O x da questão

2 Elementar, minha cara Julieta


Notas iniciais
Hey people! Bom, não tenho muito o que dizer, só espero que o capítulo fale por si só. Realmente espero que gostem, povo.

Se Julieta fizesse uma lista de todas as coisas que ela odeia, com certeza acordar cedo estaria em uma das primeiras posições. Ainda mal humorada, ela desligou o despertador e viu que já eram 06:32 h. Ao perceber que iria se atrasar para a escola, a garota pulou da cama ressaltada e andou de forma rápida e desengonçada até o banheiro. Tirou sua roupa e logo entrou debaixo do chuveiro, dando um grito baixo quando sentiu o quão gelada estava a água. Mais do que depressa, ela ajustou a temperatura da água para fervendo, passou sabonete por todo seu corpo e saiu do chuveiro logo enrolando seus cabelos com uma toalha e seu corpo no roupão. Entrou em seu quarto e prontamente começou a se vestir. Como sempre, ela colocou com uma calça jeans preta e a camisa do colégio, voltou para o banheiro e analisou-se brevemente.

– Obrigado Deus! Você não sabe o quanto foi legal em me dar essa coisa que eu chamo de cabelo… – Julieta reclamou passando creme em seus cabelos cacheados e os penteando em seguida.

– Seu cabelo não é feio, filha. O único problema é que você não sabe cuidar bem dele! – disse sua mãe, que apareceu na porta do banheiro.

– Concordo com ela, Ju. Seu cabelo é lindo, parece uma juba de leão – o pai falou, ele chegou perto de Julieta e lhe beijou na bochecha.

– Isso era pra ser um elogio? – Julieta perguntou ao terminar de colocar uma bandana em seu cabelo e começar a escovar os dentes.

– Depende da forma que você escolher interpretar, garota! – o pai respondeu saindo do banheiro. – Ah, é melhor você se apressar. Já são 06:41 h!

– O que?! – Julieta falou cuspindo a pasta de dente e limpando a boca.

– Se você acordasse mais cedo isso não aconteceria – a mãe falou.

– Então por que vocês não me acordaram?

– Porque você já é grande o suficiente para, pelo menos, acordar sozinha – respondeu sua mãe. – Nós já vamos, querida.

– Okay, tchau galera – Julieta disse beijando a bochecha de seus pais.

Ela foi até a janela e viu o pai sair na viatura e a mãe na moto. Anne e Helder, aqueles eram seus pais. Sua mãe tinha 35 anos, havia se formado a mais de um ano em Letras com licenciatura em Inglês, ela sempre fala que não poderia existir curso melhor e por influência dela, Julieta acabou se apaixonando por aquilo. Atualmente, Anne é a amada professora de Português e Literatura de turmas do Ensino Fundamental. O pai tem a mesma idade da mãe, ele é um Policial Federal. Todos os dias, Helder chegava em casa contando a Julieta como havia sido seu dia, e Ju ouvia tudo com atenção, ela amava a ideia de que seu pai salvava vidas, como um real herói. E foi então que Julieta também decidira ser policial. Ela faria curso de Letras e seria policial, há forma melhor de agradar seus pais?!

Julieta pegou algumas bolachas e encheu sua garrafa de suco, ela pegou seu All Star preto e assim que saiu pela porta viu a van escolar estacionar em frente a sua casa.

– Bom dia, Ju! – disse Liz, a motorista da van.

– Bom dia, Liz.

Ela foi para o fundo da van e começou a calçar seu All Star, ainda eram 06:50 h, mas os outros alunos que estavam na van sorriam e conversavam animadamente. Tal ânimo não se aplicava a Julieta, esta era conhecida por seu mal humor matinal. Ela via todos conversarem e brincarem felizes, algumas vezes falavam com ela, e para não parecer rude Ju simplesmente sorria e acenava positivamente, embora não ouvisse absolutamente nada que lhe falavam. Então Julieta pegou o que para ela é uma válvula de escape da realidade: seus fones de ouvido. Ela conectou os fones ao celular, deu play na lista de reprodução e logo seus ouvidos foram agraciados com o som de More than words, da banda Extreme.

Ela fechou os olhos, concentrou-se na melodia e foi como se todo o mundo parasse. Julieta sorriu ao lembrar de Mariah, a amiga já havia falado milhares de vezes que aquela música tocaria em seu casamento. Julieta sentiu saudades de Mariah, ela e sua outra melhor amiga, Briana, estudavam no mesmo colégio, mas Julieta estudava de manhã – para sua total infelicidade – e Mariah e Briana estudavam a tarde.

Julieta sentia falta de suas amigas, de sua antiga turma, ela tinha alguns amigos na turma da manhã, mas nada comparado aos colegas da tarde. Ela já havia feito chantagem emocional com os pais, dizendo coisas como “Eu não me encaixo na turma da manhã e sinto falta dos meus amigos” e “Meu desempenho acadêmico baixou muito, a culpa é dessa turma!”. Os pais, que não aguentavam mais a ladainha de Julieta, prometeram a garota que a partir do próximo ano ela poderia voltar a estudar a tarde. Quando Julieta percebeu, a van já estava em frente a sua escola.

– Ju, chegamos! – Liz disse.

Julieta pegou sua mochila, se despediu de Liz e suspirou ao ver a fachada da sua escola. Ela desligou o celular e o guardou por ser proibido o uso de aparelhos eletrônicos na escola, o que para Julieta é uma grande idiotice. Ela não percebeu quando uma garota de longos e lisos cabelos castanhos claros chegou ao seu lado.

–Tentando encontrar coragem pra entrar?

– Sempre, estou procurando essa coragem desde o primeiro dia de aula.

A menina riu e Julieta riu junto. Hanna é o nome dela, e por incrível que pareça, ela é uma das melhores amiga de Julieta. Enquanto Hanna é a garota linda e popular que é desejada pelos garotos e invejada pelas meninas, Julieta é a estranha que é praticamente invisível. Hanna é a melhor amiga de Mariah e Briana, e foi por isso que ela e Julieta se conheceram e se deram tão bem. As quatro, Julieta, Hanna, Mariah e Briana são “O clube da fogueira feliz”, como elas se denominam.

– Vamos logo, as aulas vão começar! – Hanna disse puxando uma Julieta desanimada.

Assim que as duas entraram na sala, tocou o sinal que indicava o início das aulas. Logo, a professora Mirelle, que ensina matemática, entrou na sala.

– Bom dia, pessoal – a professora disse.

Algumas pessoas responderam o cumprimento, outras, como Julieta, apenas resmungaram coisas inaudíveis. A professora começou a aula, o assunto era Trigonometria, uma matéria que Julieta realmente entendia. Enquanto a professora explicava o conteúdo, alguns conversavam ou dormiam, sem dar a mínima para a mulher que estava tentando ensinar alguma coisa a eles. Julieta tentou prestar atenção naquela aula, mas foi vencida pelo tédio e passou a rabiscar alguma coisa em sua apostila, até que um papelzinho amassado foi jogado em sua carteira. Ela olhou pro lado e viu Hanna gesticulando para o papelzinho.

“Hoje vai ser a festa surpresa da Giulia, certo?”

“Sim, você vai?”. Julieta respondeu e jogou o papel de volta para Hanna. Em poucos segundos, Julieta recebera a resposta de Hanna:

“Claro que vou! Onde vai ser mesmo?”

“Na casa da Marina.”

"Ah, certo. Espera… onde é mesmo a casa da Marina?"

Julieta riu e revirou os olhos com a resposta de Hanna, então ela escreveu:

“É na mesma rua da minha casa, tobó!”

“Não me chama de tobó, sua tobó! Hey, além de nós, quem mais vai?”

“Da nossa turma só quem vai é a Eloá e a Manuela. Ah, também vão uns amigos da Giulia e da Marina que nós não conhecemos.”

“Que horas eu devo estar lá?”

“Hum… deixe-me ver… que tal 19:00 h? E não se esqueça de levar dinheiro, nós vamos pedir pizza.”

“Beleza, estarei lá!”

*****

Para Julieta, o resto do tempo na escola passou se arrastando. O que consolava Julieta é que já era Dezembro, em menos de 15 dias suas aulas acabariam e ela finalmente teria suas tão esperadas férias. Quando chegou em casa, Julieta preparou seu almoço, que foi o que restou do jantar passado. Depois disso, Julieta foi tomada pela preguiça, se jogou em sua cama e adormeceu. Quando acordou, ela se surpreendeu ao perceber que já eram 16:40 h e que havia dormido a tarde inteira.

Julieta levantou-se e decidiu que já era hora de começar a se arrumar para a festa surpresa de sua amiga Giulia. Ela tomou banho, dessa vez um longo e relaxante, escolheu um leve vestido preto que ia até os joelhos e com alguns detalhes em renda para usar. Arrumou seus cabelos cacheados e fez uma maquiagem simples que consistia em dar destaque a seus olhos. Ela calçou uma simples sapatilha bege e colocou um perfume com cheiro levemente adocicado. Quando terminou de se arrumar, Julieta viu que já eram quase 18:50 h. Ela pegou algum dinheiro que havia na mesa do escritório de seu pai, saiu de casa trancando a porta e desceu a rua até a casa de Marina. Julieta tocou a campainha e logo Marina apareceu.

– Oi Julieta!

– Olá Marina, tudo bem?

– Sim, estou legal. Entra aí – Marina falou dando espaço para Julieta.

– Quem chegou até agora?

– Só você, mas eu liguei pra Jolie e ela disse que logo ela Vitor estarão aqui – Marina falou. – Vem, vamos pro meu quarto, tenho que terminar de me arrumar.

– Quem são Jolie e Vitor?

– São uns amigos meus e da Giulia – Marina respondeu arrumando os cabelos em frente ao espelho. – Eles são gente boa, você vai gostar!

– Ei, e a Nina? Ela virá? – Julieta falou lembrando-se de repente de Nina, uma amiga que ela havia conhecido a muito tempo atrás por meio de Giulia.

– Claro! E você acha que a Nina perde alguma festa?! – Marina disse irônica fazendo Julieta sorrir.

O celular de Julieta tocou e ela viu no visor a foto de uma linda garota dona de cabelos lisos e olhos castanhos.

– Oi Ju! Quanto tempo, hein criatura!

– Briana! Estava com saudades de você, amiga! – Ju respondeu sorrindo.

– Eu também estava, Ju. Mas me diga você está disponível para este sábado?

– Hum… deixe eu checar minha agenda… – Julieta falou fazendo Briana rir. – Claro que estou, Bri!

– Então você quer vir aqui em casa? Mariah e a Hanna também virão.

– Você ainda pergunta?! Nunca perco uma reunião do “Clube da fogueira feliz”!

– Bom mesmo! E o que a senhorita está fazendo agora?

– Estou em uma festa surpresa para a Giulia.

– Que legal! E quem são os convidados?

– Eu, Hanna, Marina, Eloá, Manuela, Nina e uns amigos da Giulia.

– Qual o nome deles?

– Jolie e um tal de… de…

– Vitor.

Julieta se assustou, ela olhou para trás e viu o dono daquela voz. Era um garoto aparentemente normal, usava aparelho, tinha a pele clara, cabelos curtos e escuros, boca avermelhada e era magro. Características normais, encontradas facilmente em qualquer garoto, mas havia algo mais, algo que manteve os olhos de Julieta nele. Então ela analisou os olhos dele e encontrou uma definição para eles: buracos negros. Buracos negros calmos, que puxavam a atenção dela.

– Hey Ju! Você ainda está aí?

– Tenho que desligar, Briana. Tchau amiga.

– Espera, o que aconteceu com voc…

Julieta não esperou que Briana terminasse sua pergunta, ela desligou o celular e voltou sua atenção ao garoto.

– Oi – ela disse.

– Oi – ele respondeu estendendo a mão para cumprimentá-la.

– Sou Julieta – ela respondeu segurando a mão dele.

– E eu sou o tal de… de…

– Vitor? – Ju perguntou sorrindo.

– Elementar, minha cara Julieta – Vitor disse com um leve sorriso.

Julieta sempre foi apaixonada por filmes, e por isso ela sonhava em viver sua vida como se fosse um. E, naquele exato momento, Julieta achou que estava de fato dentro de uma tela de TV ou cinema. A única coisa que a convenceu de que aquilo não era um filme é que nem o melhor diretor e roteirista poderia ter criado uma cena como aquela. Em sua cabeça, Julieta pôde ouvir com perfeição a voz de Paul McCartney cantando I've just seen a face, o que é a trilha sonora perfeita para aquele momento. Julieta sorriu satisfeita, nenhum cliché hollywoodiano poderia superar aquele momento. O filme de sua vida, finalmente, havia começado.

"I've just seen a face

I can't forget

The time or place

Where we just met"

Notas finais
Então gente, o que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.