O Último Adeus a Rúbeo Hagrid
1 Capítulo 1- O último adeus a Rúbeo Hagrid
Harry Potter estava sentado em uma poltrona de frente a lareira de sua casa, Gina estava sentada no seu colo e os dois conversavam sobre seus respectivos trabalhos.
—Antes do natal haverá um jogo de quadribol importante no Brasil, o profeta quer que eu vá até lá cobrir o jogo. Você não se importa né querido? Voltarei antes das férias das crianças começarem. — A ruiva disse sorrindo animada, poderia passar o tempo que passasse, ela sempre seria uma amante indiscutível de quadribol.
— Claro que não querida, também terei que ir em missão com os aurores. Ficarei mais tranquilo em saber que você não está sozinha em casa. — O jovem homem disse com um enorme sorriso.
Eles moravam agora no Largo Grimmauld, na casa que ele havia herdado de seu padrinho, Sirius Black. Todos os objetos macabros e quadros dos ancestrais Blacks, haviam sido (finalmente) removidos. Para Harry a casa agora era acolhedora e um lugar que ele podia chamar de lar.
A conversa do casal foi interrompida por uma coruja que batia o bico, incansavelmente, na janela da sala. Gina se levantou e pegou a carta atada na pata da ave, leu o remetente e sorriu nervosa para Harry.
— É de Hermione.
— Uma carta de Hogwarts? Que será que os garotos aprontaram agora? — Harry disse se levantando com um mínimo sorriso nos lábios, amava o fato de seus filhos terem a mesma disponibilidade que ele para quebrar regras.
— Não de Hogwarts Harry, de Hermione. Hermione nossa amiga, não a diretora do colégio de nossos filhos. — A ruiva disse com as mãos tremulas.
O semblante de Harry mudou, o que faria Hermione lhes escrever? A resposta veio quase instantaneamente, Hagrid. O meio gigante estava doente já há alguns meses. O próprio Harry já tinha ido vê-lo incontáveis vezes em sua cabana.
— Você quer abrir? — A ruiva disse lhe estendendo o envelope. — Está endereçado a você.
Com as mãos tremulas ele pegou o envelope e o abriu, o pergaminho estava dobrado e Harry percebeu que estava totalmente marcado por lágrimas.
"Olá Harry, como você e Gina estão?
Sinto muito ser eu a te dar essa notícia, Merlin sabe que eu já chorei um tanto.
Bom, Hagrid faleceu essa tarde. Canino veio nos chamar aqui no castelo e quando chegamos lá ele já havia partido.
Ao que tudo indica ele morreu dormindo, não sofreu nada.
Sei que ele era como um pai para você, sei que você gostava muito dele. Os alunos também estão desolados, principalmente nossos filhos que não sairam de perto de Hagrid nesses últimos dias.
Iremos velar o corpo dele amanhã pela manhã, espero você e Gina aqui para nos despedirmos dele.
Eu espero que você fique bem."
Atenciosamente, Hermione.
Quando terminou de ler, as lágrimas já rolavam por seus olhos.
— O que foi meu amor? — Gina perguntou vendo o desespero do marido.
— Hagrid... Ele faleceu nessa tarde.
— Meu deus. — Gina disse levando as mãos a boca, os olhos cheios de lágrimas.
— O velório vai ser amanhã, nós precisamos ir. — O moreno disse enxugando os olhos nas mangas da blusa.
— Vamos nos deitar meu amor, amanhã precisaremos acordar cedo para aparatar em Hogsmead. — A ruiva disse respirando profundamente e se encaminhando para o marido o abraçou.
Hagrid já estava doente a alguns meses, uma doença que nenhum medi-bruxo conseguiu encontrar a cura. Mesmo já esperando por essa notícia, ela não deixou de ser triste para o menino que sobreviveu.
Harry e Gina se deitaram, porém, nenhum dos dois dormiram de verdade. Gina fazia carinho nos cabelos despenteados do esposo, enquanto Harry chorava mergulhado em pensamentos.
Quem seria o próximo? Primeiro foram seus pais, depois quando encontrou alento e o sentimento de ser amado por alguém, Sirius fora assassinado por Bellatrix, depois fora Dumbledore, Remo... E agora Hagrid. Qual figura paterna ficaria para Harry? Ele sempre perdera tudo que mais amava...
Na manhã seguinte, o casal Potter acordou e em silêncio se aprontaram para o velório.
Gina usou um vestido preto na altura do joelho, o vestido que ela havia usado no velório de seu irmão, tantos anos antes. Já Harry colocou um terno preto simples, acompanhado de uma gravata também preta.
Eles aparataram em Hogsmead, onde uma grande grupo de pessoas se deslocava para Hogwarts. Todas aquelas pessoas eram, de alguma forma, amigos de Hagrid.
Tinha a Madame Rosmerta, a assanhada dona do bar local, onde por várias vezes Hagrid esteve na companhia dos colegas professores. Tinha também Abeforth Dumbledore, o carrancudo dono do Cabeça de Javali, onde o meio-gigante ia para encontros com comerciantes suspeitos... Harry sorriu tristemente ao observar a pequena comitiva que seguia para os terrenos de Hogwarts, todos vestindo preto...
Harry entrelaçou seus dedos aos dedos de Gina, e juntos eles acompanharam as pessoas do povoado, todos em um enorme silêncio, quebrado apenas por pequenos soluços.
Os portões de Hogwarts estavam abertos, e vários alunos chorosos caminhavam pelos jardins.
O caixão de Hagrid estava posto próximo do lago, no mesmo lugar onde fora posto o caixão de Dumbledore anos e anos antes.
Harry e Gina encontraram Hermione recepcionando os colegas triste e chorosos do meio gigante.
— Ah que bom que vocês chegaram. -A morena disse abraçando os amigos. A diretora de Hogwarts, vestia um vestido preto colado ao corpo e um sobretudo da mesma cor. — O lugar de vocês está colocado lá na frente. — Hermione disse apontando para onde os filhos deles estavam sentados ao lado de Rony.
— Obrigado Mione. — Harry disse abraçando a amiga fortemente.
— Você poderia dizer algumas palavrinhas Harry? Rony topou falar alguma coisa. -Hermione disse segurando as mãos do amigo.
— Sim, é claro. — Ele disse se encaminhando para a frente das cadeiras dispostas no jardim.
Harry observou e viu que vários amigos de Hagrid da Ordem da Fênix estavam por ali, incluindo o Ministro da magia.
Assim que os viu, Lilly se levantou e abraçou os pais chorando copiosamente.
— Ele estava até se sentindo melhor ontem pela manhã. — A pequena disse chorando nos ombros do pai. — Nós cuidamos dele muito bem papai.
— Eu sei disso Lilly, eu sei. — Harry disse se sentando e pegando a filha no colo. Ela já tinha 14 anos, mas naquele momento, ela era a frágil menininha Potter.
Harry observou o corpo de seu amigo, vestido com seu terno marrom e a gravata de bolinhas roxas que ele tanto amava, o seu guarda-chuva rosa posto entre seus grossos dedos.
— Bom, já que estão todos por aqui vamos dar início a cerimonia póstuma de Rúbeo Hagrid.
"Hagrid, desde que eu cheguei a Hogwarts se mostrou um amigo e tanto. Um bruxo de valor, caráter e carisma, capaz de conquistar qualquer um com o mínimo de bom senso.
Apesar de sua aparência selvagem, Hagrid sempre foi um dos bruxos mais doces que já conheci, sempre disposto a se colocar a prova e a lutar por todos. E é com o sentimento de gratidão que eu digo, 'Descanse em paz grande amigo'".
Hermione terminou seu discurso com fortes aplausos e com grossas lágrimas correndo por seus olhos castanhos.
Rony, vendo que sua esposa não conseguiria falar mais nada, ele se aproximou e a ajudou a se sentar ao lado de Gina, que a abraçou pelos ombros.
— Bom, acho que agora é minha vez de dizer algumas palavras... — Rony disse enxugando os olhos com as costas da mão.
"O Hagrid era um bruxo incrível, de um coração puro e um amor doce. Acho que ele era a principal fonte de carinho dessa escola, ele amava Hogwarts como sua própria vida, e várias vezes ele provou que daria sua vida pelos estudantes e pela escola. Hagrid era e sempre vai ser um professor incrível, o melhor professor de trato das criaturas mágicas que eu já vi. É... Descanse em paz amigão."
Rony terminou seu discurso com uma olhada para o corpo de Hagrid e um leve sorriso. As pessoas sentadas nas cadeiras enxugavam os olhos em lenços.
Harry colocou Lilly sentada ao lado de Gina e se encaminhou para a frente da pequena plateia.
— Poucos sabem, mas foi o Hagrid que me contou que eu era um bruxo. — Harry disse se lembrando da primeira vez que virá o meio gigante.
"Ele que me apresentou esse mundo maravilhoso e me fez acreditar que não passava de um sonho. Hagrid era a pessoa que Alvo Dumbledore mais confiava e ele se mostrou digno de toda essa confiança. Sempre solidário com todos, e disposto a fazer o seu melhor para ajudar, Hagrid foi uma das pessoas que mais confiou em mim, que acreditou que eu era capaz de derrotar Voldemort e se colocou ao meu lado para me ajudar.
Eu não sei quantas vezes, ele arriscou a própria vida por mim e por meus amigos. Esse é o meio gigante mais amoroso que eu tive a oportunidade de conhecer, e sua perda vai causar um grande desfalque em Hogwarts. Descanse em paz Hagrid."
Harry finalizou seu discurso com as mãos trémulas e os olhos ardendo pela dificuldade de segurar as lágrimas. Quando ele terminou de falar, os sereianos entoaram um canto triste, que foi acompanhado pelo bater de casco dos centauros, que lançaram uma saraivada de flechas para o alto, em homenagem aquele que tinha sido o melhor guarda caças que Hogwarts já vira.
— Era de conhecimento de todos, que Hagrid queria que seu corpo fosse cremado e suas cinzas jogadas no lago negro. — Alvo Severo Potter disse se levantando. — Ele reafirmou isso para mim e para meus amigos ainda ontem, então que o último desejo de Hagrid seja realizado.
Os aplausos foram estrondosos e logo Hermione estava a frente do caixão, na companhia de Rony, Harry e Kingsley. Os quatro de olhos fechados, executaram o feitiço que gerou total comoção, onde estava o corpanzil gigante de Hagrid, surgiu um monte de cinzas negras.
— Wingardium Leviosa. — Os quatro disseram juntos, fazendo o caixão levitar e se aproximar da beirada do lago, onde os sereianos abriram espaço, para que as cinzas de Hagrid fossem jogadas.
— Descanse em paz Rúbeo Hagrid, o melhor guarda caças de Hogwarts. — Todos disseram em uníssono, vendo as cinzas negras se afastarem da margem e serem engolidas pelo lago.
A partir daquele momento, Hagrid teria o descanso tão merecido, após anos e anos de trabalho duro e serviços prestados.
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