O voluntário
1 Tenho um surto
Acordo pulando da cama, outra vez o alarme havia desligado, estava atrasado pela decima vez para a faculdade. Escovo os dentes correndo, ainda bem que havia dormido de uniforme, não tive tempo nem de tomar café.
Pulo para fora da porta de casa, e a deixo até aberta, corro pela rua com a mochila nas costas, e quase atropelo uma criança. Já tinha perdido a primeira aula pela terceira vez em uma semana, tá quase recorde, nunca consigo me ajeitar com os horários da faculdade.
Chego, finalmente, subo as escadas tão rápido que nem sei como não cai, entro na sala fazendo o maior barulho, sem bater, e quase caindo, todos me olham com cara de assustado, ou com a expressão " Já é a terceira vez". Mas vamos voltar um pouco.
Meu nome é Austin Ross, completei 18 anos mês passado no dia 26/01, Faço faculdade que Química, moro sozinho, não por opção, meus pais morreram em um acidente de carro, e meus avós de câncer, não tenho tios, nem amigos e muito menos uma namorada, só tenho a casa que meus pais me deixaram como herança, e é nisso que minha vida se resume. Agora, voltando a história.
– Senhor Ross, acho melhor esperar lá fora até a troca de aula- diz meu professor, ele não é lá muito legal, a melhor parte são os testes que ele dá, tem cada pergunta que até o colegial saberia responder, Seu nome é Maxon, ele gosta de usar um suéter azul ridículo, óculos redondos igual o do Harry Potter, e aquele cabelo penteado como sempre, de sapatos sociais e calça jeans, sim ele é uma desgraça para se vestir.- Já é a terceira vez que você se atrasa só nessa semana. Já iria dizer o porque me atrasei até que ele me interrompe de novo.
– E nem venha com essas suas desculpas do tipo " o pneu da minha bicicleta furou" ou "o despertador não tocou". Sem dizer nada saiu da sala, já que não tenho muita coisa para fazer, a não ser dos deveres que me esqueci, pego o celular e começo a assistir televisão, até que aparece na tela um comunicado obrigatório, para todos os canais. " Os cientistas da IFNA, estão tentando descobrir se há vida em outros planetas, eles pedem para um garoto e uma garota se apresentarem como voluntários, para ir até a parte escura da lua, mas atenção, os voluntários terão apenas viajem de ida, eles ganharão muito dinheiro, e ficarão famosos, e sempre lembrarão de seu nome. Eles terão que se apresentar até o dia 27/02. Eu sempre pensei de que forma eu gostaria de morrer, de preferencia de uma forma bem dramática ou heroica, essa é a minha chance. Estava encostado na porta fechada da sala de aula, quando alguém a abre, eu caio de costas dentro da sala.
– OPS- diz Robert, ele é um garoto muito chato que estuda junto comigo, ele se acha o máximo enquanto na verdade é um patético, ele faz um sorrisinho gozador enquanto me levanto.
– Senhor Ross, já pode entrar na sala de aula- diz Maxon corrigindo os testes que fizemos outro dia.
– Valeu- eu respondo indo até a minha carteira, que é última da sala.
Chegando em casa, vou direto para o computador, vou me inscrever como voluntário. Ao entrar no site, vejo que já ha, mais ou menos 50 garotas escritas e nenhum garoto, acho que elas são mais corajosas que nós, ou só querem fama. Tenho que responder um questionário imenso, com umas trinta perguntas do tipo " Já fez cirurgia? Toma algum remédio? Tem alergia a alguma comida?" Depois de responde o questionário, vou dar uma volta de bicicleta pelo bairro, já que não sei andar de Skate nem de patins.
Quando chego em casa, vou tocar teclado, e preparar o jantar, acho que vou dormir mais cedo para ver se não me atraso de novo.
Para um milagre, acordo cedo, me arrumo e vou para a faculdade, no caminho vou ouvindo música na rádio, faltando um quarterão, para chegar, para chegar na faculdade, interrompe a programação da rádio para dar mais uma noticia sobre a missão. " Caso não houver voluntários para ir a missão, vamos ter um sorteio de forma obrigatória, para todas as pessoas, os voluntários que se inscreverem, não poderão desistir, boa sorte" Daqui dois dias dariam o resultado, será que fui o único a me candidatar? Chego na sala e o professor, já estava presente.
– 5 minutos de atraso senhor Ross- Enquanto fala mastiga uma caneta vermelha.
– Mas posso entrar?
– Entra logo, tenho que dar aula. Abro o caderno e começo a anotar algumas equações. Depois de 5 horas dentro da escola, o que eu acho um inferno, finalmente toca o sinal para irmos embora, não vejo a hora de chegar em casa, para ver se tem mais algum voluntario, e também não vejo a hora de chegar o dia 27.
Finalmente, chega o dia 27, até falto na faculdade, para saber o resultado, ligo a televisão, e todos os canais foram interrompidos para passar durante 5 horas o resultado. " O voluntário masculino foi..." Então um cientista pega o único nome que havia dentro da tigela de vidro transparente. " Austin Ross, 18 anos" Fico sem palavras, como fui o único, achei que teria mais, não acredito. " Agora vamos ao voluntario feminino" Ele tira um pepel da tigela ao lado, tem muitos papeis. " Helena de Troia, 17 anos" Fico paralisado durante uns dez minutos, até que volto para a Terra. E grito no meio da sala:
– LEGAL!!!!-grito, e a noticia continua correndo " Os voluntários terão três dias para se arrumarem e virem para a IFNA"
– Legal!!!- saio correndo de casa, gritando, legal, legal, legal, eu vou para a lua, demais!!! Vou correr para a faculdade e dizer adeus para todos. Saio correndo, nem levo material nem nada, vou para a faculdade, invado a sala de aula, bem na hora de prova e grito na frente de todos.
– Eu vou para a lua!!!!! Fui o voluntário sorteado!!! Legal, agora vocês que fiquem nesse inferno que vou fazer uma viajem só de ida!!!!
– O cara, você bateu a cabeça?- pergunta Ethan, com garoto que não costumo falar- Caiu da escada ou algo assim?
– Eu vou para a lua!!!- abraço o professor- Agora quem é o máximo em Robert? Ha, ha, eu vou para a lua!!! Saio correndo da sala e vejo algumas cabeças olhando eu sair correndo pela escola, e dando risada. Não vejo a hora de se passar os três dias.
Até, que esses três dias foram os mais rápidos da minha vida, pareceram horas, mas já arrumei as malas, e estou pronto para partir, pego um táxi no ponto mais próximo.
– Pode me levar até a IFNA- pergunto ao taxista, ele é um homem gordo, careca, estava roendo um lápis, vestindo branco.
– Você é o voluntário? Legal cara, pode me dar seu autografo?- ele tira uma caneta e um bloquinho de folhas amarelas, e me diz para assinar.
– Ok, você quer que eu de um autografo em um bloquinho?- pergunto.
– Porque algum problema?
– Não- faço qualquer rabisco, não tenho nem assinatura, como vou dar um autografo?
– Valeu- diz ele guardando o bloquinho no porta luvas do carro.
– Quanto dá a viajem?- pergunto, para ver se o meu dinheiro é o suficiente.
– Ela vai custar 3,20 por quilometro, vou dar um desconto para você, então vai custar 2,00.
– Valeu, agora pé na taboa!!! Ele começa a dirigir, e em menos de três horas chego na IFNA, sim três horas, a viajem foi cansativa demais e ainda o motorista ficava ouvindo uma banda horrível antiga, acho que foram as três horas mais cumpridas da minha vida.
Chegando lá vi que era enorme do tipo, cara pegaram a metade da Russa para fazer coisa de foguete.
– Deu 200 dólares- disse o taxista.
– Isso com o desconto?- pergunto assustado, onde já se viu uma viajem de táxi dar 200 dólares.
– Anda logo cara, e me paga, eu não faço caridade- ele responde estendendo a mão.
– Então, né, posso te pagar um quarto dessa quantia com balinhas de menta, ou uns chicletes?
– Fora!!!Agora, e me paga então o que você tem ai, antes que eu tire o desconto!
– Ok- dou 150 dólares, e ele sai reclamando, jogou minhas malas para fora do carro, e saiu em alta velocidade, não demorou muito também para bater em um poste na esquina.
– Você deve ser o senhor Ross- disse um cara de terno preto com uma gravata vermelha, ele tinha olhos castanhos e cabelo preto- meu nome é Alex, sou o comandante da missão.
– Prazer- digo não sei o que dizer, quando viro para traz vejo uma garota com umas roupas, não sei se eram de rockeiro ou Punk, ela usava um tipo de colar que mais parecia uma coleira de pit-bull, tinha cabelos compridos e castanhos escuros, olhos azuis, e estava ouvindo música tão alta no fone que conseguia ouvir a uns 20 metros de distancia, ela carregava uma mala preta, sua calça era toda rasgada e usava um coturno, uma jaqueta de couro preta, braceletes, e uma blusa escrito salve o rock and roll.
– E você deve ser a senhorita Helena- dis Alex quando ela chega perto de mim.
– Porque você achou que eu era quem, a fada do dente?-ela diz batendo o braço no ombro dele, e fica ao meu lado.
– Nossa que revolta,- eu digo em vos baixa.
– Eu ouvi loirinho!- ela diz rangindo os dentes.
– Vamos entrar?- pergunta Alex. Não respondo, vou direto entrando — Acho melhor vocês se prepararem, descanse um pouco, que amanhã vai começar os testes.
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