qual o problema, garoto? Vocês não vêm?”
E a cabeça flutuante desapareceu de novo. Taiki engoliu o seco. Ele olhou para Sachi, que também estava apreensiva ao seu lado. Não sabiam o que vinha pela frente. O garoto estendeu a mão, e fechou-a sobre a patinha da gata. Os dois deram o próximo passo juntos.
“Oh, cara.” – A visão de Taiki saltou-lhe os olhos. – “Eu adoro magia.”
Eles estavam agora diante de uma enorme clareira, escondida entre as árvores. Haviam acabado de atravessar uma espécie de domo, uma semiesfera mágica de cor dourada, que parecia delimitar o limite entre a clareira e a floresta.
No centro, Taiki se admirou. Havia uma construção enorme, feita de madeira. Taiki julgou que pelo tamanho, devia ter dois ou três andares. Era impossível de não notá-la pelo lado de fora. E ele podia ter visto aquilo do céu.
Se um daquele tamanho estava tão bem escondido no meio da floresta, só podia ser por magia mesmo.
Lucy se virou para os dois convidados, que ainda olhavam para o prédio com cara de paspalhos.
“Bem vindos.” – ela anunciou. – “Vamos. Estamos atrasados com o nosso relatório.”
(...)
Nunca, em toda a sua vida, Taiki havia visto tantos magos reunidos.
Ok, não passava de uns cinquenta ou sessenta deles. Todos tinham marcas de cansaço no rosto, como se tivessem sido forçados usar seus poderes constantemente. Mas pelo seu faro, e pela aura de poder mágico que cada um tinha, Taiki podia perceber.
Ele e Sachi tinham acabado de passar por um imenso portão. Eles entraram no que parecia ser o salão de um grande bar antigo. Haviam várias mesas grandes de madeira, colocadas uma ao lado da outra.
Sentados nas cadeiras, os magos bebiam suas canecas de cerveja, servida por duas mulheres-garçonete. Uma de cabelos grisalhos e outra de cabelos violeta. A conversa estava animada. Alguns dos homens, já bêbados, jogavam cantadas para as garçonetes, que desconversavam na mesma hora.
“Então, vocês chegaram, seus malditos?” – Havia um velhinho sentado sobre o balcão, no final do salão. Ele se dirigia para Natsu e os outros. – “Fico feliz que voltaram a salvo.”
Era um senhor estranho. Muito baixinho mesmo. Seus olhos eram escuros. Estava quase careca, com cabelos só pelas laterais da cabeça, brancos pela idade. Seu bigode era grande e espesso, da mesma cor que o cabelo.
Ele vestia uma calça preta e uma camiseta branca, com uma jaqueta vermelha por cima. Cobrindo seu corpo, havia uma capa branca com um cordão para ajuste na altura do pescoço. O senhor estava de pernas cruzadas, com seus sapatos marrons se apoiando sobre o balcão.
“Mestre.” – Gray tinha as mãos nos bolsos. Ele olhou para o velhinho e o cumprimentou. – “Estamos de volta.”
Na hora, as conversas paralelas no salão pararam. Todos estavam concentrados e olhando para os recém-chegados. Não davam muita atenção para Taiki e Sachi. Eles cumprimentavam principalmente Natsu, com muitos sorrisos e parabéns. “Que bom que estão de volta!” “Como foram de viagem?”.
Foi uma recepção calorosa. Ok, Taiki estava com um pouquinho de inveja, e raiva por estar sendo ignorado. Ele sentiu os olhos do velhinho se cruzando com os dele. Aquele vovô estava analisando ele e Sachi.
“Bem, agora só um dos grupos está faltando.” – O mestre anunciou, se colocando de pé. Todos olhavam para ele. – “Vamos ter que começar sem ela. Que tenha início a reunião.”
(...)
Logo, as cadeiras estavam ajustadas em um semicírculo de modo que todos pudessem ver o balcão. Ao lado de onde o mestre estava sentado, uma garota de cabelos azuis, amarrados por um laço amarelo e óculos de a armação vermelha lia atentamente as anotações que ela mesma tinha feito em um bloco de papel.
“Nós passamos três dias seguindo membros importantes do conselho e tivemos acesso a vários documentos oficiais. Nenhum comprova que a Chaos tenha ou teve qualquer relação direta com as mudanças que o novo conselho está implantando.”
“Obrigado, Levy.” – O mestre agradeceu e sinalizou à garota para que o próximo grupo tomasse o lugar dela. Ela assentiu com a cabeça e retomou seu lugar.
Taiki estava de braços cruzados, bufando. Não entendia nada do que aquele bando de malucos estava falando.
E então, um casal se levantou e deu alguns passos à frente. Um deles era um homem forte e musculoso. Não parecia estar tentando esconder sua aparência. Só vestia uma calça preta simples, um sapato marrom e uma jaqueta pequena demais para ele, sem mangas.
Seu longo cabelo branco era mantido para cima, um pouco espetado e ondulado. Seus olhos escuros não tinham nenhuma sobrancelha visível.
A mulher ao lado dele era igualmente fascinante.
Usava um longo vestido verde e revelador com padrão de vinhas, dando destaque ao seu decote. Caminhava com suas sapatilhas marrons. Seu cabelo longo e castanho claro pendia sobre as costas. Ela pressionava óculos ovais sobre o nariz, escondendo seus olhos castanhos escuros da multidão à sua volta.
“Reportando de Hargeon.” – o homem tomou a palavra primeiro. – “O movimento dos navios continua suspeito. Há vários deles chegando ao porto vindos de Seven, Bosco e Jova. A maioria das cargas é distribuída de graça, e os cidadãos estão contentes demais para notar as coisas acontecendo.”
“É, mas você estava atento, não é Elfman?” – A mulher de vestido resmungou para o homem musculoso. – “No nosso breve pulinho no Akane Resort, você não tirava o olho das garotas de Biquíni que passavam pela sua frente.”
“Faz parte da missão, Evergreen.” – o homem protestou, contraindo os músculos e fazendo uma pose de vitória. – “É coisa de homem! Não espera que eu simplesmente ignore... Pera aí! Você liga pra essas coisas?”
A cena se transformou completamente. O homem chamado de Elfman de repente estava no chão, berrando de dor, enquanto a mulher, Evergreen chutava-o com força. A feição dela era demoníaca.
“EU NÃO LIGO PRA VOCÊ, SEU IDIOTA!” – a frequência dos chutes dela não diminuia – “ESTÁ OUVINDO? PARE COM ESSA PORCARIA DE DIZER QUE É COISA DE HOMEM!”
Ninguém conteve a risada. Era nítido que aqueles dois tinham uma relação diferente.
“Bom...” – Evergreen se endireitou enquanto Elfman continuava nocauteado sobre o chão. –“De novo, voltamos de mãos vazias. Nada que ligue a Chaos à distribuição de alimentos para conseguir o apoio do povo. Continuamos sem nada.”
Os outros magos à sua volta começaram a cochichar entre si. Pelo que Taiki podia ouvir, não podia ser coisa boa.
Logo, Evergreen arrastou Elfman e outros tomaram o lugar deles. Falavam sobre os movimentos estranhos dos cavaleiros rúnicos, a guarda especial do conselho. Outros falaram sobre as outras cidades que estavam sendo investigadas. O nome “Chaos” volta e meia era mencionado de novo. Ninguém explicava o que significava.
Por fim, Natsu, Gray, Lucy e Happy se levantaram e foram até o centro das atenções. Lucy tomou a frente e disse:
“Reportando de Crocus.” – O nome fez todos naquele salão se arrepiarem só de escutar. – “A situação não está boa.”
Gray tomou a palavra, explicando tudo o que tinha acontecido até então. A viagem dele e seu grupo para a capital. A quantidade absurda de guardas em cada esquina da cidade. Natsu prosseguiu, contando sobre a forma como se deixou capturar para ter acesso ao posicionamento dos guardas na prisão, de modo que facilitasse qualquer outra fuga que viesse a acontecer.
“Nós quase não escapamos de lá vivos.” – Happy finalizou de forma triste. – “E também não temos nada que culpe a Chaos.”
Todos estavam decepcionados agora. O grupo de Lucy parecia ser a sua última esperança para alguma boa notícia. O mestre resmungou alguma coisa ininteligível e ordenou o grupo a se sentar. Sachi bufou. Ela e Taiki ainda não tinham sido apresentados. E ninguém parecia notar a presença deles.
“Bem, nós não vamos desistir.” – o velhinho anunciou, por fim. – “Temos essa obrigação com o mundo mágico. Sem a ajuda das outras guildas, não temos escolha a não ser continuar tentando.”
Os outros magos fizeram que sim com a cabeça e murmuravam palavras de aprovação. Já começavam a dissolver o semicírculo de cadeiras envolta do balcão quando os portões do salão se abriram com violência.
“Reportando de ERA!” – anunciou uma voz feminina.
Todos se viraram para encará-la.
Pelo corredor que havia entre as mesas, uma maga de armadura caminhava na direção dos outros. Seu corpo, extremamente definido e belo, estava coberto por manoplas, botas pretas de cano longo e uma armadura de aço acinzentada. O set se completava com uma saia azul curta, que cobria até um pouco acima dos joelhos.
Sua expressão era dominadora. Seus cabelos longos, vermelhos escarlate, balançavam no ritmo do seu caminhar autoritário. Seus olhos castanhos tinham uma expressão única, que era ao mesmo tempo reconfortante e assustadora para todos que se atrevessem a cruzar olhares com ela.
“Erza!” – Lucy chamou. A maga de armadura acenou na direção da loira. O som daquele nome fez Taiki ficar alerta. – “Você voltou!”
(...)
Sachi e Taiki foram forçados a escutar toda a história outra vez.
Aquela maga, Erza, devia ser alguém importante. Os outros sempre a tratavam com respeito enquanto falavam com ela, como se esperassem que a qualquer momento alguma coisa muito ruim pudesse acontecer.
Cada um repetia seus relatórios para a ruiva, que escutava atentamente de olhos fechados e braços cruzados. Quando Lucy, Gray e Natsu terminaram de repassar para ela o que aconteceu em Crocus, ela murmurou um resmungo, como se estivesse pensativa.
“Temo que eu também não traga boas notícias.” – Erza começou, dirigindo aos outros um olhar sério. – “Nenhum sinal dos que foram levados. Eu chequei pessoalmente cada bloco das prisões subterrâneas do conselho. Gajeel, Lily, Wendy, Charlie e Luxus não estavam em lugar nenhum.”
Aquilo pareceu diminuir ainda mais a moral do grupo. Taiki reparou que a maiorias dos grupos que tinham saído estavam em dois ou mais integrantes. Aquela mulher invadiu uma prisão subterrânea do conselho?
Sozinha?
A maga de armadura continuou:
“Nós temos Fried e Bickslow procurando em todas as prisões conhecidas. Mas é possível que a Chaos tenha levado eles para outro país. Ou quem sabe...”
Erza interrompeu sua própria fala. Todos ali consideravam aquela possibilidade. Mas ninguém ali estava disposto a desistir assim tão fácil.
Taiki sentiu um arrepio. Sua hora tinha chegado.
“Bem, fico feliz que voltou bem, Erza.” – O mestre parecia estar tentando confortá-la. – “Não se preocupe. Nós não vamos desistir deles. Não é como se algum de nós soubesse para onde os outros foram levados.”
“Eu sei.”
Os olhos de todos os magos se viraram para Taiki. Ele estava nervoso, mas Sachi o incentivou a prosseguir.
“Eu sei onde seus amigos estão sendo mantidos reféns.” – Ele podia sentir os olhares desconfiados mirando sobre ele. “Quem é esse garoto?”. “O que ele está fazendo aqui?”. – “Eu também sei por quê. E eu acho que posso ajudar vocês a encontrá-los.”
Ninguém se atrevia a dizer nada. Erza foi a primeira a dar um passo para frente e quebrar o silêncio que se estabeleceu no recinto.
“Eu não conheço esse garoto.” – A maga deu voz aos pensamentos dos outros. – “Como ele chegou aqui?”
Agora Taiki estava mesmo intimidado. Não conseguia encarar Erza sem parar de tremer.
“Olha, meu nome é Taiki. Eu sou um Dragon Slayer. Minha mãe me pediu para procurar uma maga, chamada Erza Scarlet. Ela disse que eu devia...”
“Calado.”
O aço frio de uma lâmina afiada tocou o pescoço de Taiki.
Ninguém viu de onde veio. Erza olhava para o garoto de maneira demoníaca, como se estivesse esperando uma justificativa para cortar-lhe a garganta. Taiki engoliu o seco. Sua mãe avisou que isso iria acontecer.
“Você só fala quando eu falar com você.” – Porque será que Taiki desistiu de tentar explicar as coisas?. A maga de armadura encarou o mestre com um olhar severo e perguntou: -- “Ele já foi iniciado? Já possui a marca da Guilda?”
“Eu acho que não.” – O velhinho coçou a cabeça, olhando para Taiki e Sachi – “Nunca os vi antes.”
Só naquela hora Erza reparou em Sachi. Não que isso importasse muito para ambas.
“Eu digo que eles merecem uma chance.” – uma voz conhecida de Taiki anunciou.
O garoto gelou. De todas as pessoas, não esperava encontra-la aqui.
Era a mesma garotinha loira, de olhos verdes sem Iris e um robe cor de rosa. Ela estava ali, sacudindo os seus pés descalços de maneira despreocupada, com os olhos de todos concentrados sobre ela.
“Mas... Mestra Mavis...” – O velhinho tentou contra argumentar, surpreso com a aparição da garota. – “Ele pode ser um espião do conselho. A Chaos pode ter mandado ele aqui. Não é prudente nos deixarmos levar por esse tipo de...”
“Terceiro...” – a garota chamada Mavis sorriu para todos. – “Ou sexto, se preferir. A verdadeira prudência é não negar a ajuda quando ela é oferecida. Eu sinto algo... Diferente nesses dois. Eu aprovo que eles sejam testados.”
Todos soltaram exclamações de surpresa. Murmúrios não paravam de ecoar pelo salão. “Isso é perigoso...” “Com certeza é mais um dos truques da Chaos.”. Sachi olhava de um lado para o outro, se perguntando porque aqueles lunáticos estavam falando sozinhos.
Taiki tinha duas teorias. Ou Sachi, por algum motivo, não podia ver a garota de pés descalços, ou todos ali dentro, incluindo ele, eram completamente loucos.
Ambas teorias eram plausíveis.
“De pé.” – Erza ordenou calmamente, tirando a sua espada do pescoço de Taiki. – “Se a primeira mestra aprova, então eu mesma presidirei a cerimônia de iniciação. Todos lá para fora. Já sabem o que fazer.”
Fale com o autor