O voluntário
17 Maldita Ideia
Notas iniciais
– Safe & Sound
Just close your eyes
The sun is going down
You'll be alright
No one can hurt you now
Come morning light
You and I'll be safe and sound
– Taylor Swift
Nos separamos depois de um tempo, continuo encarando os olhos de Helena e ficamos sem falar nada por um tempo, até que ela quebra o silencio.
– Isso foi...- não chega a terminar a frase.
– Não significou nada né?- pergunto.
– Não, não é isso, é que...- ela fala, até que sua expressão muda de tímida para assassina- Austin não se mexa.
– Porque você não vai me matar né?
– Fica quieto, e não se mexa- ela continua encarando não sei o que, até que escuto um rugido, chamado ou canto- sei lá o nome do barulho que os dinossauros fazem, e também não é uma coisa que eu pretendo saber.
– O que...
– Cala a boca- ela cochicha.
Ouso o barulho de passos se afastando, esperamos um tempo, então descongelamos.
– O que...
– Era um Tiranossauro, ele não consegue enxergar quando sua presa está parada, e sem fazer barulho.
– Como você...
– Assisti Jurassic Park, e Ártemis é uma Nerd desgraçada que adora se exibir com tudo que sabe.
– Nossa achei que você...
– Sim, eu sou amiga dela, mas odeio quando ela fica se exibindo.
– Deixe eu terminar as frases antes de você responder.
– Desculpa- ela responde- agora, pode me soltar?
Não percebi que ainda segurava o rosto dela. Depois de solta-la fico um pouco sem graça, acho que ela nota isso.
– Não precisa ficar assim mocorongo.
– O que isso significa?
– Burro- ela responde.
– Eu sou burro por não saber o que significa isso, eu acho que poucas pessoas sabem o que significa mocorongo.
– Mocorongo significa idiota, burro...
– Atá.
– Mocorongo- ela fala- mas voltando, eu gostei do beijo, pronto, falei.
– Mas esses dias você...
– Não, não fui eu quem beijou o Nick, ele me beijou a força.
– Caralho deixa eu terminar as frases.
Ela ri
– Parece que você tem medo de se apaixonar por alguém, por isso que sempre age essa forma tão fria.
– Não, é que eu tenho medo que descubram os meus medos e os usem contra mim, e também tenho medo de me apaixonar, e essa pessoa me fazer sofrer por isso sou "fria".
– Nossa, nunca pensei que...
Não termino a frase.
– Ah, então quando eu deixo você terminar a frase você não a completa- diz Helena.
– Seus medos são meio...
– Maníacos? Sim, medos sem sentido, mas se olhar por um outro lado, tem mais sentido que medo de barata.
– Quer subir?- pergunto.
– Pode ser- ela responde segurando na árvore- você leva os gravetos.
– O que você quer fazer? Botar fogo na árvore?
– Não, espíritos, tenho medo de espíritos, não consigo dormir nessa escuridão, então vou fazer um lampião.
– Como?
– Aprendi no escoteiro.
Quando subimos na árvore, e entramos pela porta- que ainda era inexistente- Helena taca os gravetos no chão, pega um pedaço de cipo, e vai amarrando madeira ai lado de madeira.
– Alguém ai tem uma camisinha?- ela pergunta.
Todos começam a rir e ela se toca na merda que falou.
– Porque, quer transar com alguém?- pergunta Ártemis rindo, Helena taca um graveto na cabeça dela.
– Não, é que tem um pedaço de tecido que se chama camisinha- e rimos mais ainda quando ela repete o nome.
– Parem de rir- ela diz corada- É um pedaço de tecido, usado para colocar no lampião para acender o fogo e ele não apagar.
– Não ninguém tem isso- responde Patrick- e você precisa de gás para colocar fogo no lampião.
– Nem sempre, é claro que fica mais facil, mas posso só ascender uma faísca, e colocar fogo no tecido.
Quando finalmente paramos de rir, Helena finalmente termina o tal do lampião, e rasga um pedaço da blusa para colocar fogo.
– Ei, essa blusa é minha- exclama Harry.
– Foda-se, eu preciso de tecido.
– Vamos começar a arrumar as cosas para dormir, está ficando escuro- diz Patrick.
– Espera só vou ascender uma faísca- diz Helena, batendo uma pedra na outra.
– Então boa noite, e fica ai com teu lampião, que eu que não quero tropeçar e cair em alguma coisa- diz Nick.
– Tá.
Eles se deitam, e dormem, eu fico acordado tentando ascender uma faísca com gravetos.
– Ah foda-se, desisto essa porra não ascende!- Helena resmunga com raiva, e joga as pedras para longe, já estava escuro, não era facil enxergar alguma coisa. Até que surge uma luzinha, o celular dela.
– Ainda tem bateria?
– Está bem fraca, mas é só para conseguir enxergar alguma coisa- ela vai até o saco de dormir, e deita dentro dele.
Vou para perto dela, e coloco a mão em seu ombro, sem que ela consiga me ver, só para assusta-la um pouco, o que foi uma péssima ideia, ela desmaia.
– Oh meu Deus, Helena acorda- digo tentando acorda-la, mas não da certo.
Fico balançando ela, até que acorda e me bate.
– Ai. Seu. Infeliz. Nunca. Mais. Faça. Isso. Desgraçado.
– Ai- eu digo, dando risada a cada soquinho que ela me da.
– Viu é disso que tenho medo, eu te contei um dos meus medos, agora você vai usa-lo contra mim.
– Não, foi só uma brincadeira.
– Brincadeira ou não, eu estava certa que não se pode confiar em ninguém.
Ela para de me bater, está escuro, pego seu celular e ligo na lanterna. Ela estava chorando.
– Desculpa- digo, segurando o rosto dela- prometo que não faço mais isso, você pode ter me espancado milhões de vezes, mas nunca usou meus medos contra mim, isso é golpe baixo.
A abraço, e me deito ao lado dela.
– Não vou deixar que nada de ruim aconteça com você.
– Disso eu duvido- ela responde enxugando as lagrimas.
– Estarei ao seu lado.
– Para que? Me assombrar?
– Não, te proteger
– Se eu não tivesse dito para você calar a boca e não se mexer, nós dois estáriamos mortos, por um T-rex.
– Tá, acho que você é que acaba me protegendo, mas estarei ao seu lado.
– Cala a boca os dois ai, quero dormir- resmunga Harry.
Ela chega para o lado do saco de dormir- ainda bem que somos magros, ai coube nós dois- e me deito ao lado dela, começo a mexer em seus cabelos, até ela finalmente dormir. Durmo logo em seguida.
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