O verdadeiro Eu!

1 Bebida, por favor


Entro em um bar sem ao menos me dá conta de onde estou, só quero beber alguma coisa!
Logo me dirijo para o balcão, estou louca por uma bebida.

—E ai querida, o que vai querer?

—O que me sugere? -Dou uma bela olhada no barman. Um negro alto, forte, bonito..

—Que tal um martini?

—Boa escolha.

—Já volto!

Enquanto ele vai buscar minha bebida aproveito para sentar e me acomodar. Não olhei nada desde que cheguei então acho melhor faze-lo agora.
Olho ao redor e percebo algo interessante.. A alguns metros a frente do bar tem um local de dança, com luzes e tudo o mais, só que diferente. É uma espécie de sala de vidro com algum tipo de vedamento a prova de som, isso explicaria porque a música não está tão alta aqui no bar como em outros locais. Quem fez isso foi bem inteligente porque livrou esse lugar daquele lance chato de balada, ficar gritando um com o outro pra poder conversar. Juntou o útil ao agradável, balada e happy hour no mesmo lugar!
Sem contar com essa estrutura fantástica que possibilita ver quem está lá dentro. E falando em ver... quem é aquela garota que está dançando? Ela dança muito bem. Pelo jeito parece ser uma mulher bem extrovertida. A admiro por isso, queria poder ser assim as vezes!

—Aqui sua bebida. Desculpa a demora. -Fala o barman.

—Não, tudo bem.

—Nunca te vi aqui antes. Tá gostando do lugar?

—Bom, ainda não andei por ai mas parece legal, principalmente a pista de dança. Uma idéia bem interessante vedar e deixar aquele lugar transparente

—Ah é, o patrão foi bem inteligente em fundir bar e balada no mesmo lugar. Dá opção as pessoas.

—Verdade!

—Mas é bem incomum uma pessoa prestar atenção logo nisso numa balada. Normalmente olham as pessoas né?!

—Pois é, mas eu sou arquiteta e acabei de sair de um relacionamento, então.. -dou um gole em minha bebida.

—Afundando as magoas?

—Não exatamente.

Não é a sensação de extravasar meus problemas que eu vim procurar aqui, foi mais pra "comemorar" o fato de finalmente poder ser quem eu quiser, sem ter que me preocupar em agradar os outros como fazia antes.

—Como 'não exatamente'? Isso é o que as pessoas fazem quando terminam.

—Mas não é o meu caso. É complicado.

—Acho que tenho capacidade pra entender.

—Talvez outro dia, hoje só quero beber.

Não quero desabafar com ninguém sobre isso. Pelo menos não agora.

—Ok, mas vou cobrar. Fiquei interessado nessa história. A propósito, meu nome é Felipe.

—Alex! -Apertamos as mãos. Ele parece ser um cara legal. Gostei dele.

—Vou voltar ao trabalho, tem gente querendo esquecer seus problemas, ao contrário de você aparentemente. -solta um leve sorriso pra mostrar o ar de brincadeira em suas palavras, e eu retribuo. -quando quiser outra bebida só chamar.

—ok!

Agora que ele foi embora aproveito para olhar as pessoas. Percebo uma coisa, tem mais mulher do que homem aqui, isso é meio estranho, mas deve ser por causa do horário, tá cedo ainda. Além disso não vim aqui paquerar, vim pra beber!
Pego minha bebida e me viro para a pista de dança. Não tenho nada pra fazer mesmo, então vou ficar olhando o pessoal se divertindo.

Eu não sei o que acontece mas aquela garota não saí do meu campo de visão. De tanto dançar em baixo das luzes, mesmo de longe, noto que ela é ruiva.
Sem perceber, as vezes, me vejo procurando ela a cada instante que a perco. Acho que seu jeito de dançar me hipnotizou, ela manda muito bem, poderia ficar a noite toda olhando ela dançar. Mas sou interrompida!

—Olá boneca- Uma garota sussura em meu ouvido.

—Pensei que essa expressão já tinha morrido -digo sorrindo e ela retribui.

—Eu gosto da velha guarda. Posso? -pergunta apontando para a cadeira do bar.

—Claro. Me disseram que estão aí pra isso.

Ela olha dentro do meu olho enquanto se senta. Continua sorrindo. Tem um sorriso lindo!
Quando senta dou uma olhada melhor nela e acabo ficando impressionada com sua beleza. Tem cabelos longos pretos, não diria que é alta nem baixa, tem a altura razoável, arriscaria dizer 1,70 ou um pouco menos, quase da minha altura, corpo não atlético mas em forma e apesar da luz baixa consigo ver seus olhos verdes claros que continuam me fitando. Tem um olhar muito bonito também.

—Está sozinha? -corta o silêncio que começava a se instalar.

—Nunca estou sozinha -Levanto o copo com bebida.

—Ok, mas eu quero saber se você está desacompanhada.

—Nesse caso sim!

—É meio raro uma mulher linda como você ficar sozinha por aqui.

—O que posso dizer, sempre há exceções.

—Ainda bem que sim. -Ao falar isso ela põe a mão em minha coxa.

Não sei exatamente o que está rolando aqui mas parece que ela esta dando em cima de mim.
E ela vai mais além.. Apesar do som baixo ela se aproxima do meu rosto, com a mão ainda em minha perna, e começa a me encarar, olho no olho. Após alguns segundos desvia o trajeto, vai até meu ouvido e começa a falar com uma voz no mínimo provocante.

—É mais divertido beber acompanhada. Eu poderia ser sua companhia de bebida.. e outras coisas mais.

Quando acaba de falar ela volta e olha pra mim com aqueles olhos.
Ela é uma mulher provocante, e eu não posso mentir, é muito sexy também.
Pelo jeito está realmente dando em cima de mim, ou pelo menos é o que parece. Isso é meio estranho, mas tenho que tirar essa história a limpo e, se for o caso, cortar o mau pela raiz.
Faço exatamente o mesmo trajeto que ela fez, quero fazer com que ela se sinta contra a parede como fez eu me senti. Ao chegar em seu ouvido, digo..

—Eu não sei se entendi mau, e se entendi peço desculpa, mas se você estiver dando em cima de mim acho melhor procurar outra pessoa porque não estou interessada.

Volto para minha posição, lavanto uma sobrancelha e a encaro. Ela sorri e fica me olhando. Não tira os olhos dos meus, como se quisesse decifrar algo em mim. Finalmente o suspense é cortado.

—Você não entendeu errado, eu realmente queria ficar com você, afinal, você é uma mulher linda, mas já que você não está interessada será que eu posso te fazer companhia? Só de copo, é claro.

—E porque você quer ficar aqui com uma mulher que não vai ficar? Tem outras pessoas por ai pra você conhecer.

—Isso não me interessa, não há mais ninguém realmente interessante. E você me intriga, eu gosto disso.

Quando acaba de falar percebo que estava certa ao achar que ela estava tentando me decifrar.
Dou um gole na minha bebida antes de responder.

—Bom, nesse caso porque não. Pode ficar.

Faço sinal para que o Felipe venha e ela possa pedir uma bebida.

—Por favor, pode trazer o mesmo que o dela? -ela pede -enquanto isso vou ao banheiro. Ah, meu nome é Alex.

—Jean -digo apertando sua mão. Então ela sai.

Felipe começa a preparar as bebidas, o dela e o meu pois pedi outro. Enquanto o faz fica me olhando de um jeito um tanto quanto animado. Não entendo nada até que ele pergunta.

—E ai, o que tá rolando entre você e aquela garota? Ela é bem gata.

—Não tá rolando nada. Aliás nem entendi porque ela deu em cima de mim. Achei bem estranho por sinal.

—Por que estranho? Você está numa boate, é isso que acontece aqui. Eu sei que você está saindo de um relacionamento, mas ninguém aqui sabe.

—Não, não é por ter dado em cima de mim que eu achei estranho, foi mais por ter sido uma mulher.

—O que você queria, que um homem desse em cima de você numa boate gay?

—Boate gay?

Não consigo disfarçar a cara de espanto!

Onde fui me meter..?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.