O voluntário

15 Sob as estrelas


– Accidentally in love:

"We're accidentally in love

Accidentally in love

Accidentally

I'm in Love"

– Counting Crows

Legal, depois de presenciar meus amigos se agarrando, volto para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

– Harry, to com fome- diz Ártemis.

– Já disse, temos que estocar comida, só vamos comer alguma coisa duas vezes ao dia.

– Deixa ela comer alguma coisa, se a comida só vai durar quatro dias vamos fazer bom proveito dela, ou vai acabar estragando, e além disso, ela vai acabar alguma hora, arrumamos alguma coisa para caçar aqui- eu digo.

Patrick dá a ela uma barra de cereal.

– Oi povo!- Nick brota na frente da porta- que não existe.

Tento segurar a risada, olho para Ártemis e vejo que ela está tapando a boca para não rir, e cuspir cereal em cima de mim.

– O que foi?- ele pergunta.

– Nada- responde Ártemis segurando a risada.

Ele da de ombros.

Ártemis começa a rir igual a uma retardada.

– O que foi?- ele pergunta nervoso, e eu começo a rir também. Harry e Patrick ficam olhando para nó com cara de "do que esses retardados estão rindo agora?"

– Fala logo!- grita Nick

Brota Helena na porta da árvore, e rimos mais alto ainda.

– O que foi?- ela pergunta.

– Nada- eu digo.

– Me fala logo- ela diz fazendo cara de psicopata, e paro de rir na hora.

– Nós vimos vocês dois- diz Ártemis parando de rir, pronto agora Helena vai arrumar um lugar para enfiar sua lança, e será no nosso cranio. Mas ela faz algo que me surpriende, da de ombros, se senta e começa a mexer no celular.

Eu e Ártemis olhamos para ela, com uma expressão de " só isso?, Nada de socos?"

– Porque estão me olhando assim? Não tem com que eu brigar.

Cara, depois dessa paro de rir, e fico sem graça. Mas ela tem rasão, o que tem demais ela ficar se agarrando com o Nick? Tá tem muita coisa, foi muito engraçado, mas uma reação como a que ela teve estraga tudo.

Patrick chega perto dela, e lhe da uma barra de cereal. Atá, já saquei, para as garotas eles dão comida, agora a nós só podemos comer duas vezes ao dia.

– Valeu- ela agradece.

– Por nada.

– Austin, quero falar com você a sós- diz Helena, Ártemis me olha com uma cara maliciosa.

– Onde?

– Lá fora, agora.

Saiu da árvore com ela atrás de mim. Só espero que ela não me jogue dessa árvore por vingança. Ao invez dela me bater, ou brigar, se senta, com os pés para fora da árvore.

– Você realmente perdeu o medo de altura- eu digo, me sentando ao lado dela. Mesmo sabendo que ela poderia muito bem, se virar e me empurrar, muito simples. Mas ela se mantêm em silencio.

– Você me chama para conversar com você e fica quieta ai?

Ela continua sem responder.

– Tá me desculpa, anda me bate, brigue comigo, me soque até que sangre- a ignorância é o pior castigo que existe, dói muito mais que um soco ou uma bofetada.

– Eu não estou brava com você, só estou sei lá...

Ela não termina a frase, e fica um silencio horrível.

– Meia sem rumo?

– É, mais ou menos, eu nunca gostei de ninguém. Nunca namorei, nunca beijei ninguém, é horrível, a sensação de ser amado.

– Como assim, você acha essa sensação horrível? É a melhor sensação que existe, e você a odeia?

– É muito ruim, eu sinto sei lá, um frio interno, um mal pressentimento, como se essa pessoa fosse sofrer muito por minha causa.

– Nunca ouvi ninguém falar que detesta a sensação de ser amado.

E de novo, brota o silencio maldito.

– Uma vez ouvi uma música, que dizia:

Tem gente que está do mesmo lado que você

Mas deveria estar do lado de lá

Tem gente que machuca os outros

Tem gente que não sabe amar

Mas um dia a gente aprende

E se você quiser em alguém confiar

Confie em si mesmo

Quem acredita sempre alcança"

– Sabe o que ela significa? Você já enfrentou problemas muito maiores que esse, e está ai bem, confie em você.

– Que música é essa?- ela pergunta com lágrimas nos olhos, ver Helena chorando, isso sim é dificio.

– Mais uma vez, Renato Russo- eu digo, e abaixo a cabeça.

– Obrigada. Austin, você é um bom amigo- ela me abraça, e eu retribuo.

– Agora enxuga essas lágrimas- eu digo, limpando seus olhos.

– Vamos- ela diz.

Eu me levanto, e a ajudo a se levantar em seguida. E voltamos lado a lado para dentro da árvore.

– Vamos jantar?- pergunta Harry.

– Que horas são?- pergunto

– Sei lá, vocês ficaram horas lá fora- diz Patrick

– Nossa...- eu digo.

– Estão com fome?- pergunta Harry.

Sem responder, me sento no chão, ao lado de Ártemis e de Helena.

– O que tem hoje de jantar?- pergunta Ártemis.

– Deixe me ver...sanduíche, de novo, barras de cerais, frutas, é não temos muita opções- diz Patrick.

– Quer saber, amanhã vou caçar, quero comer alguma carne- diz Helena.

Pego um sanduíche e uma maçã, começo a comer.

– Amanhã também vou começar a montar algumas coisas para colocar aqui, como mesa, um coisinho que não sei o nome, para se trocar- diz Helena- e sei lá o que mais, só preciso de madeira e cipos.

– Ok- diz Ártemis.

Quando todos se deitam para ir dormir, saiu da árvore, e me sento no tronco, que estava hoje com Helena, com os pés balançando e pensando na vida. Quando um vulto passa por trás de mim, e tampa meus olhos.

– Me solta- eu digo, não muito alto, para não acordar o povo.

– Bom te ver também- diz Helena.

– Cara, que susto.

Ela se senta ao meu lado, e começa a balançar os pés.

– Como você perdeu tão rápido o medo?

– Acho que foi a nessessidade.

– Valeu pelo conselho hoje- ela diz.

– Esquece.

– Porque você está qui?- ela me pergunta

– Não consigo dormir.

– E você?

– Gosto de ver as estrelas, e aqui é bem melhor para ver do que no céu poluído da Terra.

Fico conversando um pouco com ela, mas então começa a vir o sono.

– Vou entrar, estou começando a ficar com sono- digo

– Tá.

– Você vai ficar ai?

– Só mais 5 minutos.

– Ok, boa noite- digo entrando.

– Boa noite- ela responde.

Me deito. No chão e durmo.

Acordo de leve, com uns passos, deve ser Helena indo deitar. Nem me dou o trabalho de abrir os olhos.

Notas finais
Tradução da música: Nos apaixonamos sem querer Nos apaixonamos sem querer Apaixonamos sem querer Sem Querer Eu estou amando Ps: a outra música, em português, é a Mais Uma Vez do Renato Russo