O terror das águas

2 Capítulo 1: O rancho de Sabrina


Notas iniciais
Primeiro capítulo, espero que gostem!

Jessie sorria, olhando pela janela do carro enquanto ouvia música com os fones de ouvido conectados ao seu telefone celular.

Era a primeira vez que visitaria sua melhor amiga da escola. A melhor parte? Ela morava em um rancho, e Jessie amava cavalos.

O carro se aproximou de um local contornado por cercas brancas. Perto do portão havia uma placa onde se lia “Rancho Campbell.”

-Finalmente! – exclamou Jessie.

O veículo passou pelo portão e andou pelo caminho de terra até o estacionamento do rancho. Um grupo de ovelhas saiu do caminho do carro.

-Obrigada pela carona, pai! – Jessie deu um beijo na bochecha de seu pai e saiu do carro sem nem dar tempo de ele responder.

Foi para o lugar marcado: um agrupado de troncos de árvore que formavam banquinhos sobre a grama. Sentou-se em um deles e observou o carro indo embora.

Enquanto esperava, Jessie decidiu checar seu Instagram. Abriu a sessão de notificações e viu que havia um novo seguidor. O mesmo havia curtido todas as fotos do perfil da garota.

-Humm, um stalker – comentou ela consigo mesma em voz alta.

-Um stalker? – disse uma voz vinda de trás dela. – Quem é?

Jessie se virou.

-Ah, oi, Sá!

-E aí, Jess?

Jessie e Sabrina se abraçaram.

-Como está? – perguntou Sabrina.

-Estou bem, e ansiosa para ver os cavalos!

-Vamos lá, então! Siga-me!

Jessie seguiu Sabrina até o estábulo, que era feito de tijolos pintados de amarelo.

Lá dentro, a menina viu várias cabeças de cavalo para fora de suas cocheiras. A maioria dos animais relinchou quando viu Sabrina.

-Olá, pessoal! — disse ela. — Sentiram minha falta?

Sabrina pegou um cabresto que estava em um gancho da porta de uma cocheira e a abriu. Dentro dela havia um belo cavalo negro.

-Esse é meu menino. O nome dele é Sombra.

-Olá, Sombra — Jessie sorriu.

-Pode passar a mão nele. É mansinho.

Jessie acariciou o focinho do cavalo, que a observou com seus grandes olhos negros.

-Ele é lindo.

-Né?! É meu bebezão. Eu o ensinei a sorrir, quer ver?

-Claro.

Sabrina ergueu a mão no ar em frente a Sombra.

-Sorria!

O animal levantou o lábio superior, exibindo os dentes. Jessie riu.

-Como pode ver – disse Sabrina. –, ele não tem dentes tão grandes. É porque ainda é bem jovem. Foi recém domado.

-Entendi!

—Então, vamos dar uma voltinha a cavalo?

-Sim!

A colega pegou o cabresto e o colocou em volta da cabeça de Sombra. Então, puxou a corda e o levou para fora do estábulo. Jessie os seguiu.

-Vou encilhar ele e depois pego outro cavalo para você – disse a colega enquanto levava o cavalo para o local de encilha.

Jessie esperou enquanto Sabrina encilhava Sombra. Enquanto isso, checou o celular. Havia uma nova mensagem no Instagram.

Era o stalker, e a mensagem consistia em um simples “oi”, em minúsculas.

Jess o ignorou por hora.

-O que foi? – perguntou Sabrina. – O stalker está te incomodando?

-Sim. Mandou um “oi”.

-Você respondeu?

-Ainda não.

-Nem responde. Bloqueia ele. Caras assim me assustam.

-Sei lá, ele até que é bonitinho.

-Como ele é?

-Loiro, com olhos azuis.

Sabrina revirou os olhos.

-Padrões de beleza...

-Ah, Sá, para com isso.

-Tudo bem, você é quem sabe.

Jessie respondeu ao “oi” do garoto.

-Terminei de encilhar o Sombra. Qual cavalo você vai querer? Tem a Rose, o Paçoca, o Trovão e a Zumba.

-Qual o mais manso?

-Todos são, mas acho que você vai gostar da Rose.

-Pode ser, então.

-Vou buscar ela.

Sabrina adentrou o estábulo novamente e voltou de lá trazendo uma égua marrom escura com as patas, a crina e a cauda pretas e uma mancha branca escorrida na cabeça.

-Essa é a Rose – disse a amiga.

Jessie acariciou o pescoço da égua.

-Ela é macia.

-Sim. Ela fica bem peluda quando é inverno, você tinha que ver.

-Deve parecer uma ursa.

-Exato!

Jessie ficou olhando Sabrina encilhar Rose. Percebeu, só então, que a amiga estava um tanto quanto tensa. Suas mãos tremiam enquanto ela ajustava a sela sobre o lombo da égua.

-Sá?

-Diga.

-Você está bem? Parece meio nervosa.

Sabrina de repente se virou para Jessie com uma expressão séria no rosto.

-Vou ser sincera, Jess... eu te adoro muito e adorei a ideia de você vir me visitar. Mas, por isso mesmo, acho que você não veio em boa hora.

-Ué, por quê?

-Não chegou a ver as notícias?

-Não vejo notícias, você sabe.

-Bom, eu devia ter te contado.

-O que é?

-Semana passada, um menino desapareceu em um lago no campo aqui do rancho. Só acharam o fígado dele boiando na água.

Jess levou as mãos à boca.

-Que horror!

-E tem mais. Ontem, um dos cachorros do rancho desapareceu enquanto brincava na água. Estou preocupada, eu adorava o bichinho.

-Ah, Sá... eu sinto muito.

-Tudo bem – Sabrina voltou a encilhar Rose. — Só vamos tomar cuidado, está bem? Vamos manter distância da água. Meus pais não acreditam em mim, mas acho que tem alguma coisa no lago que está matando as pessoas e os animais.

-Cruz credo.

-Pois é.

A amiga terminou de encilhar a égua.

-Pode montar – disse, enquanto segurava as rédeas.

Jessie pôs o pé no estribo e deu um impulso para ir para as costas do animal.

-Ela é alta, né?

-Sim. Tem cruza com quarto de milha.

Sabrina entregou as rédeas a Jess, andou até Sombra e o montou.

-Vamos? Você sabe os comandos, certo?

-Sei, sim.

-Ok, vamos.

As duas foram a cavalo até o campo.

-O caminho passa pelo lago. – Sabrina apontou para um belo lago no campo. — Então, vamos passar rápido por ali, tá?

-Tá.

Jessie e Sabrina passaram a galope pelo caminho que cruzava o lago.

As duas correram a cavalo pelo campo, e Jess se sentia livre como nunca se sentira antes. O galope de Rose era macio e não fazia parecer que a menina estava sobre uma cama elástica.

No entanto, não pôde deixar de notar que Sabrina continuava um pouco tensa.

Estavam galopando quando, de repente, o boné de Jess caiu.

-Deixa que eu junto! – Sabrina freou Sombra e desceu de suas costas.

Enquanto Sabrina andava até o boné, Jess observou o lago a distância e viu um gatinho coçando as costas no caminho que o cruzava.

Estava prestes a falar para a amiga olhar o gatinho quando levou um susto.

Um ser monstruoso saiu da água como um crocodilo e tentou abocanhar o felino, que fugiu.

Ele parecia um cavalo, mas era diferente. Tinha chifres na ponta do focinho e entre as orelhas, olhos totalmente brancos e algas penduradas nas crinas.

A criatura submergiu nas águas novamente e o lago voltou à calmaria costumeira como se nada tivesse acontecido.

Notas finais
O que acharam?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.